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Réalisation de carnets ethnographiques

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A realização deste estudo teve, desde o início, como objetivo principal compreender se os futuros professores da UTAD apresentam conhecimentos algébricos bem definidos e aprofundados, para aplicarem, em contexto de sala de aula, atividades motivantes que estimulem o desenvolvimento do pensamento e do raciocínio algébrico dos seus futuros alunos, sem cometerem erros científicos.

De acordo com N. Silva (2011), alguns professores consideram que os conceitos a ensinar no ensino básico são simples e que para os ensinar é apenas necessário conhecer os conceitos básicos e os procedimentos. Porém, ensinar Matemática não é uma tarefa assim tão simples e implica conhecimentos aprofundados, sobre todos os conteúdos, para dar uma resposta mais adequada às necessidades dos seus alunos.

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Os primeiros questionários foram muito importantes para enriquecer o estudo, permitindo-nos conhecer melhor os futuros professores que nele participaram. Nomeadamente a relação entre o gosto pela matemática, o tipo de experiência que vivenciaram enquanto alunos e se esses aspetos influenciaram o seu desempenho na resolução dos problemas que lhes foram apresentados.

Neste sentido, conclui-se que uma parte dos futuros professores da UTAD não escolheram Educação Básica como 1.ª opção quando se candidataram ao ensino superior e uma parte deles, ainda, afirma que se pudesse mudaria de 1.º Ciclo de Estudos. Este aspeto é preocupante porque ensinar Matemática, ou ser eficaz em qualquer área de ensino, não se trata, unicamente, de competência ou conhecimentos, mas também do gosto por aquilo que se faz, uma vez que este é um elemento essencial para o sucesso (Branco, 2012; N. Silva, 2011).

Também se verifica que um grupo de participantes não gosta de matemática, aspeto que pode estar relacionado com o facto de, enquanto alunos do ensino básico, terem sido sujeitos a um ensino pouco motivante e desinteressante com recurso à exposição de conteúdos. Portanto, e tendo em consideração que os futuros professores tiveram um ensino da Matemática diferente daquele que se ensina atualmente, é essencial proporcionar-lhes, durante a sua formação, experiências mais motivantes e conhecimentos sobre métodos mais eficazes do que a simples exposição de conteúdo (Branco, 2013).

Alguns dos candidatos a educadores ou professores dos primeiros anos de ensino não estudaram Matemática no ensino secundário não apresentando prática nesta área e, muitas vezes, trazem consigo um passado de insucesso na área, revelando dificuldades e atitudes negativas face à Matemática. Estas considerações também se verificam neste grupo de participantes, uma vez que alguns afirmam que a matemática é uma área muito difícil. Também há futuros professores que declaram que os conteúdos matemáticos são pouco importantes para o quotidiano. Por estas razões, se considera a matemática como a área que acarreta mais dificuldades, para os alunos, na sua aprendizagem, uma vez que dificilmente se consegue transmitir aos alunos aquilo que nem os próprios futuros professores sentem (A. Q. Silva et al., 2011).

Uma parte dos participantes deste estudo (32,7%) aponta para a exposição de conteúdos como o método que os seus professores utilizaram durante o seu tempo enquanto alunos. Tendo em conta que as suas experiências podem influenciar a sua atitude, enquanto professor, é importante que lhes sejam proporcionadas, durante a sua formação inicial, experiências que permitam o desenvolvimento do gosto e dos conhecimentos para ensinar (Branco, 2013).

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Muitos são os desafios que se colocam aos futuros professores porque, atualmente, o pensamento algébrico é a base para o trabalho nas escolas e esses não o experimentaram, enquanto alunos do ensino básico (Branco, 2013). Este facto foi possível verificar nos participantes deste estudo, pois a maioria (98,1%, ou seja, 51 em 52) não utilizou o raciocínio algébrico para a resolução dos problemas.

Branco (2013) menciona um estudo realizado por Dooren, Verschaffel e Onghena (2003), em que os autores pretendiam aferir as capacidades que os futuros professores do ensino básico e secundário apresentam na resolução de problemas. Neste sentido, afirmam que os professores do ensino secundário tendem a utilizar a álgebra até para a resolução de problemas aritméticos e os professores do ensino básico utilizam, maioritariamente, métodos aritméticos originando falhas e dificuldades na resolução. Ou seja, os professores dos primeiros anos tendem a resolver situações a um nível elementar, mas apresentam grandes dificuldades em obter soluções de situações de um nível mais avançado, não as abordando de forma superior (Loureiro, 2003).

Outro estudo semelhante foi o de Bernardo, Carotenuto, Mellone e Ribeiro (2017) que contou com a participação de futuros professores de um curso de Educação Matemática numa universidade de Itália. Os autores tinham como objetivo abordar diferentes aspetos do conhecimento dos professores sobre o raciocínio algébrico através da análise de uma tarefa que lhes foi disponibilizada. Os autores através deste estudo constataram que existe uma falta de domínio dos futuros professores do 1.º CEB, relativamente ao raciocínio algébrico. Nesse sentido, concluem que existe a necessidade de ter em atenção, na formação de professores, o desenvolvimento do raciocínio algébrico. Esta falta de conhecimento causa grandes dificuldades, tanto na interpretação do raciocínio não padronizado dos alunos, como em dar- lhes feedbacks construtivos.

O desenvolvimento do pensamento algébrico nos primeiros anos de ensino exige dos professores um conhecimento aprofundado sobre álgebra, sobre as situações em que está envolvida e sobre a forma como se relaciona com os outros temas da Matemática (Branco & Ponte, 2011).

Conforme os resultados apresentados, e tendo em consideração a questão do estudo “Os futuros professores possuem conhecimentos algébricos bem definidos para resolver e implementar tarefas relacionadas com matemagia, em contexto de sala de aula?”, concluímos que os futuros professores, que participaram neste estudo, revelam conhecimentos reduzidos, relativamente a conhecimentos essenciais à prática de um ensino eficaz. Apresentando,

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também, algumas dificuldades em justificar os procedimentos que utilizam na resolução de tarefas.

Nesta conformidade é premente introduzir a álgebra nos cursos de formação inicial de professores, uma vez que será mais difícil desenvolver nos alunos o pensamento algébrico se os próprios futuros professores, perante uma atividade, não conseguem pensar algebricamente. O que se pretende não é que os professores ensinem aos seus alunos a álgebra pura, mas sim que consigam algebrizar uma atividade para mais facilmente a explicarem, colmatando as dificuldades dos seus alunos.

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Capítulo IV - O ensino da Matemática no contexto da

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