Sheyla Gomes Pereira de Almeida Rita de Cássia Girão de Alencar5*
O
hábito de banhar-se acompanha o homem desde os seus primórdios. A água sempre esteve vinculada à simbolo- gia da purificação, os povos da antiguidade praticavam o banho com o intuito de purificar a alma. A Idade Média foi marcada por um péssimo cuidado com a higiene pessoal, havendo inclusive a proibição de banhos por ser considerado um ato pecaminoso, uma vez que as pessoas deixavam seus corpos desnudos publica- mente. Nesse período a humanidade vivenciou as grandes pestes, em grande medida, consequência da ausência da higienização do corpo. Somente a partir do século XIX, após as descobertas de Pas- teur relativas aos microrganismos e sua relação com a saúde, o ba- nho passa novamente a ser uma prática rotineira (ASHENBURG,2008). As rotinas para a higiene variam de pessoa para pessoa, razão pela qual se deve ter muito tato na abordagem junto ao pa- ciente; é necessário orientá-lo quanto aos bons hábitos de higiene, com cuidado para não causar constrangimento. No nosso país a prática de muitos banhos ao dia tem suas raízes no nativo e não no colonizador, pois os índios gostam muito de se banhar e deixaram essa boa prática para o povo brasileiro.
Quando na vigência de estado de doença, a higiene torna- se, por vezes, dificultosa uma vez que é comum a ocorrência de limitações devido à própria doença. Também é comum crianças e idosos rejeitarem a higienização corporal, o que no idoso talvez se justifique devido às limitações de movimentos, que se estabelece com o avanço da idade. O processo de envelhecimento determina diversas alterações no organismo; a capacidade de defesa também fica diminuída devido ao comprometimento do sistema imunoló- gico, tornando a pessoa idosa mais susceptível às infecções, daí a importância da higiene para esse grupo de pessoas.
A higiene corporal é imprescindível para a manutenção da saúde e consiste na limpeza da pele, da cavidade oral, do couro cabeludo e cabelos, da genitália e demais regiões de maior acúmu- lo de excreções corporais. Deve ser feita, preferencialmente, no chuveiro; para os casos de pessoas acamadas, a higiene corporal é realizada através do banho no leito, o qual também é útil para o exame das condições da pele, das regiões de protuberâncias ósseas devido à propensão às lesões por pressão e também para estimu- lação corporal, pois os movimentos realizados durante o banho e
as massagens de conforto aplicadas, promovem a ativação da cir- culação sanguínea e mobilização das secreções brônquicas. É um momento oportuno para a interação, escuta e orientação ao en- fermo e/ou familiares e acompanhantes, de forma a propiciar um relacionamento terapêutico também durante a higiene (TAYLOR; LILLIS; LEMONE, 2007).
1 HIGIENE ORAL
A manutenção da cavidade oral limpa tem como finalidades a conservação da boca livre de resíduos alimentares, remoção de partículas de alimentos, evitar halitose, manter a integridade da mucosa oral e estimular a circulação das gengivas, proporcionar conforto e bem-estar, prevenir a cárie dentária e gengivite e mini- mizar a possibilidade de contaminação do trato respiratório infe- rior com a microbioma que habita a cavidade oral.
Algumas ressalvas são importantes para viabilizar o procedi- mento em situações nas quais são necessárias algumas adaptações, quais sejam: quando não for possível a realização de bochechos, pode-se utilizar a sucção da saliva e secreções através da aspiração com equipamento adequado; realizar a higiene oral pela manhã, após as refeições, e a noite; para enfermos graves, inconscientes, febris e com sonda gástrica a indicação é de realizá-la a cada duas horas; verificar a presença de prótese dentária, visto que também precisa ser higienizada, e, em casos da impossibilidade de uso, entregá-la ao responsável ou guardá-la em local adequado, pre-
ferencialmente seca; para a higiene oral em enfermos entubados, providenciar material para troca do cadarço (fixação externa da cânula endotraqueal), o material para aspiração também deve es- tar disponível.
PROCEDIMENTO: Higiene oral
Para a realização da higiene oral inicialmente é necessária a separação e organização do material, seguindo-se a execução do procedimento (FIGUEIRA et al., 2007; POTTER; PERRY, 2009; TAYLOR; LILLIS; LEMONE, 2007).
Material
Escova e creme dental;
Copo com água, cuba rim e fio dental; Solução dentifrícia;
Espátula, compressas de gazes e luvas de procedimento (utilizados para a realização da higiene oral em enfermos dependentes).
Guia para ação
Separar e organizar o material;
Umedecer a cavidade oral e iniciar a escovação dos dentes pela arcada superior, movendo a escova unilateralmente de cima para baixo, no sentido da gengiva para o dente, em sua porção posterior e a seguir a porção anterior; os movimentos circulares também são apropriados. Somente na porção da coroa do dente está indicado o movimento horizontal de idas e vindas.
Realizar a escovação do palato, bochechas e língua;
Finalizar oferecendo água limpa para o enxágue, papel toalha para secar a porção externa da boca;
Guardar o material e reorganizar o ambiente.
2 HIGIENE DO COURO CABELUDO
A manutenção do couro cabeludo e cabelos têm as seguintes finalidades: conservar os cabelos e couro cabeludo limpos; pro- porcionar conforto e bem-estar; estimular a circulação do couro cabeludo; completar a higiene corporal.
PROCEDIMENTO: Higiene do couro cabeludo
Para a realização da limpeza do couro cabeludo e cabelos é necessária inicialmente a separação e organização do material, se- guindo-se a execução do procedimento (FIGUEIRA et al., 2007; POTTER; PERRY, 2009; TAYLOR; LILLIS; LEMONE, 2007).
Material
Xampu e condicionador (opcional);
Jarra com água (certificar-se que a temperatura da água está adequada); Balde; Luvas de procedimentos; Bolas de algodão; Toalha impermeável; Borracha de Kelly; Escova de cabelo e pente.