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Chapitre III – Les déterminants de la croissance urbaine au Maroc

II. 3.1.3 – Résultats

Gostaria de iniciar este item com uma pequena, mas fundamental observação sobre o “Esquadrão Real dos Companheiros” (ἴλῃ βασιλικῆ ou algumas vezes ἄγημα85). É notável o acréscimo τ῵ν ἑταίρων a esta unidade de elite, de modo que a “Guarda de Alexandre”, com exceção dos

hipaspistai, passou a ser sinônimo de sua cavalaria

macedônica, mesmo quando referida somente como ἄγημα, mas por que a condição de cavaleiros lhes foi conferida?

A resposta mais provável parece ser porque os reis macedônios (e especialmente Alexandre) quase sempre combatiam a cavalo, como revela a insistência de alguns autores antigos em tentar posicionar Alexandre no comando de sua cavalaria na batalha de Isso. A “Guarda Pessoal” do rei se tornou, historicamente, sinônimo de uma cavalaria de elite, a “Cavalaria dos Companheiros”. Esta força de elite cresceu bastante após Alexandre cruzar o Helesponto, quando 7 esquadrões (ἰ̄λᾱς) foram acrescentados ao primeiro original, distinto dos demais apenas por sua procedência (o esquadrão real par excellence)86. Sabemos que formavam oito

esquadrões na batalha de Gaugamela 87, sendo que o esquadrão real estava sob comando de Cleito, o Negro e os demais sob o comando de Filotas, filho de Parmênio”88.

85 Arr. Anab. 2.5; 3.1; 3.8. 86 ALG2, p.154.

87 Arr. Anab. 3.11-12.

88 Além dos Companheiros, temos outros 4 esquadrões de cavalaria ligeira, os “scouts” (πρόδομοι) ou lanceiros (σᾰρῑσοφόροι). Brunt (“Alexander‟s Macedonian cavalry”, JHS 83: 27-46, 1963. Pp.27-8) recorda o debate entre Berve e Tarn acerca da procedência étnica (macedônia, para o primeiro, e trácia, para o segundo) desses quatro esquadrões de lanceiros. Brunt parece estar correto ao escolher a versão de Berve, uma vez que, no relato de Arriano (Anab. 1.12; 14.1 e 14.6; 2.9; 3.12; 18.2; 20.1; 21.2) apenas os hipaspistai e os regimentos de falange não são descritos como “macedônios”, em oposição aos demais, “cuidadosamente classificados como peônios, mercenários ou agrianos no mesmo contexto”. Entretanto, não penso que seja possível dizer se, após 329 a.C., quando os lanceiros desaparecem dos relatos, foram enviados de volta para casa ou incorporados aos Companheiros.

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Sendo a elite da cavalaria macedônica, a qual era empregada em pontos decisivos das táticas executadas em campo de batalha, não poderia existir em grande número; mas seu papel, em contrapartida, não deveria ser de coadjuvantes quando entrassem em ação. Assim, qual era o número dos cavaleiros que integravam os Companheiros de Alexandre?

Uma vez mais, Tarn89 recorda que a discussão em torno do número de cavaleiros que Alexandre tomou quando de sua partida para a Ásia foi travada pela historiografia a partir dos dados obtidos no relato de Diodoro90, e que algumas das fontes utilizadas pelo historiador siciliano não permitiram a precisão desejada com relação às tropas macedônicas. A equivalência do contingente disponível a Alexandre e a Antípatro (que o rei havia deixado como representante na Europa), ambos com 12.000 soldados de infantaria (3.000 hipaspistai e 9.000 falangistas) é incorreta, senão absurda91. A contagem das tropas montadas a partir de Arriano se faz, portanto, necessária.

Outro questionamento importante diz respeito à organização da Cavalaria dos Companheiros. Originalmente, recorda Brunt92, os Companheiros estavam divididos em ilas, mas a partir de 331 a.C., em Susa, Alexandre formou dois

lochoi com cada ile, que conseqüentemente passou a ser

comandada por lochagoi. Esta alteração era inédita, conforme nos relata Arriano93, e representou o inchaço no

número dos Companheiros, já que as ilas não mais satisfaziam como divisão das unidades. Em contrapartida, após a execução de Cleito, o Negro (330 a.C.) surgiram as

89 ALG2, p. 153. 90 Diod. 17.17.

91 Especialmente devido à duplicação do número de hipaspistai. 92 Brunt, op.cit. p.28.

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ipparchias94 e, segundo Tarn95, o próprio Alexandre teria

assumido aquela pertencente a Cleito, somando 4 esquadrões sob seu comando e outros 4 sob Hefesto. No entanto, Tarn pode ter se equivocado com o fato de que Alexandre teria assumido o comando de uma ipparchia96.

De acordo com Tarn, o termo foi empregado apenas a partir de 326 a.C., no Indo, quando novos contingentes – orientais -, passaram a compor o exército de Alexandre. As menções anteriores de Arriano às ipparchias seriam, então, confusões e anacronismos de seu próprio tempo. Brunt, por outro lado, chama a atenção para a coincidência de dois fatores, os quais permitiriam uma compreensão modificada das ipparchias: a desconfiança de Alexandre com relação aos seus principais oficiais e a divisão da “Cavalaria dos Companheiros” nas novas unidades, o que amenizaria a possibilidade de motins (já que estavam divididos e com poderes reduzidos), concedendo-lhes, em contrapartida, um título de bastante prestígio, antes pertencente apenas a um ou dois oficiais. Se Brunt97 estiver correto, o surgimento

das ipparchias foi possivelmente anterior ao que Tarn propôs (de 326 a.C. para 328 a.C.) e a inserção de orientais na Cavalaria dos Companheiros um fator independente para a organização das novas unidades98.

Por último, cabe indagar sobre a relevância desta preocupação com o crescimento do contingente dos Companheiros (de um esquadrão para oito, ao cruzar o Helesponto, em número de 2.000 em Gaugamela e divididos em

94 As ipparchias podem ter sido um novo nome para as ilai, modificadas pelo contexto explicado a seguir, ou algo totalmente novo, uma vez que o termo substituiu outro plenamente consolidado na prática militar grega.

95 ALG2, p. 164.

96 Brunt, op.cit. p.29-30. 97 Brunt, op.cit. p.45.

98 Sua inserção na Cavalaria dos Companheiros (provavelmente em 324), certamente posterior a criação das ipparchias, tem muito a dizer também sobre a política que Alexandre adotou com relação aos assuntos orientais.

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ipparchias quando da campanha na Índia)99. O que exatamente

pode significar esta ampliação e quais seus desdobramentos no mundo helenístico?

A resposta reside na transformação das funções da cavalaria em campo de batalha, isto é, a partir de Alexandre, o Grande (e de seu exército reformado) as tropas montadas passaram, definitivamente, a desferir o ataque principal, legando aos falangistas o papel de força de apoio, necessária, mas sem caráter decisivo ou por princípio ofensivo. Tal característica da cavalaria macedônica pode ser observada, por exemplo, na batalha de Gaugamela, quando o número dos Companheiros foi elevado ao máximo e a tática, remodelada a partir da tradição grega, ilustra a relevância da decisão pelas manobras das tropas montadas.

A modificação de sua função tática veio acompanhada de duas grandes inovações. A primeira delas é a “formação em seta”, que facilitava o rompimento da formação inimiga pela ampliação da carga desferida, se comparada àquela executada pela “formação em quadrado”. Basicamente, ao manter os olhos fixos no líder, posicionado à frente da formação, cavaleiros organizados em seta eram capazes de romper com uma formação defensiva, desferindo, assim, o golpe principal100.

A segunda delas diz respeito à exploração dos espaços entre os batalhões de falangistas. Como salientou Tarn101,

apresentar ao inimigo um bloco coeso com diversas pontas de lança e manter esta formação sem espaços entre os batalhões eram coisas completamente distintas. A partir do momento em que a cavalaria passou a desferir o golpe principal, a questão dos espaços se tornou de máxima importância, como

99 Algo em torno de 200 homens. 100 Griffith, op.cit. p.414

101 William W. Tarn. Hellenistic Military and Naval Developments. Cambridge, Cambridge University Press, 1930. P.13.

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pode ser visto em Gaugamela e, no período helenístico, em Paraitakene (Eumenes versus Antígono). Por último, ainda que não seja cotada como uma inovação das táticas de cavalaria, o envolvimento pelo uso de tropas montadas se tornou prática comum entre os macedônios. Numa batalha em que ambos os comandantes tivessem disposto a cavalaria nas alas, a vitória dependeria abertamente da capacidade do exército em manter seus flancos protegidos do envolvimento inimigo. Ainda que esta fosse uma prática comum entre os persas, foi com os macedônios que ocorreu a combinação do ataque montado com o avanço da falange, frontalmente impenetrável, exceto pelos espaços abertos durante o avanço ou o ataque.

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CAPÍTULO 2 – OS DESENVOLVIMENTOS DA GUERRA

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