CURRICULUM VITAE I. IDENTITE DU CANDIDAT
A. OPERATIONS D’ACHAT ET DE VENTE
6. Réclamation relative à la marchandise
Um total de seis estudos foi agrupado no segundo conjunto de artigos selecionados, nos quais os autores fizeram reflexões acerca de programas de preparação para a aposentadoria, mesmo que este não fosse o objetivo principal do estudo. Os trabalhos, três teóricos (L. França & Soares, 2009; Costa & Soares, 2009; M. Rodrigues et al., 2005) e três relatos de pesquisa (Bressan et al., 2013; L. França & Carneiro, 2009; Selig & Valore, 2010), foram publicados no período de 2005 a 2013, em periódicos da área de Psicologia e de Geriatria e Gerontologia (Tabela 4).
Tabela 4
Síntese dos Artigos que Tecem Considerações Acerca da Importância dos Programas de Preparo/Orientação para a Aposentadoria
Estudo Periódico Tipo de
Estudo
Objetivo(s) do estudo A preparação para a aposentadoria: o papel
do psicólogo frente a essa questão (M. Rodrigues, Ayabe, Lunardelli, & Canêo, 2005)
Revista Brasileira de Orientação Profissional
Teórico Propor programas de preparação para a aposentadoria com o intuito de refletir sobre alternativas de enfrentamento de questões de desgaste psíquico que podem ocorrer nessa fase.
Preparação para a aposentadoria como parte da educação ao longo da vida (L. França & Soares, 2009)
Psicologia: Ciência e Profissão
Teórico Analisar aspectos e variáveis que podem facilitar ou dificultar o bem- estar das pessoas em fase de transição para a aposentadoria e apresentar algumas pesquisas empíricas e os aspectos básicos a serem considerados em um Programa de Preparação para Aposentadoria (PPA).
Orientação psicológica para a
aposentadoria (Costa & Soares, 2009)
Psicologia: Organizações e Trabalho
Teórico Propor reflexões sobre o papel do psicólogo na orientação para a aposentadoria e as novas possibilidades de atuação profissional do psicólogo.
Programas de preparação para a aposentadoria: um estudo com
trabalhadores mais velhos de Resende (RJ) (L. França & Carneiro, 2009)
Rev. Brasileira de Geriatria e
Gerontologia
Relato de pesquisa
Apresentar os resultados de uma pesquisa realizada com trabalhadores mais velhos de Resende-RJ no que se refere aos aspectos que devem ser considerados em um PPA, e validar a escala KFRP (Key Factors on Retirement Planning) para este grupo de trabalhadores não gerenciais.
Imagens da aposentadoria no discurso de pré-aposentados: subsídios para a
orientação profissional (Selig & Valore, 2010) Cadernos de Psicologia Social do Trabalho Relato de pesquisa
Investigar imagens e expectativas concernentes à aposentadoria no discurso de trabalhadores de classe média em vias de se aposentarem, com o objetivo de identificar aspectos a serem abordados em programas de orientação profissional junto a essa população.
Bem-estar na aposentadoria: o que isto significa para os servidores públicos federais? (Bressan, Mafra, França, Melo, & Loretto, 2013) Rev. Brasileira de Geriatria e Gerontologia Relato de pesquisa
Analisar as percepções dos servidores públicos federais sobre o bem- estar na aposentadoria e como estavam se preparando para esta transição, a fim de contribuir para o entendimento do processo de aposentadoria e subsidiar políticas públicas e programas de preparação para aposentadoria.
M. Rodrigues et al. (2005) destacaram o importante papel que o psicólogo desempenha nas organizações de trabalho, principalmente por ter a oportunidade de atuar para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Neste sentido, os autores refletiram sobre a possibilidade de um Programa de Reflexão e Preparação para a Aposentadoria (PRPA) ser proposto enquanto um programa de qualidade de vida.
Um Programa de Reflexão e Preparação para a Aposentadoria, segundo estes autores, deve visar construir um espaço social no qual possam ser trabalhadas algumas formas de enfrentar esta nova etapa da vida dos futuros aposentados. Ao propor o modelo de intervenção, os autores basearam-se no programa proposto por Zanelli e Silva (1996), que conta com um levantamento de necessidades e posterior intervenção grupal, que estimule a reflexão sobre: alternativas de ação na aposentadoria, bem-estar emocional, influência dos vínculos e busca de novos projetos. M. Rodrigues et al. (2005) defenderam, ainda, que os futuros aposentados precisam compreender que “as possibilidades de ação não se esgotam com o fim da rotina de trabalho e sim que, a partir desses elementos, torna-se possível a construção da díade qualidade de vida e aposentadoria” (p. 60).
Outros pesquisadores também destacaram a importância da atuação dos psicólogos em programas de preparação para a aposentadoria e buscaram estimular a reflexão destes profissionais sobre as suas possibilidades de inserção nessa área. Costa e Soares (2009), por exemplo, propuseram um modelo de Orientação Psicológica para a Aposentadoria, entendendo o papel do psicólogo como orientador profissional, e enfatizando que este tipo de trabalho é necessário como forma de “valorizar o sujeito nesse novo momento e mostrar-lhe outras alternativas saudáveis de projetos de vida, para além das representações do mundo do trabalho” (p. 103-104). O Programa de Orientação Psicológica para a Aposentadoria foi apresentado enquanto uma proposta semelhante à dos PPAs tradicionais, entretanto, com a aplicação de técnicas e da metodologia de acompanhamento psicológico próprios da
Orientação Profissional (OP). Acrescentou-se, ainda, a importância das pessoas se planejarem para a aposentadoria ao longo de toda a vida, corroborando com as considerações de L. França (2008), que compreende tal planejamento como um processo de educação continuada. Isto levanta questões sobre a natureza do planejamento para a aposentadoria, ou seja, se decorre de habilidades desenvolvidas ao longo da vida adulta, por meio de um processo contínuo, ou se envolve, também, habilidades aprendidas apenas na “fase” da iminência da aposentadoria, associadas a fatores situacionais que incluem a situação financeira da pessoa, sua saúde física e mental e os laços afetivos estabelecidos com familiares e amigos.
Dando continuidade às ideias de L. França (2008), L. França e Soares (2009) também defenderam que a preparação para a aposentadoria seja compreendida como parte da Educação ao Longo da Vida e da área de Orientação Profissional, interpretando a reorientação como envolvendo a redefinição das possibilidades profissionais na aposentadoria. Para além disso, apresentaram as principais teorias subjacentes ao processo de decisão da aposentadoria: a teoria dos papéis, a teoria da continuidade e a perspectiva do curso de vida, e complementaram que a adaptação à aposentadoria depende das atitudes dos trabalhadores diante dos ganhos e das perdas que podem ocorrer nessa transição. Os aspectos básicos considerados importantes em um PPA envolveram um módulo informativo, um módulo experiencial e o acompanhamento após a aposentadoria. Adicionalmente, enfatizaram que a fase de transição para a aposentadoria deve englobar um projeto de vida que, “além de outros aspectos como o lazer e os relacionamentos, pode incluir um trabalho voluntário ou remunerado, em horário reduzido” (p. 741).
Os últimos três estudos selecionados estabeleceram relações entre as pesquisas realizadas no âmbito da temática aposentadoria e a importância da realização de PPAs. As pesquisas, a partir dos pressupostos teóricos e metodológicos descritos por seus autores, objetivaram: (a) validar a escala de fatores-chave para o planejamento da aposentadoria com
trabalhadores de cargos não-gerenciais, assim como apresentar os dados de um estudo realizado com trabalhadores mais velhos de um município do Rio de Janeiro (L. França & Carneiro, 2009); (b) investigar as expectativas e imagens relativas à aposentadoria no discurso de seis trabalhadores pré-aposentados, com vistas à identificação de aspectos a serem discutidos em programas de orientação profissional para a aposentadoria (Selig & Valore, 2010), e(c) analisar as percepções de docentes e técnicos administrativos de uma universidade federal localizada no estado de Minas Gerais com relação ao bem-estar na aposentadoria e em como estavam se preparando para este momento de transição (Bressan et al., 2013).
L. França e Carneiro (2009) identificaram que mais da metade dos seus participantes relataram não estar se planejando para a aposentadoria e que, apesar de considerarem a importância do PPA, poucos declararam participar deste tipo de intervenção em suas organizações. Entretanto, não ficou claro se estes trabalhadores não participavam dos PPAs por não terem interesse ou se as organizações não ofereciam este tipo de intervenção. Adicionalmente, foram identificados os fatores considerados pelos participantes como os mais importantes no planejamento para a aposentadoria, sendo eles: relacionamento com os pais/filhos, alimentação saudável e relacionamento com o parceiro, seguidos da promoção da saúde, atividades culturais e de lazer. Os autores, por fim, propuseram que um PPA abranja quatro momentos: sensibilização, módulo informativo, módulo formativo, e acompanhamento, reiterando as propostas de outros estudos (L. França, 2002; L. França & Soares, 2009), levando em consideração a possibilidade de reinserção dos aposentados no mercado de trabalho, se estes assim desejarem.
Selig e Valore (2010), ao analisarem o discurso de pré-aposentados de classe média, identificaram as seguintes categorias: 1) a relação de continuidade entre a inserção no sistema produtivo e a aposentadoria; 2) a vinculação da identidade ao exercício de uma ocupação; 3) o trabalho como principal organizador do tempo; e 4) a preocupação referente à condição
econômica futura. Estes resultados levaram os autores à conclusão, após uma análise crítica da sociedade em que estamos inseridos, de que a Orientação Profissional pode contribuir para uma “reflexão sobre a relação do indivíduo com o trabalho e com projetos futuros” (p. 85), criando uma oportunidade dos trabalhadores refletirem sobre as “escolhas” realizadas ao longo da vida e pensarem em novas escolhas a partir da aposentadoria. Selig e Valore (2010), assim como Costa e Soares (2009); L. França (2008) e L. França e Soares (2009), também defenderam que os programas de orientação para a aposentadoria aconteçam ao longo de toda a vida dos indivíduos e não apenas quando estão na fase de transição.
Por fim, ao analisar as percepções de servidores públicos federais sobre o bem-estar na aposentadoria, Bressan et al. (2013) identificaram a saúde e a tranquilidade financeira (fatores de risco e de sobrevivência) como essenciais. Além disso, os fatores classificados como positivos foram educação, saúde e envolvimento em atividades culturais e de lazer, e os negativos foram a perda das perspectivas de trabalho e da segurança financeira após a aposentadoria, assim como a falta de conhecimento prévio sobre o processo que culmina na aposentadoria. Os resultados sugeriram aos autores que alguns temas fossem contemplados em PPAs, dentre eles: planejamento financeiro, bem-estar e qualidade de vida para o futuro, a importância da educação ao longo da vida, relacionamentos sociais, a inserção da família no PPA, a continuação do trabalho remunerado ou voluntário após a aposentadoria e o início ou continuidade de atividades culturais e de lazer.
Com base no exame dos estudos selecionados, nota-se a importância da inserção e permanência de profissionais psicólogos na elaboração, execução e avaliação de programas de intervenção relacionados ao preparo para a aposentadoria, o que vai ao encontro dos achados de outros estudos da área (L. França, 2008; L. França & Stepansky, 2012; Soares & Costa, 2011; Zanelli & Silva, 1996; Zanelli et al., 2010).