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Résolutions, mesures et fiabilité du protocole

Matériel et Méthodes

Chapitre 2.7 Résolutions, mesures et fiabilité du protocole

O eco design pode ser caracterizado por uma visão ampla da sustentabilidade, tal

como a ecosofia. O produto deve ser preferencialmentereconhecido como objeto útil e estar

diretamente relacionado à sua função. A produção irresponsável correlata à inovação formal

dos produtos pela aparência, nichos de mercado ou modismos não corresponderia aos critérios de preservação do ambiente, desmaterialização e sustentabilidade afetiva, já que

incitam a produção indiscriminada de mais produtos. Apesar da pluralidade de valores e temas que segmentam a ideia de sustentabilidade afetiva, devemos considerar como fundamental o confronto com a perenidade dos produtos, seja por meio de novos projetos e,

reformulação da produção, ou ainda por meio da ressignificação e recolocação dos objetos em situaçãode descarte no planeta.

Com vistas a ilustrar tais preceitos, apresentamos dois importantes projetos na

atualidade. O estúdio 80 & 8 Design e o artista plástico Vik Muniz, brasileiro que produzobras de arte a partir de materiais inusitados,dentre eles, o lixo.

Odesign doestúdio 80& 8

Segundo a web site da 80& 8 Design a empresa busca “transformaromodo como as

pessoas interagem e se relacionam com o espaço ao seu redor. “Queremos proporcionar

relações mais íntimas e duradouras” (80 & 8 Design).A palavra íntima poderia ser relacionada à ideia de simplese a referência ao duradouro ao não perecível. De todo modo, nem todos os projetos são produzidos com materiais recicláveis, mas em todos eles, a ressignificação dos

objetos e acriatividade ao adaptar os seus diversos usos, ficam evidentes.

A empresa se destaca na produção de ambientes únicos, luminárias, mesas e séries de objetos de decoração. No site da 80 & 8 Design podemos verificar ambientes inteiros

reformulados, produzidos com palitos de sorvete e caixas de frutas, séries que utilizam

alumínio reciclado de latinhas, materiais plásticos, palitos e resinas, canos e torneiras, etc. Apesar da beleza dos materiais produzidos, o foco do trabalho ainda é a ressignificação e a

disposição criativa desses produtos, através da completa e inesperada inserção desses

objetos “estranhos” e matérias primas diversas,na composição de escritórios, decoração e mobílias.

Figura 1. Mesa 3 peças. Série “E se o fundo do mar fosse prateado”,2016.

Fonte: 80 & 8 Design

De acordo com o estúdio 80 & 8 design, sobre a coleção “E se o fundo do mar fosse prateado”:

Essa linha foi o resultado de experimentações em nossa oficina. Construímos uma fundição que derrete até 8 kg de metal. Todas as peças são únicas, numeradas e limitadas. Elas foram produzidas 100% em alumínio, onde70%do material veio de latinhas. Estudando e colocando em prática as técnicasde fundição, vimos que poderíamos utilizar isopor como

modelo para as peças. Durante os primeiros testes, percebemos que as pequenas bolinhas do qual o isopor é formado foram copiadas para o alumínio. A textura que nos remeteu diretamente ao fundo do mar. O nome dalinha veio em sequência. (www.80&8.com.br)

A reutilização de materiais usados alcançou muito prestígio ultimamente, inclusive por meio de tutoriais do estilo “façavocêmesmo” nas redessociais, como forma de resistência

aos altos preços do mercado e a descartabilidade dos objetos, utilizando papelão, pallet,

caixasem madeira e outros.

Para os profissionais do design que abraçam essa tendência, o objetivo está diretamente relacionado à capacidade de gerar mais valor para o produto, permitindo a categorização das empresas relacionadas a eles como verdes e sustentáveis. A proposta também incorpora uma dimensão criativa e laboral, ao incrementar no processo de produção, linhas específicas de trabalho destinadas à higienização, separaçãoe seleção de

materiais. O que se vislumbra aqui é a possibilidade de construiresteticamente um produto que se assemelheaos industriais de massa(emtermos de atratividade), mas quetenha sido

concebidoatravésdarecolocação dessesobjetos em uma dinâmica de reutilização.

No âmbito dodesign sustentável, as empresasagregam valor aooptar por um produto que não tenha sido concebido por materiais novos e processos de produçãotradicionais e

redimensionaa sua atuação no sistema ao permitir o crescimento de outrasperspectivas de produção,aquisição e utilizaçãodeobjetos.

Figura 2. Poltrona coleção MOV. 2014

Fonte: 80 & 8 Design

No que diz respeito ao trabalho do designer, oestúdio80 & 8 se orienta por dar novo sentido aos objetos, mas as referências à sustentabilidade como conceito e princípio do

trabalho são poucas; categorias como a criatividade, distinção e exclusividade são mais

Nos questionamos sobre a padronização e a cultura em massa.Por que a indústria produz milhões de objetos idênticos, para milhões de pessoas

diferentes? Por que em um mundo que está em constante movimento, a maioria dos objetos de mobiliário são estáticos? Cada indivíduo é diferente

entre si devido a suas características físicas e emocionais. Pensando que

nossos corpos estão em constante movimento, não seria interessante um objeto passível de reprodução em série, que respondesse de forma diferente eúnica a cada indivíduoque o utiliza?

Outra série que intriga em relação ao uso arrojado dos materiais e a possibilidade sustentável da suacriação é a “Palitos”. Composta respectivamente por mesa e cadeirafeitas

em palitos de dente e defósforo.

Figura 3. Mesa Série “Palitos” 2013.

Fonte: 80 & 8 Design

Figura 4. Cadeira Série “Palitos” 2013.

Os projetos de ambientação também se delineiam sob a mesma perspectiva,

baseando-se na criatividade no uso dos materiais. A utilização de palitos de picolés no projeto

da própria sorveteria exemplifica esse fundamento.

Figura 5. Projeto Me Gusta Picolés.

Fonte: 80 & 8 Design

Figura 6. Luminária do Projeto Me Gusta Picolés feita com palitos de picolés

A arte de Vick Muniz

VikMunizé um artista plástico brasileiro, radicado nosEstados Unidos, que também utiliza materiais diversos nacomposiçãodos seus trabalhos. No intervalo de 2007 a 2009, o

artista se dedicouaretratar a vida dos catadores delixo emumdos maiores aterrossanitários

do mundo(Jardim Gramacho), localizado em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Aoidealizar o projeto, o artista tinha como objetivo, conceber obras a partir do lixo, retratar especificamente os resíduossólidos e a sua condição ambiental, ou seja,tinha comofoco de

trabalhoretratar o descarte deobjetos.Entretanto, aoconviver com as pessoasdo aterro, Vik

Muniz descobriu o caráter social e humano da vida no lixo. Dessa forma, o artista procurou

dar vazão à dimensão ambiental, social e política da produção do lixo e da necessária

regulamentação política e administrativa dos aterros. A disposição inadequada do lixo e a

desigualdade socialcontribuírampara que o aterro fosse considerado comolugar de trabalho

e de sustento para milhões de pessoas em todo omundo.Otrabalho de Muniz trouxebem-

feitorias importantes para a comunidade envolvida e visibilidade mundial à essa problemática,através dodocumentárioLixo Extraordinário,o qualfoi indicadoaoOscar logo

depois.

As obras de Muniz retratam a beleza davida humana emmeio ao caose àsujeira,em

meio ao odor e à possibilidade de contaminação, em meio ao lixo produzido por nós e a incoerente relação de desigualdade vivenciada por aqueles que retiram o seu sustento e sobrevivência a partir do trabalho no aterro. As telas, produzidas através de lixo reciclado, elevaram os trabalhadores à condição de protagonistaseforam vendidas e expostasem todo

o mundo.

De certa forma, o trabalho de VikMuniz contempla, de maneira geral, oscritérios de ressignificação erecolocação dos objetos e ultrapassa a dimensão projetual contemporânea ao interpelaraproblemática dos resíduos sólidos a partir de uma perspectiva política e social,

se aproximando da dimensãode totalidadeque deveriafundamentaro trabalho do design.O artista pretende valorizar a dimensão social e humanapresentenostrabalhadorese no lixo,

promovendo ao mesmo tempo a integração entreo que produzimos, descartamos, os seus efeitos ambientais e sociais. A vida humana, bela e valorizada nas telas, só pode ser

compreendida quando associada aos termos e complementos da sua existência, trabalho, meio ambiente, relações sociais e políticas, cultura e vida econômica, sem as quais a reprodução humana fica comprometida.

Figura 7. Mãe e Crianças (Suellen)

Fonte: Acervo Vik Muniz disponível em: aquatru.blogspot.com

Figura 8. A Cigana (Magna)

Figura 9. Marat (Sebastião)

Fonte: Acervo Vik Muniz disponível em: aquatru.blogspot.com

Pensando nos paradigmas da recolocação dos objetos e materiais no planeta,

acreditamos que o eco designe odesign sustentável precisa seorientarparaa relação entre

o homem/objeto e homem/resíduos sólidos. Ouseja,nãobastaapenasressignificar o usodos

materiais na construção de novos produtos. O estúdio 80 & 8 Design demonstra extrema

criatividadena elaboração de projetos e materiais, utilizando inclusive, produtos presentes em abundância no lixo, tais como as latinhasde alumínio e os palitos; entretanto, a empresa

não parece utilizara ideia de sustentabilidade como princípiopara todososseus projetos. De

todo modo, não devemos minimizar as contribuições, já que a empresa demonstra claramente o potencialdeprodutos que são cotidianamente descartados naatualidade.

Dessa maneira, essetrabalho sepautará, especificamente, na reutilização de materiais

descartados e na recolocação dosobjetos emtorno de alguma nova função e/ou estética. Os

critériosda ecosofiae a tentativa de integração holísticaentrehomem /natureza, sujeito e objeto tambémpermeiam o nossoprojeto.

Embora nas últimas décadas o interesse para as questões ambientais ligadas à

possíveis contribuições do designer a esse respeito Walker apud Pantaleão e Pinheiro(2015,

p.412).

Stuart Walker afirma que a criação de novos produtos é parte do problema e que o

designer que pretende aderir a um projeto de sustentabilidade substancial deve,

necessariamente,questionar os pressupostos do projeto e as diversas fases do processo de

desenvolvimento criativo e procedimental, ou seja, “ as maneiras de projetar, os

fundamentos e suposições feitas,e o próprio design deproduto” (WALKERapud PANTALEÃO

e PINHEIRO,2015, p. 414). Preocupações sociais, econômicas e ambientais também devem

compor o processo de avaliação crítica dodesign.

Para a realização desse projeto buscamos materiais descartados em sucatas,

baseando-nos na estética sustentável dos produtos e sua ressignificação, tal como

estabelecido por Stuart Walker na metodologia do seu trabalho, denominado “design

proposicional”. Buscamos incorporar diversos materiais e compor uma totalidade funcional, através da criatividade.

CAPÍTULO TRÊS

METODOLOGIA E DESENVOLVIMENTO DASLUMINÁRIAS

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