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– Questions Orales

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A seguir estabeleceremos uma aplica¸c˜ao do Teorema do Valor M´edio relacionada com fun¸c˜oes Lipschitz. Concluiremos depois dando outros exem- plos de aplica¸c˜oes desse resultado para a obten¸c˜ao de desigualdades.

Teorema 22.8

Seja f : I → R diferenci´avel em todo ponto do intervalo I. Se existe C > 0 tal que |f0(x)| ≤ C para todo x ∈ I, ent˜ao |f(x) − f(y)| ≤ C|x − y|, para

todos x, y∈ I.

Prova: Dados x, y ∈ I, pelo Teorema do Valor M´edio existe ¯x ∈ (x, y) tal que f (x)− f(y) = f0x)(x− y). Logo,

|f(x) − f(y)| ≤ |f0(¯x)||x − y| ≤ C|x − y|,

O Teorema do Valor M´edio

M ´ODULO 2 - AULA 22

j´a que, por hip´otese,|f0x)| ≤ C. 

Exemplos 22.2

1. Como j´a foi dito anteriormente, as fun¸c˜oes trigonom´etricas sen x e cos x satisfazem D sen x = cos x e D cos x = − sen x. Al´em disso vale a rela¸c˜ao fundamental (sen x)2+ (cos x)2 = 1, donde segue que| sen x| ≤

1 e | cos x| ≤ 1. Esses fatos ser˜ao provados rigorosamente em aulas futuras. Do Teorema 22.8 segue que | sen x − sen y| ≤ |x − y| para todos x, y ∈ R. Em particular, tomando x ≥ 0 e y = 0 obtemos

−x ≤ sen x ≤ x para todo x≥ 0.

2. A fun¸c˜ao exponencial f (x) := ex tem derivada f0(x) = ex para todo

x ∈ R. Logo, f0(x) > 1 para x > 0 e 0 < f0(x) < 1 para x < 0. A

partir dessas rela¸c˜oes, provaremos a desigualdade

ex ≥ 1 + x para x∈ R, (22.4) com igualdade ocorrendo se, e somente se, x = 0.

Se x = 0, como e0 = 1, claramente vale a igualdade. Se x > 0,

aplicamos o Teorema do Valor M´edio `a fun¸c˜ao f no intervalo [0, x], o que nos d´a

ex− 1 = ex¯x para algum ¯x∈ (0, x).

Segue da´ı que ex − 1 > x, ou seja, ex > 1 + x se x > 0. Se x < 0,

aplicando o Teorema do Valor M´edio `a fun¸c˜ao f no intervalo [x, 0], de novo obtemos ex > 1 + x. Portanto, temos ex > 1 + x para todo x6= 0.

3. (Desigualdade de Bernoulli) Para qualquer α ∈ R, define-se a fun¸c˜ao f (x) := xα para x > 0 por

:= eα log x.

Usando o fato j´a mencionado, a ser provado em aula futura, de que D log x = 1/x para x > 0, juntamente com a Regra da Cadeia, obtemos

(xα)0 = (eα log x)0 = eα log x· α x

= αeα log xe− log x = αe(α−1) log x = αxα−1,

AN ´ALISE REAL

O Teorema do Valor M´edio

o que estende a f´ormula que hav´ıamos estabelecido anteriormente para α racional. Usando isso provaremos a desigualdade de Bernoulli que estabelece que para todo α > 1 vale

(1 + x)α≥ 1 + αx para todo x >−1, (22.5) com igualdade valendo se, e somente se, x = 0. Observe que para α = 1 vale trivialmente a igualdade para todo x∈ R; por isso esse caso ´e descartado.

Essa desigualdade foi estabelecida anteriormente para α ∈ N, usando Indu¸c˜ao Matem´atica. Vamos estendˆe-la a todo α ∈ R tal que α > 1 usando o Teorema do Valor M´edio.

Se g(x) := (1 + x)α, ent˜ao g0(x) = α(1 + x)α−1. Se x > 0, aplicamos o

Teorema do Valor M´edio a g no intervalo [0, x], obtendo g(x)− g(0) = g0x)x para algum ¯x∈ (0, x), ou seja,

(1 + x)α− 1 = α(1 + ¯x)α−1x.

Como ¯x > 0 e α−1 > 0, segue que (1+ ¯x)α−1 > 1 e portanto (1+x)α >

1 + αx.

Se−1 < x < 0, uma aplica¸c˜ao semelhante do Teorema do Valor M´edio `a fun¸c˜ao g no intervalo [x, 0] nos d´a novamente (1 + x)α > 1 + αx (por

quˆe?).

Como o caso x = 0 resulta em igualdade, conclu´ımos que vale (22.5) com igualdade ocorrendo se, e somente se, x = 0.

4. Se 0 < α < 1, a > 0 e b > 0, ent˜ao vale a desigualdade

aαb1−α ≤ αa + (1 − α)b, (22.6) onde a igualdade vale se, e somente se, a = b. Vamos provar essa afirma¸c˜ao usando o Teorema 22.6. Essa desigualdade pode ser provada tamb´em usando-se a concavidade da fun¸c˜ao logaritmo, que veremos mais tarde.

A desigualdade (22.6) e a afirma¸c˜ao sobre a ocorrˆencia da igualdade ser˜ao obtidas como consequˆencia da afirma¸c˜ao de que vale a desigual- dade

≤ αx + (1 − α) para todo x≥ 0 e 0 < α < 1, (22.7)

O Teorema do Valor M´edio

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valendo a igualdade se, e somente se x = 1, tomando-se x = a/b, a > 0, b > 0 (como?).

Provaremos ent˜ao a desigualdade (22.7) e a afirma¸c˜ao correspondente a validade da igualdade. Consideremos a fun¸c˜ao g(x) = αx− xα, com

x ≥ 0, 0 < α < 1. Temos g0(x) = α(1− xα−1), de modo que g0(x) < 0

para 0 < x < 1 e g0(x) > 0 para x > 1. Segue do Teorema 22.6

(veja tamb´em a Observa¸c˜ao 22.1) que se x ≥ 0, ent˜ao g(x) ≥ g(1) e g(x) = g(1) se, e somente se, x = 1, o que ´e equivalente a desigualdade (22.7) e a afirma¸c˜ao sobre a ocorrˆencia da igualdade (por quˆe?). Exerc´ıcios 22.1

1. Seja I um intervalo e f : I → R diferenci´avel em I. Mostre que se f0

nunca se anula em I, ent˜ao ou f0(x) > 0 para todo x ∈ I ou f0(x) < 0

para todo x ∈ I. [Dica: Use o Teorema de Darboux.]

2. Seja I um intervalo, g : I → R e ¯x ∈ I um ponto interior de I. Mostre que se existem os limites laterais L := lim

x→¯x−g(x) e L+ := limx→¯x+g(x)

e L 6= L+, ent˜ao g n˜ao ´e a derivada de nenhuma fun¸c˜ao f : I → R.

[Dica: Use o Teorema de Darboux.]

3. Para cada uma das seguintes fun¸c˜oes, encontre os pontos de extremo local, os intervalos nos quais a fun¸c˜ao ´e crescente e aqueles nos quais a fun¸c˜ao ´e decrescente.

(a) f (x) := x2− 3x + 5 para x ∈ R. (b) f (x) := x3− 3x − 4 para x ∈ R. (c) f (x) := x4+ 2x2− 4 para x ∈ R. (d) f (x) := x + 1/x para x6= 0. (e) f (x) :=√x− 2√x + 2 para x > 0. (f) f (x) := 2x + 1/x2 para x6= 0.

4. Sejam a1, a2, . . . , an n´umeros reais e seja f definida em R por

f (x) :=

n

X

i=1

(x− ai)2.

Encontre o ´unico ponto de m´ınimo local para f .

5. Sejam a > b > 0 e n∈ N satisfazendo n ≥ 2. Prove que a1/n − b1/n <

(a− b)1/n. [Dica: Mostre que f (x) := x1/n− (1 − x)1/n ´e decrescente

6. Use o Teorema do Valor M´edio e os fatos j´a mencionados sobre a fun¸c˜ao exponencial para provar a desigualdade

ea− eb ≤ ea(a− b) para todos a, b∈ R.

7. Use o Teorema do Valor M´edio para provar que (x−1)/x < log x < x−1 para x > 1. [Dica: Use o fato de que D log x = 1/x para x > 0.] 8. Seja f : [a, b] → R cont´ınua em [a, b] e diferenci´avel em (a, b). Mostre

que se lim

x→af

0(x) = A, ent˜ao f0(a) existe e ´e igual a A. [Dica: Use a

defini¸c˜ao de f0(a) e o Teorema do Valor M´edio.]

9. Seja I um intervalo e f : I → R diferenci´avel em I. Mostre que se f0 ´e

O Teorema de Taylor

M ´ODULO 2 - AULA 23

Aula 23 – O Teorema de Taylor

Metas da aula:

Estabelecer o Teorema de Taylor e apresentar suas aplica¸c˜oes em aproxima¸c˜oes de fun¸c˜oes, na investiga¸c˜ao de extremos locais e no estudo de fun¸c˜oes convexas.

Objetivos:

Ao final desta aula, vocˆe dever´a ser capaz de:

• Conhecer o significado do Teorema de Taylor e suas aplica¸c˜oes em aproxima¸c˜oes de fun¸c˜oes, na investiga¸c˜ao de extremos locais e no estudo de fun¸c˜oes convexas.

Introdu¸c˜ao

Se I ´e um intervalo de R e f : I → R ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel em todos os pontos de I, ent˜ao temos definida em I a fun¸c˜ao f0 : I → R,

derivada (primeira) de f . Se a fun¸c˜ao f0 for diferenci´avel em um ponto

¯

x∈ I, ent˜ao teremos definida a derivada de f0 em ¯x, (f0)0x), que denotamos

simplesmente por f00x) e chamamos a derivada segunda de f em ¯x. Se f0

tamb´em for diferenci´avel em todos os pontos de I, ent˜ao teremos definida a fun¸c˜ao f00 : I → R, derivada segunda de f. Se f00 ´e diferenci´avel num ponto

¯

x ∈ I, ent˜ao existe (f00)0x) que denotamos por f000x) ou f(3)x), chamada

derivada terceira def em ¯x, e se f00´e diferenci´avel em todo ponto de I ent˜ao

teremos definida a fun¸c˜ao f000 : I → R, tamb´em denotada por f(3) e chamada

derivada terceira de f . Desse modo podemos definir a derivada n-´esima da fun¸c˜ao f em ¯x ∈ I, f(n)x), desde que tenhamos definida em todo ponto

de I a derivada (n− 1)-´esima de f, f(n−1), e que esta seja diferenci´avel em

¯

x. Observe que admitimos que ¯x seja um ponto extremo do intervalo I. Observe tamb´em que para que possamos definir f(n)x) basta que tenhamos

f(n−1) definida em (¯x− δ, ¯x + δ) ∩ I para algum δ > 0. A derivada n-´esima

em ¯x, f(n)x), tamb´em ´e chamada derivada de ordem n de f em ¯x.

Se a fun¸c˜ao f tem uma derivada n-´esima num ponto x0, n˜ao ´e dif´ıcil

obter um polinˆomio Pnde grau n tal que Pn(x0) = f (x0) e Pn(k)(x0) = f(k)(x0)

para k = 1, 2, . . . , n. De fato, o polinˆomio

Pn(x) := f (x0) + f0(x0)(x− x0) + f00(x 0) 2! (x− x0) 2 (23.1) +· · · + f (n)(x 0) n! (x− x0) n (23.2)

AN ´ALISE REAL

O Teorema de Taylor

tem a propriedade de que ele e suas derivadas at´e a ordem n no ponto x0

coincidem com a fun¸c˜ao f e suas derivadas at´e a ordem n quando avaliadas nesse mesmo ponto.

Esse polinˆomio Pn ´e chamado o polinˆomio de Taylor de grau n para f

em x0 e seu estudo remonta ao matem´atico inglˆes Brook Taylor (1683–1731),

embora a f´ormula para o resto Rn := f − Pn s´o tenha sido obtida muito

mais tarde por Joseph-Louis Lagrange (1736–1813). A f´ormula ou Teorema de Taylor (com resto de Lagrange) e suas aplica¸c˜oes constituem o tema desta aula que passamos a estudar em detalhes a seguir.

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