Chapitre I : Etude bibliographique
I. II-1. Description des formes galéniques à libération contrôlée
I.VI. 1. Rappel bibliographique sur la microencapsulation par évaporation de
A presente investigação apresentou algumas limitações e dificuldades que surgiram ao longo da sua realização.
A utilização de um estudo do tipo transversal proporciona vantagens, como a rápida recolha de dados e custos reduzidos. No entanto, os dados recolhidos permitem apenas descrever a presente situação para os adolescentes com as características da amostra e não é possível prever tendências.
O questionário usado na recolha de dados permitiu a rentabilização do tempo no processo de aquisição de dados. O anonimato e a confidencialidade do instrumento utilizado tinham por objetivo adquirir dados verdadeiros junto dos adolescentes. No entanto, não se pode verificar que as respostas dos adolescentes tenham sido totalmente verdadeiras.
A validade interna do questionário pode ter sido comprometida porque este instrumento continha questões que implicavam os adolescentes auto reportarem comportamentos ou atitudes, os quais podem ter sido sub ou sobrestimados. A utilização de
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questões que exigem aos adolescentes que se lembrem do que já fizeram há algum tempo (p.e. idade em que experimentou fumar) podem induzir em enviesamentos por recorrerem à memória. Os adolescentes também podem ter-se sentido intimidados por revelar as verdadeiras respostas, mesmo sendo anónimo, e responder informações “socialmente aceites”.
Algumas questões do questionário não foram suficientemente claras e concisas ao ponto de se extrair informação para poder ser trabalhada.
A validade externa do estudo pode ser comprometida porque se utilizou uma amostra para recolha de dados, em vez da população dos adolescentes do 9.º ano de escolaridade da ilha Terceira, devido à limitação temporal. Deste modo, os resultados obtidos necessitam de confirmações em estudos posteriores na mesma área e com maior dimensão. A interpretação dos resultados obtidos no presente estudo necessitam de um rigor extremo para se generalizar os dados porque os restantes adolescentes que não foram inquiridos podem diferenciar-se muito dos que foram incluídos na amostra. Isto pode comprometer a representatividade e validade dos resultados.
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5. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES
A presente investigação permitiu um melhor conhecimento sobre o comportamento face ao consumo de tabaco reportado pelos adolescentes escolarizados da ilha Terceira e caracterizar alguns fatores associados.
A amostra apresentou uma prevalência de consumo regular, ocasional e de experimentação de tabaco superiores às médias nacionais.
A idade média de início de consumo na amostra mostrou ser mais precoce que os dados nacionais. Estes dados sugerem a realização de estudos futuros com vista a analisar os fatores subjacentes à idade de iniciação de consumo mais precoce de todo o país.
Existe uma maior percentagem de rapazes que consome regularmente tabaco do que raparigas. No entanto, as raparigas apresentam uma maior percentagem no consumo ocasional e experimentaram fumar mais que os rapazes.
O consumo de tabaco nos adolescentes do 9.º ano de escolaridade na ilha Terceira assume valores muito preocupantes comparados aos registados em âmbito nacional. Este resultado mostra o quanto é necessário implementar estratégias de prevenção e controlo do tabagismo entre os adolescentes da ilha Terceira.
A experimentação do consumo de tabaco ocorreu, maioritariamente, devido à curiosidade e na companhia dos amigos. É relevante a importância dos amigos no contexto da experimentação, embora seja a curiosidade o motivo que mais leva adolescentes a experimentar fumar. Não foi possível determinar os fatores subjacentes à “curiosidade”, por isso sugere-se que no futuro sejam elaborados estudos que permitam um melhor conhecimento sobre o principal motivo referido pelos adolescentes desta amostra para experimentar fumar.
Este estudo possibilitou o conhecimento sobre o cumprimento da lei que visa restringir a venda de tabaco a menores de 18 anos na ilha Terceira. Verificou-se que os adolescentes compram o seu próprio tabaco e apenas uma pequena percentagem foi confrontada com a recusa de venda de tabaco devido à idade.
Apesar das restrições legislativas sobre a proibição da publicidade ao tabaco em Portugal, uma considerável percentagem de adolescentes da amostra reportou ter observado publicidade ao tabaco em vários sítios ao longo do último ano. A publicidade que os adolescentes da ilha Terceira reportaram ter observado, pode ser direta ou indireta e merece ser investigada na medida em que é importante determinar até que ponto a lei está a ser cumprida.
De uma forma geral, as variáveis associadas ao comportamento tabágico foram: o “desempenho escolar”, os “hábitos tabágicos dos amigos”, a “permissividade dos pais para
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fumar em casa”, a “frequência à exposição ao tabaco em casa”, os conhecimentos da “impotência sexual” como consequência do consumo de tabaco e do “dano à saúde em frequentar ambientes com fumo”, assim como a crença de que os “jovens fumadores têm mais amigos”.
Pode-se concluir que o comportamento tabágico é socialmente aprendido. Os pais, amigos, professores, profissionais de saúde e todos aqueles considerados “modelos sociais” para o adolescente são responsáveis pelas mensagens que transmitem para o adolescente em relação ao tabaco.
O consumo de tabaco é um problema com transcendência social. Os jovens e a população, em geral, não considera o tabaco como um problema.
Este consumo ainda é socialmente aceite e por isso é muito importante que as pessoas sejam informadas dos perigos do seu consumo para a saúde. A literacia em saúde exerce um efeito protetor no consumo de tabaco. Deste modo, a aposta na educação para a saúde é uma das armas na prevenção e junto com medidas legislativas, cria a oportunidade de melhorar o controlo do tabagismo.
Dada a importância da família esta deve envolver-se ativamente em estratégias preventivas. As estratégias antitabágicas na família, na escola, na comunidade e políticas de restrição de fumo em espaços públicos são ferramentas úteis na prevenção do consumo de tabaco entre os adolescentes.
Recomenda-se que os meios de comunicação social participem ativamente em campanhas antitabágicas de forma a mostrar o perigo do consumo de tabaco na saúde visando atingir o maior número de pessoas possível.
Parece ser relevante destacar que a RAA apresenta o menor preço nos produtos do tabaco em Portugal. Esta situação merece uma análise cuidada porque, tendo em conta que a um aumento dos preços dos produtos do tabaco sucede uma redução no consumo e diminuição da iniciação do consumo de tabaco. Esta medida parece ser, sobretudo, efetiva entre os jovens e grupos socioeconómicos desfavorecidos. Desta forma, o aumento dos preços dos produtos do tabaco apresenta-se como uma estratégia importante na prevenção da iniciação e no controlo do consumo naquela que é a região com prevalências de consumo mais elevadas, tanto nos adolescentes como nos adultos, em Portugal.
A implementação de estratégias preventivas em adolescentes deve promover o desenvolvimento e treino de competências, assertividade e capacidade para recusar a oferta de cigarros.
As diferenças no género sobre o comportamento tabágico têm vindo a ser muito debatidas. O conhecimento dessas diferenças pode proporcionar uma melhor orientação e adequação das estratégias preventivas a implementar por forma a serem mais efetivas.
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Em investigações futuras, sugere-se o estudo dos fatores associados ao consumo de tabaco nos adolescentes recorrendo a métodos de recolha de dados que permitam um melhor entendimento das motivações, crenças e representatividades que o consumo de tabaco assume para os adolescentes. Como exemplos, tem-se a entrevista ou técnicas de
focus group.
Existem poucas investigações que caracterizam o consumo de tabaco nos adolescentes da RAA. A caracterização do consumo por ilha é igualmente deficitária.
Das investigações tornadas públicas esta apresenta-se como a pioneira a estudar uma amostra de adolescentes do 9.º ano de escolaridade na ilha Terceira sobre o seu comportamento face a este consumo.
As elevadas prevalências dos consumos de tabaco, tanto nos adolescentes como nos adultos, e uma fraca monitorização do consumo no panorama regional revelam a urgência de um estudo transversal às nove ilhas dos Açores. O estudo deve contemplar amostras representativas, por sexo e idade, em todas as ilhas visando a determinação do padrão de consumo e fatores associados.
Os resultados obtidos nesses estudos poderão contribuir para a realização de políticas regionais de controlo do consumo de tabaco e prevenção da iniciação, porque o essencial é nem começar a fumar.
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