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3.2) Résolution par Transformée de Laplace

Dans le document Traitement du Signal Déterministe (Page 51-57)

4.1. Participantes

A pesquisa contou com dois procedimentos metodológicos: (a) entrevista com roteiro semiestruturado – estudo exploratório com jovens pais e (b) técnica de associação livre com jovens não pais. Diante disso, faz-se necessário o detalhamento de como os sujeitos foram escolhidos.

Para as entrevistas foram contatados quatro jovens (dois de classe socioeconômica média e dois de classe socioeconômica baixa). Estes deveriam ter se tornado pais entre os 17 e 24 anos de idade. Não houve preocupação quanto ao tempo de exercício de paternidade dos jovens. Os pais deveriam ter contato com a criança e ser um dos responsáveis por ela. Escolheram-se dois pais para cada classe social, pois acreditamos que a inserção destes sujeitos define uma série de variáveis, como acesso à educação, saúde, trabalho, os quais irão determinar planos de vida, maneiras de criar e educar filhos e, consequentemente, as representações sobre a paternidade. E, tendo em vista a extensão do instrumento (qualitativo), acreditamos que a quantidade sujeitos seria suficiente para atingir os objetivos propostos.

Para a evocação com jovens do sexo masculino foram contatados 30 rapazes de classe socioeconômica baixa e 30 rapazes de classe socioeconômica média1. Eles também deveriam estar no período da juventude proposto neste estudo (17-24 anos)2. Neste caso, a quantidade de sujeitos explica-se pelo uso do software escolhido.

Optamos por utilizar apenas a evocação livre com os jovens não pais, pois consideramos esta técnica de rápida aplicação em casos de maior número de sujeitos, e suficiente para captar as informações necessárias para a pesquisa.

4.2. Instrumento de coleta de dados

A entrevista com os jovens pais (ANEXO A), além de averiguar as RS de paternidade e maternidade, também objetivou identificar e analisar a vivência do processo para a paternidade, ou seja, como era a vida desse jovem antes do filho, como recebeu a notícia, o processo da gravidez até o nascimento, e que práticas foram desenvolvidas por eles desde o nascimento da criança.

1

A denominação de classe baixa e média teve como referência o bairro onde o jovem residia, de acordo com informações socioeconômicas contidas nos sites de algumas prefeituras da Grande Vitória.

2

Esta faixa de idade foi escolhida por ter sido a mais encontrada em um estudo preliminar e também por estar inserida na faixa etária proposta pela Organização das Nações Unidas (15 a 24 anos).

Também foi observada a avaliação desse pai quanto às consequências do nascimento da criança nas outras esferas de sua vida como: estudos, trabalho, convívio social e familiar, e econômico; bem como sua percepção sobre as consequências (positivas e negativas) da paternidade.

A evocação com os jovens não pais (ANEXO B) teve o objetivo de identificar e analisar as representações sociais de paternidade e maternidade. Para a evocação com os 60 jovens também foram conferidos dados sociodemográficos, pois houve a intenção de identificar e analisar possíveis diferenças nas representações dos dois grupos socioeconômicos.

A técnica de evocação livre foi escolhida devido à sua conhecida vantagem por ser prática e de rápida aplicação, pois constitui uma maneira de acessar o universo semântico da representação (Vasconcellos, Viana & Souza-Santos, 2007). O estímulo que demandou evocações foi auditivo por meio dos termos ‘maternidade’ e ‘paternidade’. Desse modo, foi solicitado aos participantes que enumerassem cinco palavras que estivessem associadas a cada um dos termos.

O esperado foi que cada uma das técnicas empregadas na coleta de dados, embora se destinassem a um fim específico e a grupos diferentes, atuassem complementarmente oferecendo acesso a dimensões distintas das representações. A importância de associar diferentes formas de coleta e grupo de sujeitos está na possibilidade de alcançar um olhar mais abrangente sobre o fenômeno.

4.3. Procedimento de coleta de dados

Todas as entrevistas com os jovens pais foram realizadas em data e local predeterminado e conveniente para o participante. As entrevistas foram individuais e gravadas mediante a solicitação da pesquisadora e autorização dos jovens. Após sua concessão, os jovens assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (ANEXO C). As gravações foram transcritas na íntegra e os dados obtidos por meio de seu conteúdo foram devidamente tratados e analisados. As gravações e transcrições foram de uso restrito dos pesquisadores envolvidos no estudo.

As evocações com os jovens do sexo masculino também foram realizadas com autorização e assinatura do TCLE (ANEXO D), porém de maneira mais informal, pois em poucos casos houve predeterminação de horário e local para a entrevista. O contato

com os jovens foi estabelecido por conveniência (por meio de indicação de conhecidos da pesquisadora ou abordagem no campus da universidade).

Conforme os procedimentos utilizados para a obtenção e análise dos dados, acredita-se que a pesquisa não ofereceu riscos aos participantes, além disso, foi assegurado a eles o anonimato das informações obtidas. Todos foram designados por nomes fictícios e os resultados da pesquisa serão fornecidos àqueles que desejaram.

4.4. Tratamento e análise dos dados

O procedimento de organização e análise de dados utilizado no estudo com os jovens pais baseou-se no método fenomenológico proposto por Bullington e Karlsson (1984), adaptado primeiramente por Trindade (1991).

De acordo com Trindade, Menandro e Gianórdoli-Nascimento (2007), este método permite que seja focado o significado atribuído pelos próprios sujeitos às experiências vivenciadas. Além disso, pode-se conhecer como diferentes indivíduos experienciam uma situação comum a eles.

Inicialmente, como recomendado por Trindade (1991), as entrevistas com nossos sujeitos foram transcritas na íntegra e após leitura exaustiva destas transcrições, foram definidas unidades de significado (fase 1). As unidades de significado são temas comuns e importantes presentes no discurso dos sujeitos e/ou que são de importância para o objetivo do estudo.

Após a definição das unidades de significado, as entrevistas foram reorganizadas de acordo com as mesmas, independente da sequencia contida no roteiro, de modo que as falas literais dos sujeitos fossem alocadas nas unidades de significado correspondentes (fase 2).

Em seguida, os relatos dos jovens pais presentes nas unidades de significado foram convertidos em uma linguagem padronizada. As falas foram reconstruídas em terceira pessoa do singular (fase 3). E então, as unidades de significado foram transformadas em narrativas, ou estruturas, com o objetivo de elaborar um texto único que integrasse todos os temas que compõem a experiência do sujeito, reproduzindo, em alguns trechos, a fala do participante a fim de ilustrar a exposição dos dados (fase 4).

É importante informar que as unidades de significado foram identificadas com base no roteiro de entrevista, mas a ordem em que os temas foram apresentados nas narrativas foi estabelecida pela pesquisadora. No presente estudo optou-se apresentar os temas de maneira semelhante à cronologia das experiências dos jovens pais. Tomando

os conteúdos sistematizados nas unidades de significado, optamos pela sequencia de temas a partir de quatro grandes eixos:

1) Trajetória até a concretização da paternidade – aqui incluímos um breve contexto da transição para a paternidade do jovem até a situação atual; o relacionamento com a parceira; recebimento da notícia; participação no processo de gravidez até o nascimento do filho.

2) Representações de filho, paternidade e maternidade – abrange o significado e importância do filho; representações sociais de paternidade e de maternidade; práticas parentais – divisão de tarefas e contribuição dos familiares; principais cuidadores; relacionamento com a criança.

3) Impactos nas outras esferas – principais mudanças provocadas pelo filho; reflexos no convívio social e familiar; influência nos estudos e trabalho/profissão; reflexos no âmbito econômico.

4) Avaliação da experiência – consequências positivas e negativas de ter sido pai jovem; visão sobre a paternidade na juventude; contato com outros jovens.

Em seguida apresentaremos as estruturas narrativas de cada sujeito. Devido a diferenças da trajetória de cada um, algumas narrativas se apresentam mais extensas que outras. Identificamos os jovens por meio de nomes fictícios, e a fim de facilitar a correspondência às inserções sociais de cada um, optamos por nomear os de classe média com iniciais de nome M e os de classe baixa com iniciais de nome B.

Entendemos que as estruturas narrativas além de integrar as unidades de significado, nos oferecem uma perspectiva muito interessante das experiências dos jovens pais, pois permitem destacar aspectos compartilhados entre eles como também as especificidades de cada um. Segundo Trindade et al. (2007), este instrumento é de grande valor, pois possibilita uma visão globalizada do conjunto de sujeitos bem como a visão completa de cada um isoladamente.

Nesse sentido, a discussão orientou-se basicamente pelas mesmas unidades de sentido evidenciando tanto aspectos individuais quanto coletivos do grupo estudado, bem como dialogando com outros estudos sobre paternidade/maternidade e representações sociais.

Já no estudo com jovens não pais, após a coleta, os dados das evocações foram homogeneizados, categorizados e submetidos ao software EVOC (Ensemble de Programmes Permettant L’Analyse dês Évocations). Este software analisa as palavras

evocadas em função de dois critérios: frequência e ordem de evocação. Combinando estes dois fatores é possível realizar o levantamento das palavras que mais se relacionam ao termo indutor e, consequentemente, permite o levantamento da estrutura de organização interna das RS relacionadas a esses termos. A classificação dos elementos é apresentada em quatro quadrantes: no primeiro, estão os elementos mais relevantes e, por isso, os possíveis termos que compõem o núcleo central. Estes elementos são os primeiramente evocados e mencionados com frequência elevada. No segundo quadrante estão os elementos que alcançaram uma alta frequência, entretanto foram citados nas últimas posições. No terceiro quadrante ou na zona de contraste, são encontrados os elementos que foram evocados menos frequentemente, mas que foram considerados importantes pelo sujeito. No quarto quadrante encontram-se os elementos que correspondem à periferia distante, na qual se localizam os elementos menos citados e evocados por último (Oliveira, Marques, Gomes & Teixeira 2005).

Por meio deste procedimento de organização e análise dos dados, é possível obter tanto o conteúdo das representações quanto a ordenação desse conteúdo como forma de delinear a estrutura dessas representações.

A utilização das duas metodologias nos pareceu adequada tendo em vista o objetivo de aumentar a compreensão sobre fenômeno pesquisado.

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