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RÉFLEXIONS ET CONCLUSION

Dans le document Concurrence fiscale et biens publics (Page 34-38)

Uma das fases mais importantes no processo de planeamento em turismo é a da análise da procura. Criar o perfil do turista “tipo” interessado no consumo do património é bastante difícil. Contudo, em termos gerais, estes turistas são de uma faixa etária incluída entre os 39 e os 59 anos e de norma têm um grau elevado de instrução, maior experiência de viagens, maior sensibilidade (e exigência) no que diz respeito à qualidade dos serviços turísticos, e particular consciência sobre as problemáticas ambientais e sócio culturais. Por fim, os turistas interessados no património viajam durante as épocas turísticas baixas.

A análise da procura subentende o conceito de motivação: este conceito é particularmente difícil de representar de forma esquemática (Cooper et al., 1998), com dificuldades acrescidas no que se refere à explicação do conceito de motivações no âmbito do turismo cultural e do património (Ashworth e Tunbridge, 2000).

Contudo, de acordo com Cooper et al. (1998), o conceito de motivação em turismo inclui resumidamente: i) a ideia de que as viagens estão inicialmente relacionadas com necessidades que alimentam um desejo (a da viagem, neste caso); ii) a motivação é baseada em aspectos sociológicos ou psicológicos de normas, atitudes, cultura e percepção adquiridas, levando a forma de motivação específica de cada pessoa; iii) a imagem do destino, criada através de vários canais de comunicação influencia a motivação e, posteriormente, influenciará a tomada de decisão no que diz respeito à escolha do destino a visitar.

Definido de forma resumida o campo das motivações que leva à procura turística em geral, passamos a analisar as características actuais da procura no que diz respeito ao turismo cultural e do património, e as tipologias dos potenciais “consumidores” das atracões directamente ligadas aos recursos culturais duma área destino.

Embora seja tarefa particularmente árdua definir o perfil do turista interessado no património, pois este procura ao mesmo tempo um vasto leque de ofertas no destino para satisfazer diferentes necessidades: um mix que vai desde a aprendizagem à aventura; desde o lazer ao descanso.

Em alguns casos as actividades procuradas têm carácter sazonal, enquanto outras podem ser praticadas o ano todo; umas podem ser concluídas em poucas horas, enquanto outras podem durar um, dois ou mais dias.

Contudo, e de acordo com um estudo da Comissão Europeia (European Commission, 2002) existem para todos os tipos de turistas interessados para o património, as seguintes motivações comuns:

 Bem-estar físico e saúde;

 Descoberta, estímulos intelectuais e instrução;

 Gozar de locais naturais incontaminados e de paisagens;

 Contacto com pessoas oriundas de culturas diferentes, mas num contexto mais íntimo, pessoal e autêntico contrariamente àquele que um turismo de massa pode proporcionar;

 Aventura e emoções.

De acordo com Ashworth e Tunbridge (2000) os turistas demonstraram nos últimos trinta anos um interesse crescente em consumir os recursos patrimoniais. A tendência para uma atenção pública cada vez maior em relação às diferenças étnicas e culturais manifesta-se de facto numa procura crescente de produtos turísticos que ofereçam autenticidade cultural (Cooper et al., 1998): o turista que procura destinos culturais fá-lo pelo carácter simbólico das imagens e objectos do passado que lhe são oferecidos e que representam um mundo definitivamente perdido e irrepetível (Leask e Yeoman, 1999).

A análise das motivações que levam à procura turística geral, leva-nos a sustentar mais uma teoria que justifique a tendência para o crescimento da procura no turismo cultural em particular: destinos com potencial turístico fortemente ligado ao património cultural satisfazem a maioria das motivações/necessidades do turista. A necessidade de entrar em contacto com realidades culturais únicas é totalmente satisfeita pela possibilidade de, através da valorização do património, contar histórias realísticas sobre as origens de uma

cultura (Binks et al., 1988: 89); também o carácter de descanso e o lazer que

caracterizam desde sempre a actividade turística, são perfeitamente compatíveis com as motivações culturais que levam o turista à fruição do património cultural. Só para dar um exemplo, veja-se como as quatro categorias de motivações citadas por McIntosh et al. (1995, citado por Cooper et al., 1998: 66), nomeadamente as físicas, culturais, interpessoais e “de status”, são

perfeitamente satisfeitas pela actividade turística em destinos onde as atracções culturais têm particular destaque.

Veja-se, ainda, como todas as “classes de turistas” definidas por Boniface e Cooper (1987, citado por Cooper et al., 1998: 69), são potenciais consumidoras de turismo ligado ao património, embora com abordagens e atitudes diferentes no processo de tomada de decisão assim como na vivência na área-destino escolhida: o turista de grupos organizados, o turista de pacotes turísticos

individuais, o explorador e o turista autónomo.

Em linha geral, os turistas são cada vez mais responsáveis e exigentes, preferindo as formas de turismo que dão ênfase ao contacto e à compreensão entre visitantes e população local, entre turistas e património (Dowling, 1997), mas isto requer por parte dos administradores e gestores dos recursos e do desenvolvimento formas particulares de cuidado no processo de planeamento e gestão (Leask e Yeoman, 1999).

De acordo com a análise dos autores aqui apresentada, de forma geral podemos então afirmar que qualquer turista pode-se tornar consumidor de produtos culturais, embora mais ou menos intencionalmente, isto é, tendo ou não como principal motivação da viagem a visita a lugares de valor patrimonial (Cooper et

al., 1998; Richards, 1996) e que a tendência actual no que se refere à procura no

âmbito específico do turismo cultural e do património resulta ser em forte crescimento, ao ponto de tornar difícil, às vezes, a própria gestão de fluxos turísticos em determinadas áreas, exigindo-se limitações à fruição das atracções culturais e até tornando complexa em determinadas localidades a distinção entre turismo de massa e turismo cultural (Ashworth e Tunbridge, 2000).

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