Deixa eu ver aqui, primeiro eu falo isso daqui. Isso aqui eu acho que é interessante falar. Isso aqui eu vou deixar para depois ...
Eu vou começar falando da minha infância. Eu sou Adailton, sou nativo do Mato Grosso, nascido na cidade de Luciara. Minha família veio do Maranhão e imigraram para o Mato Grosso.
Luciara vem da combinação de duas palavras: “luci” vem do nome do fundador, Lúcio Pereira Luz, e “ara” vem do nome do rio, que é Araguaia. Eu nasci lá, mas logo em seguida minha mãe mudou. Eu perdi meu pai com um ano de vida, e fui criado com padastro.
O engraçado é que eu fui conhecer a cidade que eu nasci quando tinha dez anos. E esse tempo todo, nove, dez anos, eu morei em fazenda com meu padastro, minha mãe e meus dois irmãos. Eu e meu irmão mais velho não estudávamos. Mas minha mãe, mesmo não tendo estudado, percebia a necessidade de colocar os filhos na escola. E quando ela vem na cidade coloca os filhos na escola.
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Eu entrei na escola com oito anos, atrasado um ano, e meu irmão tinha dez, onze anos. E aí eu comecei. Eu me lembro que sempre estudei em escola pública, nunca estudei em escola particular. Engraçado que na escola, a maior dificuldade que eu tinha era em Matemática. Tinha um professor, o professor Zequinha que era - engraçado, até ainda hoje eu faço referência nele nos meus textos - bem rígido assim. Naquela época a educação tinha outra concepção. E eu fui estudar particular com ele, na casa dele, minha mãe pagava para eu ir a casa dele estudar Matemática. Porque eu tinha muita dificuldade, eu não dava conta da tabuada, as contas de mais que levasse a um eu não dava conta. Então minha mãe achou que eu tinha que resolver isso e aí eu fui estudar com o finado Zequinha. O finado Zequinha era um professor assim, bem sisudo, sério, então ele dava aquela impressão, aquele medo na gente. Eu lembro de um fato assim: um dia a gente estava numa mesa, que eram poucos alunos, quatro, cinco pessoas, e aí tinha uma moça bem maior que eu, conversando, e aí ele colocava, tipo assim, o óculos na ponta do nariz, olhava por cima do óculos, e ali ele olhando para as meninas assim, catou uma vara sem olhar para a vara e deu uma varada na cabeça e errou a cabeça e pegou a orelha da menina. Chegou a arrancar o brinco. Isso era um fato pedagogicamente aceito pelos pais, ninguém questionava. E ali lógico, eu aprendi aquela Matemática que se esperava de mim na época, né? E dali para frente eu fui levando.
Já na adolescência eu comecei a trabalhar. Com doze anos eu já estava com a responsabilidade nas costas, para ajudar a família.
Em Porto Alegre do Norte, cidade em que vivi treze anos da minha vida, eu comecei a trabalhar. Meu primeiro emprego eu consegui através de uma professora de Educação Física. Ela era uma mulher de uma liderança política e achava que eu desenhava bem e como o marido dela ganhou a prefeitura, ela precisava de um cara para desenhar cartaz de movimento, faixa de repúdio e desenho meio assim. E aí ela me chamou para trabalhar por causa desta afinidade que eu tinha com o desenho. Depois ela foi se apagando, por causa de outras coisas. E foi meu primeiro emprego na prefeitura. E dali para frente eu comecei a trabalhar com pessoas que tinham uma visão mais..., eu diria assim, na época, oitenta e sete, tinham uma visão de educação mais aberta a inovações. Eu comecei a conviver com estas pessoas que acham que a educação não deveria ser um castigo. Já neste tempo a gente discutia a Matemática de forma diferente daquela tradicional.
Com dois anos na prefeitura, eu já estava terminando a oitava série, fui convidado para dar aula. Oitava série, e eu já fui convidado para dar aula. É um fato que hoje eu conto, e que alguns acham estranho, olham de modo pejorativo, isso é o que percebo. Eu com oitava série, tendo oitava série, quando eu fui para o primeiro ano, eu dava aula na oitava série, porque não tinha professor. Quando eu terminei o primeiro ano, fui para o segundo ano, e aí eu dava aula para o primeiro, porque ainda não tinha professor. Quando eu cheguei no terceiro ano eu tinha que dar aula no segundo. Esse negócio vinha me perseguindo, porque não tinha ninguém para pegar isso, né? Isto era em noventa e dois, na cidade de Porto Alegre do Norte, uma cidade a mil e duzentos quilômetros da capital, a setecentos quilômetros da universidade mais próxima em Barra do Garças.
Fazer universidade era utópico para a gente na época. Mas esse grupo com quem eu trabalhava na prefeitura, junto com outras cinco prefeituras do Araguaia, todas administradas pelo PT, fizeram um projeto de formação de professores leigos da zona rural, o Inajá I, depois teve o Inajá II. O critério para se entrar neste projeto era ser professor na zona rural dos municípios associados. Então isso acontecia nas férias: janeiro, metade de fevereiro e julho. E era uma proposta muito aberta, muito interessante, neste tempo, neste grupo. Eu estou falando deste grupo porque eu aprendi muito com eles, não por trabalhar diretamente com eles, mas por estar vivenciando estas experiências educacionais do Inajá ao lado deles. Eu fui abrindo um pouco a visão do que é ensino e tal. Esse grupo era assessorado diretamente pelo pessoal da UNICAMP. Em janeiro, metade de fevereiro e julho ía um professor da UNICAMP para o Araguaia, no Mato Grosso, em Santa Terezinha. Se você olhar no mapa está lá na pontinha da ilha do Bananal. Foi o finado Adão, a Dulce Pompeo de Camargo, que hoje é pró-reitora da PUCCamp, muito amiga minha.
Eu acompanhava tudo que acontecia, os seminários, as aulas e eu fazia o Segundo Grau no regular, além de dar aula, sempre um ano atrás de mim. Então eu caminhava paralelo. Eu não fiz o Inajá, eu fiz o regular mesmo como qualquer escola, mas eu percebia a diferença do que eu estava fazendo com aquilo que estava se discutindo no Inajá. Então, eu tinha influência deles na minha formação. Mesmo porque, eu, já com dezoito anos era supervisor de educação do município e precisava estar junto daqueles que estavam discutindo formação de professores, como o pessoal do Inajá, que também tinham muita influência do pessoal da Unicamp.
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Foi neste contexto, muita gente, vai e vêm, que eu fui me identificando com a educação. Tendo vivido um projeto que deu certo, que ficou como referência, que era assim uma coisa espetacular, que fazia uma educação diferenciada no interior do Mato Grosso. Mas e aí, como continuar isso? Paro por aí? Paro no nível de Segundo Grau? E aí nascia a idéia de que eu tinha que ter nível superior. Não podia parar.
E aí, em noventa e um, começou uma nova discussão: tem que ter universidade aqui, nesta região. Mas como? Aí foi um movimento, as prefeituras já tinham modificado, os prefeitos já eram outros, não eram todos do PT. E aí surge a idéia, eu disse: – Vamos abrir a universidade. E quem teve coragem para trazer um curso para cá, na época, foi a Universidade Estadual do Mato Grosso, que fica em Cáceres, que é a duzentos quilômetros da capital. Aí o reitor, um cara que o pessoal achava ele até meio maluco, aceitou a idéia e disse: – Vamos fazer. E aí nasce o projeto Parceladas que é uma referência nacional em formação de professores.
A mesma metodologia do Inajá, com algumas adequações, lógico, foi implantada na Parceladas de nível superior. Os primeiros cursos foram: Matemática, Letras e Pedagogia.
E eu, durante este movimento, terminei o Segundo Grau e me perguntava: – E agora? Eu não vou ficar parado. Mas eu não tenho condições de sair desta região. E por minha sorte, abriu o curso no outro ano. Terminei em noventa e um e em noventa e dois eu entrei na universidade, neste projeto Parceladas. O projeto foi uma parceria de sete municípios, mas a universidade se instalou em Luciara. Por coincidência, eu me formei onde nasci. Mas como eu não morava mais em Porto Alegre do Norte, tinha que viajar durante todo janeiro, fevereiro e julho. Com oito a dez horas de aula por dia.
A filosofia era assim: a universidade vai onde o aluno está, e não o contrário. Os professores viajavam para lá, ficavam toda a época, dando suas aulas. Um outro fato interessante que eu acho positivo é que durante cinco anos de universidade, meu curso foi de cinco anos, nós tínhamos os primeiros três anos de formação
básica, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Psicologia, uma formação enquanto ser humano mesmo e dois anos de formação específica de Matemática.
Na formação básica eu tive Sociologia, Psicologia, Psicologia da Educação, Filosofia, Antropologia, Inglês Instrumental, poderia ser Espanhol, era optativo. Tive também Matemática Básica, os Fundamentos da Matemática, porque para você fazer pesquisa precisava de alguns fundamentos, então tínhamos Fundamentos I, que era Funções, Fundamentos II, que era Trigonometria, ou seja, essa Matemática Básica, para que você pudesse caminhar, porque tinha que escrever também as pesquisas que eram desenvolvidas entre uma etapa e outra. E depois dessa etapa eu percebi que quem pensou o projeto disse assim: –Agora vamos dar a Matemática que a academia exige que um professor de Matemática tem que ter. Aí vinha Geometria Analítica, Cálculo I, II e III, Numérico, História da Matemática, Álgebra Linear, Álgebra Moderna, enfim, todas essas outras aí. E era obrigatório uma monografia na Graduação. Na verdade tinham duas monografias, eu entendia assim, porque no final dessa fundamentação básica, dessa Etapa Fundamental tínhamos um grande seminário que era feito em grupo. Este grande seminário versava sobre várias temáticas, por exemplo: o processo de ocupação da região, o processo de educação da região. Eram grandes temas relacionados com a nossa região. Até me lembro, o meu era sobre o lixo, a gente tinha que observar como que estava o lixo na nossa cidade. Cada um dos professores queria enxergar a sua área de especialidade ali dentro do texto.
Você percebia que os próprios professores ainda estavam com a questão de área. Hoje a gente conversa com alguns deles e fica rindo, porque naquele tempo não se dava conta de largar isso, de olhar o trabalho meio holisticamente, eles olhavam em pedaço ainda.
Era um aprendizado para a gente, tanto quanto para os professores. Essa questão do lixo ficou marcada para mim, em determinada época um professor passou lá e disse: –Ah, mas eu não estou enxergando aqui a Estatística. E aí nós fomos levantar os dados estatisticamente, porque tinha que dar uma resposta para o professor também. E aí era um trabalho em grupo, interno ainda, podia errar, e quando a gente terminava esta etapa fundamental tinha um seminário. E depois, no final do curso, uma outra monografia, em que tínhamos que escrever e apresentar. O curso é caracterizado em dois momentos, etapa fundamental e etapa específica.
Na época criticavam, dizendo que os alunos não viam muita Matemática. Hoje mudaram, os alunos fazem um ano e meio de básico e o resto de Matemática e não tem diferença, quem tá saindo não tem essa diferença espetacular.
Entre as etapas intensivas, que ocorriam nos meses de janeiro, fevereiro e julho aconteciam as etapas intermediárias. Nestas etapas intermediárias nós desenvolvíamos pesquisas orientados pelos professores que viajavam o Mato
Grosso inteiro para acompanhar a pesquisa de seus alunos. Se o trabalho não estava indo bem, o professor dava um empurrãozinho, se estava, eles faziam outra coisa, um workshop com os professores da região. Quando chegava na etapa seguinte a gente participava de um seminário, além daquele grande seminário ao final da etapa fundamental, onde a gente tinha que mostrar nossos resultados. Resultado de algo que você observou na tua prática, ou resultado de algo que você desenvolveu com a sua sala de aula. Então era um momento muito rico de troca de experiência.
Este período entre etapas não ficava vago, porque você ficava trabalhando e pesquisando. Então não tinha como você se desligar da universidade. Se desligava fisicamente, mas cientificamente você estava trabalhando. Era uma coisa intensiva.
No início o pessoal começava a falar: – Uma universidade, só tem aula nas férias e não sei o quê. Hoje o pessoal já tem outra concepção. A Parceladas mostrou um ensino a distância diferenciado. Uma referência nacional.
Hoje está se discutindo muito ensino a distância. Mas este ensino se distancia também das questões sociais, políticas e regionais. Neste método, estas questões estavam próximas.
E aí eu fiz o meu curso de Matemática, obviamente trabalhando, pois este é um dos critérios para entrar nestes cursos. Então não tem como você primeiro se formar e depois começar a trabalhar. Em alguns casos aceitam quem não está em sala de aula, mas em noventa e cinco por cento dos casos os alunos já são professores, alguns, inclusive, com vinte anos de sala de aula. Isto porque o que vai se discutir é educação, então fica um pouco a desejar se você não tem referencial.
A procura foi grande, pois a região nunca teve um curso ali perto. Daí teve o vestibular, que aliás é uma coisa que eu critico, porque o vestibular na realidade não mede nada. Veja: tem gente que passou em último lugar, terminou o curso, fez mestrado na UNICAMP direto, entendeu? E hoje já é concursado nas federais por aí. Essas coisas são difíceis de entender.
Ainda me lembro da prova do segundo vestibular das Parceladas. A prova de Matemática era um texto, e o texto falava assim: “No mundo da Matemática e...”. E começava falando que era um país onde a reforma agrária ía ser implantada, tinha tantas famílias e um diálogo que você precisava pensar matematicamente. E aí tinha tantas famílias, o país tinha tantos alqueires. Pensando como se dividiria essas famílias, pensando nas famílias que tinham seus filhos, como que um pai dividiria essa terra que ele ganhou dessa primeira divisão. Se fosse pensar numa terra retangular como seria essa divisão. Isso foi uma coisa que eu achava muito legal.
Então, a minha trajetória de formação, mais ou menos é assim. Acho que dentro deste contexto eu comecei a pensar Matemática de outro ângulo. A Matemática mais na forma humana, não nesta Matemática excludente.
E assim, quando eu vou fazer minha monografia, lógico, eu não podia fazer outra coisa, e fiz a monografia sobre a construção de uma casa indígena da região onde eu morei. Da comunidade dos Tapirapé. Aliás, o título é bem esse: “A Geometria na Construção da Takarã”. A Takarã é uma casa indígena. E ali eu percebi outras formas de Matemática, além daquela que eu tinha visto na academia, que aliás eu questionava muito. E esta trajetória foi me levando para a Etnomatemática de que o Ubiratan D’Ambrosio fala. Até então eu fazia, mas não sabia muito.
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Bom, daí eu terminei o curso em noventa e sete, minha formatura foi em novembro de noventa e sete e em janeiro de noventa e oito eu fui convidado a dar aula no campus onde eu estudei. Deu aquele frio na barriga e eu falei assim: – O meu vestibular é agora, esse é o meu vestibular. Porque foram os meus professores que me indicaram, né? Então eu não podia fugir da raia e tinha que dar conta. E aí tipo assim, é no nível superior agora, é onde eu fui criado, onde me conhecem, questão do crédito, aquela coisa, mas eu fui. Era oito ou oitenta, se eu errasse ía ser oito. Estudava a noite toda, recebi o convite e o resto do ano passei me preparando. Dei a disciplina de Fundamentos da Matemática, em que discutíamos Funções. Bom, acho que foi oitenta, porque depois disso eu recebi convite para trabalhar na próxima etapa.
Neste meio tempo, devido ao trabalho que eu tinha feito com a monografia, fiquei sabendo que precisavam de um assessor de Matemática para UNICEF num projeto que era desenvolvido em Mato Grosso, para trabalhar com os Xavantes. Também não tinha nada a perder. Eu fui lá e fiz, concorrendo com um bocado de gente. Não sei porquê, mas me selecionaram. Aí eu fiquei assim, meio dividido. Trabalhava a questão da nossa Matemática, mas sabia que isso não valia lá para os indígenas. Eu percebi que faltava algo ainda, para eu discutir com eles. E ali eu vi um avanço muito grande na minha formação, de ver como que o outro olha para o mesmo objeto, né? A perspectiva que ele olha para o mesmo objeto não é a mesma que a minha. E com isso eu vim questionando a minha própria prática, a minha formação.
Em noventa e oito eu fiz um teste na universidade, em Barra do Bugres, para entrar como professor em um curso regular de Matemática. Passei e fui morar lá. E ali eu tive outro medo, porque é um curso regular e possui toda uma estrutura diferente da que eu tinha experiência e da que eu tinha me formado. Era Matemática do primeiro dia até o último dia, não tinha Filosofia, não tinha essas áreas de Ciências Sociais. E eu percebi a discrepância entre a minha concepção e o que o curso exigia. E aí eu começava a fazer estas comparações: o que a
academia exige como Matemática e o que é Matemática utilitária, Matemática social.
Então eu fui ganhando experiência em duas vertentes: em uma Matemática formalizada, pois dava aula de Álgebra e Geometria como a academia quer, embora eu não acredite muito nessa Matemática, e em Etnomatemática, no trabalho com a Unicef, junto com os Xavantes, que é uma Matemática que me agrada mais. Acredito que isto se deve a minha formação, aos professores que eu tive, pois eles pensavam mais neste lado, neste lado mais social.
Bom, terminei a Graduação em noventa e sete e em noventa e oito começo a trabalhar nas Parceladas e fiquei um pouco fora da academia até o ano dois mil. E nesta trajetória da Parceladas eu conheci o pessoal da História aqui da UNESP, o Geraldinho, o Sérgio. É que como a Parceladas acontecia nas férias então eles convidavam pessoas que já tinham uma certa experiência ou que tinham a ver com a proposta. Então vinham pessoas da USP, da UNICAMP, da UNESP de Rio Claro, da UNESP de Marília. Assim, mesmo que eu estivesse longe dos grandes centros, estava me formando com os melhores professores.
Um outro exemplo que eu vou pegar aqui é o professor Carlos Alfredo Arguello, ele é um Físico da UNICAMP que pegou a bandeira da Formação de Professores por gosto. É um professor com muita vivência, então ele tinha uma outra forma de olhar o ensino. Era esse tipo de professor que convidavam para dar aula na Parceladas. Não se olhava a formação acadêmica apenas, mas a vivência que a pessoa tinha. Então não se tinha um professor que fosse despreocupado com o ensino, que desse aula só no “cuspe e giz”.
Teve um professor lá, o Aníbal. Ele repetiu Cálculo de novo para gente porque ele percebeu que o que ele falou no primeiro Cálculo, antes de saber como era o método brasileiro, o que pediram a ele. Falaram assim: – Olha Aníbal vai lá e dá o Cálculo, tem que dar isso aqui. Era Swokowski.
Ele foi e debulhou o Swokowski em quinze dias, noventa horas. Nós éramos em trinta e sete pessoas só tinha duas que entendeu, e ainda assim até a metade. E aí ele falou assim: – Desisto. Ele ficou envergonhado e repetiu o Cálculo para nós, de graça. Ele disse assim: – Eu vou repetir a disciplina, fiquei envergonhado. E aí criamos um vínculo de amizade, de respeito. Ele inclusive foi nosso paraninfo. Logo na seqüência, depois que eu entrei no curso regular, eu fui indicado para ser chefe do departamento. E aí eu propus que a gente fizesse um curso de especialização. Eu escrevi o projeto e fizemos um curso de especialização em