2. Rapport technique
2.3 Réalisation
Os biofertilizantes são componentes líquidos ou sólidos, bioativos, oriundos da fermentação de compostos orgânicos e água em condições aeróbicas ou anaeróbicas (MEDEIROS et al., 2003). São constituídos principalmente por células vivas ou latentes de microrganismos, além de metabólitos e quelatos organominerais, antibióticos, aminoácidos, vitaminas, enzimas e hormônios, gerando a produção de gás metano e gás carbônico (CO2) durante o processo fermentativo (ALVES et al., 2001). Sua potência biológica pode ser definida pela quantidade de microrganismos existentes, responsáveis pela liberação de metabólitos e entimetabólitos, entre eles vários antibióticos e hormônios vegetais (BETTIOL et al., 1998).
Atualmente, os biofertilizantes são utilizados como uma forma de reaproveitamento de insumos que, descartados na natureza, poderiam contaminar o meio ambiente (esterco bovino, equino, suíno, subproduto da indústria canavieira etc.). As pesquisas com biofertilizantes oriundos desses insumos, apesar de reduzidas, têm apresentado resultados promissores, principalmente na produção de hortaliças orgânicas. Estes biofertilizantes são um eficiente método de controle preventivo e curativo de pragas e doenças, por meio de substâncias com ação fungicida, bactericida e/ou inseticida presentes em sua composição, além de se constituírem condicionantes da melhoria nutricional das plantas e do solo, refletindo maior resistência destas aos elementos fitopatogênicos (BETTIOL et al., 1998, RICCI et al., 2006).
O controle de algumas doenças e repelência a pragas têm por base o equilíbrio nutricional e biodinâmico do vegetal (MEDEIROS et al., 2003). Por sua vez, a importância como fertilizante está relacionada à diversidade da composição mineral de macro e micronutrientes disponibilizados pela atividade biológica na forma de compostos quelatizados.
Em olerícolas, os biofertilizantes líquidos ou sólidos são usados como forma alternativa de suplementação de nutrientes na produção orgânica e convencional, além de condicionadores
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da microflora do solo (MEDEIROS e LOPES, 2006; SOUZA e RESENDE, 2006; RICCI et al., 2006), podendo ser aplicados via solo ou foliar. Na aplicação via solo, proporcionam melhoria das propriedades físicas (estrutura e porosidade), químicas e biológicas, e quando aplicados sobre as folhas podem contribuir para um suprimento equilibrado de macro e micronutrientes, permitindo que as plantas desenvolvam melhor seu potencial genético produtivo (SILVA ALVES et al., 2009).
Os insumos utilizados como matéria prima para produção de biofertilizantes já vêm sendo empregados na agricultura como fonte de matéria orgânica ao solo. Contudo, a conversão desses insumos em biofertilizantes requer elevados volumes, ficando aquém da demanda destes a produção de biofertilizantes para suprir as necessidades nutricionais das plantas quando aplicados sem adubação suplementar. Aliado à falta de matéria prima e ao tempo de preparo, existem no mercado muitas formulações de biofertilizantes certificadas para uso na agricultura em geral e outros fins (ALVES et al., 2001). Assim, em consequência dos custos, muitos produtores orgânicos fazem uso de formulações próprias ou propostas na literatura com insumos locais, além do fato de que são poucas as restrições quanto à aplicação dos preparados naturais como biofertilizantes para controle de pragas e doenças, devendo apenas estar isentos de determinadas substâncias proibidas pela regulamentação de orgânicos (BRASIL, 2014).
As pesquisas referentes ao manejo tanto via solo quanto foliar ainda são restritas a alguns biofertilizantes. Apesar disso, existem formulações no mercado, a exemplo o Microgeo® (Microbiol Biotecnologia®) que vêm sendo utilizado por produtores orgânicos e convencionais, em razão dos benefícios “apresentados” às plantas e ao solo, associado ao baixo volume aplicado por hectare via foliar. Segundo o fabricante, o produto proporciona fertilidade ao solo a níveis superiores a 80%, maior eficiência dos fertilizantes aplicados, e uma série de benefícios para o solo e às plantas que superam o investimento na compra e aplicação do produto.
O Microgeo® é um produto proveniente de pesquisas desenvolvidas por uma equipe de patologia e controle microbiano da ESALQ (MEDEIROS et al., 2003), e se classifica como um composto orgânico com registro no Ministério da Agricultura e certificado pelo IBD (Instituto Biodinâmico), preparado à base de diversas fontes orgânicas e inorgânicas e enriquecido com rochas moídas que somam 48% de silicatos de magnésio, cálcio, ferro e outros oligoelementos, fundamentais para estimulação do metabolismo primário e secundário das plantas.
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Assim como o Microgeo®, outras formulações existentes no mercado fazem uso dos mesmos termos para qualificar seus benefícios às plantas e ao solo, porém sem dados científicos que comprovem tais resultados enumerados pelas empresas fabricantes, em especial na produção orgânica. Os benefícios de alguma forma existem, no entanto é necessária a quantificação destes cientificamente, principalmente com dados produtivos das culturas para contabilização econômico-financeira, já que esses produtos podem representar parcela significava nos custos de produção.
Em geral, os processos de preparo dos biofertilizantes necessitam em média de 1 a 30 dias para estarem aptos ao uso, e podem ser aplicados diretamente no solo ou via foliar em alta (100%) ou baixa (<10%) concentração e volume, associado ou não a outros insumos (MEDEIROS et al., 2003; SOUZA e RESENDE, 2006). Entretanto, mesmo aplicados com outros insumos, muitas das recomendações existentes (maior concentração e volume) demandam de grandes quantidades de matéria prima para o preparo do produto final, principalmente para aplicações via solo.
Medeiros e Lopes (2006) relatam o uso de biofertilizantes em pulverizações foliares normalmente é realizado com diluições em água entre 0,1 a 5%. Porém, concentrações elevadas podem causar estresse fisiológico nas plantas retardando seu crescimento, floração e frutificação. Segundo os autores, em hortaliças recomendam-se pulverizações semanais entre 0,1 a 3% de concentração do biofertilizante, podendo variar conforme as formulações. Já Ricci et al. (2006) recomendam para aplicações foliares diluições de 20% a 40% para o biofertilizante produzido a partir de simples fermentação de esterco fresco de bovinos.
Gomes Júnior et al. (2011), avaliaram o crescimento e a produtividade de minitomate em função da aplicação de biofertilizante líquido e fungo micorrízico. Os autores observaram que a aplicação de biofertilizante líquido a 5% via foliar promoveu o aumento da biomassa seca da parte aérea e da produtividade do minitomate. Bezerra et al. (2008), em avaliação da aplicação de biofertilizante via foliar na cultura do milho, concluíram que as concentrações de 2% e 3% proporcionaram ganhos nas variáveis de crescimento e produção, corroborando os resultados encontrados por Araújo et al. (2007), que verificaram incrementos significativos na produtividade do pimentão, em análise da aplicação de biofertilizante à base de esterco fresco bovino na concentração de 20% associado ou não com matéria orgânica.
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Em geral, as pesquisas relativas a doses ou níveis de biofertilizante mostram resultados positivos sobre a produção das culturas, no entanto, em sua maioria, estas não retratam a viabilidade econômica e financeira, o que justifica a comparação os custos de produção com e sem aplicação de biofertilizante.