Partie III : La posture du conseiller en insertion
2.3 Le rôle de la Mission Locale et de la formation
Na percepção dos sujeitos-participantes, a dinâmica que conduz ao diagnóstico da deficiência intelectual apresenta características específicas. Esta categoria condensa as informações dos profissionais acerca da avaliação do processo de investigação diagnóstica realizada pela equipe avaliativa. O primeiro tema resultante desta categoria diz que o processo
de avaliação é exigente e detalhista. Esta temática denota que, na realização da investigação
da deficiência intelectual, segundo o Sistema 2010, é preciso que os profissionais estejam preparados para as exigências advindas do processo.
P1 Essa avaliação requer muito estudo e seriedade, porque você está traçando apoios e, de certa forma, definindo a vida de uma criança, de um adolescente ou de um adulto, e isso deve ser colocado com muita serenidade e sabedoria, até estudo também. Então, é puxado, é cansativo, e de muita responsabilidade e seriedade. É uma coisa que desgasta, fisicamente, emocionalmente, todos os membros da equipe no dia da realização e fechamento deste diagnóstico.
P5 [...] A gente tenta procurar mais conhecimento, ir mais profundamente naquilo que está causando dúvida.
P3 O processo é bem específico, detalhado, [...]. Para conclusão da avaliação, nós fechamos com três fichas [...]. Tem que ficar bem atento ali para estar lançando realmente os pontos fortes e os pontos fracos de cada pessoa.4
Por um lado, verifica-se que características como dedicação, disposição, atenção, reflexão, responsabilidade, serenidade, desejo de aprofundar o conhecimento são necessárias ao profissional inserido na equipe de avaliação diagnóstica. Considerando a interdisciplinaridade necessária à investigação diagnóstica da deficiência intelectual, outras habilidades também devem estar presentes nos profissionais. É o que aponta Vilela e Mendes (2003) ao afirmarem que, no exercício da interdisciplinaridade, os profissionais devem agir na diversidade, de modo flexível, confiantes, pacientes, com disposição à adaptação, com sensibilidade em relação aos colegas de trabalho e com aceitação de novos papéis.
Por outro lado, o processo de avaliação da pessoa com deficiência intelectual, em suas diversas etapas e dimensões, exige, dos profissionais que o realizam, aprofundamento do conhecimento específico e comprometimento com o trabalho. Carvalho e Maciel (2003) destacam que a realização do diagnóstico deve garantir resultados confiáveis. Para isso, é necessário o aperfeiçoamento do processo de diagnóstico, com adequação dos instrumentos avaliativos e com preparação dos profissionais na condução do processo.
Investigar como os sujeitos-participantes avaliam o processo diagnóstico implica estar atento, entre outros aspectos, às críticas e às sugestões realizadas pelos profissionais. A repetição de informações nos instrumentos que condensam a investigação diagnóstica (Síntese de Avaliação, Avaliação Multidimensional de Deficiência Intelectual e PTI) é descrita como algo que incomoda e atrapalha o desenrolar do processo avaliativo:
P3 [...] dentro das avaliações que são feitas, a multidimensional é um pouco mais chata de se fazer, um pouco mais detalhada, mas acaba que tem a sua funcionalidade, porém se repete muito as coisas.5
Na tentativa de seguir as orientações propostas pelo Sistema 2010 (AADID, 2010) abordando todas as cinco dimensões de funcionalidade, os profissionais da equipe de avaliação diagnóstica, de modo geral, podem não ter percebido que a repetição das mesmas informações desmotiva e torna o processo avaliativo cansativo. Talvez um grau de insegurança na utilização do Sistema 2010 tenha permitido a construção de instrumentos mais complexos. Uma das vantagens que o Sistema 2010 (AADID, 2010) apresenta é a adequação de instrumentos e de roteiros avaliativos conforme a realidade local. Os instrumentos de avaliação descritos nesta dissertação foram elaborados pela própria equipe que os utiliza. Uma sugestão para aprimorar o processo seria uma revisão sobre os instrumentos e, se necessário,
uma readequação das informações a fim de se evitar a redundância dos dados.
A segunda temática descreve que o processo é satisfatório. Esta observação diz respeito à realização da investigação diagnóstica segundo o modelo conceitual proposto pela AADID (2010). As declarações verbalizadas pelos profissionais a seguir permitem compreender que o processo diagnóstico segundo o Sistema 2010 contribui para o desenvolvimento da pessoa com deficiência intelectual:
P4 O processo, eu o acho excelente, porque ele é avaliado em cinco dimensões. Em cada área específica são traçados apoios e tem ainda a intensidade desses apoios. Então, eu o avalio num nível excelente. A gente identifica que a pessoa apresenta uma deficiência intelectual, bem como os apoios. Aquele apoio vai ajudar a pessoa a ter desenvolvimento em sociedade. Então, eu acredito que a avaliação diagnóstica tem excelente resultado.
P5 O processo é satisfatório, desde que a gente tenha chegado num consenso e traçado esse diagnóstico. A gente vai traçar os apoios necessários para cada um. Firmado isso, a pessoa vai entrar em terapia e, a partir desse momento, a gente vê o ganho que essa pessoa teve ou não.6
Algumas das inovações apresentadas pelo Sistema 2010 quando comparado aos modelos conceituais anteriores são a avaliação da funcionalidade do indivíduo e os apoios propostos para potencializar o funcionamento humano (CARVALHO, 2010b; AADID, 2010). Por um lado, a satisfação com os resultados propiciados pelo processo demonstra que ele é eficaz e consegue propor alternativas para melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência. Não se trata apenas de encontrar um diagnóstico, mas de oferecer apoios nas dimensões necessárias que potencializarão o funcionamento do indivíduo. Por outro lado, também foram apresentadas, pelos sujeitos-participantes, algumas falhas na condução do processo de avaliação diagnóstica na instituição estudada.
A terceira temática aponta que o processo é demorado. O relato dos profissionais demonstra que, desde o ingresso na fila de espera para aguardar a avaliação até a conclusão diagnóstica, o tempo decorrido no processo pode demorar e de forma imprevisível:
P2 Eu percebi morosidade uns meses atrás. As triagens, os encaminhamentos não ficam conosco, ficam na secretaria, e um dia, eu peguei um que estava completando um ano na lista de espera. E aí, fui questionar: „Nossa! Tem um ano?‟ E ela falou „Tem. Tem uns que têm um ano, tem meses...‟ Eu assustei. É para ser honesta né?[...] Mas eu acho moroso.
P3 A parte que mais demora dentro das avaliações é a conclusão.
P6 Tem muita criança precisando de avaliação, muitos encaminhamentos. Então, eu acho que o processo, se ele for feito seguindo todos os passos, ele sai bem-feito, mas a gente precisa de mais tempo para a equipe trabalhar em equipe mesmo.
P7 Tem casos que demoram mais [...] É imprevisível no sentido de que há casos que são simples, são rápidos, mas há casos que não [...] Quando tem que passar por outros setores, pode demorar.7
6 Informação verbal. Entrevistas concedidas em: fevereiro de 2014. 7 Informação verbal. Entrevistas concedidas em: fevereiro de 2014.
A morosidade no processo avaliativo pode comprometer em grau variável a rotina daqueles que aguardam e dependem dos resultados da avaliação diagnóstica. Carvalho e Maciel (2003) relatam o quanto é importante o registro do diagnóstico para o sujeito e sua família. As autoras destacam algumas finalidades para diagnóstico, tais como o benefício e a assistência previdenciária, a proteção legal, o ingresso no mercado de trabalho por meio das cotas de emprego e a elegibilidade para intervenção terapêutica/reabilitação.
Um dos motivos que justifica a demora no atendimento são os casos prioritários, tais como crianças de 0 a 3 anos com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; pessoas encaminhadas pelo Ministério Público, pelo Cras e pelo Creas. Outro aspecto que compromete a resolução em tempo hábil dos casos é a grande demanda aguardando a investigação diagnóstica enquanto a equipe de trabalho atua nos casos apenas um dia útil por semana.
P6 Eu acho que o processo precisaria de mais tempo. Só um dia na semana para a equipe avaliar está muito pesado. Um dia é pouco, porque a demanda está cada vez maior [...] Eu acho que falta aí. [...] Poderia ser melhor, caso a gente tivesse mais tempo.
P2 Eu assustei com a morosidade. Até então, eu tinha pegado só casos recentes. Acho que a gente tem que criar uma solução pra isto.8
Os relatos apontam uma crítica quanto ao tempo destinado para realizar o processo avaliativo por parte da equipe em questão. Como a equipe de avaliação realiza também atendimentos terapêuticos, optou-se, institucionalmente, pelas avaliações diagnósticas semanais. Para agilizar os processos avaliativos, seria necessário que a equipe de trabalho dedicasse mais tempo a essa atividade, ou ainda, a que se ampliasse a equipe de avaliação. Mesmo sabendo que tais alterações implicariam em custo adicional, compreende-se que a relevância do registro diagnóstico fundamenta a alocação de recursos para potencializar a eficiência do processo diagnóstico. A seleção de um tempo propício para realizar o processo avaliativo de forma tranquila e serena é primordial para o êxito dos trabalhos.
Existe ainda outra situação que compromete a resolução em tempo hábil do processo de avaliação. É a necessidade dos membros da equipe de apoio de outros profissionais para auxiliar nos resultados diagnósticos, a exemplo do profissional médico. Como a equipe estudada não possui um médico entre seus membros, demanda-se consultar um neurologista ou um psiquiatra para complementar aspectos diagnósticos.
P7 Tem casos que necessitam da ajuda de outro especialista, como um médico neurologista e, dependendo da situação, o psiquiatra, para falar se há outra patologia associada à deficiência. [...] Só que, às vezes, é um problema quando tem que marcar com o médico e ele não vem durante a semana. Aí, marca pra daqui a 15 dias. Então, um processo que demoraria uma semana, vai fechar só daqui a 15 dias.
P6 Acontece muito de passar pelo neurologista ou pelo psiquiatra antes de terminar a avaliação.9
A espera para a consulta médica pode atrasar mais ainda a resolução do caso. No entanto, o apoio de outros profissionais ou a realização de exames complementares pode ser fundamental para um diagnóstico mais completo. Vasconcelos (2004) propõe, inclusive, a realização de exames de sangue (hemograma, níveis séricos de ferro, cálcio, magnésio) e de exames de neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética) para o diagnóstico diferencial. Considerando a possibilidade de o sujeito encontrar dificuldades de acesso a esses exames, o processo diagnóstico poderá se estender mais ainda. Uma das opções para a resolução desse problema seria a inclusão do profissional médico como membro fixo da equipe de avaliação.