A palavra hospital possui raízes latinas, vem de hospitalis, que se refere a um convidado, hóspede (LEMOS; ROCHA, 2011). O vocábulo – originalmente associado a um lugar de abrigo e hos- pedagem– assumiu diferentes significados ao longo da história e frente ao progresso científico.
1.1 Histórico
Quando as crenças e valores eram utilizados para explicar os fenômenos do mundo, o homem acreditava que as doenças eram causadas por poderes sobrenaturais que precisavam ser apazigua- dos e a capacidade de fazê-lo estava associada ao surgimento de curandeiros e feiticeiros.
Na Grécia Antiga, os doentes eram encaminhados aos sa- cerdotes curadores que serviam nos templos e o tratamento era constituído de banhos e jejum. Na Idade Média, a assistência aos enfermos era dada, inicialmente, dentro dos monastérios e, poste- riormente, o monge-médico-enfermeiro saía para curar os enfer- mos entre a população e no campo (CECÍLIO, 2013).
Nesse sentido, a história da Enfermagem, em sua origem, estava ligada à da religião, pois ambas visavam à defesa do indiví- duo contra as “forças do mal”, aquelas associadas ao surgimento de enfermidades (CECÍLIO, 2013; LEMOS; ROCHA, 2011).
Os hospitais medievais, por exemplo, eram comunidades reli- giosas onde os cuidados estavam a cargo de monges e freiras. Esses espaços funcionavam como abrigos para pobres, peregrinos, viajan- tes, idosos, órfãos e outros. O tratamento dos enfermos era raro e, geralmente, os doentes eram recebidos para o atendimento de suas necessidades corporais e espirituais (RUTHES; CUNHA, 2007).
Na Idade Moderna, na Europa, houve o estabelecimento dos hospitais gerais, uma combinação de hospital e asilo, cuja função era oferecer assistência ao pobre e melhorar a saúde das nações européias. Nesse período estabeleceu-se que os hospitais seriam lugares para tratamento de doentes e centros de estudo e ensino da Medicina (CECÍLIO, 2013; LEMOS; ROCHA, 2011).
O hospital contemporâneo passa a ser local privilegiado para o ensino e a pesquisa. Sua missão, aos poucos, transcende a de cuidar de doentes, assumindo a nova missão de incorporar tecno- logias; no início são artesanais e, no século XX, industrialmente produzidas (CECÍLIO, 2013).
Hoje, compreende-se o hospital enquanto organização com- pleta e complexa, na qual se incorpora o avanço constante dos co- nhecimentos, de aptidões, da tecnologia médica e emprega gran- de número de profissionais oferecendo serviços com alto grau de
especialização (CECÍLIO, 2013). Nesse contexto, o trabalho co- letivo passa a ser fundamental na elaboração de soluções para os problemas de saúde relacionados não apenas ao indivíduo doente, mas também à família e à sociedade.
Respectivamente, a Organização Mundial de Saúde e o Mi- nistério da Saúde definem hospital como:
[...] elemento de uma organização de caráter médico so- cial, cuja função consiste em assegurar assistência médica completa, curativa e preventiva à população e cujos servi- ços externos se irradiam até a célula familiar considerada em seu meio; é um centro de medicina de pesquisa bios- social (OMS, 2000).
[...] parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domi- ciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e pesquisas em saúde, como de encaminhamentos de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente (BRASIL, 2011b).
Podemos, assim, afirmar que o hospital é uma instituição destinada ao tratamento médico, preventivo e curativo da popula- ção, no âmbito biopsicossocial, e, além disso, centro de educação e pesquisa em saúde.
Nesse sentido, são quatro as suas funções: a Restaurativa, a Preventiva, a de Pesquisa e Integração e a Educativa. A primeira
compreende o diagnóstico e o tratamento através de procedimen- tos médicos, cirúrgicos ou especiais, reabilitação física, mental e social e atendimento de urgência. A segunda refere-se às ativida- des de prevenção, como acompanhamento da gravidez e do nasci- mento, desenvolvimento da criança e do adolescente, controle de doenças contagiosas, educação. A terceira consiste participação no desenvolvimento de pesquisas para o progresso da sociedade. A última envolve aspectos do ensino dos profissionais de saúde, vinculado à ideia de hospital de ensino. Representa também a par- ticipação em programas de natureza comunitária e governamen- tais (BRASIL, 2011b; CECÍLIO, 2013).
A Figura 2 esboça as funções que o ambiente hospitalar assu- me nos dias atuais.
Figura 2 – Funções do hospital na atualidade, 2015
Fonte: (BRASIL, 2011b; CECÍLIO, 2013)
Restaurativa
Pesquisa Preventiva
Função restaurativa: compreende o diagnóstico e o trata- mento através de procedimentos médicos, cirúrgicos ou especiais, reabilitação física, mental e social e atendimento de urgência.
Função de pesquisa e integração: participação no desenvolvi- mento de pesquisas para o progresso da sociedade.
Função preventiva: refere-se às atividades de prevenção, como acompanhamento da gravidez e do nascimento, desenvolvimento da criança e do adolescente, controle de doenças contagiosas, edu- cação sanitária, saúde ocupacional, dentre outras.
Função educativa: envolve aspectos do ensino os profissio- nais de saúde, vinculado à ideia de hospital de ensino. Representa também a participação em programas de natureza comunitária e governamentais.
Os hospitais são, geralmente, classificados conforme três cri- térios: o Aspecto Clínico, o Aspecto Administrativo e a Capacida- de de Leitos.
Quanto ao Aspecto Clínico, o hospital pode ser Geral, quan- do atende aos pacientes portadores de doenças de várias especia- lidades médicas, ou Especializado, quando atende aos pacientes portadores de doenças de uma só especialidade médica. Em re- lação ao Aspecto Administrativo, pode ser Governamental e per- tencer à esfera de poder Federal, Estadual ou Municipal, ou Par-
ticular/Privado, com fins lucrativos ou não lucrativos. Já quanto à
49 leitos), Médio porte (de 50 a 149 leitos), Grande porte (de 150 a 500 leitos) e Extra ou especial (acima de 500 leitos).
2 ASPECTOS BÁSICOS DA ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR