A formação inicial desta professora, como ela mesma afirmou foi meio
fragmentada, chegando à conclusão do curso de Biologia, após alguns trancamentos de disciplinas por motivos familiares.
Especializou-se na Faculdade de Franca, cursando Ciências e Tecnologia na qual teve acesso aos primeiros dados sobre CTS, embora admita que os conhecimentos que tem sobre este tema não vieram só desta formação.
Para Helenice, as informações obtidas, tanto sobre a abordagem CTS como a ambiental e saúde, foram por meio dos vários estudos realizados na escola Segundo ela,
dentro da graduação e mesmo na especialização, nós não tínhamos muitas oportunidades de discussão destes temas, foi mais dentro d escola mesmo, que estava sempre proporcionando situaçõeTque permitiam o contato do professor com estes assuntos que estão^em
evidência.
Trabalhou na escola durante vinte e dois anos, sendo vinte anos como efetiva e, após sua aposentadoria, retornou como professora substituta. Atualmente não est' mais na escola onde realizamos a pesquisa15. Hoje, Helenice trabalha numa escola particular e, admitiu em entrevista, sentir diferenças no trabalho com o Ensino de Ciências entre a instituição que atua e a que atuou. Sua maior dificuldade está na
falta de contato com os demais colegas, culminando na ausência de horário d
a. os estudos em grupos. Ao comentar sobre o tempo dedicado à escola, demonstrou o quanto a permanência nesta contribuiu para sua formação.
15 Anóc o neriodo de observação em sal de aula, o contrato de Helenice, como professora substituta, vencTu e a entrevista aconteceu quando ela já não se encontrava « na escola.
Meu tempo na escola foi muito enriquecidor. Eu tenho saudades porque na escola que estou atualmente é outra visão e nós nã
temos as oportunidades de estudos. (...) Acho que, se o professo falar que não foi favorecido por isso, está fazendo uma análise
errada, principalmente depois que a gente sai é que você tem um visão clara do que isto lhe auxiliou. Eu sempre valorizei muito ° oportunidades que tive. Mas agora que estou em uma esc 7 diferente, você percebe a falta que faz isso. O professor que somem ministra aula, tem uma dificuldade a mais. Até o contato hu S diferente, isto é restrito. Acho que a escola favoreceu muito e
Além de reconhecer as oportunidades de crescimento profissional proporcionado pela escola, Helenice nota que as condições de trabalho das demais escolas são diferentes, e este fato acaba gerando uma orgamzação e dinâm.ca que ~ .-i nronosta voltada para um ensino que contribua
favorece à concretização de uma proposta voj P
efetivamente para a formação integral do aluno, pois nas oportunidades de estudos, os temas abordados servem de embasamento teórico para as ações praticadas dentro da
instituição. , TT , .
Em relação á formação cidadã oferecida peia escola, Helentce acred.ta que a of. tpmática deve estar além do discurso. Entende que a escola que preocupação com esta tema
■ j trincarão deve prestar um ensino que faça seus alunos
se prontifica a este tipo de educaçao, P
~ c ríriítdãs não se restringem aos limites da escola. Este
compreenderem que as açoes cidadas nao *
r • ripfinic.ão de c dadania fornecida pela professora, fato se comprova pela propna definição
Segunda ela,
A idéia de cidadania, eu vejo que é uma pessoa engajada no local d ela vive e assim sabendo de suas responsabilidades, tendo Zrnorometimentos, sabendo de seus direitos. Simplificando, seria ma pessoa engajada, consciente do seu papel no lugar onde ela U tiver vivendo Se ela é consciente, ela sabe que as ações que fizer hoje terão consequências e será responsável por elas.
Constatamos, neste comentário, a existência de um elo entre cidadania e vivência. Ou seja, para Helenice, formar para cidadania é oferecer elementos aos alunos, que irão estruturar diferentes ações no decorrer de suas vidas e no contexto em que estiverem participando, sejam essas presentes ou futuras.
,, n-trmacão nara além dos muros da escola, a professora
Quanto a esta idera de formaçao p ,
. c miais evidencia-se a dificuldade apresentada pelos fornece alguns exemplos, nos qua.s evi
6 , . )im„ consciência cidada. Nem sempre eles conseguem
alunos no desenvolvimento de uma con
^nas discutidas em sala, com as açoes realizadas por relacionar as situações co
„rpncuoacão de Helenice, citamos um dos exemplos, eles Para exemplificar esta p P
, notícia de jornal sobre o vandalismo urbano com a onde faz comparações de u
depredação do próprio patrimônio escolar:Uma vez o menino estava rabiscando com errorex a carteira. Eu
trouxe para a sala a discussão sobre uma noticia dos pixadores de prédios. Tiveram uns pixadores que lavar toda a parede pixada. Aí, nós falamos sobre os alunos que rabiscam a carteira com errorex, e perguntei se esses alunos não estariam sendo pixadores em um
ambiente menor. Os alunos alegaram que o menino não usa a tinta do pixador. Você entendeu? Está errado só o de lá. Este raciocínio: buscar de lá, pensar de lá, trazer para cá e analisar o próximo dele, é o que vai despertando realmente esta consciência e esta postura diferenciada Do contrário, nós estaremos contando em nossos cadernos, em nossos registros, que nós estamos formando cidadãos, mas nós não estamos.
A professora acredita que é papel da escola mostrar ao aluno que suas atitudes podem iniciar em escala menor - na escola, em casa, na rua — até atingir um espaço mais amplo, onde haverá o benefíciamento ou o prejuízo para um número maior de pessoas. Para ela, a formação cidadã permite o movimento de reflexão entre o fato que está próximo e o mais distante.
Então é onde eu penso que às vezes a gente equivocadamente acha.... fica muito no papel... A escola tem que formar o aluno cidadão, e
muitas vezes com atitudes pequenas . Na escola, com o próprio patrimônio da escola se ele souber cuidar dele e se nós estivermos mostrando para ele que aquilo lá é uma miniatura do mundo que ele vive...
Entendemos que esta postura, além de valorizar a percepção do estudante daquilo que está em seu mundo, favorece a extensão de conceitos para outros ambientes, outros contextos.
Ao tratar sobre o Ensino de Ciências voltado para a cidadania, a professora acredita que este conteúdo permite o trabalho com valores e mudança de atitudes, mas entende que esta é uma tarefa complexa, na qual é necessário respeitar o que aluno traz de sua formação familiar, e, na medida do possível, influenciá-lo a ponto de mudar seus hábitos. Para ela,
valores são questões difíceis de serem trabalhadas. Mas em cima daquilo que você acredita, que você valoriza é moldar sua postura
fdo alunoj (■■■) Acredito que as atitudes dele estão ligadas aos
valores que ele tem, que ele traz de casa e que nós educadores temos V
uma responsabilidade sobre isso, mas não é fácil!
, rontP aq aulas que a professora respeita os valores dos alunos
Observamos, durante as h
orw^enta o uue ela entende sobre os mesmos por ser a melhor e, de alguma maneira, apresenta o qu
■ emitindo aue cada um escolha aquela que achar adequada para tal. forma de agir, permitina q
enfoques da saúde, do ambiente e da tecnologia, é fundamental para que o aluno compreenda seu entorno:
Eu acho que, a partir dessas abordagens, o professor faz o aluno se situar. Porque, dentro dessas abordagens, você está colocando o aluno em contato com praticamente tudo que está em volta dele, e ele está refletindo sobre isso, e até se posicionando. Espero que isso seja favorável para ele viver bem, engajado e ser de fato um cidadão atuante. Quando a gente trabalha o Ensino de Ciências dentro dessas abordagens, este proporciona ao aluno a reflexão de tudo isso na vida dele. Tem a Ciência, a Tecnologia, a Saúde , o Meio Ambiente, quer dizer é a vida do cidadão dentro desses contextos, nos quais o aluno vai analisando o que de benefícios está lhe trazendo, o que também de desvantagens, como ele podería estar agindo nestes contextos, futuramente. Então a Ciência tem uma contribuição muito grande ao se adotar essas abordagens no cotidiano, na vida escolar.
Concordamos com a professora ao reconhecer a importância do Ensino de Ciências para a educação cidadã, ressaltando a presença das situações do cotidiano e a sua valorização para a compreensão do estudante daquilo que o cerca.