3.2 Diff´erentes d´efinitions des r´egimes dynamos
3.2.1 R´egime dipolaire : D´efinition et caract´eristiques
Para conhecer melhor alguns grupos de jovens que vivem em Juiz de Fora e sua relação com a política, parte desta pesquisa foi dedicada a ouvi-los, a partir da aplicação de questionários e realização de discussões em grupo focal. Como já foi explicitado, o trabalho foi desenvolvido com adolescentes de 16 a 18 anos, que nas eleições de 2010, puderam escolher se participariam ou não da escolha de representantes para a Assembleia, o Congresso, o Governo de estado e a Presidência da República.
Como tal faixa etária concentra majoritariamente estudantes do terceiro ano do ensino médio, a fase inicial da pesquisa foi realizada em escolas, com alunos dessa série. De cinco escolas procuradas para integrarem o trabalho, três – sendo duas públicas e uma particular – aceitaram participar da proposta.
O critério de escolha para as escolas foi o número de alunos e, consequentemente, a tradição da instituição de ensino na cidade. A pesquisa privilegiou os colégios que concentram mais estudantes. Os questionários foram aplicados em uma turma de cada escola, perfazendo um total de 107 estudantes, sendo 29 do Instituto Estadual de Educação, 31 da Escola Estadual Delfim Moreira, ambas são escolas públicas, e 47 do Instituto Metodista Granbery integrado ao Curso Cave, que são instituições de ensino particular que ofertam o terceiro ano do ensino médio de forma conveniada. Do total de participantes, 61 são do sexo feminino e 46 do masculino.
O Instituto Estadual de Educação (IEE), também conhecido como Escola Normal, é uma das instituições mais antigas da cidade e localiza-se no Centro, na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Espírito Santo. Está situado em um prédio histórico, construído na década de 1930 para abrigar a “Escola Normal”. (JUIZ DE FORA CONVENTION, 2010). Conforme informações da Superintendência Regional de Ensino repassadas para esta pesquisa, a escola tinha, em 2010, aproximadamente mil alunos matriculados no ensino médio.
Número semelhante de matrículas para o citado nível de ensino tinha, no mesmo ano, a Escola Estadual Delfim Moreira, também chamada de Grupo Central. O colégio foi o primeiro grupo escolar de Minas Gerais e, desde 1907, está situado na principal avenida da cidade, a Avenida Rio Branco, esquina com a Rua Braz Bernardino, no Centro. O prédio da instituição, assim como o do IEE, é tombado pelo patrimônio histórico do Município.
O curso pré-vestibular Cave foi inaugurado em 1964 e, cinco anos depois, inaugurou a terceira série integrada, em que o aluno se prepara para o vestibular ao mesmo tempo em que cursa o terceiro ano do ensino médio. Para efetivar essa parceria, o curso realizou, durante anos, convênio com a Academia de Comércio, outro colégio tradicional da cidade, mas, em 2011 foi firmada nova parceria com o Instituto Granbery para oferecer o terceiro ano integrado (CAVE, 2011).
O Cave possui três sedes, sendo que a do terceiro ano funciona em um prédio histórico pertencente ao Granbery, que se localiza na Rua Barão de Santa Helena, Bairro Granbery, no região central da cidade. Já o Instituto Metodista Granbery foi inaugurado em 1889 como o nome “Colégio Americano Granbery”. Atualmente, o instituto oferece turmas desde o ensino infantil até a pós-graduação e, em 2011, contava com aproximadamente 600 alunos matriculados no ensino médio, segundo informações da escola.
Os questionários (ver Anexo A) foram aplicados em uma turma de cada uma dessas instituições em outubro e novembro de 2011. A primeira parte do levantamento corresponde a informações socioeconômicas, baseadas no Critério Brasil (2011), com o intuito de compreender qual é a situação das famílias em que esses jovens estão inseridos.
A partir do questionário, foi possível perceber que, enquanto nas escolas estaduais a maioria dos alunos pertence às classes B2 e C1, na particular, concentram maior número as classes B1 e A2. O resultado demonstra a diferença de nível econômico das famílias que podem possibilitar aos filhos o ensino em instituição privada.
GRÁFICO 1
Escolas estaduais - Distribuição por classe social
40% 25% 8% 5% 0% 20% 2% A1 A2 B1 B2 C1 C2 D
Apesar de entre as turmas participantes da pesquisa haver apenas 5% de estudantes na classe D nas instituições públicas, chama a atenção o fato de a turma particular não apresentar nenhum estudante nas classes C ou inferiores.
GRÁFICO 2
Escola particular Cave/Granbery Distribuição por classe social
15% 38% 43% 4% A1 A2 B1 B2
Além da parte socioeconômica, o questionário também buscou verificar se a imagem que os jovens possuem sobre a política é predominantemente negativa, como aparenta ser, segundo pesquisas, para grupos majoritários da sociedade. A partir da possibilidade de resposta espontânea, foi estimulado que os participantes citassem três palavras que viessem à mente quando se fala da expressão “política”.
De 103 termos usados pelos adolescentes, corrupção foi o mais citado, sendo repetido por 87 deles. Palavras positivas, como democracia, eleições, voto, entre outras, também foram lembradas pelos estudantes, porém com menos frequência. Abaixo estão os termos mais recorrentes (Ver tabela completa no Apêndice C).
Quadro 2: Cite três palavras que vêm à cabeça quando pensa em política
Palavras mais citadas Nº de vezes
Corrupção / corrupto 87 Democracia 14 Eleições 10 Burocracia 9 Desonestidade 8 Roubo 8 Dinheiro 6 Mensalão 6 Voto 6
A prevalência de termos como corrupção, burocracia, desonestidade, roubo, mensalão – que faz referência ao escândalo que começou a ser divulgado antes da reeleição do então presidente Lula (PT) e é tão recorrente até hoje – e também de outras palavras usadas pelos estudantes, como camaradagem, vergonha, jeitinho e irresponsabilidade, se contrapõe com
direitos, mudança e esperança, vocábulos que, apesar de terem aparecido em menor proporção, demonstram que os entrevistados não estão totalmente desiludidos.
Uma percepção interessante é que nenhum dos questionários conteve apenas palavras que fazem referências positivas à política. Em todos eles, pelo menos um dos termos usados foi negativo.
A menor participação dos jovens com idades entre 16 e 18 anos como eleitores, como foi demonstrado no subcapítulo anterior, também foi confirmada a partir da aplicação dos questionários. Entre os 107 estudantes entrevistados, apenas 28 votaram nas eleições de 2010.
GRÁFICO 3 0 10 20 30 40 50 nº alunos
Não Sim Não
respondeu
Você votou nas últimas eleições (em 2010)?
Públicas - 60 alunos
Particular - 47 alunos
Não houve diferença significante na porcentagem dessa resposta entre os alunos das escolas públicas e da particular. Nos dois casos o número de não participantes nas votações foi de cerca de 70% dos entrevistados.
GRÁFICOS 4 E 5