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Questionnaire apprenants sur l’autonomie

A relação médico-paciente evolveu em vários países desenvolvidos, especialmente os do Reino Unido, não apenas para a relação equipe de saúde-paciente, mas considera a participação ativa de pacientes para a obtenção do melhor resultado terapêutico que ultrapassa as concepções tradicionais da observância (adesão) terapêutica.

O caminho para que o paciente envolva-se com a sua recuperação ou pelo menos o alívio do sofrimento que resulte em um modo suportável de viver, e a preparação para se morrer com dignidade, no caso das afecções graves, sem possibilidades terapêuticas, é compreender profundamente o sentido da autonomia do paciente, assim expressada por Monte (2014:248):

A autonomia é uma extensão da equidade na qual se associa o respeito às pessoas. Tratando o paciente com o respeito da sua condição humana é possível obter o seu consentimento para atos médicos que incorram sérios riscos, permitirá encontrar opções para curá-los ou amenizar o seu sofrimento, e atender a certas reivindicações válidas formuladas por eles. Poderão ser compreendidas as razões da não aceitação de certas terapûuticas pelos pacientes, pela inobservância desse princípio bioético. A interpretação do que é o respeito à pessoa humana para alguns é o de não prejudicá-la. Outros consideram a sua autonomia pessoal, a autodeterminação, a liberdade, etc [Fried, 1975]. Achamos que o respeito à pessoa quase sempre coincide com o reconhecimento da sua autonomia. Assim, quem tem respeito a uma pessoa aceita a sua autonomia.

A Royal Pharmaceutical Society (2013) certamente levou em conta este respeito quando propôs um documento para ajudar os pacientes a tirar o maior proveito do uso de fármacos. Trata-se de fazer um entrelaçamento das experiências dos pacientes com a escolha de fármacos com base em provas.

Este importante documento representa uma colaboração entre pacientes e profissionais de saúde que cuidam deles. Ele estabelece quatro princípios simples, mas relevantes de uso ótimo de fármacos, que pode produzir uma mudança no uso de fármacos e seus resultados: visam compreender a experiência do paciente, a escolha de fármacos com base em provas, assegura que o uso de fármacos seja tão seguro quanto possível, e torna o uso ótimo de fármacos parte da prática de rotina. Devemos encorajar a todos a adotar esses princípios quer prescrevendo, dispensando, administrando ou tomando fármacos.

Entretanto, o enfoque do uso ótimo de fármacos requererá equipe de trabalho multidisciplinar numa extensão não vista anteriormente. Os profissionais do cuidado da saúde necessitarão atuar juntos do cuidado individual, fazer a monitoria de resultados mais cuidadosamente, revisar os fármacos mais frequentemente e dar apoio aos pacientes quando necessário.

Trata-se agora de se concentrar entre resultados e pacientes, ao invés de processos e sistemas: O uso ótimo de fármacos difere do manejo de fármacos de muitas maneiras, mas o mais importante é focar nos resultados e pacientes do que em processos e sistemas. Esse foco em resultados melhores para os pacientes provavelmente ajuda a garantir que pacientes e o sistema nacional de saúde obtenham mais vantagem do investimento em produtos farmacêuticos.

Melhorar a segurança do paciente, sua observância ao tratamento e reduzir desperdícios é o propósito do sistema de tornar ótimo o uso de fármacos:

Ao melhorar a segurança, a observância ao tratamento e reduzir o desperdício, o enfoque de uso ótimo de fármacos ajudará a garantir que trabalhando juntos nós apoiaremos os pacientes a obter melhores resultados do uso de fármacos.

Reconhece-se a capacidade dos farmacêuticos na liderança da aplicação deste novo enfoque, frisando-se que todos os profissionais devem atuar de modo alinhado:

Farmacêuticos podem exercer liderança e apoiar o uso ótimo de fármacos, mas os princípios necessitam ser aplicados por todos os envolvidos no cuidado do paciente. Tanto quanto informar a prática da linha de frente dos profissionais do cuidado da saúde, os princípios podem ser empregados por aqueles que desenvolvem caminhos e serviços.

Os quatro princípios norteadores do enfoque de tornar ótimo o uso de fármacos são: voltar-se para a compreensão da experiência do paciente; escolha de fármacos com base em provas; assegurar que o uso de fármacos seja tão seguro quanto possível; e tornar o uso ótimo de fármacos parte da rotina prática.

Figura. Resumo dos quatro princípios do uso ótimo de fármacos.

Adaptado de Royal PharmaceuticalSociety (2013).

Por fim, em consonância com o exposto, transcreve-se dois documentos traduzidos:

A prescrição irracional é hábito difícil de curar. No entanto, a prevenção é possível (Khan MI & Ara N, 2011)*

Dez mandamentos para uma nova terapêutica

1. Tratarás de acordo com o grau de risco, em vez do grau do fator de risco.

2. Terás cautela quando acrescentares fármacos a uma terapêutica farmacológica múltipla.

3. Considerarás o benefício de fármacos somente quando estiverem provados por estudos com desfechos consistentes (que levem a resultados quanto à saúde).

4. Não te submeterás diante de desfechos substitutos, pois eles não são mais do que ídolos.

5. Não prestarás culto a metas de tratamento, pois elas não são mais do que criações de comitês de especialistas.

6. Avaliarás com precaução a redução de risco relativo, apesar dos valores de p, uma vez que a população de que provêm pode ter pouca correspondência com a que atendes.

7. Honrarás os números necessários para tratar (NTT), pois neles estão as chaves quanto a informação relevante para os pacientes e os custos do tratamento.

Resultados de melhoria para o paciente

8. Não receberás representantes de empresas farmacêuticas nem comparecerás a encontros científicos em lugares luxuosos.

9. Compartilharás decisões de opções de tratamento com o paciente à luz de estimações de prováveis riscos e benefícios para ele.

10. Distinguirás os pacientes idosos, pois neles existem os maiores graus de riscos e também os maiores perigos de muitos tratamentos.

O texto foi elaborado por John S. Yudkin, professor emérito de Medicina do University College London, que meses antes de sua divulgação tinha recebido a sugestão de Richard Lehmann quanto à palavra idolatria do título: La idolatría a las variables subrogadas

Yudkin JS, Lipska KJ, Montori VM. The idolatry of the surrogate. BMJ. 2011 Dec 28;343 d7995.doi:10.1136/bmj.d7995 Traducido del original por José Mª González Campillejo, disponível em https://dl.dropboxusercontent.com/u/69569298/20120114-Traduc%20Edit%- 2C%20Idolatr%C3%ADa%20var%20subrogadas.Yudkin%2BMontori.v2.pdf

Lehmann deu conhecimento aos “Dez mandamentos para uma nova terapêutica” (The New Therapeutics: Ten Commandements) em http://blogs.bmj.com/bmj/2012/01/03/richard- lehmans-journal-review-3-january-2012/

Versão em espanhol em http://rafabravo.wordpress.com/2012/01/08/diez-mandamientos-para- una-nueva-terapeutica/

* Khan MI, Ara N. Promoting Rational Prescribing Among Medical Practitioners. Bangladesh Med J. 2011 May; 40 (2):6-7.

Tradução de José Ruben de Alcântara Bonfim

Decálogo sobre o uso seguro de fármacos

1. Mantenha em dia seu conhecimento sobre terapêutica, especialmente no que diz respeito a doenças que seus pacientes apresentam com maior frequência;

2. Antes de prescrever, assegure-se de ter toda a informação que necessite saber sobre o paciente incluindo comorbidades e alergias;

3. Antes de prescrever, assegure-se de ter toda a informação que seja necessária sobre o fármaco que você escolherá, incluindo possíveis reações adversas e interações farmacológicas;

4. Às vezes, o risco relacionado ao fármaco que você prescreverá é maior que possíveis benefícios, portanto, antes de agir, reflita: é realmente indispensável prescrever este fármaco?

5. Procure conhecer as advertências oferecidas por um sistema de prescrição eletrônica; se isso não é feito, não é possível inteirar-se de alergias a fármacos ou da existência de interações clinicamente relevantes [a quase totalidade das prescrições no Brasil não é feita de modo eletrônico, mas é preciso consultar fontes confiáveis de informação sobre tratamentos farmacológicos agora disponíveis no Portal Saúde baseada em evidências, disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/periodicos

6. Reveja as prescrições, antes de assiná-las, para identificar possíveis erros;

7. Envolva os pacientes nas decisões relacionadas com seus respectivos tratamentos e dê a informação que necessitam para a administração correta de produtos farmacêuticos, para que possam reconhecer as reações adversas caso se apresentem e que saibam quando devem retornar ao médico para o acompanhamento e/ou revisão do tratamento;

8. Assegure-se que o paciente realizará os exames de complemento necessários ao acompanhamento da efetividade e segurança do tratamento farmacológico e que os exames sejam realizados com técnicas e intervalos adequados;

9. Assegure-se que, ao renovar a prescrição, não seja feita de modo automático, e sim que seja realizada conscientemente, tendo em mente todas as advertências de segurança;

10. Procure ter boa comunicação entre diferentes médicos que tratam o paciente no que diz respeito às prescrições farmacológicas dele, a fim de evitar mal-entendidos ou erros, e assim poder fazer a conciliação dos tratamentos;

Documento original: National Prescribing Centre (NPC). Top tips for GPs. Strategies for safer prescribing. Disponível em: http://www.npc.nhs.uk/evidence/resources/10_top_tips_for_gps. pdf

Fonte: Calvo C. La sencillez de los decálogos sobre el uso seguro de medicamentos. Disponível em: http://www.hemosleido.es/2011/06/28/la-sencillez-de-los-decalogos-sobre-el- uso-seguro-de-medicamentos/

7. ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO DAS RELAÇÕES DE

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