Partie 4 : Discussion
4.1 Interprétation des résultats
4.1.2 Des résultats montrant une perception positive des Communs en lien avec la
Esta pesquisa se configura como uma pesquisa qualitativa documental de caráter descritivo e exploratório, pois objetiva não apenas a descrição de metáforas, mas também contempla “uma visão panorâmica, uma primeira aproximação a um determinado fenômeno que é pouco explorado” (GONSALVES, 2003, p. 65), neste caso, as metáforas que emergem do discurso de alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, aprendizes de inglês como LE, cuja disciplina lhes é obrigatória.
Este estudo busca ainda, ao explorar as metáforas no discurso desses participantes, oferecer dados que poderão dar suporte para a realização de estudos mais aprofundados sobre as metáforas de aprendizagem relacionadas ao ensino de LI, no contexto brasileiro, corroborando, portanto, a afirmação de que esta pesquisa também é de objetivo exploratório (GONSALVES, 2003, p. 65).
A pesquisa documental caracteriza-se, segundo Gonsalves (2003, p. 32), pela análise de materiais originais. Dessa forma, ao optar pela coleta de narrativas multimodais de aprendizagem elaboradas pelos próprios participantes, foi possível reunir um grande número de dados e documentos para análise. É importante ainda ressaltar que esta pesquisa não
priorizou apenas os dados verbais, mas sim as múltiplas formas de informação, já que segundo Gonsalves (2003, p. 32), citando Chizzotti (1991)28, um documento é
qualquer informação sob a forma de textos, imagens, sons, sinais, etc. contida em um suporte material (papel, madeira, tecido, pedra), fixados por técnicas especiais como impressão, gravação, pintura, incrustações, etc. Quaisquer informações orais (diálogos, exposições, aula, reportagem falada) tornam-se documentos quando transcritos em suporte material. (CHIZZOTTI, 1991, p. 109 apud GONSALVES, 2003, p. 32)
Inserida no paradigma interpretativista, esta pesquisa utilizou as abordagens quantitativas e qualitativas. Nesse sentido, cabe voltar ao objetivo geral deste estudo, que é identificar, classificar e interpretar, a partir das narrativas multimodais produzidas por um grupo de aprendizes de LI, as metáforas verbais e não verbais utilizadas por eles e como essas metáforas revelam suas concepções sobre os estudantes, os professores e o processo de ensino e aprendizagem desse idioma. De acordo com esse objetivo, é preciso ressaltar que a pesquisa mais adequada para esse contexto, a princípio, é a qualitativa de caráter descritivo. No entanto, após a descrição dos dados bem como a identificação e organização das metáforas mais recorrentes, a pesquisa passa a se configurar como mista – quantitativa e qualitativa.
De acordo com Saccol (2009, p. 262), a pesquisa interpretativista enfatiza a importância da subjetividade e das ações simbólicas na forma como as pessoas constroem e reconstroem sua própria realidade. A pesquisa interpretativista busca compreender um fenômeno pela perspectiva dos seus participantes. Dessa forma, os estudos ocorrem no ambiente natural, pois “todo o nosso conhecimento sobre a realidade depende das práticas humanas e é construído por meio da interação entre as pessoas e o mundo no qual vivemos, sendo transmitido em um contexto social” (SACCOL, 2009, p. 262). Quanto à metodologia, a pesquisa interpretativista assume que o pesquisador poderá empregar métodos e técnicas quantitativas como ferramentas complementares a um estudo qualitativo mais amplo.
Para Fragoso et al (2011, p. 67), apesar de os métodos quantitativos e qualitativos serem frequentemente compreendidos como abordagens incompatíveis e excludentes, é possível entendê-los como complementares, conforme os objetivos de cada pesquisa, pois a pesquisa qualitativa “visa uma compreensão aprofundada e holística dos fenômenos em estudo”, contextualizando-os e reconhecendo seu caráter dinâmico (FRAGOSO et al, 2011, p. 67). Segundo Denzin e Lincoln (2006, p. 20), “os pesquisadores qualitativos utilizam a
análise semiótica, a análise da narrativa, do conteúdo, do discurso, de arquivos e a fonêmica e até mesmo as estatísticas, as tabelas, os gráficos e os números”.
Ainda segundo Denzin e Lincoln (2006, p. 17), a pesquisa qualitativa envolve a coleta e o estudo de diversos materiais empíricos como, por exemplo, a análise de experiências pessoais, histórias de vida e a análise de textos visuais, ou seja, materiais que “descrevem momentos e significados rotineiros e problemáticos na vida dos indivíduos”. Logo, é preciso utilizar uma variedade de práticas interpretativas ligadas umas às outras, pois cada uma delas permite uma visão diferente do mundo e possibilitam uma maior compreensão do objeto de estudo.
A pesquisa qualitativa, portanto, segundo Denzin e Lincoln (2006, p. 17),
consiste em um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo. Essas práticas transformam o mundo em uma série de representações, incluindo as notas de campo, as entrevistas, as conversas, as fotografias, as gravações e os lembretes. Nesse nível, a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem naturalista, interpretativa, para mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem.
Dessa maneira, dado o caráter interpretativo desta pesquisa, faz-se necessário ressaltar que o pesquisador, que se insere no interpretativismo, segundo Saccol (2009, p. 262), nunca possui uma posição neutra, pois suas pressuposições, crenças, valores e interesses sempre intervêm na modelagem de suas investigações. Para Denzin e Lincoln (2006, p. 32) “cada pesquisador fala a partir de uma comunidade interpretativa distinta que configura, em seu modo especial, os componentes multiculturais, marcados pelo gênero, do ato da pesquisa”. Além disso,
[q]ualquer olhar sempre será filtrado pelas lentes da linguagem, do gênero, da classe social, da raça e da etnicidade. Não existem observações objetivas, apenas observações que se situam socialmente nos mundos do observador e do observado — e entre esses mundos. Os sujeitos, ou indivíduos, dificilmente conseguem fornecer explicações completas de suas ações ou intenções; tudo o que podem oferecer são relatos, ou histórias, sobre o que fizeram e por que o fizeram. Nenhum método é capaz de compreender todas as variações sutis na experiência humana contínua. (DENZIN e LINCOLN, 2006, p. 33)
Assim, as descobertas deste estudo são passivas de falseabilidade, pois devido à natureza do tema abordado, diferentes interpretações poderão ser feitas, dependendo do contexto e do
momento em que se encontra o pesquisador. A construção de categorias de metáforas é extremamente subjetiva, pois as metáforas não são estáticas, de modo que outros pesquisadores poderão perceber categorias diferentes daquelas apontadas aqui. Logo, as descobertas deste estudo não são generalizáveis ou irrefutáveis, uma vez que se leva em consideração o contexto em que se encontram os aprendizes que colaboraram com este trabalho e a possibilidade de aprimoramentos futuros na identificação, categorização e análise das metáforas apresentadas.