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Le rap, style musical structurant pour les têtes de quartier et vecteur d’intellectualisation

Dans le document Les «têtes de quartier» (Page 39-42)

Heidegger retorna às raízes gregas da palavra Phainomemn ou Phainestai e

logos. Phainomenon significa aquilo que se mostra, o manifesto, o revelado. “Pha, semelhante a phos, significa luz, brilho, aquilo em que algo pode se tornar

manifesto, visível” (Espósito,1997, p.79). Portanto, phainestai e logos, na

fenomenologia, significam deixar que as coisas se manifestem como são, sem que projetemos, nelas, as nossas próprias categorias. Não é a pesquisadora que indica

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as coisas, são as coisas que se nos revelam. Implica, ainda, que a interpretação não se funda na consciência e nas categorias humanas, mas, sim, na manifestação das coisas com que nos deparamos no mundo, da realidade que vem ao nosso encontro.

Heidegger põe no centro do inquérito fenomenológico, o ser na sua

existência, a ontologia, o que solicita uma outra epistemologia em que o logos não

seja visto como lógica, mas como discurso esclarecedor. Ao ser repensada, como uma fenomenologia hermenêutica, fundamenta-se na compreensão e interpretação pelas quais as coisas se mostram ao buscar tornar visível a estrutura do ser-no- mundo. Compreensão que, numa perspectiva voltada para as ciências humanas têm um sentido especial, pois refere-se ao poder de captar as possibilidades que cada ser humano tem de ser no contexto do mundo em que existe (Bicudo,Espósito,

1997).

Para Heidegger, o ser pode referir-se a pre-sença singular, a seres coletivos ou a humanidade. A análise fenomenológica é feita para elucidar a maneira particular do ser. O ser que é revelado não é meramente o ser de um objeto, mas o nosso próprio ser. Como uma floresta que não pode ser vista olhando só para as árvores, o ser é exaurido pelo ser-no-mundo real (Omery, 1995).

Ao se basear na estrutura prévia da compreensão, no pré-reflexivo e na ontologia, a investigação fenomenológica tem como objetivo fazer com que o ser interrogado se revele, sendo que o acesso à compreensão não pode ser buscado através da manipulação e do controle, mas através da abertura ao outro e ao mundo.

Na perspectiva das Ciências Humanas, tal como aqui se coloca, apoiada na trajetória fenomenológica hermenêutica, de compreender e interpretar os fenômenos humanos; compreender o significado para a família de vivenciar a doença mental implica em apreendê-la não apenas como um grupo social, mas, sim, como um grupo constituído de seres humanos com múltiplas possibilidades de se mostrarem e serem-no-mundo, a partir de uma disposição interior. Compreender a família foi a trajetória percorrida para que esta pudesse mostrar-se como ser-no- mundo.

Pensar o cuidado de maneira a estar-com-o-outro, de modo solidário e que envolva preocupação, exige repensá-lo como uma construção individual e coletiva.

dos profissionais consigo mesmos e destes com os seres-aí cuidados, portanto, tendo um movimento e perspectivas, a partir de uma situacionalidade que, nessa pesquisa, é desvelar o mundo da família que vivência a doença mental em sua existência.

Para Espósito (1997), a hermenêutica não se trata de se ater à interpretação estrutural do texto, apenas na perspectiva da análise puramente lingüística, mas na procura do significado que a obra, enquanto produção humana, é capaz de expressar, a partir do contexto do qual emerge. Trata-se “daquele que lê” partir das experiências vividas e interpretá-las a luz do referencial filosófico adotado e da sua própria experiência enquanto sujeito que interroga. Ao se apropriar de um discurso, a pesquisadora se apropria também de uma proposição de mundo, de uma visada, de um horizonte.

Compreender é, pois, compreender-se diante do texto, passado, presente e futuro como horizonte e possibilidade. Há, pois, uma relação de aproximação e distanciamento. A compreensão torna-se, então, tanto desapropriação como apropriação. A partir do texto, subentende-se que o distanciamento é condição para a compreensão. A pesquisadora, ao fazer uso da fenomenologia-hermenêutica, procura explicitar o dito no texto, podendo e devendo “ir além do texto”, para encontrar aquilo que ele não diz e que, talvez, não pudesse dizer.

Toda interpretação está fundada na compreensão, isto garante o saber. Interpretar não significa o mostrar-se do fenômeno para a pesquisadora, mas, sim, o mostrar-se do fenômeno no seu em si mesmo. No entendimento de Heidegger: “ a interpretação é a recuperação da compreensão, e está fundada numa pré- compreensão, que é a tradição. Assim, o que cada um de nós é, em termos de possibilidade, tem seu solo na tradição cultural” (Lopes,Souza,1997,p.86). Compreender é, então, no pensar heideggeriano, captar o sentido como modos de ser. Na concepção heideggeriana, a hermenêutica é entendida como uma teoria da compreensão e da interpretação. Essa interpretação ultrapassa o texto em busca do seu sentido velado. A pesquisadora interroga, de maneira meditativa, sobre o que o texto não disse. Entendida como a via de acesso para o des-velamento do ser, a analítica existencial da pre-sença torna-se o ponto de partida para a discussão do problema. A pesquisadora parte para a descrição da ex-istência, desenvolvendo os momentos essenciais, isto é: “os modos de ser do acontecer humano em sua

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cotidianidade” (Lopes, Souza, 1997, p.86).

Para Capalbo (1996), a hermenêutica constitui-se na tentativa de explicar e de interpretar a existência de um ser, o pensamento situado. A fenomenologia, enquanto hermenêutica, pretende interpretar esta existência, este pensamento situado. A existência é prê-dada à reflexão. A tarefa da reflexão é a de tentar colocar, de modo claro, as estruturas desta existência, assim como captar a sua significação. O que interessa na interpretação é a dimensão da significação e do valor do texto. A partir de Capalbo (1996), Motta (1997) e Crossetti (1997), o processo de análise e interpretação dos discursos realizou-se como se apresenta a seguir:

# Leitura Inicial do Texto - esta foi a primeira etapa da análise e teve por objetivo iniciar uma compreensão genuína dos discursos, ou seja, perceber os primeiros significados advindos dos discursos das famílias. Esta leitura foi realizada várias vezes, até emergirem os primeiros significados de vivenciar a doença mental na família. Após apreender os significados, iniciei o processo de organização dos dados. Este primeiro passo possibilitou uma visão daquilo que eu buscava desvelar, a partir do que emergiu dos discursos.

# Distanciamento - após a realização da leitura inicial, busquei exercer um afastamento, em que o meu juízo pessoal foi suspenso, abstendo-me de preconceitos e crenças sobre os discursos, para me submeter ao texto e acolher o material fornecido pelos discursos.

# Análise dos Discursos - nesta etapa, procedi à síntese em direção da significação e do valor do texto. Nela, incluí, também, uma leitura profunda e crítica do que apareceu nos discursos. Por isso, compreender um texto não significa reproduzir o que pensava o autor ou fazer um inventário histórico do pensamento passado. Compreender envolve um apreender atual que se faz na historicidade da nossa existência. A interpretação é a manifestação e a restauração de um sentido que nos é dirigido sob a forma de uma mensagem, tendo duplo significado: um que é dado, manifesto, e outro que é escondido, latente. 0 significado desvelado foi tematizado e compreendido, o que fez emergir os temas e subtemas dos discursos

daquele momento existencial para a família do ser-aí portador de doença mental, naquela realidade vivida por eles. De acordo com Boemer (1994), a leitura dos discursos inclui mensagens implícitas e explícitas, verbais e não verbais, alternativas e contraditórias: os temas vão sendo determinados em função do exame dos dados e de sua contextualização. Estes temas foram, freqüentemente revistos, reformulados e questionados, à medida que a análise se desenvolveu.

# Identificação do Que Se Encontrava Velado - esta etapa do processo de análise compreendeu a criação de uma outra linguagem que desvelou um novo significado, até então, implícito no cotidiano dessas famílias e que foram explicitados através da interpretação hermenêutica. Nessa etapa, foram definidos os subtemas, que culminaram em quatro grandes temas, a partir do referencial teórico utilizado.

# Apropriação - esta etapa foi responsável pela finalização da análise e interpretação hermenêutica. O sentido dos discursos, antes obscuros, passaram a frente do texto, tornando-se mais visíveis. Para Crossetti (1997, p.49), “O ato de apropriação, como o próprio termo diz, é quando a pesquisadora se apropriou do que é desvelado dos discursos e está apta para a compreensão da metáfora”. A apropriação acontece a partir da compreensão dos discursos que expressam as experiências vivenciadas pela família do ser-aí portador de doença mental, á luz de Heidegger.

A seguir, apresento, de modo esquemático, como se deu a organização dos dados. Primeiramente, foram determinados os subtemas e posteriormente, os temas a fim de facilitar a compreensão:

- MODOS DE SER DA PRE-SENÇA: Afetividade

Autenticidade Inautenticidade Espacialidade Impessoalidade

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- PERCEPÇÃO SOBRE O CUIDADO:

A Realidade do Cuidado No Mundo do Hospital Psiquiátrico A Relação Com os Profissionais de Saúde

- SER CUIDADO

Preocupação

Tranqüilidade No Ambiente Familiar

- NECESSIDADES QUE EMERGEM AO VIVENCIAR A DOENÇA MENTAL

Conhecimento Afetividade

Linguagem Poder-Ser

Apresento então, o capítulo denominado Análise dos Discursos em que são explicitados os temas e subtemas que emergem dos dados.

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