Partie II : Présentation De L’opération
III. R EGIME F ISCAL DES O BLIGATIONS O FFERTES
Economizar dinheiro é algo que deve ser ensinado aos jovens do mesmo modo que escovar os dentes ou fazer a lição de casa. Estabelecer uma meta financeira, ajudar o jovem a ganhar o dinheiro necessário para alcançar a meta em um espaço de tempo e desfrutar junto a ele o sucesso de a ter alcançado, são passos para começar um programa de poupança bem-sucedido. Há poucas coisas na vida que dão mais satisfação que ganhar o próprio dinheiro e comprar algo que realmente se quer.
A adolescência é uma fase complicada que traz novos desafios financeiros aos pais. É a idade em que os filhos gastam mais. Como a maior necessidade do adolescente é sentir-se parte de um grupo, surgem demandas de maiores gastos relacionados a modas e manias. Alguns pais temem confiar recursos aos filhos adolescentes com receio de que cometam loucuras impensadas, mas esse raciocínio é equivocado, pois não é a disponibilidade de dinheiro que leva o jovem a cometer bobagens e, sim, a falta de orientação ou de confiança em seus pais.
Os pais que têm condições podem garantir casa, comida, estudos e uma mesada que ajudará o jovem a cobrir gastos pessoais cada vez mais íntimos. A própria busca natural de sonhos maiores de consumo será um incentivo ao jovem para que trace seu plano pessoal de estudos e trabalho. A oportunidade de dar ao jovem um voto de confiança em sua responsabilidade pode facilitar a travessia da complicada fase da adolescência. A mesada, além de custear a independência dos
filhos, deve servir como experiência para que aprendam a se disciplinar com relação ao dinheiro. A vida é feita de escolhas e os pais devem dar aos jovens a oportunidade de começar a fazer escolhas de consumo em razão de restrições no orçamento.
Como os estudantes deixam a escola sem habilidades financeiras, milhões de pessoas instruídas obtêm sucesso em suas profissões mas depois se deparam com dificuldades financeiras. Trabalham muito, mas não progridem. O que falta em sua educação não é saber como ganhar dinheiro, mas como gastá-lo – o que fazer com ele depois de tê-lo ganhado. É o que se chama aptidão financeira – o que você faz com o dinheiro depois que o ganhou, como evitar que as pessoas lhe tirem o dinheiro, quanto tempo você o conserva e o quanto esse dinheiro trabalha para você. A maioria das pessoas não descobre o motivo de suas dificuldades financeiras porque não entende os fluxos de caixa. Uma pessoa pode ser muito instruída, bem- sucedida profissionalmente e ser analfabeta do ponto de vista financeiro. Essas pessoas muitas vezes trabalham mais do que seria necessário porque aprenderam a trabalhar arduamente mas não como fazer o dinheiro trabalhar para elas.( KIYOSAKI e LECHTER, 2000, p. 69-70).
Conforme os mesmos autores (2000, p. 22):
O dinheiro não é ensinado nas escolas. As escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais mas não nas habilidades financeiras. Isso explica por que médicos, gerentes de banco e contadores inteligentes que tiveram ótimas notas quando estudantes terão problemas financeiros durante toda a sua vida.
De acordo com Cerbasi (2004, p. 91):
A racionalidade do planejamento financeiro torna o processo de educação financeira bastante simples. Na verdade, sou inconformado com o fato de não existir obrigatoriamente a disciplina de Educação Financeira no ensino médio das escolas brasileiras. Afinal, a falta de poupança é a origem de muitos problemas nacionais, assim como a falta de crédito e os juros elevados. A construção de uma nação rica depende da capacidade de seus cidadãos de enriquecer. O Brasil é, predominantemente, um país de pobres. Por que, então, não incluir a Educação Financeira no currículo básico da formação dos cidadãos?
Diversos autores defendem a inclusão da educação financeira nas escolas. Atualmente existe um projeto sendo realizado em algumas escolas públicas do país. Segundo o artigo Alunos terão educação financeira (2010), ao longo de um ano e meio, dividido em três módulos semestrais, o projeto Educação Financeira nas Escolas pretende formar consumidores conscientes, que consigam administrar bem
seus próprios recursos, sem cair nas armadilhas da cultura do consumo e pensando nos efeitos de suas decisões para o meio ambiente.
O Programa Educação Financeira nas Escolas foi desenvolvido para ajudar os alunos a enfrentarem os desafios cotidianos e a realizarem seus sonhos por meio do uso adequado de ferramentas financeiras, contribuindo assim para um futuro melhor não somente para si próprios como também para o país. Em 2010, o Programa está sendo oferecido como projeto-piloto para algumas escolas selecionadas. Os professores pertencentes a essas escolas tiveram acesso a um curso de capacitação de professores para aplicação, junto aos alunos, do material didático de educação financeira.
A educação financeira é uma preocupação dos pais e agora também do governo que desenvolveu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF): trata-se de um esforço do governo brasileiro que reconhece a educação financeira como ferramenta de inclusão social, de melhoria da vida do cidadão e de promoção da estabilidade, concorrência e eficiência do sistema financeiro do país. O desenvolvimento de um projeto nacional de educação financeira responde a uma necessidade atual da sociedade.
O sucesso da ENEF vai contribuir para um consumo financeiro mais responsável da população, assegurar a conscientização dos riscos assumidos pelos consumidores e reforçar a estabilidade e confiança no Sistema Financeiro Nacional. Além de ações destinadas ao público-alvo adulto, a ENEF prevê ações voltadas especificamente para a Educação Financeira nas Escolas, seguindo uma tendência mundial. Os efeitos dessas ações só poderão ser percebidos a médio e longo prazo, porém são essenciais para a sustentabilidade desse esforço governamental e da sociedade civil, por meio das entidades parceiras nesse projeto.