CHAPITRE 1. VISION MACROSCOPIQUE, URBANISATION ET DEVELOPPEMENT
5. L E CHOIX DE L ’ OUTIL DE SIMULATION THERMIQUE DYNAMIQUE
5.4. Résultats de la simulation thermique dynamique
Para Haesbaert e Limonad (2007), há uma multiplicidade de configurações que o território e as territorialidades assumem em um mundo globalizado. Para esses autores, o termo globalização, nascido no meio jornalístico, passou a ser utilizado em diversos campos do conhecimento para caracterizar, de modo generalizado, a disseminação global de processos sociais e econômicos. De acordo com Albagli (2004), enquanto internacional e
multinacional têm os espaços nacionais como referência, global diz respeito à
inexistência de limites entre os espaços nacionais e internacionais. Portanto, enquanto a internacionalização refere-se à ampliação das atividades econômicas para além dos limites nacionais, a globalização refere-se à integração funcional de atividades internacionalmente dispersas. De acordo com Giddens (1991, p.69), a globalização não pode ser vista como um movimento unilateral, mas como um processo dialético, na medida em que provoca uma contrapartida local que age em resistência às forças “globalizadoras”. Para Giddens (1991, p.69), o resultado desse processo não se caracteriza em um conjunto generalizado de mudanças atuando numa direção uniforme, mas em tendências mutuamente opostas. A globalização
pode ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas de distância e vice-versa (GIDDENS, 1991, p. 69).
De acordo com Albagli (2004), a globalização tem sido percebida como uma força homogeneizadora que dissolve as identidades territoriais, suas singularidades e autenticidades. Para essa autora, a cultura local corresponde à cultura de espaços geográficos relativamente pequenos e delimitados, que possui códigos comuns e sistemas próprios de representação. Diferenças culturais originam-se na história de cada povo e são reproduzidas pelo comportamento aprendido socialmente e não por características inatas (ALBAGLI, 2004). Para Albagli (2004), as representações de identidade e as tradições de cada território não podem ser tratados como meros instrumentos de interesses externos, pois constituem expressões de resistência pelas pessoas que se veem marginalizadas no processo de globalização.
Stuart Hall (2006), por sua vez, defende que há um certo exagero na ideia de que a globalização pode solapar as identidades das culturas locais. Hall (2006) afirma que, na realidade, a globalização produz um interesse renovado sobre os aspectos que representam a cultura “local”. Para esse autor, esse “local” não deve ser confundido com aquelas velhas identidades estáveis e enraizadas em localidades bem delimitadas, mas como um aspecto que age no interior da lógica da globalização, na medida em que nichos de mercado são criados a partir da diferenciação local.
Para refutar a ideia de homogeneização global, Hall (2006) afirma que a globalização age de forma desigual conforme a região e o estrato da população. Ao contrário do que pensa o senso comum, a proliferação das escolhas de identidades é, segundo esse autor, mais ampla no centro do sistema global do que nas suas periferias. Para Hall (2006), as sociedades das periferias estão – hoje mais do que nunca – abertas às influências das culturas ocidentais. A ideia de que esses lugares são fechados, culturalmente tradicionais e intocados – para Stuart Hall, não passa de uma fantasia das sociedades centrais e ocidentais em relação às periferias. Para Hall e Woodward (2005), se por um lado a globalização produz uma certa homogeneidade cultural, por outro produz resistências que resgatam e fortalecem o que é específico de cada povo e cada cultura.
No plano econômico, a globalização gera exclusão, tanto internamente quanto no plano internacional (ALBAGLI, 2004). De acordo com Albagli (2004), usufruem dos benefícios da Globalização somente os extratos sociais que estão conectados nas redes mundiais de circulação e consumo. De acordo com Giddens (1991), a disseminação de relações sociais globalizadas pode, por exemplo, ter ferido sentimentos nacionalistas ligados aos estados-nação e contribuído para a intensificação de movimentos nacionalistas no interior dos países europeus. De acordo com Albagli (2004), a globalização traz consigo a fragmentação e as reivindicações subnacionais, raciais, étnicas e religiosas que se intensificam e produzem conflitos pulverizados.
Santos e Silveira (2001) explicam como a globalização transformou a divisão internacional do trabalho, sobretudo nos países subdesenvolvidos, onde a lógica das grandes empresas passou a interferir na política interna e externa de cada país:
- na situação anterior à globalização, as localizações eram determinadas pela presença de recursos naturais, infraestruturais ou sociopolíticos que pudessem ser revertidos em vantagens comparativas. Entretanto, as normas econômicas e sociais estabelecidas pelo Estado possuíam um papel de regulação ao qual as empresas interessadas deveriam se adaptar;
- com a globalização, em nome da inserção desse país na nova modernidade e no mercado global, são estabelecidas medidas que favorecem a instalação ou a permanência de empresas estrangeiras. Esse conjunto de medidas passa a
comandar a política econômica e social desse país, impedindo-o de realizar uma verdadeira política nacional (SANTOS; SILVEIRA, 2001).
Ainda segundo Santos e Silveira (2001), os atores desse enredo atribuído ao mercado global são, na realidade, as empresas que dispõem de força suficiente para induzir os Estados a adotar medidas que favoreçam seus próprios interesses de competitividade. Quando o Estado deixa de oferecer essas vantagens, as empresas não hesitam em fechar suas portas e instalar suas fábricas em outros países (SANTOS; SILVEIRA, 2001). Ainda sobre a inserção dos países na divisão internacional do trabalho, Santos e Silveira (2001), explicam que dentro de um mesmo território, existem lugares de em que se observa uma globalização “absoluta” e de outros em que essa globalização é apenas relativizada. Nos lugares de globalização absoluta os vetores da globalização formam uma trama mais densa. Nas áreas de menor presença da globalização, essas características desaparecem ou se reduzem (SANTOS; SILVEIRA, 2001).