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5.3 Application à la cohorte des travailleurs EDF

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Em toda análise, há um apoio que fundamenta ou dá sustentação aos seus pressupostos. Especificamente, a Diplomática tem como alicerce a fundamentação do sistema jurídico, que atribui ao documento elementos da segurança jurídica da prova documental e, consequentemente, a manifestação de vontade atribuída pelo ato jurídico no entorno da administração pública ou privada, com competência para tal ato.

No entorno da AD em Biblioteconomia também há que se estabelecer a natureza da teoria que fundamenta a análise do documento em perspectiva. Nesse sentido, relacionado ao termo documento, Galvão (1998, p.48) expressa a necessidade de operar conceitos iguais de linguagem, dado que

“[...] ora [equivale] ao termo suporte de dados (objeto material) [...], ora [equivale] ao termo meio de comunicação (canal que liga a fonte ao receptor) e ora [é] associado ao termo mensagem (‘sinônimo de conteúdo’), ou seja, aquilo que é dito em um texto, em um discurso [...] sem explicitação à qual das conceituações apresentadas o termo documento está se referindo.

Dessa forma, a abordagem teórica escolhida com o intuito de realizar a AD também vem explicitar o fundamento teórico ou conceito filosófico no qual os elementos da análise se apóiam, como, por exemplo, o texto e a sua linguagem.

Especificamente na Ciência do Texto, a teoria de macroestrutura textual de Van Dijk (1992) possibilita interagir com tal sistematização na medida em que afirma haver níveis de texto, além da sua constituição gramatical, influenciando na função documental.

As macroestruturas (estruturas semânticas globais) nas quais o texto se baseia como um todo, podem ser representadas pelo conteúdo da partição diplomática, por tratar-se de um conjunto de unidades estruturais significativas da elaboração do texto. Portanto, estas macroestruturas mostram caminhos na análise, para a identificação de conceitos que possam representar o assunto.

De acordo com intelecção de Fujita (2003, p. 84), a macroestrutura é indispensável para a coerência entre as orações, para a compreensão do tema e para uma divisão global do texto.

Diante da especificidade das atividades de cada área, no entorno da CI, há também a delimitação funcional a ser considerada, quanto à natureza do documento tratado para o público.

Em função das atividades desempenhadas pelas áreas empíricas da CI (Arquivística e Biblioteconomia), há uma caracterização dos procedimentos técnicos de tratamento do documento, para fins de recuperação em cada segmento profissional. E, especificamente, a Biblioteconomia ocupa-se de documentos impressos ou audiovisuais cuja origem e finalidade são resultados da atividade cultural, técnica, científica ou didática, dado que “o documento de biblioteca instrui, ensina”, segundo Belllotto (2005, p.36).

Essa natureza informativa do documento, na Biblioteconomia, também é confirmada por Guimarães (2008a, 2008b), que defende a abordagem por meio de aportes teórico-metodológicos de outros domínios como instrumentais na

identificação de conteúdo, o que viria auxiliar, possivelmente, numa fundamentação mais consistente quanto à confiabilidade dos dados documentais.

Logo, a concepção teórica que fundamenta a AD para identificação de conceitos também deve ser explicitada, de modo a dar mais consistência à aos caracteres documentais.

Nesse aspecto, há necessidade de um segmento teórico-epistemológico (pragmatismo, racionalismo, realismo, idealismo, materialismo, etc.) do raciocínio de abordagem para que se possa fazer frente à análise para identificar conceitos no documento. Hjørland (2008) esclarece, conforme se observa nos enunciados expressos abaixo, que conceitos “são maneiras de classificar o mundo” e, portanto, podem ser mais ou menos adequados ou inadequados para auxiliar a alcançar um objetivo como, por exemplo, o de recuperação em um dado sistema de informação. Assim, têm-se, como exemplo:

1.Conceitos desenvolvidos para servir a certos tipos de objetivos e interesses poderiam não ser adequados para servir outros objetivos.

2. Estudos sobre como um determinado termo foi usado podem não nos ajudar a decidir como nós deveríamos defini-lo.

No enunciado um (1) há uma compreensão pragmática (raciocínio de abordagem) do propósito da análise do conceito. E, no enunciado (02), há uma compreensão racionalista (raciocínio de abordagem). Na compreensão pragmática, os conceitos são relativos (perspectivas, opiniões e teorias). Para a compreensão racionalista não ocorre o mesmo. Ainda pode-se ter a compreensão de que “conceitos são inatos ou enraizados nas experiências do indivíduo” e essa compreensão pode advir do cognitivismo em Psicologia, teoria lingüística, empirismo, idealismo e outros. (HJØRLAND, 2008).

Logo, é possível sistematizar procedimentos, mas é preciso também estabelecer a teoria que fundamenta a análise dos dados observados, porque tais dados representam, na análise, a resposta ao problema proposto, a saber, quais as características do documento a ser consideradas na descrição do seu assunto?

Evidenciadas tais características do documento, qual o critério ou teoria fundamentadora se deve adotar por incluir ou excluir os caracteres do documento no

entorno do sistema de informação? Na prática, poderá prevalecer o senso comum fundamentado ou aquilo que Hjørland (1992) classifica como “concepção ingênua de assunto” em que é óbvio o que são assuntos (o que se vê) como, por exemplo, o livro ‘anatomia bucal’ que tem o assunto no título. Portanto, em tal concepção, o assunto é propriedade fixa no título do livro.

Assim, na escolha das propriedades (forma e conteúdo) de um livro que são inseridas ou não na descrição do assunto é preciso, antes, conhecer tais propriedades caracterizadoras do documento por meio de procedimentos descritivos e da teoria que apóia a concepção de escolhas de tais características.

Tal compreensão apóia-se na afirmação de Hjørland (1992) de que a descrição de assunto de um documento é uma “expressão dos potenciais epistemológicos do documento”, na intelecção de quem realiza a análise de assunto.

A partir de uma teoria ou modelo de abordagem, definem-se os propósitos da análise do documento para identificar conceitos. Pode-se, ainda, definir propósitos específicos, além da padronização textual. No entanto, faz-se premente que os propósitos originais estejam claros, bem como o propósito atribuído diante da descrição objetiva dos seus dados.

Da explicitação dos procedimentos, faz-se a inferência de relevância das cacterísticas do livro, a fim de se conseguir caminhar para a proposição do seu assunto, porque o livro é um “discurso fixado pela escrita” (RICOUEUR apud FONSECA, 2007, p.31).

Tessier (1966), após passar em revista os elementos da Diplomática geral, amplia os elementos com a clara intenção de fazer deles um método depreendido e suscetível de ser aplicado em distintos contextos.

A Diplomática trabalha com a concepção de conteúdo enquanto representação do texto ou idéias expressas de modo escrito em um suporte, cuja evidência física possibilita estabelecer fórmulas convencionadas de comunicação (linguagem). De documento convencionou-se a idéia expressa em tal suporte, que carrega uma informação de potencial informativo de direitos, deveres ou conhecimento socializado.

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