CH I : Contexte général sur la technologie Ultra Large Bande
VI. Différents types d'applications de l'Ultra Large Bande
VI.4 Réalisation d’un radar ULB
Em pontos anteriores abordamos diversas propostas que caracterizam a amplitude do que se entende por sustentabilidade. No âmbito dessa amplitude, um aspeto chave tem a ver com as suas dimensões e forma como se relacionam.
Uma das primeiras propostas que surgiram neste âmbito foi apresentada Ignacy Sachs que designou-a de ecodesenvolvimento. Na sua proposta existem cinco dimensões para o conceito de sustentabilidade: económico, ambiental, social, espacial e cultural, explicando as suas características multidimensionais e referindo a complexidade inerente em lidar com todas elas ao mesmo tempo (Sachs, 1984).
Uma forma simplificada da proposta apresentada por Sachs surge por Elkington (1999) e que designou por Triple Bottom Line (TBL). Esta abordagem permite às empresas fazer a aproximação de como é que poderão integrar a sustentabilidade nos seus processos de negócio. A proposta do TBL é caracterizada pelas dimensões económica, ambiental e social, as quais integram uma serie de indicadores e ferramentas de gestão e de responsabilidade social. O TBL acaba por se impor como terminologia e é reconhecida e adotada pelas organizações. A atenção prestada na relação que se estabelece entre a eficácia e a eficiência nas dimensões, apresenta-se como um meio poderoso para divulgar aos stakeholders a performance conseguida e em que medida uma organização cumpre a sua RSC (Elkington, 1999; Wang & Lin, 2006; Roca & Searcy, 2012).
Existem diversas abordagens de como representar as dimensões da sustentabilidade.Temos a proposta da IUCN “egg of well-being” (IUCN, 1997) a dos três pilares, a mais conhecida que é a do diagrama de Venn e o diagrama de Euler (Gibson, 2006a). Estas representações são ilustradas na figura 4.1. As diferenças entre elas, como se pode observar, são significativas e tem a ver com a forma como se estabelece as relações de igualdade ou dependência entre as dimensões. Outras abordagens podem ser encontradas em Lozano (2008). Porém, é na intersecção entre as dimensões que se assume a representatividade do conceito de sustentabilidade (figura 4.1c).
Fonte: adaptado de Gibson, 2006; IUCN, 1997.
Figura 4.1: Representação gráfica da sustentabilidade: a) IUCN’s egg of well-being – diagrama de Euler; b) Dimensões concêntricas – diagrama de Euler diagram; c) Interseção das dimensões – diagrama de
Brown et al. (2006) referem que a forma como está concebida e operacionalizada a noção tripartida do TBL não fornece informação relevante para construir uma ideia consistente da responsabilidade corporativa, sendo inadequada e até prejudicial na forma como avalia a sustentabilidade das empresas. Contudo, reconhecem que o TBL tem sido uma abordagem importante já que permitiu aumentar a sensibilização das organizações para os aspetos relacionados com a RSC.
Como tivemos oportunidade de referir no ponto 2.5 (capítulo dois) é real a problemática entre integrar e/ou compartimentar as dimensões do TBL. Apesar do conceito de sustentabilidade assumir a integração das dimensões (Carroll, 1979; Elkington, 1999; 2004; Azapagic, 2004; Fischer et al, 2007; Lozano, 2008) alguns autores defendem que essa integração é teórica e que dificilmente se efetivará na prática uma vez que as dimensões e os elementos integrantes de cada sistema são fundamentalmente diferentes. Argumentam que é nas inter-relações entre as dimensões que reside o interesse de avaliar a sustentabilidade (Sheate et al., 2003; Norman & MacDonald, 2004; Brown et al. 2006; Wang & Lin, 2006) isto é, procurar o impacte produzido por uma dimensão sobre outra ou outras dimensões e como é que se afetam mutuamente. Como tivemos oportunidade de constatar pela análise realizada aos modelos e técnicas de avaliação (capítulo dois), estas perspetivam a sustentabilidade como a integração das suas dimensões. Porém, verifica-se na prática que a avaliação da sustentabilidade corporativa é uma realidade individualizada das suas dimensões de causa e efeito não sendo tratada com frequência como um processo de efeito integrador (Dyllick & Muff, 2015).
Segundo Gasparatos et al. (2008), as abordagens reducionistas são dominantes nas iniciativas que estão orientadas para a sustentabilidade, concluindo que nenhuma ferramenta disponível atende aos requisitos dos estudos para a sustentabilidade, sendo necessário adotar diversas abordagens em simultâneo, dependendo do contexto da avaliação que se pretende. Esta condicionante faz com que exista a necessidade de determinar o que devem ser os impactes aceitáveis nas dimensões do TBL.
Para Weaver & Rotmans (2006), o facto de se falar de integração das dimensões é porque dificilmente um ator é capaz de lidar com a abrangência do problema. Assim, é pela integração das dimensões ou parte delas que a sustentabilidade deve ser avaliada. Como refere Eggenberger e Partidário (2000) a avaliação das dimensões da sustentabilidade está relacionada com cinco níveis: substantiva, metodológica, de procedimentos, institucional e política, sendo que não há integração consistente sem que todas estas etapas sejam contempladas.
No contexto das empresas, observa-se o reconhecimento cada vez maior da importância das intersecções existentes nas dimensões do TBL (Gibson et al., 2005; Gibson, 2012) e os efeitos de interdependência existente de trade-offs, sinergias e complementaridade entre as dimensões (Sheate et al., 2003; Schaltegger et al., 2006;). Porém, as dimensões da sustentabilidade continuam a ser tratadas e observada como realidades independentes.
É reconhecido que as empresas são agentes responsáveis e atuantes no mercado (sociedade – ambiente), as suas actividades devem ser desenvolvidas de forma consciente e no respeito pela necessidade de adoção das melhores práticas (soluções de adaptabilidade e mitigação dos seus impactes) que permitam níveis diversificados e complementares de bem-estar no curto, médio e longo prazo (EC, 2011). Assim, acredita-se que é a relação das dinâmicas que se estabelecem entre as dimensões permitirá às empresas avaliar os impactes de forma mais abrangente das suas medidas e estratégias de sustentabilidade.