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Partie III : Le soutien identitaire dans le soin

2. Un lien aujourd’hui Et demain ?

2.2. Réflexion sur la pertinence du soin court en psychomotricité

Pretende-se caracterizar neste trabalho padrões sônicos associados a gestos musicais expressivos executados em instrumentos acústicos tradicionais. Um bom músico ao executar uma peça musical faz uso de técnicas de interpretação que o permitem dominar o instrumento e produzir, a partir de atos gestuais executados no instrumento, gestos

musicais correspondentes, compreendendo todas as variações, efeitos e modulações exigidos para uma correta interpretação da sequência de notas da peça e necessários para que se possa transmitir os efeitos dramáticos e psicológicos associados, bem como estabelecer um senso de progressão, sentido de direção ou finalidade.

Quando os eventos musicais produzidos possuem uma qualidade expressiva relevante em música, os gestos musicais correspondentes são ditos expressivos. Na interpretação de um violino a manipulação das cordas pelos dedos e o arraste do arco sobre as cordas - ato controlado pelo punho e braço do violinista - contribuem com os principais gestos físicos que levarão à produção dos mais diversos gestos musicais possíveis para este instrumento.

Na flauta, o sopro e o dedilhado do instrumentista são os gestos físicos ativos que vão dirigir a produção dos gestos musicais. O teor de expressividade do gesto musical é um componente de difícil julgamento, mas está sem dúvida alguma diretamente correlacionado à técnica com que o instrumentista "manipula" o instrumento e explora sua capacidade em produzir eventos musicais.

Eventos musicais são construídos de estruturas sonoras menores, objetos sônicos ou sons individuais, partes constituintes que se agrupam numa unidade sonora clara e definida. Os objetos sônicos elementares podem estar descritos ou contribuírem em faixas de frequência restritas e limitadas, e portanto serão melhor visualizados e identificados em certos níveis wavelets que cubram estas bandas de frequência. Os eventos musicais que se formam a partir deles, portanto, se distribuem ou concentram- se em certos níveis wavelets de uma análise em multiresolução, e estarão melhor caracterizados nestas escalas de resolução.

A PERCEPÇÃO DE OBJETOS SÔNICOS

A identificação de uma identidade sonora nova, com propriedades claras e definidas, faz parte do trabalho de construir uma representação auditiva de um evento acústico ou objeto musical real. A construção de uma representação mental sobre eventos acústicos do mundo exterior implica na identificação e segregação dos estímulos acústicos que compartilham propriedades ou qualidades semelhantes, e que nos dizem sobre um mesmo evento musical. [5]

A forma como tais estímulos são agrupados pelo sistema nervoso guiará a elaboração de um novo padrão percebido. Surgem em decorrência deste agrupamento propriedades

emergentes antes não atribuídas a nenhum dos estímulos ou objetos sônicos

individualmente, e que agora passam a caracterizar o novo padrão que surge. Normalmente, em percepção, propriedades emergentes constituem-se em descrições precisas das propriedades dos objetos (acústicos) em nosso ambiente [5]. A correta associação, fusão ou agrupamento de tais objetos pelo sistema auditivo levará à correta representação (ou não) do evento ou objeto acústico real em curso no ambiente externo. O sistema auditivo, assim como o visual, possui um mecanismo sofisticado para elaborar sobre as relações entre objetos sonoros e a percepção de grupos, progressões, cursos ou sucessões de objetos sonoros (streams) com propriedades características. A medida deste agrupamento, do grau de relacionamento entre objetos sonoros e da percepção de grupos ou sucessões (streams) é objeto de estudo das linhas de pesquisa de Análise de Cena Auditiva. Bregman (1990) introduz e elabora sistematicamente sobre esta linha de pesquisa em [5].34

A percepção portanto de uma unidade sonora clara e definida depende de como propriedades ou qualidades semelhantes dos sons ou objetos acústicos individuais vão se fundir ou agrupar numa única representação perceptual, num padrão percebido. Em música, percebemos uma evolução de padrões associados em diferentes escalas, construindo uma representação mais complexa, rica em conteúdo expressivo e dotada de um senso de direção, um objetivo. Contornos melódicos, fórmulas rítmicas, sequências de timbres, combinações harmônicas, efeitos, e uma infinidade de gestos musicais nascidos pelas técnicas de interpretação do(s) músico(s) são exemplos de elementos da Orquestração em Música analisáveis sob a óptica de padrões percebidos. Belkin (1988), tendo visualizado esta correlação, sugere, pois, a construção de uma teoria mista de orquestração com percepção[3]. Um grande número de padrões orquestrais organizados segundo uma sequência temporal sugerem a percepção de progressões e evoluções, ou proporcionam uma sensação de destaque, um contraste ou continuidade, e tecem assim uma trama expressiva, envolvente, criando uma

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Seu livro é um verdadeiro tratado sobre o tema, empregando argumentações de base da psicologia Gestalt e da psicoacústica, e indo mais além elaborando sobre questões como a integração sequencial de sons, integração simultânea de sons, integração baseada em esquema aprendido (scheme-based

representação (mental) emotiva. Por exemplo, sons curtos e percussivos podem ser usados para atrair a atenção ou refrescá-la após um movimento muito longo. Sons que evoluem, como se perfazendo uma contínua avaliação e trazendo um afluxo de informação, podem dar origem a um padrão de evolução. Sons que crescem ou diminuem em intensidade sugerem uma movimentação numa dada direção, uma progressão dinâmica. [3]

A INFLUÊNCIA DA INTERPRETAÇÃO SOBRE OS GESTOS MUSICAIS

O sucesso de uma peça musical dependerá completamente da habilidade do músico em usar plenamente suas técnicas de interpretação na execução de fraseados, efeitos, modulações e outros eventos musicais. Através delas, o músico pode fazer uso de ataques repentinos e intensos (staccatos, acentos), pode alterar a intensidade e entonação do som que produz (crescendo, diminuindo, efeitos de entonação e dinâmica), pode tocar sequências de tons continuamente (legatos, portamento,

glissando), em pulsos ou saltos (pizicato, acentos, staccatos), modulados em frequência (vibratos) ou alternar tons distintos rapidamente (trinados, trêmulos).

Esta é uma amostra das imensas possibilidades que o intérprete tem sobre a variabilidade na produção de tons e variações timbrísticas. A maior parte destas possibilidades sonoras acima podem ser representados em notação musical convencional, e constituem para efeitos práticos objetos ou eventos musicais, tratáveis à luz da musicologia e linguagens musicais associadas, bem como da "linguagem tradicional" em engenharia para representação de sinais (não determinísticos).

Dada a intrínseca composição hierárquica destes eventos musicais, construídos de objetos sônicos menores com propriedades frequenciais e delimitados em intervalos temporais finitos, a análise wavelet em multiresolução provê o arcabouço ideal para segregá-los e investigar as regras que regem sua construção. Faria (1996) aborda a análise de eventos musicais associados a técnicas de interpretação de instrumentos acústicos reais, e a emergência da qualidade de expressividade e realismo em padrões sônicos visíveis em diferentes níveis de resolução numa análise wavelet. [21]

integration: a influência da cultura e do conhecimento adquirido sobre a percepção auditiva), a