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Rôle des fonctions de surface du ND

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Composites à base de NDs – Structuration en cœur -coquille

A. Rôle des fonctions de surface du ND

O tipo da realidade selecionada, que é uma condição primeira para uma investigação científica indutiva, consiste em seu fundamento lógico-empírico e deve ser considerado como um corte epistemológico que, por si só, é capaz de definir os possíveis caminhos para o desenvolvimento do discurso científico. Este é um diferencial que, certamente, caracteriza uma relação possível estabelecida entre o método de Weber e o modelo sociológico de Sérgio Buarque de Holanda buscado em Raízes do Brasil: o objeto escolhido. É justamente esta diferença que leva às demais diferenças ocorridas no percurso da investigação dos dois autores.

52 Tanto nos tipos ideais de Max Weber quanto nos tipos ideais de Sérgio Buarque de Holanda a noção de

“evidência” parece ser incontornável. A interpretação de Weber e Holanda tendem às evidências racionais que os autores encontram no mundo social para depois explicá-las cada qual ao seu modo. Seja o primeiro

A perspectiva weberiana de que os conceitos sociológicos não expressam a totalidade do real, pois não se pode sistematizar toda extensão da realidade num modelo concluído de ciência (Weber, 1992:137-138), está presente nas definições buarqueanas. O modelo concluído de ciência só existe num dado momento também ideal, já que a criatividade e variabilidade dos sujeitos históricos parece não ter fim. A ciência sempre terá que lidar com a imprevisibilidade e com os elementos surpresas que transformam radicalmente a continuidade de um processo social e a continuidade da própria análise sociológica. Um modelo acabado de ciência pressupõe a apreensão dos dados numa série finita de tempo e é a sistematização provisória de um conhecimento consensualmente admitido e legitimado pelos especialistas e, também, a proposição e formulação de conceitos lógicos. Sejam estes conceitos construídos e selecionados desde uma definição unilateral e posterior em seu encadeamento de pontos de vistas diferentes, ou a valorização, por definição, dos pontos de vistas contrários.

A diferença, neste caso, é clara: enquanto a definição unilateral acentua apenas alguns aspectos da realidade empírica em detrimento de inúmeros outros aspectos da realidade e expressa um determinado ponto de vista subjetivo através desta seleção de aspectos finitos do mundo empírico, a necessidade de pensar o mundo social por meio de tipos ideais que interagem entre si53 - tal qual faz Sérgio Buarque de Holanda ao confrontar sempre os tipos em sua explicação sociológica - busca a valorização de ambos os pontos de vista e a apreensão do movimento dinâmico da realidade social.

A própria idéia de relação social - e consequentemente de interação – já está contida na definição da ação social como objeto da sociologia compreensiva

partindo da definição da ação social e seu sentido, seja o segundo mais preocupado com as interações sociais que os agentes estabelecem entre si.

53 É necessário não confundir nesta discussão a forma de ‘interação entre os tipos” com a interação ou relação

social em si, pois desta forma estaria se confundindo os tipos com a realidade. O significado de “interação” entre esses tipos é o da tensão e dos antagonismos que se desenvolvem em suas polaridades.

(Weber,1997:400). Esta definição já abrange o conceito de que o indivíduo atribui o sentido à sua própria ação, que é guiada pela ação dos outros indivíduos. Da definição da ação social como núcleo de referência para a interpretação sociológica, as interações sociais que se formam, como decorrência, podem ser consideradas já como parte integrante da posterior formulação dos tipos ideais.

A interação social, assim, já é, desde o princípio, definida como um núcleo privilegiado e indispensável para a explicação sociológica, conforme pensa Max Weber. Para Sérgio Buarque de Holanda, os significados da interação social são radicalizados a ponto de se estabelecer entre os tipos uma forma de explicação que supõe sempre um diálogo permanente entre mundos sociais distintos ao opor tipos de conduta social.

4.3 Os tipos ideais como expressão da mudança social

Retomando a questão: O que há de comum e o que há de diferente na construção dos tipos ideais de Max Weber e Sérgio Buarque de Holanda? Verifica-se também que Weber e Holanda são teóricos de um processo de mudança social. No caso de Weber, pode- se considerar seus estudos sobre o capitalismo racional e seus diagnósticos sobre a racionalização no ocidente como parte integrante de uma explicação sociológica que acentua certos aspectos de modernização social. Numa escala bem específica, Buarque de Holanda também diagnostica aspectos de modernização social ao tratar a evidência de certas individualidades empíricas-significativas presentes na história da sociedade brasileira (Holanda, 2006: 172-173).

Pode-se afirmar que, tanto nos tipos ideais de Max Weber, quanto nos tipos ideais de Sérgio Buarque de Holanda, a valorização da conduta humana como elemento dinâmico, centro da interpretação sociológica, como premissas iniciais de explicação teórica. No capítulo 2 desta dissertação, discutiu-se como o individualismo metodológico não é um obstáculo ao método de uma sociologia histórica comparativa e como a mediação humana

pode ser pensada em relação às estruturas históricas persistentes. Agora, pode-se afirmar que, ao tratarem o indivíduo como o único portador da conduta racional significativa, nem Weber nem Sérgio Buarque implicam à sua análise um atomismo ou reducionismo exclusivamente metódico 54.

Mesmo as entidades coletivas ou as estruturas rígidas da sociedade, ao serem tratadas como um núcleo interelacional de subjetividades, permitem a sociologia histórica comparativa estabelecer critérios de aproximação entre sistemas sociais distintos. É evidente que estruturas históricas rígidas e persistentes barram a ação dos indivíduos e bloqueiam, temporariamente, o desenvolvimento de novas formas de organização social, estimulando o tipo de ação social tradicional. A estrutura social brasileira que deu origem a uma estática civilização de raízes rurais criou um ambiente desfavorável à mudança social. Mas a análise individualista metodológica ao conceber a estrutura social e entidades coletivas como individualidades permite, também, tratar essas entidades como um núcleo de interação, como unidade significativa e promove a mobilidade conceitual dessas mesmas estruturas. Tanto Weber quanto Holanda pensam o desenvolvimento das formas sociais em suas modificações e alterações contínuas, elegendo certas representações coletivas da vida social como fenômenos singulares dotados de uma dinâmica própria (Weber, 1963:212) e (Holanda, 2006: 141).

O que torna, porém, o modelo sociológico de Sérgio Buarque de Holanda ainda mais radicalmente dinâmico do que a metodologia que Max Weber parece conceber (e, portanto estabelece mais uma diferença entre Weber e Holanda, neste sentido) é o fato de Holanda utilizar de forma implícita - mas bastante visível a uma análise mais atenta certos

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Veja-se que, no caso de Raízes do Brasil, o tipo de homem cordial é o centro de um fenômeno de interação que pode assumir vários conteúdos de significação e que age guiado por valores e escolhas que formam, em seu conjunto, um verdadeiro sistema de crenças coletivas que possui a força de estruturar certas relações sociais. O ator racional é considerado não apenas como ponto de partida teórico, mas como o centro de uma explicação sociológica que implica em um núcleo de interações sociais.

elementos da interação social em seus tipos, como: cooperação55, competição, conflito e confiança.

Por exemplo, ao tratar tanto o trabalhador quanto o aventureiro como parte de um discurso único sobre a realidade, Buarque de Holanda parece tomar como pressuposto implícito a idéia de que um mesmo processo social unifica esses tipos, que possuem valores e escolhas diferentes, mas que passam a colaborar entre si e a estabelecer entre si um laço de confiança. Esta confiança se estabelece entre a competição e a cooperação e continua a ter como base a racionalidade da ação, isto é: a expectativa de que uma determinada ação vai se desenvolver conforme o esperado.

Outro exemplo, se se quiser ressaltar os antagonismos entre os tipos (e não apenas sua complementação), basta acentuar o conflito entre eles: o trabalhador possui ojeriza à irresponsabilidade do aventureiro, que, por sua vez, despreza e considera desnecessário o caráter rigoroso e metódico da ética do trabalho. Um pesquisador social que utilizar tipos como estes ou semelhantes escolherá o seu próprio critério de análise. Mais exemplos podem ser citados, mas estes, certamente, já ressaltam a flexibilidade dos tipos ideais buarqueanos.

Na especificidade dos tipos ideais de Sérgio Buarque de Holanda, percebemos, também, ao exemplo do que pensou Weber, como as escolhas dos indivíduos explicam suas disposições e desejos (Weber, 1963:211). Em Raízes do Brasil ,sugiro mostrar que a ausência de um procedimento mais racional por parte do empreendimento português e sua visão colonizadora de vantagens imediatas explicam sua desorganização e a sua falta de

55Exemplo: “Tanto a competição como a cooperação são comportamentos orientados, embora de modo

diverso, para um objetivo material comum: é, em primeiro lugar, sua relação com esse objetivo o que mantêm os indivíduos respectivamente separados ou unidos entre si. (Holanda, 2006:60-61).

definições e ausência de um projeto civilizacional e de uma ética da vocação ou salvação pelo trabalho 56.

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