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Rôle du détecteur de phase

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13. BOUCLES A VERROUILLAGE DE PHASE

13.3 C OMPARATEUR DE PHASE

13.3.1 Rôle du détecteur de phase

Na história operária, o mês de maio assinala-se duplamente com o grande brilho de uma data cheia de fulgor. Há Maio de 1871 e Maio de 1890. Maio de 1871 foi a repressão da Comuna, o assassinato iníquo de 35.000 trabalhadores, a semana sinistra em que a classe dirigente julgou ter morto as aspirações dos que trabalham, ensopando em sangue o pendão vermelho das reivindicações sociais. Maio de 1890 é a sequência lógica de Maio de 1871. A ideia revivificou ao contacto quente do sangue que escaldara a terra. O sangue que se derrama em prol de uma ideia, o sangue dos mártires e dos apóstolos, é sempre assim: fecundante e revivificador. Que queriam os homens de 1871? Emancipar o trabalho, livrando-o das extorsões do capital. Por isso, morreram. Mas, emancipar o trabalho, é o grito que hoje se escuta por todo o mundo, a palavra de ordem que, por assim dizer, se impuseram os miseráveis de todos os países, os escravos de todas as nações. Em 1871, a bandeira da luta contra o privilégio capitalista tremulava apenas em Paris, a cidade santa do pensamento moderno. Em 1890, essa bandeira levanta-se altiva, ondulando ao vento, ainda nos mais remotos países, nas mais longínquas regiões do mundo. Que se quer agora? Reduzir o número de horas de trabalho. Reduzir o trabalho é começar a emancipar o trabalho. Emancipar o trabalho é dignificar o homem, dando-lhe a consciência do seu próprio ser. Ora, essa consciência é o que a reclamação de agora começa afirmando. Não é consciente o homem que se deixa extenuar como uma besta, consumindo mais forças do que as que lhe é lícito reparar. Não tem consciência do seu valimento quem trabalha para enriquecer os outros, quem desce ao fundo das minas indo lá buscar as mais poderosas riquezas, quem levanta opulentos palácios, quem forma as mais belas cidades, rasga os istmos, perfura as montanhas, ergue formosos monumentos, e guarda para si, em troca de tudo isto, a miséria mais afrontosa, a servidão mais vil e degradante, o sofrimento mais cruel e pungitivo...

Operários!

Reclamar oito horas de trabalho não é senão pedir que se dê pão a muitas famílias, amparo a muitos braços, emprego a muitas aptidões. É mesmo formular uma reclamação mínima das muitas que temos a fazer. Ainda que não fosse isto, a justiça da reclamação estava no interesse de conservar a vida do próprio homem, que não pode consumir forças

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excessivas, mal recompensadas pela exiguidade do alimento que o salário permite adquirir. Em oito horas fica ainda tempo de sobra aos nossos exploradores para nos tirarem a pele! É justo trabalhar doze, quatorze horas, em oficinas infetas, ao sol sobre um bailéu, junto de uma forja, na galeria escura de uma mina? É justo que crianças da mais tenra idade se definhem nesse insano labor? É razoável que pobres mulheres desçam à cova, mortas pela tísica, filha do excessivo trabalho nas fábricas, em holocausto ao Baal capitalista? A consciência de cada um que responda, se esse alguém que nos lê tem consciência, em vez de ter uma moeda de ouro no lugar do coração, se é homem em vez de ser explorador! Trabalhar tantas horas não é justo nem necessário.

Na indústria fabril, a máquina excedeu já muitas vezes, multiplicando-as, as forças humanas. O que antigamente se fazia com vinte homens, num esforço árduo e insano, faz-se hoje com um só operário. Desde os fins do século XVIII, em que nasce a grande indústria, as imensas forças produtivas, os grandes meios de transporte e de comunicação, tudo se desenvolve por tal modo que as crises periódicas são o produto duma superabundância que se não extingue, porque a maior parte dos indivíduos não satisfazem senão a uma parte ínfima das suas necessidades, graças à exploração de que são vítimas. A classe dirigente promove as guerras coloniais, rapina os territórios africanos, buscando abrir novos mercados, para que a produção possa seguir o seu curso febril, continuando os proletários jungidos, sem necessidade, ao carro da servidão.

Por toda a parte os braços abundam, lançando-se no mercado.

Em breve o nosso país estará nas mesmas condições dos lá de fora, havendo, já hoje, classes, como a chapelaria, por exemplo, aniquiladas pela concorrência da grande indústria, se não nacional, pelo menos da estrangeira.

O mal de uma classe é o mal de todas...

Economicamente, esta afirmação não pode ser julgada uma coisa sem nexo. É uma verdade sabida.

Devemos nós cruzar os braços em face desta situação?

Devemos desonrar-nos, não acompanhando os nossos irmãos de todo o universo? Não pode ser!

Os trabalhadores portugueses não querem, certamente, dar de si esse triste espetáculo mais degradante ainda do que o chicote do capitalismo!

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Dizem alguns: diminuindo o trabalho, diminui o salário. É falso. O salário sobe ou desce consoante há muitos ou poucos operários sem trabalho. Ora, diminuindo as horas do labor, os operários que hoje não têm trabalho serão, amanhã, admitidos na indústria. O género aumenta de valor consoante abunda ou escasseia. Havendo procura e escasseando a oferta, o valor do produto sobe. Com o género braços, a lei de ferro não sofre alteração. O salário não diminuirá, pois.

Daí, não temos nós a associação de classe, esse supremo baluarte a que todos devemos recorrer?

A associação, que é uma lei geral do mundo físico, que as próprias rochas procuram para se defenderem do ataque das ondas, das causas naturais que lhes ameaçam a existência!

É na associação que devemos procurar apoio, caminhando decididos para a conquista do futuro.

Operários!

Não vos chamamos para uma arruaça, nem para uma violência. Não vos dizemos que ataqueis a autoridade, nem que maltrateis o patrão. O nosso intuito é outro. Queremos conquistar um direito, mas sabemos bem que as coisas mais duráveis são as que se alcançam pelas vias do convencimento e da discussão. Chamamo-vos para uma manifestação pacífica, legal, razoável e digna. O que é preciso é que a classe operária portuguesa acompanhe a classe trabalhadora de todas as nações.

Imitando Karl Marx, o grande mestre, nós diremos também como ele disse no final de um manifesto que se tornou célebre:

Proletários de todos os países, uni-vos!...

OPERÁRIOS! Ao comício a favor das oito horas de trabalho, que se realizará domingo, pela 1 hora da tarde, na rua Nova da Piedade, 60, A, (à Praça das Flores).

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