b)Les facteurs de risques de développement du cancer du col utérin une fois que l'infection par HPV* est présente :
E) Réponse immunitaire a l’HPV :
Há bastante tempo já se comenta a relação tanto do início do zumbido quanto da sua manutenção com a presença de situações estressantes pontuais ou permanentes na vida dos pacientes com o sintoma (56). Muitos autores já evidenciaram relação do zumbido com a ansiedade e a depressão (9) (26) (27).
A depressão no Brasil é considerada problema sério de saúde pública, atingindo 2 a 5% da população em geral, com predomínio no sexo feminino, muitas vezes precedida por um fator estressante (160). A prevalência da ansiedade, em seus vários graus, na população mundial, é de 25% (164).
No presente estudo (N=84), verificou-se que em torno de 48,8% dos indivíduos com zumbido apresentam ansiedade e de 41,7%, depressão. No Grupo Controle, não foi evidenciada presença de ansiedade significativa, mas 4,3% apresentaram resultado sugestivo de depressão. Houve diferença estatística entre o GE e o GC (p<0,0001) nos dois quesitos.
Ainda no Grupo Estudo, 9,5% exibiram somente depressão, 16,7% apenas ansiedade e 32,1% apresentaram ansiedade e depressão. No Grupo Estudo, houve
140 20 vezes mais distúrbios de ansiedade e depressão em comparação com o Grupo Controle, valor bem superior ao trabalho de Granjeiro e cols. (27).
Segundo Stouffer e Tyler (9), depressão está presente em aproximadamente 28% dos pacientes com zumbido. Em estudo de seguimento, Folmer (73) relatou que 33,7% dos pacientes com o sintoma apresentavam sinais de depressão na avaliação inicial do zumbido. Pacientes com zumbido têm maior chance de desenvolver sintomas depressivos quando comparados com pacientes sem zumbido (28). Nossos resultados apoiam essa afirmativa e reforçam a ideia de que pacientes com zumbido apresentam maior de depressão e ansiedade, quando comparados à população em geral sem comorbidades significativas.
Nossos achados demonstram um maior percentual de ansiedade e depressão na presença de zumbido, corroborando os estudos de Van Veen, Jacobs, Bensing (170), Landgrebe e cols. (127), Shargorodsky (26), e Reynolds e cols. (172), que referem depressão em 17% a 39,5% de pacientes com zumbido, e os resultados de Andersson e cols. (169), que demonstraram 25% de pacientes com sintomas de ansiedade na presença de zumbido.
No presente estudo, 15,5% das pessoas apresentaram incômodo severo. Verificamos que esses pacientes apresentam proporção maior de ansiedade e depressão em grau moderado e grave, quando comparados com o grupo sem incômodo severo. De modo semelhante, Stuerz e cols., em 2009 (171), apontaram que os pacientes com zumbido severo apresentaram escores mais elevados de depressão em relação aos pacientes com zumbido moderado. Reynolds e cols., em 2004 (172), publicaram que 24 a 28% dos pacientes com zumbido apresentam ansiedade moderada a severa. Esses resultados ressaltam o papel das disfunções cognitivas relacionadas à percepção e à interpretação do zumbido. Assim, parece que o zumbido, independentemente da função auditiva, está associado com maior percentual de ansiedade e depressão.
Perecebemos uma correlação entre o incômodo do zumbido (THI) e os escores de ansiedade e depressão. Ocorreu uma diferença entre os níveis de incômodo do zumbido no Grupo Estudo nos pacientes com ansiedade e depressão quando comparados com os pacientes sem ansiedade e depressão, e também uma diferença significativa entre o Grupo Estudo e o Grupo Controle. O incômodo
141 moderado e o severo ocorrem principalmente nos pacientes com ansiedade e depressão. Nossos resultados sugerem que a severidade do incômodo do zumbido está associada à severidade dos distúrbios de ansiedade e depressão, que podem piorar o prognóstico, similarmente aos achados de Zöger, Svedlund e Holgers, de 2006 (85), que, em estudo sobre relações entre a severidade do zumbido e desordens psiquiátricas, descreveram uma correlação entre a severidade do zumbido e a gravidade da depressão e da ansiedade, embora a sua causalidade não possa ser inferida diretamente. O zumbido grave tem um influência negativa sobre a vida habitual do paciente e pode, da mesma forma que outras comorbidades, resultar, de maneira secundária, em ansiedade e depressão.
O incômodo do zumbido no Grupo Estudo entre os pacientes sem ansiedade e depressão (N=35; 41,7%) foi ausente em 45,7% (N=16), leve em 45,7% (N=16), moderado e severo em 8,6% (N=3).
No Grupo Estudo, o incômodo foi pior quando ocorreram simultaneamente, no mesmo paciente, ansiedade e depressão. O achado concorda com o encontrado por Bartels, em 2008 (23), e Gabr, El-Hay e Badawy, em 2011 (86), que afirmam que o estresse psicológico e o comprometimento da qualidade de vida são mais elevados quando esses dois distúrbios psicológicos incidem concomitantemente, do que quando ocorrem de maneira isolada.
Ansiedade e depressão apresentam importantes componentes medulares, cerebelares, no nível do tronco cerebral e do mesencéfalo (90). Assim, a resposta do sistema límbico no zumbido pode ter importante origem subcortical. A formação reticular do tronco cerebral e as estruturas associadas, como o LC e o núcleo da rafe, foram citadas como os geradores subcorticais das respostas límbicas e autônomas.
As projeções e interações do NCD com estruturas do tronco cerebral, como locus cereleus, formação reticular e núcleo da rafe, os principais sitios de síntese de serotonina e noradrenalina e que estão envolvidos no controle da atenção e da emoção, poderiam explicar a presença dos distúrbios como ansiedade e depressão, comumente associada ao zumbido. A hiperatividade do NCD pode causar aumento da ativação no locus cereleus, contribuindo para as respostas da ansiedade ao zumbido (90).
142 A hiperatividade no NCD citada, geralmente secundária a lesões cocleares, e uma possível ligação anatômica entre núcleo coclear (onda III) e locus cereleus com a presença de ansiedade, não foi verificada neste estudo, uma vez que não foi encontrado associação entre os pacientes do GE com os PEATEs normais e alterados com a presença ou ausência de ansiedade e depressão.
Não existe, até o momento, um circuito anatômico ou fisiológico descrito com exatidão para esclarecer o vínculo entre o zumbido e a depressão, mas já se conhecem neurotramissores serotoninérgicos e sítios anatômicos nas vias auditivas que interagem com regiões de controle das emoções (115).
O NCD pode estar relacionado com ação que os antidepressivos têm tanto na depressão quanto no zumbido. NCD recebe projeções dos neurônios serotoninérgicos no núcleo dorsal da rafe. Portanto, a presença de zumbido e de depressão em um mesmo paciente pode refletir um distúrbio no sistema serotoninérgico do núcleo dorsal da rafe.
Não encontramos diferença estatísticamente significativa ao comparar, no GE, os pacientes sem ansiedade e depressão aos pacientes com ansiedade e/ou depressão e os exame do PEATE normais e alterados. Com isso, acreditamos que a ansiedade e a depressão são variáveis independentes da função do tronco cerebral e, pensando no modelo neurofisiológico de Jastreboff, é possível acreditar que existe maior chance de as pessoas que têm genótipo “ll” desenvolverem o arco reflexo entre o sinal de zumbido e o sistema límbico e nervoso autônomo. Segundo Deniz (138), os pacientes com genótipo “ll” apresentam pontuações mais elevadas no incômodo do zumbido, o que é provavelmente causado pela recaptação pré- sináptica mais rápida da serotonina.