2. Présence des LGRB dans le milieu académique et des bibliothèques en Suisse romande
2.2 Entretien avec des responsables de la formation des usagers dans les
2.2.3 Résultats obtenus (analyse des entretiens)
Os CP integram-se num conjunto mais vasto de produções multimédia que constituem um
exemplo das relações produtivas entre imagem e música.
Para o nosso projeto, tendo em vista o estudo da anexação da imagem à música, foi importante analisar exemplos de outros concertos que foquem esta ligação particular, em- bora apresentem objetivos e características distintos. O grupo de projetos que a seguir se apresentam reúnem concertos educativos que não recorrem à imagem, concertos educati- vos que utilizam imagem e concertos audiovisuais.
Entendemos que a pesquisa e análise de exemplos que extravasem o universo da peda- gogia ou educação, tal como sucede com alguns concertos audiovisuais, nos encaminham para a identificação de boas práticas, porque nos ajudam, por um lado, a encontrar novas perspetivas e, por outro, a refletir sobre os elementos e características que também fazem parte do nosso campo de ação.
Referimos de seguida alguns projetos, nacionais e internacionais, cuja análise foi per- tinente para o nosso estudo. Alguns desses projetos serão oportunamente referenciados ao longo do trabalho para evidenciar e/ou demonstrar características afins ou distintas da metodologia teórica e prática e objetivos que caracterizam o nosso trabalho.
COMPANHIA DE MÚSICA TEATRAL – A direção artística da CMT está a cargo de Helena Rodrigues e Paulo Maria Rodrigues.
A CMT trabalha na criação de espetáculos cuja natureza estética se enquadra dentro da designação de ‘música cénica’ e do ‘teatro musical’. Estabelecendo pontes de ligação entre várias linguagens, a CMT visa dinamizar a produção de iniciativas de carácter interdisciplinar e privilegia a Música como ponto de partida para a interação entre várias técnicas e possibilidades de comunicação artística.17 Referem-se aos seus diversos projetos como a criação de constelações artístico-educati- vas. “O trabalho de criação de constelações artístico-educativas da cmt tem-nos levado a explorar diferentes formas de abordar os recursos sonoros e envolver o público nos vários aspectos da construção de relações com a música – ouvir, fazer, criar, saber.18
SelecionámosalgunsexemplosdoquedesignamporConstelações Artístico-Educativas:
Anatomia do Piano, estreou em julho de 2012, em Viana do Castelo
Um espetáculo dirigido a famílias, onde a partir da música se explora a transversali- dade de áreas como o teatro, dança, imagem e artes visuais, propondo a reinvenção sonora e teatral de um instrumento: o piano.
Anatomia do Piano é um espetáculo que propõe a desconstrução do instrumento que será talvez o mais influente da história da música ocidental. Resultado duma evolução tecnológica notável e de séculos de repertório, práticas e rituais, o piano é um instrumento-ícone. Em Anatomia do Piano, mais do que um instrumento, o piano é um lugar, um ser com vida, uma escultura, um palco, a casa onde a música habita e de onde brotam histórias sem palavras, feitas de sons, de imagens e de corpo.19
Fig. 1 | Anatomia do Piano na Casa das Artes de Famalicão Fig. 2 | Anatomia do Piano na UA ficha técnica: Conceção e produção - Companhia de Música Teatral | Criação artística - Paulo Rodrigues, Pedro Ramos, Ana Guedes | Intérpretes - Paulo Rodrigues, Pedro Ramos | Co-produção - Casa das Artes de Famalicão Pianoscópio, estreou em outubro de 2013, no Festival Big Bang, no CCB, Lisboa.
Assumida como uma instalação interativa, dirigida a qualquer pessoa, centrada não só na exploração de recursos sonoros, como na construção, a partir da improvisação, de peças musicais partindo de uma base musical. “Mais do que uma obra acabada, o Pianos-
cópio é um universo e uma linguagem que pode tomar várias formas”20 ––––
17 http://www.musicateatral.com/apresentacao (acedido em setembro 2011) 18 http://www.musicateatral.com (acedido em setembro 2011)
19http://www.musicateatral.com/anatomiadopiano (acedido em setembro 2011) 20http://www.musicateatral.com/pianoscopio (acedido em setembro 2011)
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Fig. 3 | Pianoscópio no Centro Cultural de Belém
ficha técnica: Conceção e produção - Companhia de Música Teatral | Direção - Paulo Rodrigues | Pianotrónica - Filipe Rodrigues | Sonoscopia - Henrique Fernandes | Figurinos - Izabel Rocha | Escultura - Ana Guedes, Miguel Ferraz
PROJECTO BACH2CAGE – Concerto multimédia em que se reinterpretou John Cage e Joan Sebastian Bach, musical e cenicamente. Foi criado e realizado por docentes e alunos do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, uma equipa de cerca de 30 pessoas, envolvendo músicos, designers e tecnólogos da comunicação. “B2C é, a face visível de um laboratório experimental de cruzamentos da música/artes performativas com multimédia/arte digital. Este carácter experimental implica que uma das características mais importantes do projecto seja a «instabilidade» e que o espectáculo B2C se encontre em constante upgrade”21
Fig. 4 | Performance integrada em Bach2Cage, abril 200522
PROJETOS MULTIMÉDIA DE MÚSICA ELETRÓNICA E EXPERIMENTAL – Alva
Noto, Ryoji Ikeda, Massive Attack, Sigur Rós, etc., que pelas suas diferenças despertam a
nossa atenção. Por exemplo nos concertos dos Massive Attack, a imagem projetada está muitas vezes relacionada com a intenção de realçar o aspeto interventivo das letras das suas canções, ou seja, cumpre o objetivo de evidenciar uma mensagem. Nos concertos de Alva Noto ou Ryoji
Ikeda a imagem que se projeta também é ilustrativa, mas nestes casos a preocupação recai
sobre a importância de a imagem tornar visível a composição musical. ––––
21http://noticias.universia.pt (acedido em setembro 2011)
22 “Com o intuito de promover o espectáculo Bach2Cage foi desenvolvida esta curta performance para corpo e sistema audiovisual interactivo. Para além da interacção do performer com o vídeo em tempo-real existe também a interacção com um desenhador ao vivo.” in https://vimeo.com/1618708 (acedido em setembro 2011)
Fig. 5 | Alva Noto /Ryuichi Sakamoto
Festival AURAL 2012 | Teatro Metropolitan, México
Fig. 6 | Instalação Test Pattern de Ryoji Ikeda
Fig. 7 | Concerto dos Massive Attack
PROJETOS MULTIMÉDIA DA FILARMÓNICA DE BERLIM – Especificamente a rea- lização de um filme 3D do concerto da 1ª Sinfonia de Mahler, possibilitando ao espectador uma sensação de proximidade com os músicos e instrumentos“.
PROJETO MUTEK – MUTEK é uma organização sem fins lucrativos dedicada à divulgação e desenvolvimento da criatividade digital no som, música e arte audiovisual. O seu objetivo é de- dicar uma plataforma a artistas originais e visionários nestas áreas, com a intenção de proporci- onar e promover o contacto com um público que pretende desenvolver produção nesta área.
Este festival iniciou em 2000, em Montreal, atualmente as ramificações do festival já chegaram até ao México, Barcelona, Tóquio, Dubai e Buenos Aires.23
Fig. 8 | Intervenções sonoras e visuais no festival MUTEK
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29 PROJETO MESO – MESO é uma equipa de design de media digital e sistemas de média,
fundada em 1997 por quatro designers e um cientista da computação que compartilhavam uma paixão forte para projetos que transcendem a sua própria disciplina.24
Fig. 9 | Instalação multimédia Gravity | Aarau, Suíça, 2011
PROJETO BIOPHILIA25 – “O Project Educativo Biophilia é um projeto piloto de grande escala que se baseia na participação de académicos, cientistas, artistas, professores e alunos de todos os níveis académicos. Baseia-se em torno da criatividade como uma ferramenta de ensino e pesquisa, onde a música, tecnologia e as ciências naturais estão ligados entre si de uma forma inovadora”.
O projeto apresenta um exemplo de colaboração dinâmica entre diferentes áreas da sociedade, tais como o sistema de ensino, instituições culturais, de ciência e institutos de pesquisa. O projeto cria uma plataforma de diálogo e debate que estimula o desenvolvimento pessoal e social, contri- buindo assim para uma sociedade sustentável, onde novas abordagens são exploradas ativamente.
O projeto foi originalmente desenvolvido por Björk, em Reiquiavique e na Universi- dade da Islândia, em conexão com o lançamento de 2011 do álbum Biophilia de Björk.26
Fig. 10 | Página internet do projeto Biophilia
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24www.meso.net (acedido em setembro de 2011)
25 Vídeo de apresentação do projeto disponível in http://biophiliaeducational.org/ 26 http://biophiliaeducational.org (acedido em setembro de 2011)
PROJETO 10TO1PRODUCTIONSLTD – Music Education in Motion – Victor Craven cria animações para o desempenho da música em concertos ao vivo, especializou-se num traba- lho educativo para orquestras e grupos de classe mundial: London Symphony Orchestra, Orquestra do Século das Luzes , Münchner Rundfunkorchester , Melbourne Symphony Orchestra, Orquestra Filarmónica do Luxemburgo, Scottish Ensemble , Bournemouth Symphony Orchestra, Klavier-Festival Ruhr , Bochumer Symphoniker , Aalborg Symfonior- kesterm , Derby e Parceria Música Derbyshire e Ensemble 360.27
Fig. 11 | Carnaval dos Animais | Camille Saint-Saëns Animação de Victor Craven
Fig. 12 | Dança Infernal | Igor Stravinsky Animação de Victor Craven
BBC Proms – são os concertos londrinos que de certa forma foram inspiradores dos CP do Coliseu do Porto. O diretor artístico, sobre o conceito original, preferiu uma abordagem diferente na sua conceção e programação. Outro aspeto distinto é o contexto das salas de espetáculo onde se realizam os concertos [Royal Albert Hall vs Coliseu do Porto] ser bas- tante diferente, por exemplo, quanto aos recursos disponíveis, a lotação da sala, as carac- terísticas arquitetónicas, os contextos socioculturais, ou simplesmente o percurso histórico que os diferencia. Os BBC Proms iniciaram-se em 1895 e os CP do Coliseu do Porto reali- zam-se entre 2005 e 2015.28
Fig. 13 | BBC Proms no Royal Albert Hall
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https://www.youtube.com
31 O objetivo principal de tomarmos conhecimento sobre estes projetos é desvendar al-
guns dos aspetos sobre os quais incide a nossa análise e reflexão, comparando o modo como os seus intervenientes e as suas estratégias se ajustaram aos objetivos de cada um desses contextos, e, através dessa confrontação, tomarmos consciência da eventual neces- sidade de estudar o contributo de algumas disciplinas específicas como a tipografia, ilus- tração, fotografia, vídeo, ou mesmo a cenografia envolvidas nestes projetos, comparando- as com os nossos procedimentos tecnológicos.
Também é pertinente constatarmos que, nestas produções, embora variem os objetivos que determinam a escolha e utilização dos recursos e estratégias, os procedimentos de adaptação dos contributos para uma maior funcionalidade comunicacional com os desti- natários revelam preocupações análogas às nossas. A utilização de imagem serve exata- mente os propósitos específicos de cada um deles, como no nosso caso específico.
Por último, gostaríamos de mencionar que os projetos sobre os quais recaiu a nossa atenção, e dos quais aqui se apresentam alguns, são projetos que integram sempre uma equipa composta por especialistas de áreas distintas, onde cada um preserva a sua identi- dade e espaço de trabalho, contribuindo com o seu saber específico sem nunca esquecer a estrutura de que faz parte e o propósito coletivo de construção.