Réglement intérieur
1. Rôle et composition du conseil national de la protection de l’enfance
Se “a história contada, coletivamente, torna-se viva e aberta às múltiplas interpretações e utopias”, como analisa Benjamim (1985), torna-se de relevância histórica registrar, nesta exposição, alguns fatos relacionados à construção da
imprensa, em Goiás. Seus personagens, as lutas históricas escritas e impressas entre silêncios, alegrias, certezas e, por que não mencionar, esquecimentos, incertezas e resistências.
Memória individual, memória coletiva: aos poucos, elas, em um jogo de disputa, integram-se e desintegram-se, mostrando ser possível o compartilhamento das narrativas dos protagonistas sobre os temas selecionados. Não podemos nos esquecer, no entanto, de que o protagonismo de cada pessoa é constituído a partir de suas complexas e múltiplas práticas culturais, sociais e institucionais (UFG, 2010, p.18).
Entre os veículos de informação impressa em Goiás, - cuja duração, enquanto sobrevivência histórica, no mercado capitalista periférico – o jornal Cinco de Março atravessou anos, deixou um legado muito importante desde sua criação, em 1959, após forte repressão da polícia a uma manifestação de estudantes secundaristas, dentre eles os líderes estudantis da União Goiana dos Estudantes Secundaristas (UGES) Javier Godinho, Telmo Faria e Batista Custódio.
Jovens de visão jornalística com veia politizada, eles lideraram a criação do jornal com contribuição de outros estudantes tais como Valterli Guedes, Zoroastro Artiaga e Consuelo Nasser (in memoriam), que viria a ser uma das mais expressivas figuras na imprensa goiana e na luta em prol dos direitos da mulher. Devido ao foco do jornalismo opinativo, em 1964, sob a onda coercitiva da liberdade de imprensa e violenta repressão, o Cinco de Março deixou de circular por um tempo.
A vigilância contínua por parte da ditadura civil e militar, estabelecida e ‘garantida’ através dos Atos Institucionais, não impede o veículo de informação impressa de retornar, mantendo ainda a sua linha editorial voltada para denúncias, até o início da década de 1980. O jornal Cinco de Março, em 1981, com o processo de redemocratização do Brasil, tornou-se o jornal Diário da Manhã, que, no último dia 12 de março de 2016, completou 57 anos de história pautada e impressa, hoje, também, em imagens do DMTV e nas ondas do Rádio através da RádioDM.
Em depoimento relacionado à história do veículo de informação impressa,
Diário da Manhã, o jornalista Batista Custódio (2015) relata: “A minha história não
cabe na minha biografia. Vi na semente dos frutos que se colhem os plantios do idealismo que renascem no chão pisado das adversidades. Que reflorescem nas bordas das esperanças (…)”, reforçando o valor daqueles que, a ele, somaram esforços na luta pela liberdade de imprensa em Goiás, no Brasil e pelo mundo: “Por
isso, faça-se nas minhas palavras a voz do brado que ressoa do silêncio das legiões de companheiros o heroísmo deles na legenda da minha história na imprensa”.30
A preservação da memória das instituições alavanca a sociedade moderna, patrocina as possibilidades palpáveis, expõem valores históricos de fundamental importância ligados à preservação do homem - enquanto ser social e político - o qual luta, pela sobrevivência, trespassado por sua própria condição de vida.
O Jornal Quarto Poder, da Universidade Federal de Goiás (UFG) é retratado no livro coletânea Universidade Federal de Goiás – Imagens e Memórias / 1960 – 1964, publicado no ano de 2010. Nesta obra literária a Associação dos Arquivistas Brasileiros, em entrevista, o professor Egídio Turchi traz um personagem que revela sobre este veículo informativo, criado pelo professor Colemar Natal e Silva, o qual era aberto a todas as tendências, à época.
Quanto à importância daquele veículo de informação impressa, o entrevistado relata que a sua edição de Ano I, número 62, editada em 23 de novembro de 1963, foi inteiramente direcionada ao primeiro aniversário da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, com a participação dos corpos docente e discente.
O diretor do jornal, à época, era Waldomiro Santos. Ali ainda não se arquivava nenhuma informação daquela universidade, - em seus primeiros dois anos - a não ser nas Atas do Conselho Universitário. Uma completa radiografia da faculdade está impressa no veículo informativo o qual traz o decreto de criação; ata do Conselho aprovando a escolha do diretor; programa de festas; relatos de experiências pedagógicas; cursos de especialização realizados por profissionais, no País e no exterior.
No livro Imagens e Memórias, segundo o entrevistado, professor Egídio Turchi
alguns artigos daquela publicação, relidos após 40 anos, ainda conservam o sabor da autenticidade e possuem a visão clara da estrutura primitiva: uma euforia generalizada dominava alunos e professores por terem conseguido, com sucesso, dar os primeiros passos e a faculdade estar viva ao fim do primeiro ano letivo (2010, p.241).
O professor afirma que essas publicações podem até servir, no futuro, para consulta dos interessados em pesquisar e descobrir as origens comuns das várias outras unidades que, através das reformas universitárias ‘brotaram do nome abrangente primitivo’ – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras: a Faculdade de Educação com seu Colégio de Aplicação; o Instituto de Matemática e Física (IMF); 30http://www.dm.com.br/opiniao/2015/03/diario-da-manha-um-jornal-que-marcou-a-historia. html).
Instituto de Química e Geografia (IQG); Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), por sua vez, responsável por dar origem à Faculdade de Letras (FL), à Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia (FCHF) e a Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb).
O fundador e primeiro diretor da Rádio Universitária, Ivo Pinto de Melo, iniciou sua vida jornalística em 1952. Foi ainda redator da Imprensa da Universidade, servidor da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) onde, em 1962, iniciou contatos com o professor Colemar Natal e Silva no sentido de criar uma rádio que pertencesse àquela universidade, alcançando a capital federal, Brasília, além de outras regiões.
Uma resolução do Conselho Universitário criou então, através da Portaria número 2.862, em 14 de fevereiro de 1962, a Rádio Universitária. No Brasil, à época, ainda não existia nenhuma rádio universitária.
Em Goiânia, a estação passa a fazer parte da rede de informação – através do rádio – que tinha como principais representantes as rádios Clube de Goiânia, Brasil Central e Anhanguera. Um projeto de utilização foi apresentado à Comissão Técnica de Rádio, do Ministério da Justiça, órgão que já enfrentava os “estudantes revoltosos”, um verdadeiro “calo político para a administração da rádio, empresa de informação do ensino, cultura e comercial”.
De acordo com Melo, fundador da Rádio Universitária, um conhecido Almirante (funcionário do alto escalão da referida comissão), comentando a respeito do pedido de registro da empresa, afirmou: “O senhor tem todo o direito de registrar toda a documentação e entrar com todos os requerimentos. Mas eu acho muito difícil porque o primeiro voto meu, como presidente, é contra” (REIS, 2010, p. 243).
Cerca de trinta dias depois saiu uma portaria concedendo licença de Rádio e TV para a Rádio Universitária.
3.9 A redescrição da expressão social mídia e drogas, publicada nas páginas