• Aucun résultat trouvé

Récupération de la requête de paiement CB

5.4 Processus de redirection

5.4.2 Récupération de la requête de paiement CB

Como relacionar então situações-problema com a avaliação de competências e habilidades?

Cabe aqui fazermos uma breve reflexão a partir da perspectiva teórica que adotamos. Atualmente, o termo competência tem sido definido como a capacidade de uma pessoa ser capaz de agir de maneira eficaz diante de uma determinada situação, utilizando os conhecimentos que traz em sua bagagem pessoal, mas sem limitar-se exclusivamente a eles. Portanto, ser competente significa mobilizar nossos recursos cognitivos, entre os quais estão os conhecimentos que já adquirimos anteriormente. Vale dizer que aquilo que trazemos em nossa bagagem como conhecimentos prévios, ou seja, como representações da realidade construídas e armazenadas de acordo com nossas experiências anteriores, não representam exatamente nossas competências, mas estão em íntima relação com elas. Ou seja, nossos conhecimentos prévios são condição necessária de nossa competência, mas esta última não se reduz a eles. As competências que manifestamos em nossas ações utilizam, integram e mobilizam nossos conhecimentos em favor da resolução de uma determinada situação (Perrenoud, 1999).

Portanto, competência significa mobilizar recursos para o enfrentamento de situações-problema o que implica ativar esquemas mentais, ou seja, assimilar as informações dadas pelo problema a partir de nossas estruturas mentais para lhes atribuir significados. Assimilar essas informações supõe construir um sistema de interpretações que possa validar nossas hipóteses e idéias sobre a situação. Mais ainda, esse sistema de interpretações supõe uma tomada de decisão, uma escolha a partir da qual selecionamos procedimentos e estratégias de ação que julgamos serem as melhores naquele momento. Este processo implica ainda agir correndo riscos, pois nem sempre sabemos escolher o melhor caminho para a resolução do problema.

Se competência implica a idéia de mobilização de recursos, esta última implica, por sua vez, a idéia do saber gerir ou gerenciar situações (Le Boterf, 2000). Como afirma Macedo (2002), a palavra gerir origina o tempo verbal gerundivo, cuja significação se relaciona sempre a algo que só é “sendo”, isto é, implica a idéia de algo que só pode ser manifestado e construído durante a realização de um processo. Da mesma forma, uma situação-problema só se caracteriza como situação-problema, à medida que somos desafiados a vivê-la, enfrentando seus obstáculos, mobilizando recursos, reorganizando esquemas mentais e assumindo decisões e riscos. Em poucas palavras, é por meio de nossas competências que manifestamos as possibilidades de enfrentar e resolver situações-problema. Dito de outra maneira, ao

falarmos de competências nos localizamos no mesmo terreno das situações-problema, ao menos do ponto de vista aqui adotado. Isto certamente justifica a proposição de um modelo de avaliação que parte de situações-problema para medir e qualificar competências, como é o caso do Enem.

Além disso, as competências, consideradas de uma perspectiva psicológica, relacionam-se às estruturas cognitivas do sujeito. Ou seja, são as operações mentais do sujeito, relativas a seu nível de desenvolvimento mental, que revelam suas competências cognitivas quando o mesmo se submete ao exame. Tais competências são expressas por um conjunto de habilidades, isto é, por um conjunto de estratégias e procedimentos de ação.

Dito de outra maneira, competências e habilidades possuem duas dimensões interdependentes. As competências possuem uma dimensão estrutural que abrange dois aspectos. Um relativo ao sujeito que as expressa como possibilidades de recursos para a resolução dos problemas propostos no exame; e outro relacionado ao conjunto de conhecimentos acumulados pela humanidade que se expressam nas diferentes disciplinas ou áreas que são avaliadas pelo exame. Este último refere-se, portanto, ao esforço de produção de uma coletividade, correspondendo às competências coletivas.

As habilidades possuem uma dimensão funcional, isto é, uma dimensão que corresponde aos modos como o sujeito que realiza o exame utiliza suas competências, ou seja, o como ele mobiliza seus recursos, toma decisões e cria sistemas de procedimentos relacionados à compreensão que alcançou a cada situação proposta pelo exame.

Assim é que as competências possuem um caráter transversal, pois podem ser abstraídas de um contexto para outro, de uma situação que explora um determinado domínio do conhecimento para outra que explora um outro domínio. As habilidades, por sua vez, possuem um caráter mais circunstancial e particular. Como manifestações de competências, encarnam procedimentos e ações concretas, à medida que expressam aquilo que o sujeito pode realizar em um certo recorte de tempo e espaço (Macedo e Torres, 2002).

Por último, é importante ressaltar que, do ponto de vista psicológico, as competências de um sujeito manifestam-se de maneira bastante diferenciada, em função do nível de desenvolvimento em que ele se encontra. Nesse sentido, é também diferente propor uma situação-problema para uma criança e para um jovem. Isto porque qualquer competência que se queira medir por meio de uma situação-problema certamente se manifestará por diferentes níveis de qualidade, à medida que a

competência de uma criança pequena é sustentada por estruturas mentais muito diferenciadas daquelas de um jovem.

Ou seja, priorizar competências e habilidades na formulação e avaliação das provas do Enem implica necessariamente considerar as estruturas mentais que são requeridas do aluno que realiza o exame, a fim de que ele possa enfrentar as situações-problema que lhes são propostas. Como sabemos, o Enem foi concebido para avaliar jovens que estão finalizando ou finalizaram seus estudos de Ensino Médio. Parte-se, portanto, da suposição de que esses jovens alunos, do ponto de vista psicológico, apresentam uma qualidade de estruturação mental correspondente às etapas finais do período operatório concreto ou ao período operatório formal. Dessa forma, as situações-problema são formuladas nessa direção.