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Résultats groupe 1, après un mois passé à l’ER2C

Objetivo deste encontro: apresentar aos participantes procedimentos de identificação, descrição e análise de comportamentos de enfrentamento de mulheres com câncer da mama, em diferentes momentos do tratamento.

Participaram E1, F1, P1, C1 e C2 no grupo da manhã e A1, A2, E2, C1 e C2 no grupo da noite. M1 justificou ausência por motivo de doença na família (pai em estado grave de saúde).

A primeira atividade do dia foi realizar uma síntese do encontro anterior, com base na leitura e discussão das avaliações realizadas pelos participantes.

As coordenadoras colocaram como destaque às discussões sobre a atuação da equipe em interação com o paciente. caso de M. Foi ressaltado que cada profissional, ainda que tenha sua especificidade, pode compartilhar de conhecimentos de outras áreas e atuar de modo multidisciplinar (em conjunto), interdisciplinar (em grupo) e transdisciplinar (pelo grupo).

Os participantes avaliaram que na área da saúde já é difícil o trabalho multidisciplinar, no entanto, têm como ideal constituir um modelo de atuação interdisciplinar.

De acordo com as orientações para realização do terceiro encontro, os participantes apresentaram as seguintes definições sobre comportamentos de enfrentamento:

“É um conjunto de esforços para lidar com as situações estressantes, que exigem adaptação. As estratégias de enfrentamento são influenciadas pelos fatores pessoais, história de vida, limitação, recursos disponíveis, condição econômica, significado que o indivíduo atribui à situação (doença), etc. Por fim, é uma busca de equilíbrio, harmonia que um indivíduo faz quando se desequilibra, sai do seu natural, do equilíbrio” (P1). “É a atitude embutida de coragem, força, esperança diante de um problema difícil” (E1). “A postura física e emocional que o indivíduo assume frente a uma situação que o oprime, o ataca e o debilita. A forma como age, pensa e expressa seus sentimentos, dores e esperanças” (F1).

“Ter consciência do problema e assumir a sua parcela de responsabilidade para tentar resolvê-lo. É o contrário da fuga” (A2).

“É a maneira de conhecer, analisar, avaliar e enfrentar uma situação” (A1).

Em seguida, os participantes apresentaram, individualmente, as primeiras impressões sobre as entrevistas com as pacientes M1, M2 e M3.

Para P1, “M1 usa a preocupação com os filhos para não pensar e enfrentar a cirurgia,

depois entra em contradição, dizendo que nas últimas semanas só pensa na cirurgia. Outra contradição - seio é importante para toda mulher, mas“nunca liguei para isto”. Se coloca em uma condição de vítima do marido”.

Para E1, M3 é uma mulher madura, instruída, embora do lar. Parece ser uma pessoa

segura de si, com auto-estima, pela maneira como enfrentou o câncer, superando a perda da mama, pois após 5 anos vive normalmente sem complexos e vergonha. É verdade que parece que o lar ajudou, o marido a incentiva dizendo que está curada. A estrutura familiar é importante na vida pessoal da mulher, se a base familiar é segura, o enfrentamento é natural. Quando diz que está bem, isso mostra que está enfrentando a situação”.

Para F1, M3 aparentemente vida afetiva (filho e marido) e financeira estável. Por ser um

relato feito após 5 anos da primeira cirurgia a paciente se encontrava bem e confiante. No relato sobre a doença, muitas contradições: Eu não sou uma pessoa revoltada, não tenho medo, porém também relatou que já teve medo de morrer e que se preocupa muito com o fator estético. Afirma de uma maneira repetitiva seu bem-estar, querendo convencer a entrevistadora e a ela mesma disso. É bem mais fácil dizer que está bem, do que enfrentar o medo e a ansiedade. Não achei normal este bem estar todo.

Para A2, M2 é ainda jovem, trabalhadora, com uma família numerosa, o que certamente

faz com que tenha sempre experiência novas (fatos ocorridos na família ou com familiares). Mulher corajosa e determinada por ter conseguido se libertar do marido (do casamento) e enfrentar a situação mesmo com a responsabilidade de cuidar dos filhos. Mesmo com a informação de que seu problema era grave, aceitou a indicação da cirurgia somente depois de firmada a confiança no profissional. Atitudes importante da família demonstrando preocupação sem manifestarem pena. Dificuldade de aceitação da perda da mama, mesmo consciente da necessidade de retirá-la para salvar-se”.

Para E2, M3 é uma pessoa otimista, forte e confiante em Deus. Teve uma boa aceitação

da doença, fez o que precisava na hora certa e procura levar a vida de forma natural, sem preconceito. Tenta viver o dia-a-dia aproveitando tudo, não deixando nada para depois. O que mais me chamou a atenção foi quando ela comparou a doença com uma bola preta e não com uma nuvem preta. Entendi que a nuvem estaria em cima, para tirá- la seria mais difícil, enquanto que a bola é mais fácil colocá-la de lado, empurrá-la ou chutá-la. Por mais que tente não ficar pensando na doença toda vez que tem que repetir os exames de controle, fica preocupada. Achei sua história interessante porque apesar da gravidade da doença ela procurou encarar e viveu. Não se deixou abater”.

Para A1, M3 é uma pessoa bastante positiva, enfrentou sua doença, embora o primeiro

impacto a tenha deixado com muito medo. Após, tornou-se otimista, sem preconceito, aproveitando os bons momentos”.

opiniões. Para E1, relatar que está bem é uma demonstração de enfrentamento (no sentido do uso coloquial do termo: de combate, luta, confronto). Para F1, é uma maneira de evitar entrar em confronto com suas angústias.

A1 e E2 disseram que escolheram a entrevista de M3 por que se identificaram com a paciente. Caso um dia recebessem o diagnóstico de câncer da mama, agiriam do mesmo modo, aderindo ao tratamento de maneira “otimista, com garra”.E2 complementou que apesar da “garra” de M3, disse ter duvidado em alguns momentos sobre sua aceitação em relação à doença: “Será que

ela aceitou mesmo ou ela quer mostrar que aceitou? Por exemplo, quando M3 fala que aceitou tudo numa boa, aceitar é uma coisa e aceitar numa boa é outra coisa, não muito simples. Apesar disso, fiquei fã desta mulher".

Sobre M2, A2 ressaltou que o que mais lhe chamou atenção foi o contexto familiar vivido pela entrevistada (muitos filhos, netos, separação conjugal): “uma pessoa que não desanimou e não

deixou o tratamento frente as dificuldades”.

E2 apontou que uma das respostas de enfrentamento de M3 foi "ver o câncer como uma

bola e não uma nuvem". Analisou que quando se tem uma bola, é possível chutar, soprar; diferente

da nuvem que está acima da pessoa.

Na segunda parte do encontro foram apresentados elementos de conhecimento teórico, contido nas transparências 01 (em anexo) e as entrevistas de M1, M2 e M3 foram analisadas novamente.

Outras respostas de enfrentamento foram identificadas, juntamente com a ajuda das coordenadoras: conversar com amigos, sair para fazer compras, olhar vitrines, fazer natação, tenta

“tirar da cabeça”, e até mesmo falar sobre sua condição de saúde (falar sobre a doença).

A2 disse também que no dia a dia até conseguia identificar algumas respostas de enfrentamento que favoreciam a adaptação psicossocial da paciente, entretanto, não tinha a visão da relação: evento estressante – resposta de enfrentamento – conseqüências. A1 e E2 relataram que não haviam, na atividade extra-encontro, identificado tantos diferentes modos de enfrentamento. Destacaram que o apoio dos colegas e da equipe são fundamentais para o paciente..

A partir deste comentário os participantes falaram sobre a falta de tempo dos profissionais para conversarem e ouvirem os pacientes – "principalmente os médicos", relata E2. A1 complementou que se os profissionais demoram no atendimento os pacientes falam que são “lerdos

e moles" e se atendem rápido, falam que "não prestam, porque não vêem nada”.

Um ponto polêmico, debatido pelos participantes foi sobre às condições insatisfatórias do Sistema Único de Saúde. A1 apresentou sua insatisfação em realizar tarefas que não compete a ela e lidar com a falta de médicos para os atendimentos nos postos de saúde. Em seu trabalho disse que busca conscientizar os pacientes sobre seus direitos em relação à saúde e orienta-os para reivindicarem seus direitos.

Na discussão sobre possibilidades de intervenção do profissional da saúde em relação à mulher com câncer da mama, E1 disse que no caso de M1 seria importante dar informações corretas sobre a hospitalização e o período que ficaria longe de casa. Sugeriu E1 que durante a internação de M1 algum profissional poderia fazer uma visita na sua casa trazendo-lhe informações sobre os filhos.

P1 complementa que “M1 está solta, porque ela não está conseguindo apoiar em nenhuma

área da vida dela; diferente das outras (M2 e M3) que tem o trabalho, ou tem.... pelo menos num ponto você enxerga um apoio”. F1 classifica o tipo de intervenção de M1 como preventiva, M2

como curativa e M3 como uma intervenção reabilitadora. No caso de M1 é preciso prevenir sobre as conseqüências da cirurgia; para M2 é preciso explorar questões sobre sexualidade; para M3, é preciso buscar elaborar o que ela “deixou pra trás”, aproveitando sua "auto-estima”.

P1 acrescentou que a intervenção para M1 deve ser urgente. E1 complementou dizendo que M1 precisava de uma intervenção imediata e urgente, de “Pronto Socorro”.

A1, A2 e E2 consideraram pontos importantes de intervenção: a) informar o tempo de internação e os procedimentos que serão realizados, a fim de que as pacientes tenham conhecimento do que vai acontecer e não sejam surpreendidas com o “desconhecido”; b) cuidar para que aceitem a ajuda dos familiares para o cuidado dos filhos; c) proporcionar a reconstrução da mama e orientar sobre a importância do acompanhamento médico, dada possibilidade de recidiva; d) fazer ligações telefônicas nas vésperas da realização dos exames periódicos para acalmá-las.

F1 observou que M3 “não estruturou seu enfrentamento gradativamente”, o que pode provocar uma recaída numa situação de perda futura. Concordando com F1, E1 disse que M3 estava

"estruturada em areia”.

Foi apontado pelas coordenadoras que o profissional da saúde pode ajudar o paciente a minimizar condições estressantes e a maximizar as fontes de ganhos positivos. Como por exemplo, realizar grupos com esta clientela, pode ser considerado uma modalidade bastante efetiva de intervenção. Neste momento, F1 manifestou que tem planos de realizar este tipo de trabalho, com grupos de pacientes. Outra possibilidade de intervenção, no caso de M3, é conversar com sua

A2, E2 também pensaram em implantar no mesmo local onde trabalham: a) o acompanhamento de pacientes, antes e logo após a realização da cirurgia. Caso estes pacientes não tenham nenhum familiar acompanhante, os profissionais ou outros pacientes já recuperados poderiam acompanhá-los durante à cirurgia; b) o serviço de apoio coordenado por ex-pacientes. Seriam pacientes que tiveram um bom prognóstico, a fim deles se colocarem disponíveis para conversarem com pacientes em estágio inicial da doença; c) acompanhamento de familiares dos pacientes, em especial, os maridos/companheiros de mulheres com câncer da mama, tendo em vista o despreparado deles em lidar com a mulher e o câncer.

No final do encontro, com o objetivo de coletar informações que pudessem ser parâmetro de avaliação do tema discutido, foi solicitado que os participantes respondessem a seguinte questão: Quais as contribuições do estudo do enfrentamento das pacientes para sua prática profissional?

E2 disse que as discussões do grupo têm suscitado muitas idéias que poderiam ser implantadas, além de modificar sua prática profissional, com o objetivo de oferecer um atendimento

“mais correto” aos pacientes. Apesar das dificuldades enfrentadas para mudar a organização da

instituição onde trabalha, afirmou que “Cada vez que eu assisto uma aula aqui, eu sonho. É gostoso

vir aqui. É gostoso sonhar.” Relatou que tentou fazer algumas mudanças no serviço em função das

idéias que teve durante os encontros. Dificuldades foram encontradas principalmente por parte da administração/recepção/secretaria, mas não desistiu: “Se a gente der mole, eles não deixam você

realizar nada. Toda mudança que você vai fazer no local de trabalho, não é uma coisa fácil (...) A influência do bem tem que prevalecer sobre o mal”.

A2 e E2 relataram que estão conversando com os profissionais do setor administrativo (os que apresentam maior resistência à mudança): “Nosso ambiente de trabalho, quem cria somos nós.

E esse ambiente não pode sofrer influência de dinheiro, de salário, temos também que preservar o nosso bem–estar aqui, os nossos relacionamentos”.

CENTRO DE PSICOLOGIA A P L I C A D A

unesp

Câmpus de Bauru

Faculdade de Ciências

Anexo 9 – Transparências 1

Formação Continuada para profissionais da saúde:

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