Le pouvoir des rires: des interactions en face à face aux conversations par texto
1. Le rôle des rires dans la gestion des troubles interactionnels:
O espaço dedicado ao conhecimento é normalmente ativado quando se experiencia relações fundadas na valorização dos indivíduos através do seu conhecimento e experiência. A riqueza coletiva, formada através de integração social e experienciada através de um processo dinâmico de partilha de conhecimentos e saberes não tem limites.
Pierre Lévy, define a inteligência coletiva, como sendo “uma inteligência que está dividida por toda a parte, que é valorizada constantemente, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efetiva das competências (...) o objetivo da inteligência coletiva é o reconhecimento e enriquecimento mútuo das pessoas.” (LÉVY: 2007).
A inteligência coletiva pretende abranger e proporcionar o desenvolvi- mento de indivíduos, através de processos de valorização das competên- cias individuais de cada um. Sendo que, esta valorização deve ser trabal- hada em uníssono com uma maior interação e partilha entre indivíduos. Só através de uma interação e comunicação mais esclarecidas, direcio- nadas e descentralizadas se poderá proporcionar um desenvolvimento de todos, para todos.
A inteligência coletiva caracteriza toda a interação humana. É importante saber utilizar a inteligência e saber individual numa atuação coletiva e ampla. James Surowiecki (2007: 37) diz que, “quase podíamos afirmar que estamos programados para ser coletivamente inteligentes.”. O autor identifica quatro condições que caracterizam as “multidões sábias”:
“(...) diversidade de opinião (cada pessoa deve possuir uma informação particular, mesmo que seja apenas uma interpretação excêntrica dos factos conhecidos), independência (as opiniões das pessoas não são determinadas pelas opiniões das que as rodeiam), descentralização (as pessoas são capazes de especializar-se e basear-se num conhecimento local), e agregação (a ex- istência de um mecanismo que transforme os juízos individuais numa decisão coletiva).” (SUROWIECKI, 2007: 36).
James Gardner March afirma que “O beneficio vem da diversidade.”. Tal como March afirma, é bastante importante haver diversidade dentro de um grupo de trabalho. Seja através de diferentes culturas, opiniões, saberes, áreas, etc. É importante que a diversidade contribua não ap- enas para adicionar diferentes perspetivas ao grupo, mas também para: “tornar mais fácil aos indivíduos dizerem aquilo que realmente pensam (...) uma opinião independente é um ingrediente crucial nas boas de- cisões coletivas e uma das coisas mais difíceis de manter intactas. Uma vez que a diversidade ajuda a manter essa independência, é difícil ter um grupo sensato sem ela.”. (SUROWIECKI, 2007: 67)
A capacidade de diferentes indivíduos absorverem e saberem gerir difer- entes opiniões e pontos de vista, concebendo a partir daí uma opinião de grupo bem formada, com raízes bem assentes e sustentadas. Tendo em conta que a opinião gerada pelos vários indivíduos pertencentes a um grupo, é numa fase embrionária gerada de forma individual, pois “a independência não significa isolamento, mas uma relativa liberdade da influência os outros.” (SUROWIECKI, 2007: 69). Tendo em conta que todos os indivíduos têm a sua independência, o que em certa medida ex- pressa a emancipação de opiniões que cada um deve ter antes de mais nada. Assim sendo, um grupo tem mais probabilidades de chegar a uma boa decisão, se os elementos que o compõem, forem independentes uns dos outros (opinião própria e autónoma). “Os grupos mais inteligentes são, portanto, formados por indivíduos com perspectivas diferentes e ca- pazes de se manterem independentes uns dos outros.” (SUROWIECKI, 2007: 69).
Esta noção de independência não deve ser vista de forma negativa, mas sim como uma forma racional, prática e mais autónoma de cada um con- ceber os seus próprios princípios e dar a conhecer a sua cultura.
Tal como Surowiecki explica:
“A independência é importante para obter decisões inteligentes, por dois motivos. Em primeiro lugar, evita-se a correlação dos erros cometidos pelas pessoas. Os erros individuais não prejudicam o juízo coletivo do grupo, excepto quando todos os erros apontam sistematicamente na mesma direção. Uma das formas mais rápidas de predispor sistematicamente a opinião do grupo numa determinada direção reside em fazer com que os seus membros dependam uns dos outros para adquirir informação. Em segundo lugar, é mais provável que indivíduos independentes tragam dados novos, em vez de repetirem a informação conhecida por todos.” (2007: 69).
Este conceito pretende estimular novas dinâmicas, através do reconheci- mento e mobilização de competências, sendo que para tal, está implícita a valorização “técnica, económica, jurídica e de inteligência humana” (LÉVY: 2007). O ideal de inteligência coletiva pretende provocar as pes- soas, levando-as a uma extrapolação das suas barreiras de segurança e conforto.
Segundo Surowiecky, “os grupos mais inteligentes são, portanto, forma- dos por indivíduos com perspectivas diferentes e capazes de se man- terem independentes uns dos outros” (2007: 69). É importante que cada um saiba distanciar-se do outro de forma saudável, para que possam ser discutidos diferentes pontos de vista, e cada um possa opinar consoante a sua perspectiva, e daí surjam as melhores conclusões possíveis. O respeito, o conhecimento e o saber ouvir, fazem parte das práticas de grupo e, da evolução individual de cada um enquanto pessoa. É a partir
HERBERT SIMON
Economista, nascido a 15 de Junho de 1916, vem posteriormente a falecer a 9 de Fevereiro de 2001. Descrito muitas vezes como um polímata, foi investigador nos campos da psicologia cognitiva, informática, administração pública, sociologia económica e filosofia. Em 1978 é-lhe atribuído o Prémio Nobel de Economia, pela sua investigação sobre “processos de tomada de decisões dentro de organizações económicas”.
daqui que cada um se forma e evolui, pois, “desejamos aprender uns com os outros e a aprendizagem é um processo social. Os bairros em que vivemos, as escolas onde estudamos e as empresas em que trabal- hamos configuram as nossas formas de pensar e de sentir.” (SUROWI- ECKY, 2007: 70).
Como escreveu Herbert Simon, “Um homem não ocupa durante meses ou anos um determinado cargo numa empresa, exposto a determinadas correntes de comunicação e afastado de outras, sem acusar os mais profundos efeitos sobre o que sabe, crê, espera, observa, deseja, avalia, receia e propõe.”.
Surowiecky lembra que, as decisões coletivas têm mais probabilidades de serem boas quando partem de pessoas com opiniões distintas que chegam a conclusões independentes, baseando-se sobretudo na infor- mação privada que dispõem.
Hoje, somos bombardeados por informação, seja através da internet, redes sociais, televisões, rádio, jornais, revistas, etc. Além de ser uma quantidade de informação incalculável, muita desta, é falsa ou detur- pada. Torna-se assim cada vez mais imprescindível saber absorver as informações mais fidedignas, filtrá-las e construir a partir daí a opin- ião pessoal. Posteriormente esta informação deve ser partilhada com amigos, familiares, colegas de trabalho, etc., de forma a tentar perceber quais as opiniões de outros indivíduos, fazendo um match up de infor- mações e perceber se a opinião pessoal tem alguma razão de ser e se vai de encontro ao que os outros indivíduos também filtraram.
Ainda assim, e apesar da quantidade de informação ser cada vez maior, tal como Surowiecky (2007: 86) declara, “as informações relevantes transmitem-se rapidamente através do todo o sistema, mesmo na ausên- cia de qualquer tipo de autoridade central.”. Ou seja, mesmo sem haver uma entidade ou individuo a fazer uma filtragem de informação, tanto em termos de quantidade como em termos de relevância, estas tendem a propagar-se mais rapidamente.
É aqui que surge a importância dos indivíduos que são mais seguros de si. Estes tendem a ter mais relevância num grupo, pois “não são tão pro- pensos a deixar-se levar por uma cascata de informação negativa e, em circunstâncias adequadas, conseguem inclusive rompe-la.” (SUROWI- ECKY, 2007: 89). Estes mantêm a sua opinião, fazendo com que os out- ros indivíduos possam pensar duas vezes na informação que recebem. Outro tema preponderante na inteligência coletiva dos dias de hoje, é sem dúvida, a internet. O crescimento e maturação da internet
ao longo dos anos, foi sendo afunilado e guiado no contexto da inteligên- cia e cooperação coletiva, sem qualquer necessidade de haver figuras centrais e/ou hierarquias.
Surowiecky também toca este tema assegurando que:
“O crescente interesse relativo à sabedoria coletiva resulta de diversos fatores, mas julgo que em muitos aspetos se relaciona com o acréscimo de importância da internet. Deve-se em parte, segundo creio, a que o espírito da net respeita e investe na noção da sabedoria coletiva e se mostra, de certa forma, hostil à ideia de que o poder e a autoridade deveriam pertencer a uma elite. Muitos dos motores mais importantes da net – Google, Slashdot e Wikipedia – são produtos da sabedoria das multidões e, em termos mais gerais, a net, pratica- mente pela sua própria estrutura, parece ser contra as hierarquias. Proporciona uma demonstração real diária de que os sistemas podem funcionar bem e inteligentemente sem hierarquias tradicionais e sem uma pessoa no comando. Também relevante é o facto de que a internet torna muito mais fácil a recolha de informação de muitas fontes diferentes do que antes.” (SUROWIECKY, 2007: 302).
Hoje, as pessoas estão constantemente em contacto através da internet, das suas plataformas, e com isso é garantido um aprimoramento do fluxo de informações e da sabedoria coletiva.
“(...) a ubiquidade do acesso à internet e à tecnologia da informação, bem como a maneira como as pessoas se encontram agora simplesmente mais conecta- das (tecnológica se não socialmente) do que antes, têm sido importantes para fazer com que as virtudes da sabedoria coletiva pareçam mais reais do que fantasiosas.” (SUROWIECKY, 2007: 303).
A descentralização da inteligência coletiva
Os animais são um bom exemplo de trabalho, organização e descentrali- zação. Sistemas auto organizados e descentralizados como formigueiros ou colmeias, são claros exemplos. Mesmo funcionando sem um elemen- to organizador estes mostram-se sistemas robustos e adaptáveis.
“A noção de sabedoria das multidões também considera a descentralização como um dado positivo, pois implica que, quando se coloca uma multidão de pessoas, independentes e movidas pelos próprios interesses, a trabalharem de uma forma descentralizada sobre um mesmo problema, em vez de dirigirem o esforço de cima para baixo, obtêm soluções coletivas provavelmente melhores do que qualquer outra solução imaginativa.” (SUROWIECKY, 2007: 98).
A atuação de um individuo perante a sociedade, a cultura e/ou um grupo em que esteja inserido, deve ser autónoma, de respeito e solidária. Cada individuo deve trabalhar de forma individual, tendo sempre em conta o beneficio do coletivo. Assim, e tal como Surowiecky reflete anterior- mente, poderão obter-se mais e melhores soluções, resultados coletivos mais significantes.
Desta forma, Surowiecky descreve a descentralização da seguinte forma:
“Do ponto de vista da tomada de decisões e da resolução de problemas, a descentralização oferece dois aspetos realmente importantes: incentiva a especialização e, por sua vez, alimenta-se dela (especialização do trabalho, dos interesses, dos centros de atenção, etc.). A especialização, como sabemos desde Adam Smith, tende a tornar as pessoas mais produtivas e eficientes. E aumenta o leque e a diversidade das opiniões e da informação no sistema (...).” (SUROWIECKY, 2007: 99).
Por sua vez, o economista Friedrich Hayek também abordou o facto de a descentralização ser crucial, descrevendo-o como, “o conhecimento tático”. O autor afirma, tratar-se de um conhecimento difícil de resumir e de transmitir a outros, pois é especifico de um determinado cargo, emprego ou experiência, mas que é extremamente valioso.
Surowiecky completa a ideia exposta anteriormente de Hayek, dizendo que, na verdade tirar partido dos conhecimentos táticos dos membros é um dos principais desafios para qualquer organização ou grupo. O conceito de descentralização continua a ser explorado por James Surowiecky (2007: 99), onde o autor aborda os pontos fracos e fortes. Assim este diz que, “o ponto forte da descentralização é o de que, por um lado, fomenta a independência e a especialização, sem impedir, por outro lado, que as pessoas coordenem as suas atividades para resolver problemas difíceis. O ponto fraco da descentralização é o de que nada garante que uma informação valiosa descoberta em determinado ponto do sistema seja transmitida ao resto do sistema. Algumas vezes, as informações valiosas não se difundem e resultam, por conseguinte, menos úteis do que poderiam ser”. O autor refere-se ao sistema, ou seja, o grupo ou organização, que deve ter interinamente um fluxo de infor- mação bastante livre, prático e direto, que possibilite a todos os indivídu- os participarem e interagirem da forma mais equilibrada possível. Este continua a sua reflexão afirmando que o que todos gostaríamos era que: “os indivíduos se especializassem e adquirissem um conheci- mento local – o que aumenta o total de informação disponível no interior do sistema – e fosse ao mesmo tempo possível reunir esses conheci- mentos locais e essas informações privadas num todo coletivo, mais ao menos como o Google se serve do conhecimento local de milhões de operadores de páginas da internet para conseguir buscas cada vez mais inteligentes e mais rápidas.” (SUROWIECKY, 2007: 99 e 100).
Ou seja, quanto mais informação, conhecimento e saber abranger o espaço respirável e inteligível de um grupo, mais fácil, rápido, criativo e dinâmico o mesmo vai ser. Só de uma forma saudável e equilibrada se poderá gerir os conhecimentos de um grupo, sejam estes conhecimentos locais, saberes de vida ou um grau académico.
Desta forma, um grupo, “(...) tem de encontrar o equilíbrio exato entre dois imperativos: conseguir que o conhecimento individual resulte global e coletivamente útil (como sabemos que é possível), sem anular, em simultâneo, que seja decididamente especifico e local.” (SUROWIECKY, 2007: 100).
Um bom exemplo de grupos descentralizados são, cada vez mais as redes sociais em particular e a internet em geral. Estas possibilitam a li- gação e coordenação entre indivíduos, sem haver qualquer necessidade que um dos indivíduos se assuma ou afirme como chefe. Até porque a internet e as redes sociais funcionam no sentido de enaltecer a atividade de grupo e, não através de identificação de um chefe. Surowiecky (2007: 97 e 98) aborda também este tema, expondo que, “mais importante foi, sem dúvida, o aparecimento da internet – em alguns aspetos, o mais visível sistema descentralizado do mundo – e das suas tecnologias de- rivadas, como o intercâmbio de arquivos, (exemplificado pelo Napster), que proporcionavam uma clara prova das possibilidades (económicas, organizacionais e outras oferecidas pela descentralização).”.
Aquando da tomada de decisões, quanto mais diversas são as perspeti- vas disponíveis sobre um problema, mais probabilidades existem para que a decisão final seja inteligente, declara Surowiecky (2007: 106). O diretor interino da CIA, Lowell Jacoby proclamou num testemunho dado por escrito ao Congresso: ”O que um grupo de analistas consid- era como simples ruído, pode fornecer pistas fundamentais ou revelar ligações significativas quando submetido ao escrutínio de outros analis- tas.”. Tudo depende da forma como se aborda as questões e/ou proble- mas, a vontade e a atitude que cada individuo e grupo está disposto a dar.
O fluxo de informação tem aqui um papel preponderante, na passagem de informações cruciais para todos os indivíduos, pertencentes a um mesmo grupo. Este deve ser facilitado ao máximo, chegando de igual forma a todos e, fazendo com que cada um tenha a possibilidade de absorver a mesma informação e posteriormente analisa-la de forma autónoma tanto individual como coletivamente.
Thomas C. Schelling escreveu, “As pessoas podem coordenar frequente- mente com outros as suas intenções e expectativas, se cada uma souber que os demais estão a tentar fazer o mesmo.”. A comunicação é um fator determinante para que grupos possam cooperar, funcionar e “respirar” melhor. Sendo que nos dias de hoje, esta comunicação está muito mais facilitada pelas “novas tecnologias móveis – desde o telemóvel ao computador portátil – facilitam em muito a comunicação entre membros de grandes grupos, que podem assim coordenar as suas atividades.”, ar-
gumentou Howard Rheingold. Não só os telemóveis e os computadores portáteis, como a internet, as redes sociais, as aplicações mobile; vieram alterar e dinamizar por completo toda a dinâmica de grupo existente até então. Hoje os canais de comunicação são muito maiores, mais rápidos, diretos, abrangentes e muito mais dinâmicos e interativos.
Cooperação e interação
A cooperação e interação entre pessoas é um fator importante para o perfeito estado de saúde e boa funcionalidade de uma comunidade e de toda a sociedade.
Assim como James Surowiecki relata, “As sociedades e as organizações só funcionam se as pessoas cooperarem. Numa sociedade não se pode confiar apenas na lei para garantir que os cidadãos atuem honesta e responsavelmente.” (SUROWIECKY, 2007: 144). A cooperação é o re- sultado de repetidas interações. Sendo que uma cooperação ativa pode facilitar tudo para todos, “embora, do ponto de vista individual, cooperar dificilmente seja racional. É sempre mais conveniente procurar o inter- esse pessoal e em seguida disfrutar do trabalho dos outros se eles forem suficientemente idiotas para cooperar” (SUROWIECKY, 2007: 144). A cooperação não é um ato racional, mas já devia ser um hábito, pois tudo seria mais simples e funcional.
Em relação ao tema da cooperação, o cientista político Robert Axelrod (2006) afirma na sua obra The Evolution of Cooperation que, “a base da cooperação não é, de facto, a confiança, mas a durabilidade da relação. (...) A longo prazo, o facto de os jogadores confiarem uns nos outros não é muito importante; o essencial reside na existência das condições favoráveis para o estabelecimento de um padrão estável de cooperação entre eles”. A afirmação de Axelrod faz todo o sentido, pois quanto maior for a convivência, maior é o conhecimento pessoal que se vai adquirindo, maior é a confiança e o respeito. Quanto maior for a convivência, meno- res são as probabilidades de o individuo se tentar aproveitar do outro. Axelrod continua, afirmando que: “Para o sucesso da cooperação, é pre- ciso que as pessoas se mostrem dispostas a cooperar, mas também a punir o comportamento não cooperativo, mal ele se manifeste. A melhor postura é ser simpático, indulgente e retaliativo”.
Os diferentes indivíduos devem estar prontos a lidar com as mais di- versas situações. Tendo em conta que as nossas sociedades cada vez mais, vivem, comunicam e crescem através da cooperação, todos devem caminhar na mesma direção, extraindo e encaminhando rumo ao suc-
esso de um todo comum.
Mas, e se, os indivíduos que se conhecem e têm confiança podem ter um papel mais preponderante na cooperação. Existe também uma grande importância e interesse em cooperar com desconhecidos/estra- nhos. Surowiecky aborda este tema, onde afirma:
“O interessante é que também cooperamos com estranhos. Fazemos doações para obras de caridade. Compramos coisas pela net sem as ver. Muitas pes- soas registam-se no Kazaa e põem músicas para que os outros as descar- reguem, mesmo que não tenham qualquer vantagem em partilhá-las e isso signifique permitir que pessoas desconhecidas tenham acesso aos seus discos rígidos. Num sentido restrito, esses comportamentos são irracionais.
Mas, graças a eles, todos ficamos melhor do que estávamos (...).” (SUROWIECKI, 2007: 145 e 146).
Os seres humanos têm a capacidade de se desdobrarem mais facil- mente em ajuda e respeito a quem não conhecem, do que a quem con- hecem. O desconhecido é sempre algo fascinante, emotivo e atraente. Os indivíduos tendem a encarar o desconhecido de forma mais aberta, sem medos, sem preconceitos nem barreiras, seja de que índole for. Mas porquê cooperar com desconhecidos? A cooperação entre descon- hecidos teve o seu inicio há vários séculos atrás. Começou com as tro- cas comerciais entre diferentes povos, com valias, interesses e produtos diferentes. Foi aí que perfeitos desconhecidos, perceberam que a confi- ança e o respeito desempenham um papel fundamental na cooperação e interação entre desconhecidos.
Em modo de conclusão, Surowiecky (2007: 146) afirma que, é possível que uma sociedade bem organizada se defina mais pela forma como as pessoas tratam os desconhecidos do que pela forma como tratam os que conhecem.