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Résumé & discussion

O trabalho não se limita à atividade de produção, que visa a satisfazer as necessidades naturais, mas envolve aspectos culturais e capacidade criativa.

Ao serem percebidas estas relações sociais no trabalho, entende-se ser possível que a educação, enquanto processo de formação do homem, aconteça também para além dos muros escolares, ou seja, no próprio trabalho, pois, é no fazer, na prática, que o ser humano, ao objetivar-se no mundo, forma-se, constrói-se, educa-se (Enguita,1993).

O trabalho como espaço educativo, contém, em sua organização, trabalhadores que, por fazerem parte de um contexto histórico social, detém em si, um conhecimento que não deve ser desprezado. Este conhecimento, este saber próprio do trabalhador, nasce na sua prática, no seu fazer, no seu cotidiano de trabalho. Um conhecimento não só técnico, mas das relações profissionais e interpessoais, que compõem as relações de trabalho.

A construção, formação do ser humano dá-se na práxis, que “resulta da unidade dialética entre teoria e prática, entre pensar e agir. Esta unidade, por sua vez, não é algo mecânico, harmônico, mas traz a marca dos conflitos, avanços e recuos, do processo histórico” (Frigotto,1989, p. 19). Por vezes, esta construção envolve a mudança de hábitos, costumes do trabalhador, como anteriormente abordado no que se refere a biossegurança.

Ao buscar esta modificação de hábitos, está o trabalhador não só preocupado com a sua qualidade de vida, mas com a qualidade de vida do conjunto de trabalhadores, pois, ao identificar aspectos a serem transformados, o

faz com o olhar voltado ao ambiente no qual todos atuam e às relações que aí se processam, modificando, não só sua própria conduta, mas, também, o ambiente ao seu redor.

Estas transformações tomam-se possíveis quando o processo educativo é compreendido como um componente do processo de trabalho. A educação é um dos caminhos que possibilita aos homens que as trocas de vivências, conhecimentos e experiências se processem, com vistas a enriquecê-los, prepará-los para a modificação da realidade de trabalho, que nem sempre se apresenta como esperada.

Para Freire (1993), a educação verdadeira é práxis, reflexão e ação do homem sobre o mundo para transformá-lo. Salienta que ninguém educa sozinho, que, tampouco, ninguém se educa sozinho e que os homens se educam, entre si, mediados pelo mundo. Todo ser humano é capaz de educar, pois tem uma história construída, que conhece por vivenciá-la, sendo capaz de reproduzi-la, e é capaz de ser educado, pois, as trocas, que se processam em sua vivência cotidiana, são capazes de transformá-lo, educá-lo.

O trabalhador é um agente de transformação na medida em que, ao refletir sobre sua prática, coloca-se com um olhar crítico diante de seu cotidiano, para poder analisar e modificar.

O processo educativo, que se dá na práxis, no trabalho, nas relações, fomece subsídios para a construção do trabalhador como um ser social consciente, crítico, que reinvindica, que é sujeito de transformações.

A crítica aqui referida é aquela que, resultado de um processo reflexivo que associa a análise do cotidiano com propostas palpáveis de transformação, representa as necessidades individuais e sociais dos trabalhadores na luta pela construção da própria cidadania. Quando bem conduzida e amadurecida, a crítica, tanto de si mesmo, quanto do processo de trabalho, possibilita ao ser

humano, o exercício de sua cidadania, ao se envolver na busca de condições para o trabalho digno e humano.

Acreditando ser o trabalho uma dimensão da vida humana que envolve a educação, Arroyo apud Enguita (1993, p. ix ) refere-se à educação como sendo inseparável do modo de produção, percebe as relações sociais, a práxis, o ambiente e o trabalho como processos educativos.

Partindo do principio de que a práxis se refere à unidade dialética teórico- prática, acredita-se que a reflexão-ação, sobre o cotidiano de trabalho, é capaz de provocar uma modificação neste próprio trabalho, iniciando por uma reflexão que transforma, a princípio, o ser humano individual para, acreditando na força do desafio, poder modificar a realidade objetiva , ou seja, o coletivo do trabalho.

As modificações individuais conduzem a resultados parciais, quando não acompanhadas de mudanças concomitantes na organização tecnológica do trabalho, na estrutura social das relações de trabalho. O conjunto de ações transformadoras é que conduzirá à prevenção das situações de risco e de acidentes de trabalho e a conseqüente produção da saúde do trabalhador, transformação esta, que deve estar embasada na educação. A educação deve ser uma constante no dia-a-dia do trabalhador.

"A idéia de educação, como um processo de formação humana de caráter muito mais amplo, como processo de integração em uma cultura, que dura toda a vida do homem e abarca todas as suas atividades..." (Enguita, 1993, p.24), traduz todo um significado de educação como não sendo apenas a simples transmissão de conhecimentos de uns para outros, mas como sendo um processo contínuo de trocas, uma relação onde todos os envolvidos aprendem e são capazes de ensinar.

O ambiente de trabalho é o palco ideal para a atuação, na íntegra, do processo educativo. O próprio trabalho, como uma atividade humana é, em si, um processo educativo. Cada atividade, cada técnica, cada relação humana que

se estabelece, cada fazer que compõe o trabalho da saúde, são, também, componentes do processo educativo.

A educação é capaz de despertar a consciência dos trabalhadores a ponto de motivá-los a crescer e a transformar, a trabalharem pelo social, em equipe, a não mais trabalharem buscando, apenas, o cumprimento de suas ações.

Este envolvimento e esta motivação são necessários para que os trabalhadores se sintam impelidos a irem além do simples aprender, para irem em busca da produção e reprodução dos conhecimentos adquiridos, contextualizando-os na sua prática diária, o que tomará possível a construção de _ . um saber tecnológico, voltado à prevenção da situação de risco e de acidentes e a produção da saúde do trabalhador. Este saber construído com e para os trabalhadores é uma diretriz fundamental para o alcance da qualidade de vida e da qualidade da assistência prestada ao paciente/cliente.

Interação dinâmica entre o processo de trabalho e o processo

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