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Quanto à obra de reconstrução das fundações e recuperação da Ponte Seis de Março, pode-se concluir que:

a) As obras de recuperação estrutural e estética foram satisfatórias, estando a Ponte já liberada para o trânsito de veículos e pessoas.

b) O procedimento executivo utilizado na construção das micro-estacas está de acordo com o proposto pelo FHWA (2000) e outros autores, como ASCHENBROICH, H. (2001), BRUCE, D. A. (2004), SHU (2005), SADALLA NETO et al. (1996), GUIMARÃES FILHO et al. (1985), NOGUEIRA (2004), DRINGENBERG (1990a) e DNER-ES 334/97.

c) O desempenho das novas fundações da Ponte Seis de Março, verificado através da realização de provas de carga, atendeu aos requisitos de projeto, tendo sido considerado satisfatório.

d) Os ensaios de laboratório realizados indicaram que os parâmetros obtidos, de uma maneira geral, estão de acordo com os valores esperados para as argilas de Recife.

e) A carga de ruptura estimada pelo método de previsão utilizado neste trabalho mostrou-se coerente com os resultados das provas de carga, podendo ser considerado satisfatório.

A partir dos resultados e análises das provas de carga realizadas, chegou-se às seguintes conclusões:

1) Carga de Ruptura a partir da Curva Carga-Recalque:

a) Com base nos critérios de ruptura de DE BEER (1988), a partir de DÉCOURT (1996a), nenhuma das provas de carga vertical realizadas atingiu a ruptura convencional. A estaca E8-BL3 apresentou maiores recalques e uma maior proximidade da ruptura que as outras estacas, possivelmente por problemas construtivos ou pelo não melhoramento do solo sob a ponta da mesma devido ao processo de injeção.

b) Elegendo-se o método de VAN DER VEEN (1953) modificado por AOKI (1976) como referência na obtenção da carga de ruptura a partir da curva carga- recalque no topo, o método da Rigidez de DÉCOURT (1996a) forneceu valores

para a carga de ruptura satisfatórios, porém ligeiramente superiores, em 32 % para a E3-BL7, 14 % para a E7-BL3 e 10 % para a E8-BL3.

c) O método da NBR 6122/96 se mostrou o mais conservador dentre os utilizados, com uma diferença percentual de - 52 % para a estaca E3-BL7, -30 % para a E7- BL3 e -14 % para a E8-BL3.

2) Carga de Ruptura a partir de previsões baseadas no SPT ou na Pressão Residual de Injeção Efetiva:

d) Quanto aos métodos para estimativa da carga de ruptura a partir do SPT, quando comparados ao valor da carga de ruptura obtida pelo método de VAN DER VEEN (1953) modificado por AOKI (1976), pode-se concluir que em geral os métodos de AOKI & VELLOSO (1975) modificado por MONTEIRO (1997), e o utilizado neste projeto forneceram resultados satisfatórios, com variação entre – 5 % a + 25 % para o primeiro e +11 % a + 17 % para o segundo. A exceção é a estaca E8-BL3, na qual as previsões foram superiores em 197 % e 179 %, respectivamente. O método de DÉCOURT & QUARESMA (1978) modificado por DÉCOURT (1996a) forneceu valores sempre superiores, em 50 % para a estaca E3-BL7, 89 % para a E7-BL3 e 349 % para a E8-BL3.

e) O método de DÉCOURT & QUARESMA (1978) modificado por DÉCOURT (1996a) mostrou estimativas superestimadas para a carga de ruptura, devido principalmente ao elevado valor do parâmetro β sugerido na majoração do atrito lateral, conforme será discutido a seguir.

f) O método de DRINGENBERG (1990b) apresentou resultados de previsão da carga de ruptura satisfatórios, variando entre -7 % e + 11 % em relação à carga de ruptura adotada como referência. Novamente, para a estaca E8-BL7, o método previu uma carga superior em + 163 %.

3) Parcelas de Resistência de Ponta e Atrito Lateral:

g) A partir da análise das parcelas de resistência por atrito lateral e ponta das estacas estudadas a partir da curva carga-recalque no topo, elegeu-se o Método das Duas Retas (MDR), de MASSAD & LAZZO (1998) como referência. O valor da parcela de resistência por atrito lateral fornecido pelo método da Rigidez (DÉCOURT, 1996b) foi 13 % superior para a estaca E3-BL7, 40 % superior para a E7-BL3 e 7 % inferior para a E8-BL3. O método da Rigidez de

DÉCOURT (2006) foi superior em 153 % para a E3-BL7, em 99 % para a E7- BL3 e em 107 % para a E8-BL3.

h) As relações recalque / diâmetro nominal para as estacas estudadas relativas ao esgotamento do atrito lateral obtidas pelo Método das Duas Retas de MASSAD & LAZZO (1998) e da Rigidez de DÉCOURT (1996b) mostraram boa concordância, com valores variando entre 0,60 % e 1,39 % para o primeiro, e 0,85 % e 2,03 % para o segundo. Estes valores estão coerentes aos encontrados por outros autores na literatura brasileira, como MARQUES (2004) e MARQUES (2006).

i) Pode-se concluir, com base no Método das Duas Retas, que a resistência de ponta das estacas estudadas (com exceção da E8-BL3) foi significativa, o que contradiz o esperado por vários autores para micro-estacas, conforme apresentado no Capítulo 2. Tal resistência pode ter sido resultado de uma substituição de partes do solo amolgado sob a ponta da estaca pela calda de cimento injetada na válvula manchete mais profunda (a 25 cm acima da ponta da estaca). A possibilidade de substituição de porções de solos amolgados através do processo de injeção foi apresentada por SHONG & CHUNG (2003).

j) Através da retro-análise realizada para avaliar o parâmetro β para micro-estacas, referente à majoração da resistência por atrito lateral, com base no valor obtido pelo Método das Duas Retas, pode-se concluir que aparentemente não houve ganho de resistência lateral devido às injeções de calda de cimento sob altas pressões através das válvulas manchete. DÉCOURT (1996a) sugere β = 3 para micro-estacas em areias. No entanto, para a estaca E3-BL7, β = 0,80, para a E7- BL3, β = 0,54 e para a E8-BL3, β = 0,58. Estes dois últimos valores são muito próximos do valor de b proposto por DÉCOURT (1996a) para estacas escavadas com lama bentonítica em areias, sem injeção (b = 0,60). Como a estaca E3-BL7 possui uma parte do trecho injetado em camada silto-argilosa, com NSPT na faixa

de 5, pode ter ocorrido um pequeno ganho de resistência lateral, traduzida por um valor de β = 0,80.

4) Provas de Carga Horizontal:

k) As provas de carga horizontal realizadas com aplicação simultânea de uma parcela de carga vertical podem ter se comportado de uma forma intermediária às situações de cabeça livre e cabeça fixa.

l) O valor do coeficiente de reação horizontal do solo (nh) obtido (1.094 kN/m3) foi

muito semelhante ao obtido por BRAGA (1998) (1.038 kN/m3) para uma estaca imersa em uma argila semelhante da cidade de Recife. A previsão da curva carga-deslocamento horizontal realizada pelo software (versão demo) do FB- Multipier possui boa concordância com o resultado experimental da prova de carga horizontal da estaca E3-BL7, com diferenças em módulo variando de 4 % a 20 % para os deslocamentos.

Diante do exposto, pode-se concluir que os objetivos desta pesquisa foram alcançados de forma satisfatória.

Vale destacar que estas conclusões devem ser interpretadas com cautela, devido ao reduzido número de dados disponíveis, e é importante a realização de novas pesquisas para dar continuidade aos estudos aqui realizados.

De uma forma geral, o método utilizado para a estimativa da carga de ruptura das micro-estacas neste trabalho apresentou boa consistência com o resultado obtido a partir das provas de carga, mas tal fato pode ser devido a uma compensação no valor das resistências lateral e de ponta adotados pelo método.

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