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4.2 R´ esistance au bruit
4.2.2 R´ esistance de la transmission progressive par KSN
Na perspectiva de Relvas (2015), conceitos tão abstratos como a emoção, por exemplo, são complexos de serem definidos e estudados. É sabido, pelo avanço dos estudos em neurociências, que cada sensação ou sentimentos expressos pelo corpo humano são ativados por meio de circuitos neuronais. O sistema límbico refere-se a um desses circuitos neuronais, constituído por estruturas como: hipocampo; tálamo; hipotálamo; amígdala; entre outros. Contudo, o hipocampo é uma das principais estruturas desse sistema, pois executa importante função vinculada à memória (RELVAS, 2015). Os processos emocionais do SN relacionados as suas estruturas são regulados pelo sistema límbico (CAPELATTO, 2015). Diante disso, um detalhamento acerca desse sistema, torna-se relevante para esta pesquisa.
É perceptível a relevância de estudos relacionados ao SNC, principalmente, acerca da plasticidade neural na aprendizagem, reconhecendo as contribuições e a sua eficiência para o âmbito educacional. Nesse sentido, Fonseca (2009, p. 158) menciona que: “Aprender é, inequivocamente, a tarefa mais relevante da escola. Muitas crianças ou jovens aprendem sem dificuldades, porém outras, apesar do seu potencial de aprendizagem normal, não aprendem por meio de uma instrução convencional.”. Para o autor, urge a necessidade de se utilizar diferentes instrumentos que possibilitem o desenvolvimento da aprendizagem, contemplando as dificuldades e as singulares formas de aprender de cada indivíduo.
Corroborando essas percepções, Relvas (2015, p. 22) ressalta que é necessário aprofundar os estudos sobre o sistema nervoso central, para que se possa “[...] aprender a aplicar metodologias e recursos didáticos com a finalidade de saber potencializar as redes neurais dos educandos corretamente.”. Assim, em se tratando do desenvolvimento emocional de cada estudante, profissionais da educação ao compreender os circuitos neuronais e suas funções podem auxiliar durante o processo de aprendizagem.
Na perspectiva de Giffoni (2015), o desenvolvimento físico e psíquico do ser humano ocorre em todos os períodos da vida e, para que esses desenvolvimentos ocorram são necessário desafios. Elementos como brincar, jogar e experimentar, estimulam o desenvolvimento do processo de aprendizagem, a partir da exploração do ambiente (GIFFONI, 2015). Segundo o autor (2015, p. 30-31), a organização do espaço de aprendizagem “[...] deve ser pensada, tendo como princípio oferecer um lugar acolhedor e prazeroso para a criança, isto é, um lugar em que as crianças possam brincar, criar e recriar suas brincadeiras, sentindo-se estimuladas e independentes.”. Assim, a aprendizagem ocorre de forma lúdica e atribui significados com os seus desafios (GIFFONI, 2015).
Entre as inúmeras estruturas que constitui o cérebro humano, encontra-se o sistema límbico, responsável pela emoção. Para explicitar as funções relacionadas à cada região presente nesse sistema, elaborou-se o Quadro 1 com base nas especificidades apresentadas por Relvas (2015).
Quadro 1 – Regiões presentes no Sistema Límbico e suas funções
Região do cérebro Função
Hipocampo Responsável pela memória e, portanto, na consolidação das informações.
Tálamo Responsável pela reatividade emocional do homem.
Hipotálamo
Responsável pelo controle do comportamento emocional. Esta região atua como um fio condutor de todos os níveis do sistema límbico, especificamente, relacionados a emoção como o prazer e a raiva.
Amígdala
Responsável por identificar perigos, medo, ansiedade. Esta região atua em conjunto com o hipotálamo no controle das emoções e processos de motivacionais.
Fonte: Elaborado pela autora de acordo com Relvas (2015).
Para Cosenza e Guerra (2011), a emoção e a motivação necessitam de estímulos que, quando provocados, liberam sensações de bem-estar. Por consequência, as motivações e o desejo por obter novos momentos de bem-estar levam o indivíduo a repetir suas ações, ao fato de desfrutar de satisfações prazerosas desejadas. Assim, do mesmo modo, ocorre na aprendizagem por meio do reconhecimento e a satisfação por aprender, torna-se um estímulo
para o indivíduo buscar por mais momentos de satisfação (COSENZA; GUERRA, 2011). Conforme Cosenza e Guerra (2011, p. 84), essas ações estão intrinsecamente relacionadas:
[...] as emoções precisam ser consideradas nos processos educacionais. Logo, é importante que o ambiente escolar seja planejado de forma a mobilizar as emoções positivas (entusiasmo, curiosidade, envolvimento, desafio), enquanto as negativas (ansiedade, apatia, medo, frustração) devem ser evitadas para que não perturbem a aprendizagem.
Nesse contexto, detecta-se que as emoções influenciam na aprendizagem, bem como, nas relações sociais. Um ambiente escolar que proporcione um desenvolvimento da aprendizagem de forma prazerosa e estimulante ao estudante, possibilitará ações mútuas de relação entre os processos cognitivos e emocionais (RELVAS, 2015). Entretanto, um processo educacional que excita o medo e a ansiedade desencadeia efeito negativo na aprendizagem, acessando regiões cerebrais que podem levar às DA (COSENZA; GUERRA, 2011). Maldaner (2011, p. 86) corrobora essas percepções ao afirmar que:
O medo da rejeição não permite expor suas ideias, formular hipóteses, comparar suas ideias com a dos outros, etc. E, uma vez que a construção do conhecimento pressupõe essas e outras estratégias, o professor e a escola como um todo devem ter o cuidado de desenvolver um ambiente de confiança e bem-estar como condição para obter resultados satisfatórios no que diz respeito ao desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. (2011, p. 86).
As atividades escolares que exploram o jogo, a brincadeira, a música e o contato com material manipulável, por exemplo, promovem momentos de satisfação e emoção. Esses momentos prazerosos ativam o sistema límbico por meio de neurotransmissores nos circuitos neuronais, facilitando a aprendizagem (COSENZA; GUERRA, 2011). Nesse sentido, ressalta- se a pertinência em explorar o lúdico na prática pedagógica, instigando a imaginação e a manipulação do ambiente.
Segundo Haetinger (2005, p. 82) o lúdico é “[...] referente à, ou que tem caráter de jogos, brincadeiras, diversão, brinquedos, divertimento, passatempos ou entretenimentos.”. O autor evidencia que o lúdico promove a relação entre o objeto e o sujeito da aprendizagem, possibilitando uma integração do conhecimento com situações práticas vivenciadas pelos estudantes. A atividade lúdica proporciona momentos de integração individual e coletiva, gerando motivação e participação entre os participantes. Em se tratando dessa interação social, Kamii e Joseph (2005, p. 41) destacam que “[...] as ideias das outras pessoas são importantes porque propiciam o surgimento de ocasiões para que as crianças pensem criticamente sobre suas próprias ideias em relação as ideias dos outros.”.
Conforme Haetinger (2005), o desenvolvimento do sistema límbico, responsável pelas emoções, relaciona-se com a dimensão afetiva da aprendizagem, pois a dimensão afetiva permeia e estrutura das demais dimensões do ser humano. As atividades pedagógicas desenvolvidas pelo professor devem favorecer as situações que explorem a ludicidades nos estudantes, oferecendo condições para as relações interpessoais, o enriquecimento da afetividade, a cooperação e, por consequência, a aprendizagem (HAETINGER, 2005). Corroborando essa perspectiva Lara (2011, p. 21), aponta que: “[...] as atividades lúdicas podem ser consideradas como uma estratégia que estimula o raciocínio, levando o/a aluno/a a enfrentar situações conflituantes relacionadas com o seu cotidiano.”.