• Aucun résultat trouvé

2   LES  TRAITEMENTS  DU  CANCER

2.2   LA  RADIOTHERAPIE

2.2.1   Radiothérapie  externe

Em 1900, Pedroso publica na sua rubrica “Política internacional”, parte da revista

Brasil-Portugal, um artigo intitulado “um encontro em Paris (o dialecto indo-portuguez de

Ceylão)”. No mesmo, refere que teria visitado recentemente Paris, provavelmente durante a Exposição Universal 1899, sendo que teria ficado durante algum tempo no pavilhão de Ceilão, onde se teria cruzado com um conjunto de “singhaleses, de tez acobreada, de feições correctissimas, com as cabeças artisticamente penteadas com a jatá, o toucado

predirecto que usa o deus Siva”. Ainda assim, de todos os indivíduos ali presentes, Pedroso teria tomado interesse por um transeunte determinado, que lhe teriam dito que falaria um dialeto específico de português: “português de Ceylão, que é perante o mundo civilizado o atestado mais significativo do que foi e do que valeu a nossa conquista do Oriente, aliás politicamente tão ephemera.” De facto, Pedroso refere que Portugal teria proliferado pelos seus domínios coloniais um conjunto de línguas crioulas, que o autor refere serem faladas também em Macau e Cabo Verde.

Para Pedroso, os crioulos seriam não misturas da língua original com dialetos locais, mas uma modificação das línguas europeias pelos locais. Pedroso apresenta assim, segui- damente, os crioulos como uma questão de “alta significação política”, ou seja, como uma forma de demonstrar “o conhecimento exacto da força de expansão civilizadora da raça portuguesa”. Deste modo, argumenta o autor, apenas raças com uma “vitalidade physiologica” pronunciada dariam origem a mestiços. O mesmo seria verdade no que se referiria à criação de crioulos, que demonstrariam a “intensidade da vida histórica” das raças que lhes teriam dado origem, demonstrando entre os povos indígenas a impressão que teria deixado uma raça “civilizada e forte”.

Portugal, segundo o autor, seria a demonstração cabal de tal questão, já que seria, das nações europeias, aquela que mais crioulos teria criado, demonstrando os mes- mos “as fortes qualidade da sua robusta população”, mesmo que o seu domínio colo- nial no Oriente tivesse sido efémero. Ainda assim, para ao autor, o português de Ceilão seria uma demonstração de tais qualidades, já que teria continuado a ser falado mesmo depois da conquista holandesa da área e teria sobrevivido até aquele momento, muito

embora os holandeses tivesse tentado introduzir o seu próprio idioma (Pedroso, 1900, p. 260).

Deste modo, Pedroso acaba por concluir em relação a Portugal que, como nação de feição atlântica, embora tivesse perdido o seu poder imperial no Oriente ainda durante a época Moderna, o seu impacto civilizacional naquela região do globo continuaria a fazer- -se sentir, muito embora estivesse já fora do seu alcance a possibilidade de um império na área. Deste modo, dentro da sucessão de hegemonias que nos propusemos a estudar, Portugal, muito embora tenha sido o primeiro hegemon a perder o seu império territorial,

tê-lo-ia mantido em termos culturais. Deste ponto de vista, embora a sua “missão histó- rica”, como vimos, pudesse estar cumprida, Pedroso refere que a decadência do império seria apenas um “occaso” (Pedroso, 1898, p. 8) e não um apagamento total do poder português, que se manteria em termos linguísticos e por isso, culturais e civilizacionais. Terminamos como termina Pedroso: “Só morrem os povos que pretendem morrer. (…) Tenho dito” (Pedroso, 1898, p. 26).

Referências

Benvinda, F. S. R., 2018. Peace and War in 1880s Europe: Zófimo Consiglieri Pedroso’s Views on European Multilateralism. IDN Brief, Janeiro. Disponível em https://www.idn.gov.pt/publica-

coes/newsletter/idnbrief_janeiro2018.pdf.

Braudel, F., 1989. A Gramática das Civilizações. [T. Costa, trad.] Lisboa: Editorial Teorema.

Cassel, P. K., 2012. Grounds of Judgment: Extraterritoriality and Imperial Power in Nineteenth-Century China and Japan. Oxford: Oxford University Press.

Duara, P., 2001. The Discourse of Civilization and Pan-Asianism. Journal of World History, 12(1),

pp. 99-130. Disponível em http://www.univie.ac.at/Sinologie/repository/seLK420_ TheoriesOfTransculturality/Duara.pdf.

Faure, D., 2000. The Mackay Treaty of 1902 and Its Impact on Chinese Business. Asia Pacific Busi- ness Review, 7(2), pp. 79-92.

Hevia, J. L., 2007. “Looting and its discontents”. In: R. Bickers e R.g. Tiedemann (eds.), The Boxers, China and the World. Plymouth: Rowman & Littlefield Publihers Inc.

Leal, J., 2000. Etnografias Portuguesas (1870-1970): Cultura Popular e Identidade Nacional. Lisboa: Publi-

cações D. Quixote.

Le goff, J., 1984. “Progresso/reacção”. In: R. Romano e R. Ruggiero (eds.), Enciclopédia Einaudi,

Vol. 1. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda.

Matos, S. C., 1997. “A história na instrução pública oitocentista: permanências e inovações”. Con- tributos da investigação científica para a qualidade do ensino. Actas do III Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Vol. I. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Ciências da Educa-

ção.

Matos, S. C., 1992. História, Positivismo e Função dos grandes Homens no Último Quartel do Séc. xIx. Penélope – Fazer e desfazer a História, Nº 8. Lisboa: Edições Cosmos.

Pedroso, Z. C., 1884. Manual de Historia Universal. Paris: guillard, Aillaud e Cia.

Pedroso, Z. C., 1885. Compêndio de História Universal. Porto: Livraria Universal de Magalhães e

Moniz.

Pedroso, Z. C., 1898. Influência dos Descobrimentos Portuguezes na Historia da Civilização – Conferencia realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa: A Liberal.

Pedroso, Z. C., 1900. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 41. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1901a. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 48. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1901b. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 50. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1901c. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 63. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1901d. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 67. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1902a. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 88. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora.

Pedroso, Z. C., 1902b. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 94. Lisboa:

Typographia da Companhia Nacional Editora

Pedroso, Z. C., 1904a. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 119. Lis-

boa: Typographia da Companhia Nacional Editora

Pedroso, Z. C., 1904b. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 123. Lis-

boa: Typographia da Companhia Nacional Editora

Pedroso, Z. C., 1904c. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 131. Lis-

boa: Typographia da Companhia Nacional Editora

Pedroso, Z. C., 1904d. Politica Internacional. Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada, Nº 134. Lis-

boa: Typographia da Companhia Nacional Editora

Sebring, E., 2015. Civilization & Barbarism: Cartoon Commentary & “The White Man’s Burden” (1898–1902). The Asia-Pacific Journal, 13(27). Disponível em https://apjjf.org/-Ellen-

-Sebring/4339/article.pdf.

Ventura, A., 2004. “Zófimo Consiglieri Pedroso”. In: J. Medina (ed.), História de Portugal, Vol. 9.

Documents relatifs