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Rôle de l’oncoprotéine E6

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III. Implication des oncoprotéines virales dans l’oncogenèse

2.   Rôle de l’oncoprotéine E6

Comércio e finança. São estes os domínios em que se movem com extrema facilidade as novas companhias comerciais tentaculares constituídas neste período. A comparação dos mapas de negócios da cidade nos séculos XV e XVI é um dos

meios mais eficazes para percebermos de que forma as coisas mudaram no Porto entre as duas centúrias.

Em pouco menos de um século grandes diferenças ocorreram. A cabotagem e o transporte de géneros deram lugar ao trato das grandes companhias, ao trato atlântico, ao trato triangular, fundados na circulação de produtos de grande

mercado: açúcar, escravos, corantes, capitais, armamento e componentes para a construção naval. A par deste comércio de primeiro plano persiste uma cabota- gem que, por imperativos estruturais próprios das economias de Antigo Regime, continua a ser indispensável. Os novos mercadores estão presentes em todos estes sectores e exploram todas as vantagens que o trato lhes proporciona. Se o têxtil e o artesanato eram importantes no século XV para fornecimento dos mercados europeus (sobretudo urbanos), continuarão a sê-lo no século XVI para abastecer esses mesmos clientes mais as zonas rurais (cada vez mais inter-conectadas com os centros litorâneos). Além disso, tornam-se indispensáveis na estruturação de

negócios como o tráfico de escravos. Desse modo cresce a importância de espaços como a Cantabria e a Biscaia (da “rota do ferro, armamento e aduela”), a Flandres (que se torna uma zona incontornável nos horizontes de todas as companhias de âmbito internacional) e a Hansa (fornecedora tradicional de mercadorias pesa- das). É nestes espaços alargados que se movem mercadores e contratadores, os novos protagonistas do negócio. Uma última nota para individualizar os portos de Nantes e Bordéus: frequentados desde a Idade Média tornam-se particularmente interessantes em Quinhentos graças à instalação de colónias flamengas com quem os mercadores ibéricos se relacionam intimamente44.

9. Conclusão

Nas páginas anteriores procurei dar a conhecer a forma como no Porto tar- domedievo se constituiu uma elite governativa saída do grupo mercantil, e que desafios teve de enfrentar no início da Época Moderna.

Embora centrado no caso particular desta cidade, procurou-se enquadrar este estudo num conjunto de modificações que se sentiram no espaço ibérico entre finais da Idade Média e inícios da Idade Moderna. Desde a chegada ao trono de Espanha de Fernando de Aragão e Isabel de Castela até à década de 1550, a parte norte deste unificado estado peninsular conheceu um período de expansão firme e constante45. A sua proximidade com Portugal, a proximidade da região

mais activa e próspera do reino com a zona norte de Portugal exerceu influências de alcance assinalável que é necessário continuar a estudar. Parte destes desafios deveu-se ao problema judaico-converso.

Protegidos, perseguidos, expulsos e readmitidos, judeus e cristãos-novos tornaram-se tema obrigatório da agenda política dos estados peninsulares, re- ferencial incontornável do debate político e presença desejada e repudiada nos mais importantes centros portuários ibéricos. Felipe Ruiz considera este tempo o tempo das origens do capitalismo em Castela. A prazo, também o será no Porto graças aos movimentos que aqui se descreveram46.

44 CRESPO SOLANA, A. – Las comunidades mercantiles y el mantenimiento de los sistemas

comerciales de España, Flandes y la República Holandesa, 1648-1750, in España y las 17 provincias de los Países Bajos. Una revisión historiográfica (XVI-XVIII), Ana Crespo Solana, Manuel Herrero Sánchez (coords.), tomo 2. Córdova: Universidade de Córdova, 2002, p. 449. De notar, ainda, a fortíssima articulação, de todos estes mercados, Porto incluído, com os centros costeiros do golfo da Biscaia, como tem demonstrado Jean-Philippe Priotti em diversos estudos; ver, em especial, Bilbao et ses marchands au XVIe

XVI

XVI siécle. Genèse d’une croissance. Presses Universitaires du Septentrion, 2004.

45 CASADO ALONSO, H. – El triunfo de Mercurio…, p. 35.

46 RUIZ MARTÍN, F. – Origenes del capitalismo en Castilla, in El Tratado de Tordesillas y su

Chegaram judeus e por força das circunstâncias tornaram-se cristãos. Para isso valeram tanto as promessas e aliciamentos como os baptismos forçados, em pé, e as conversões sinceras47. No burgo portuense, depois de debates acesos acerca

da sua presença e após as intervenções de D. João II e de D. Manuel, os cristãos- novos instalaram-se originando uma pequena revolução na estrutura sócio-eco- nómica da cidade. Activos mercadores trabalhando em rede, contactando com as principais praças europeias, detentores de capitais para investir no comércio e sabendo exactamente onde o fazer, tomaram o lugar da velha aristocracia comer- cial e transformaram a cidade, bem como a sua região envolvente, num espaço de “contínuo mercadejar”, na expressão de Frei Luís de Sousa.

Com a chegada dos cristãos-novos e das firmas comerciais que criaram (às vezes em associação com elementos das velhas famílias), com o impulso que deram à actividade comercial-marítima, com a “descoberta” e exploração sistemática de novos mercados, foi possível fazer da cidade um espaço de referência no comércio mundial do século XVI.

Alguns dos novos comerciantes viram elevar-se o seu estatuto social. Foi pro- cesso que beneficiou diversos membros mais destacados desta comunidade. No- tório na elevação à categoria de cidadão ou cavaleiro, no desempenho de funções burocráticas ou na admissão a instituições prestigiadas como a confraria de Nossa Senhora das Neves, do mosteiro de S. Domingos48, ou na própria Misericórdia.

Porém, e essa é a ideia mais forte que pretendo deixar com este trabalho, isso não representou uma elevação da sua capacidade de intervenção política. Apesar de patentearem as qualidades que, na clássica teoria sobre a classe política de Gaetano Mosca, legitimavam as funções de direcção, a saber: riqueza, mérito pessoal e, mesmo, algum reconhecimento social, esses atributos não lhes permitiram aceder aos corredores do poder autárquico. O grupo da Câmara, embora algo debili- tado em termos económicos, não deixava de ostentar as mesmas competências directivas e soube proteger os seus interesses e impedir eventuais pretensões polí- ticas dos recém-chegados que pudessem colocar em causa o seu estatuto. Soube defender-se beneficiando também dos mecanismos de repressão introduzidos no reino para manter velhos modelos de acesso ao poder. As rejeições de elementos que reprovaram nos exames de limpeza de sangue para os mais modestos cargos

47 SARAIVA, A. J. – Inquisição e cristãos-novos…, p. 46.

48 Instituição que fornecerá alguns irmãos à Inquisição em meados do século mas onde, curiosamente,

haverá também um acolhimento e apoio a diversos mercadores cristãos-novos.

49 Afirma Alfredo de Carvalho em importante estudo já clássico: “Até certo ponto, a história da

cidade nesse período [Bordéus no século XVII] é a história dos judeus portugueses no comércio, na navegação, e nas obras de assistência”. Os portugueses em Bordéus durante o século XVII. Figueira da Foz: Tipografia Popular, 1936, p. 11.

municipais, como aconteceu no episódio evocado a abrir este trabalho, aí estão para o provar. A perseguição inquisitorial fez o resto. No final do século XVI, das poderosas famílias que se haviam instalado na Rua de S. Miguel no tempo de D. João II quase nada restava. Haviam fugido para onde as quiseram acolher. Para Bordéus, que beneficia fortemente com a sua presença49, e para Amsterdão que,

com os marranos portugueses, se transforma no mais opulento centro económico da Europa50.

50 Assim o consideram diversos historiadores como COELHO, A. B. – “Judeus e cristãos-novos

portugueses (séculos XVI e XVII)”, in Cristãos-novos, judeus e os novos argonautas. Lisboa: Editorial Caminho, 1998, p. 76 (o estudo em questão foi publicado originalmente em 1997).

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