Stage de professionnalisation Master
II. De l'expérience de stage
3. Réalisation du projet
Para chegarmos até a Escola Cai, Cai Balão, primeira escola de educação infantil da Rede Privada de Ensino a ser visitada, foi necessário, depois de algumas tentativas por telefone, agendar horário com a coordenação pedagógica. Nesse encontro, explicitada a nossa intenção bem como a proposta da pesquisa, a coordenadora aceitou o nosso pedido concedendo-nos uma sala de aula para observação das práticas musicais cotidianas. Ela insistiu, apenas, que, assim que o trabalho estivesse concluído, lhe enviasse o resultado. Assim sendo, pudemos observar, a critério da coordenação, não só
a turma do Maternal III, com crianças de três anos, mas também as aulas especializadas de música ministradas pelo professor20 PM 121.
Essa escola é, na verdade, anexa à um colégio de grande porte, que oferece os níveis de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, mantido por uma entidade de cunho confessional, que tem como base filosófica, uma visão humanista e cristã.
Esse colégio, fundado em 1959, está localizado em um bairro de classe média, na Região Nordeste da cidade de Belo Horizonte. Desde sua fundação, esse colégio passou por várias mudanças administrativas, trocou de nome algumas vezes, até se estabelecer, definitivamente, em 1995, inclusive com novo nome, uniforme e logomarca. Nesse mesmo ano é inaugurado o prédio que, hoje, abriga a escola de educação infantil.
Isso posto, a Escola Cai, Cai Balão, que funciona em prédio próprio, possui cinco andares, construídos em uma área de 3.400 m². No primeiro andar, encontramos três salas de aula para o Maternal, banheiros, um salão para atividades de artes, duas salas da supervisão, uma sala para atendimento aos pais, uma enfermaria com banheiro, mecanografia, sala dos professores com copa e banheiro e dois almoxarifados. No segundo andar estão sete salas de aula para o Maternal e 1º e 2º Períodos e um conjunto de banheiros. O terceiro andar abriga seis salas de aula para o 3º Período e 1ªs séries, uma brinquedoteca, uma biblioteca e um conjunto de banheiros. No quarto andar, encontram-se mais seis salas de aula para a 1ª série, o laboratório de informática e um
conjunto de banheiros. Finalmente, no quinto e último andar, há dois terraços, um conjunto de banheiros, sala de música e um depósito.
Acrescentamos, ainda, que nesse conjunto de cinco andares estão distribuídas, nos turnos matutino e vespertino, salas de aula de nível Maternal para crianças na faixa etária de dois a três anos, com vinte alunos cada uma, uma professora e uma auxiliar; salas de aula para o Maternal de três a quatro anos, com vinte e quatro alunos, uma professora e uma auxiliar; salas de aula para o 1º Período, com crianças na faixa etária de quatro-cinco anos, uma professora e uma auxiliar; salas de aula para o 2º Período, com vinte e quatro alunos na faixa etária de cinco-seis anos, com uma professora.
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Dos três professores de música, um era do sexo masculino.
De modo geral, as salas de aula são de tamanho regular, com pouca claridade e mobiliário reduzido a mesas, cadeiras e alguns armários onde se aglomeram brinquedos e outros objetos. A propósito, as salas de aula destacam-se por um enorme círculo de vidro, ao lado da porta de entrada, que toma quase todo o espaço da parede. Através desse vidro, pode-se ver o que acontece dentro e fora das salas de aula.
Considerando todos esses aspectos, podemos afirmar que a sala de aula da professora EI 6, sala objeto de nossa pesquisa, não é diferente das demais estudadas. Encontramos, em nossa primeira visita, dezoito crianças na faixa etária de três anos e, consequentemente, muitas mochilas e lancheiras que se enfileiravam ao longo de uma das paredes, penduradas em um grande cabideiro. O espaço para circulação das crianças era restrito. No centro da sala havia duas grandes mesas retangulares, na verdade, formadas por várias mesinhas juntas em uma só, e várias cadeiras em seu entorno onde as crianças se assentavam lado a lado. Havia, ainda, um armário com divisórias, mas sem portas, na qual guardavam-se os brinquedos de uso coletivo das crianças. Em um dos cantos da sala, em um pequeno espaço, havia um tapete plástico, tipo tatame; ali crianças e professora se assentavam, formando um círculo, no momento da rodinha.
Nesse momento, começava a rotina diária das crianças. Rezavam, conversavam, informalmente, estimuladas pela professora, relatando casos e fatos ocorridos no dia anterior e, ainda, cantavam músicas de entrada, para dar boas-vindas aos colegas. Parecia que, as crianças conheciam as músicas pois cantavam sem dificuldades. Em seguida, por sugestão da professora EI 6, as crianças cantavam várias músicas, uma após outra, com a intenção, assim entendemos, de mostrar à pesquisadora o repertório já adquirido.
Numa primeira análise diríamos que, embora as crianças cantassem com alegria e entusiasmo, o canto nos pareceu um tanto desvinculado de uma proposta voltada para o aprendizado musical, distante de objetivos específicos para a aquisição desse conhecimento. Entretanto, as crianças pareciam já dominar um repertório amplo, o que nos sugere uma prática cotidiana e sistemática.
Além dessa atividade inicial, que fazia parte do cotidiano da sala de aula, acompanhamos, também, o momento em que crianças e a professora EI 6, se dirigiam ao quarto andar. Mas, para saírem da sala de aula, as crianças formavam uma fila, como um trenzinho e a professora dizia: “Eu vou andar de trem!” E, assim, caminhando em fila, cantando a música do trenzinho, entravam no elevador, com ascensorista que as levaria até o parquinho. Na verdade, um grande salão onde havia alguns brinquedos
como, por exemplo, casinha de boneca, escorregador, entre outros. Outras turmas se agregavam à turma da professora EI 6 e, numa grande algazarra, muitas crianças se divertiam. Presenciamos o encontro de até seis turmas, ocupando o mesmo tempo e espaço.
Segundo a professora dessa turma, o uso do parquinho era compartilhado pelas crianças quando chovia, e nesse caso não podiam usar o pátio externo, ou quando não havia aula especializada. A propósito, o colégio oferecia aulas de Formação Humana e Cristã, Informática, Biblioteca, Educação Física, Filosofia, Artes e Música, em horários distintos, compondo, dessa forma, o currículo da educação infantil.
Feito esse recorte, passados trinta minutos aproximadamente, todos retornavam às salas de aula e, novamente, cantando a música do trenzinho. Daí, uma atividade era proposta para as crianças. A professora espalhava sobre a mesa sobras de papel, de diversas cores e tamanhos, várias tigelas com cola branca e entregava uma folha em branco para cada criança, com o nome da criança escrito no verso da folha. Essa atividade, segundo a professora EI 6, “não estava no planejamento. Mas a turma, hoje, está muito agitada. É pra dar uma calmada.”
Assim, as crianças colavam papéis, cada qual à sua maneira, de acordo com sua imaginação e criatividade demonstrando apreciar a atividade. Ao terminarem, saíam da sala para lavar as mãos, pois, em seguida, se preparariam para a hora do lanche. Nesse vai e vem, nesse entra e sai, a professora cantava, algumas crianças a acompanhavam, outras não. Antes da merenda, havia a oração. Depois dela, novamente a rodinha; a professora cantando, e as crianças também.
Essa professora, como tantas outras, não recebia orientação específica da coordenação, com relação à prática musical a ser desenvolvida na sala de aula. Curiosamente, era ela quem informava à coordenação sua proposta semanal de trabalho, nela inserida a música. Mesmo não possuindo conhecimento específico na área, é importante frisar que ela se esforçava no sentido de inserir a música dentro do contexto da sala de aula. A propósito, mostrou-nos uma pasta na qual estavam registradas as letras de todas as músicas cantadas pelas crianças no seu dia a dia escolar. Numa folha ao lado havia um desenho feito pela criança, referente à letra da música em questão. Cada criança possui sua pasta. E, uma vez por semana, essa pasta é levada para casa para que os pais possam cantar com seus filhos as músicas aprendidas na escola.
Ora, que significado poderia ter para uma criança uma pasta contendo as letras das músicas que compõem o repertório cantado em sala de aula? Parece-nos que, como
material didático, representa muito pouco para uma criança de três anos de idade. Nessa idade, as crianças ainda não estão alfabetizadas, não poderiam ler para seus pais e, por sua vez, dependeriam da leitura deles para que pudessem se lembrar da melodia da música e, assim, poderem cantar juntos. Por outro lado, entendemos a preocupação e a boa intenção dessa professora em apresentar aos pais das crianças as atividades que desenvolvia com seus filhos no espaço escolar com relação às práticas musicais. Eis o comentário dela a esse respeito: “a gente manda aquele livrinho para casa, que é o livrinho com as músicas e, então, tem todo esse contato, casa/escola.” Dessa forma, “eles (os pais) sabem o que a gente está dando e eles cantam em casa.” Ainda, de acordo com ela, “houve retorno, desde o início do ano, de pai, de mãe, de me falar aqui na portaria da escola: Nossa! Ele tá cantando tal música, que música é essa? Pedir pra gente ensinar o ritmo...” Por fim, para ela, “isso é satisfatório pra gente, porque tem o retorno em casa, porque se fosse só aqui, sinal de que foi significativo para eles.”
Certo é que tanto as atividades realizadas num ambiente mais restrito como o de sala de aula, quanto as que presenciamos no parquinho mostraram-nos seu caráter de divertimento, de recreação. Isso nos revela a ênfase no aspecto de entretenimento expresso nas propostas de atividades musicais apresentadas pela professora EI 6. Ela distancia-se, desse modo, de uma prática objetiva e desafiadora não fazendo uso de experiências e recursos trazidos pelas crianças. Em consequência, aumentam-se os desafios postos no coletivo da sala de aula e condições reais para a construção de um novo conhecimento são desconsideradas.
Ainda nessa escola, além de observar a turma de Maternal III, sob a regência da professora EI 6, acompanhamos as aulas especializadas de música. Estivemos presentes na escola durante o período/dia em que a professora de música cumpria sua carga horária semanal com as turmas da educação infantil.
Desse modo, na sala reservada para as aulas de música, acompanhamos várias turmas do maternal. Cada aula tinha duração de trinta minutos, mas, na verdade, não passava de quinze a vinte minutos. Perde-se bom tempo da aula não só com a entrada e saída das crianças conduzidas pela educadora infantil, como também pela dispersão inicial, própria da idade, o que dificultava o posicionamento das crianças em círculo, assentadas no chão, para que a aula se iniciasse.
Isso posto, na Escola Cai, Cai Balão, as aulas de música, ministradas pelo professor PM 1, desenvolviam-se de modo descontraído, embora tal descontração, pudesse ser confundida, algumas vezes, com dispersão ou desordem. Conforme
presenciamos, tal situação se devia, principalmente, ao número excessivo de crianças (vinte e cinco, em média), por turma. Entretanto, o professor PM 1 apresentava tranquilidade perante as crianças, propondo atividades e canções coerentes com a faixa etária delas, buscando, dentro do possível, a concentração das crianças para as atividades planejadas.
Entretanto, consciente dessa situação, ele procurava envolvê-las no trabalho levando-as a ter interesse e prazer pelo fazer musical. O que, de certa forma, dificultava seu trabalho era controlar todas as crianças.
Como em experiências anteriores, observando apenas, por apenas alguns instantes, qualquer criança, verificamos o quanto ela gosta de cantar e de se movimentar. Mas, apesar das dificuldades do trabalho com número elevado de crianças, podemos dizer que as atividades propostas pelo professor PM 1 eram mais adequadas e coerentes com a faixa etária e, portanto, absorvidas pela maioria das crianças. Um repertório variado era apresentado e trabalhado com as crianças. Canções antigas, já conhecidas, eram cantadas com entusiasmo e outras, novas, trazidas por ele, muitas vezes acompanhadas por objetos sonoros, com ou sem o auxílio do aparelho de som, orientavam e movimentavam sua prática.
Vale lembrar que as aulas de música ocorriam sem a presença da educadora infantil responsável pela turma. Segundo a professora EI 6, esse período de tempo, e em todos os outros ocupados pelas aulas especializadas, era destinado à reunião com a coordenadora. Daí, conforme presenciamos, não havia sintonia entre as atividades musicais propostas na sala de aula, cotidianamente, com o trabalho desenvolvido pelo professor de música.
Sendo assim, as atividades musicais do professor PM 1 contrastavam com as da professora regente. Ela, apoiada em um planejamento diário, trazia canções que sobressaíam em momentos predefinidos, indispensáveis ao desenvolvimento e controle da rotina escolar. Melhor dizendo, a música era usada para comandar atitudes, levar à reprodução de gestos e movimentos, sem o cuidado de trabalhar e de ouvir os sons, de explorar a imaginação e a criatividade das crianças.
Por outro lado, apesar das dificuldades de trabalhar com um número excessivo de crianças, sem contar com o apoio da educadora infantil, na organização e no atendimento específico de cada criança, a postura e a intencionalidade do professor PM 1 eram asseguradas pela sua experiência com relação ao trabalho realizado.
Por fim, ressaltamos que as aulas de música constituíam para as crianças um momento significativo e prazeroso. Apesar de não percebermos grande euforia ou exageros em seu canto e movimentos, até pelo contrário, com uma postura séria e tranquila, o professor PM 1 proporcionava um trabalho pedagógico sustentado na unicidade dialética da teoria e da prática, no contato próximo com a criança, fazendo das atividades musicais um momento rico e prazeroso para elas.
Em nosso entendimento, apesar desse professor estar comprometido com os interesses e necessidades das crianças, a sua prática musical era prejudicada pelo excessivo número de crianças em sala, comprometendo a qualidade e resultado do trabalho.
Uma pergunta nos ocorre neste momento: será que a professora EI 6, se pudesse estar presente nas aulas especializadas de música, acompanhando e auxiliando o professor PM 1, não tornaria aquela prática mais viva e mais bem direcionada, possibilitando o enriquecimento da prática cotidiana da aula especializada, ampliando e dando mais sentido ao universo musical das crianças? Até que ponto duas práticas musicais distintas, a cotidiana e rotineira e a especializada, ocorrendo em espaços e tempos distintos, poderiam dar sentido e significado à música, com possibilidades de acesso à linguagem musical?
Com efeito, vimos nessa escola, uma dissociação entre o trabalho realizado em sala de aula pela professora EI 6 e o realizado pelo professor PM 1. No primeiro, o canto objetivava orientar a rotina da classe, com canções que comandavam ações e comportamentos das crianças. Já em suas aulas de música, o professor PM 1 buscava, apesar das dificuldades encontradas, como a dispersão, excessivo número de crianças e reduzida carga horária semanal, desenvolver uma prática musical mais voltada para o contato prazeroso e exploratório das crianças aproveitando as possibilidades sonoras que a música podia lhes oferecer.
Prosseguindo nossa reflexão, não seria mais interessante para a criança a ideia de um trabalho conjunto, entre a educadora infantil e o professor de música, trabalho esse que favorecesse o enriquecimento das práticas musicais cotidianas das crianças, indo além do uso das musiquinhas como material e recurso pedagógico? A escola não poderia contribuir para que a prática musical ocorresse numa perspectiva dialética, entre os dois professores, sem fragmentações e ações individuais, permitindo que a educadora infantil participasse das aulas de música?
Com essas interrogações, partimos para a segunda escola de ensino infantil da Rede Privada de Ensino, objeto desta pesquisa. Trata-se da Escola Samba Lêlê, situada em bairro da Região Sul da capital mineira. E, do mesmo modo que a Escola Cai Cai Balão, essa escola, que funciona em prédio próprio, faz parte de um colégio católico e tradicional, quase centenário, da cidade de Belo Horizonte. A educação e o ensino desse colégio se pautam por oferecer, de acordo com os eixos motivadores da Proposta Pedagógica, uma formação humano-cristã aos seus alunos.
Em contraste com a arquitetura do prédio onde está instalado o colégio, que conserva a mesma estrutura, desde a sua fundação, em 1916, a Escola Samba Lêlê, bem próxima ao colégio, apresenta uma arquitetura moderna, ampla e funcional. Fundada há sessenta anos, essa escola, que recebe crianças de um a cinco anos de idade, para turmas de maternal I, maternal II, maternal III, Infantil I e Infantil II, oferece espaço físico privilegiado e acolhedor.
De fato, quando observamos o seu interior, deparamos com amplas salas de aula, arejadas e bem decoradas, biblioteca, laboratório de informática, sala de jogos, refeitório, pátios com muitos brinquedos, quadra, piscina coberta e aquecida e sala de música. Além do mais, encontramos nessa escola o chamado sistema drive thru22, que permite a entrada e saída dos alunos com segurança, evitando-se, dessa forma, o congestionamento na porta da escola.
A cena da rua, movimentada e ruidosa, ornamentada por edifícios públicos e comerciais, escolas e trânsito intenso, não impede a tranquilidade reinante no interior da escola, nem impõe restrições ou obstáculos a um convívio harmonioso e proveitoso, por parte das crianças e comunidade escolar nela inseridas.
Nosso primeiro contato com essa instituição foi por telefone, através do qual agendamos uma visita com a coordenadora geral da escola. Sem estabelecer qualquer limite ou impor restrições, nossa presença em seu interior transcorreu de maneira tranquila durante todo o período em que lá permanecemos. Assim sendo, partimos para a observação da sala de aula e, mais tarde, para a apreciação do seu Projeto Político Pedagógico, definido por nós como elemento importante para o entendimento e análise das práticas musicais no cotidiano dessa escola e de todas as demais que compõem o universo das escolas pesquisadas e que oferecem a educação infantil.
22 Um drive-thru, ou do termo original norte-americano drive-through, é um tipo de serviço prestado por
uma empresa que permite aos clientes comprar produtos sem sair de seus carros. No caso dessa escola, este sistema permite que os pais entrem com seus carros e deixem seus filhos, com segurança, dentro da escola. Assim, evita-se a formação de fila dupla e o congestionamento na porta da escola.
Desse modo, com liberdade para escolher a turma a ser observada, optamos por acompanhar apenas as aulas de música uma vez que o dia disponível para irmos até essa escola coincidia com o dia dessas aulas.
Como na primeira escola, na Escola Samba Lêlê havia um professor de música. Daí o motivo que nos levou a procurá-la: presença da música inserida no seu cotidiano e desenvolvida por um professor com formação na área.
Se, por um lado, o espaço institucional da escola oferecia condições materiais e ambiente acolhedor para a prática da música, na realidade, encontramos, a nosso ver, uma prática descontextualizada, incapaz de promover atividades musicais que gerassem alegria e prazer e promovessem a aquisição de um novo conhecimento. Além de desprovida de ludicidade e emoção, em meio a choros, dispersões e muita agitação, ficou evidente que as aulas de música não agradavam às crianças, pouco acrescentando ao seu pleno desenvolvimento e aprendizado.
É importante dizer que as aulas de música eram realizadas em sala específica para atividades artísticas. A sala, embora retangular em seu formato, com pouca luminosidade, oferecia espaço suficiente para as práticas musicais, mesmo que estivesse recheada por objetos e móveis, dos quais as crianças não compartilhavam. Ali, havia um piano antigo, encostado em uma das paredes da sala e não utilizado pela professora, um grande espelho do lado oposto ao piano, um armário, posicionado na parede menor, onde se guardavam alguns instrumentos de percussão e outros objetos, como, por exemplo, um teclado. Este, posto bem no centro da sala, sobre um pequeno tablado onde a professora de música se posicionava e passava a maior parte do tempo durante as