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La question culturelle à la base d’une prise de conscience nationale

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Chapitre 4 : La violence : un concept à envisager dans sa globalité

4.1 Un processus de fabrication de la violence au regard des militants basques

4.1.1 La question culturelle à la base d’une prise de conscience nationale

Moisés, à maneira dos feiticeiros egípcios, teria perguntado a Deus como Ele se chamava a fim de tê-lo em seu poder[...]

Jorge Luis Borges

A idéia de que não existe relação entre a palavra e a idéia a que ela se refere foi reforçada pelos estruturalistas. Nas palavras de Saussure (1977, p. 81), “(o) laço que une o significante ao significado é arbitrário ou então, visto que entendemos por signo o total resultante da associação de um significante com um significado, podemos dizer mais simplesmente: o signo lingüístico é arbitrário.” O fato de diferentes línguas usarem diferentes palavras para expressar a mesma idéia comprova essa arbitrariedade, segundo o lingüista suíço. Embora esse seja um ponto acordado entre os diferentes teóricos lingüistas, outra é a situação quando se trata de nomes próprios de pessoa, que são escolhidos de acordo com crenças, desejos e predições de futuro promissor. Como diz Lodge (1998, p. 65), o status dos nomes próprios difere da casualidade da relação entre a palavra e a coisa, e os

nomes das crianças são escolhidos, pelo menos na maioria dos casos, com alguma “intenção semântica”: os pais parecem escolher para seus filhos nomes que tenham carga benfazeja e esperançosa, ou que remetam a alguma idéia que pareça digna de respeito e de admiração.

Essa relação entre o nome escolhido e as características da pessoa se aplica também às personagens da ficção, e pode-se afirmar que em literatura, muitas vezes, os nomes apontam, de alguma maneira, para o modo de ser da personagem, isto é, pode-se encontrar na ficção uma tendência a estabelecer conexão entre o som e o sentido do nome próprio. Para Lodge (1998, p. 65), no romance os nomes nunca são neutros e sempre trazem algum significado, ainda que esse significado seja corriqueiro, e essa afirmativa encontra eco em estudos de outros especialistas.

Pode-se ver desde Platão a atenção que o assunto merece, pois com Teeteto-Crátilo, em reflexão sobre a linguagem, o pensador põe em discussão duas teses sobre a natureza dos nomes: a convencionalista, de Hermógenes, para quem os nomes são mera convenção, ou seja, os nomes não se baseiem em outra coisa que não a “convenção e acordo”; e a naturalista, de Crátilo, para quem os nomes são atribuídos segundo sua natureza: “cada coisa tem por natureza, um nome apropriado e que não se trata da denominação que alguns homens convencionaram dar-lhes...” (PLATÃO, 2001, 383 a). A dificuldade em estabelecer-lhes realmente o caráter está em que os nomes têm certa justeza, mas nem todos são exatos, o que não permite conclusão definitiva e leva Platão a declarar que as duas teses apresentam falhas.

Em “Historia dos ecos de um nome”, (BORGES, 1972, p. 142) fala da importância que os homens primitivos atribuíam ao nome pois, segundo as palavras do escritor argentino, “... para o pensamento mágico, ou primitivo, os nomes não são

símbolos arbitrário, e sim parte vital daquilo que definem.” O escritor mostra ainda que em algumas comunidades, como a dos aborígines australianos e dos antigos egípcios, os nomes verdadeiros eram mantidos em segredo para que seu poder fosse conservado. Trata-se de evitar o risco de que, ao dominar o nome de alguém, o outro domine também o ser por ele nomeado. O autor exemplifica com a tentativa de Moisés que, no terceiro capítulo do segundo livro de Moisés, “teria perguntado a Deus como Ele se chamava a fim de tê-lo em seu poder” (BORGES, 1972, p. 143).

Também em Cunha (1984, p. 115) encontram-se referências ao valor sagrado que o nome das pessoas ostenta nas sociedades ditas primitivas, para as quais “nomear alguém é tocar-lhe na própria personalidade”. Do mesmo modo, entre os místicos orientais o nome se reveste de poderes especiais e possui caráter mágico, conectando-se à personalidade daquele que nomeia. A relação entre a onomástica e a poesia é também lembrada pelo crítico, para quem os nomes das personagens compõem a literariedade do texto, formando com os demais elementos as condições para a produção de significado.

Se o nome da personagem contribui para a caracterização de um texto literário como tal, sua escolha não pode ser aleatória e deve, ao lado do aspecto estético, cumprir outras finalidades, como a de permitir que o leitor faça previsões e inferências sobre a trajetória que tal personagem irá seguir. Segundo Reuter (2002, p.102), o nome serve para diferenciar a personagem, para identificá-la pois, antes de mais nada, ele lhe “dá vida” e como na vida real “fundamenta a sua identidade” e é “de algum modo a unidade de base da personagem, aquilo que a sintetiza de maneira global e constante. Identifica a personagem e a distingue das outras”. Para esse autor pelo nome aproximam-se as qualidades, defeitos, escolhas, possibilidades das personagens e “cada menção ao seu nome equivale a lembrar o

conjunto de suas características”. Ainda segundo Reuter (2002, p. 102), pelo nome podem-se identificar algumas características, tais como a época, área geográfico- cultural, gênero literário, além de distinguir grupos de personagens por idade, situação financeira e outras particularidades. Os nomes mudam de acordo com o tempo. Nomes que se usavam em um século não se usam em outro, a não ser que haja nessa preferência uma intenção declarada ou implícita de identificar a personagem como anacrônica em algum de seus aspectos. Quanto à área geográfico-cultural, a escolha do nome das personagens será determinada pelo fato de que pertençam a áreas urbanas ou rurais, que sejam tradicionais ou mais afetadas por influências externas, que façam parte de comunidades fechadas como grupos indígenas, por exemplo. Pobres e ricos, nobres e plebeus, jovens e idosos têm nomes que respondem a suas especificidades e é comum, na vida real, ouvirem-se comentários tais como: essa criança tem nome de gente idosa, esse nome é muito pesado para uma criança tão pequena, ou que se estranhe que pessoas com sobrenomes muito comum tenham em contraposição um nome raro, que não responda portanto a nossa expectativa diante de uma situação determinada. O gênero a que a obra está vinculada também é determinante na escolha dos nomes: há nomes históricos, nomes que caracterizam heróis e antagonistas de romances de capa e espada, nomes inventados para ajudar a cumprir a meta de divertir nas comédias e os “nomes surpreendentes das histórias de ficção científica” (REUTER, 2002, p. 102).

Cito um exemplo mais que corrobora a importância do nome na ficção: em “Realismo e forma romanesca”, Watt (1984) fala da individualização como marca do romance moderno, o produzido a partir do século XVIII. Esse autor aponta o nome como forma de representar individualmente uma personagem:

[...] no romance, a grande preocupação de individualizar o personagem é em si mesmo uma questão tão vasta que iremos considerá-la apenas num dos seus aspectos mais fáceis: a forma típica como um romancista anuncia sua intenção de representar um personagem como um individuo em especial, atribuindo-lhe um nome, exatamente como acontece a uma pessoa na vida corrente” (WATT, 1984, p. 26).

Os fragmentos tomados de alguns textos de Pardo Bazán indicam que ela usava os nomes como maneira de dar traços de distinção para suas criaturas, o que se pode comprovar no seu cuidado em justificar ou explicar suas escolhas. Pode-se verificar que, ao lado das escolhas cuidadosas que demonstram a importância dada ao nome de batismo e em alguns casos também o sobrenome das personagens, Pardo Bazán procurava alertar o leitor para o significado dessas escolhas.

Sem tentar compor um quadro exaustivo do assunto, apontam-se algumas ocorrências que servem de amostra, como no conto “La deixada”, publicado no jornal El Imparcial, 6 de mayo 1918, compilado no livro Cuentos de la tierra, publicação póstuma de 1922. Nesse texto o título é também o não-nome da protagonista, “que así la llamaban, perdido totalmente el nombre de pila”. A importância que nesse caso é motivada pela ausência do nome, pois a não nomeação indica a não-existência, o não-papel, a ausência de representatividade social, enfim, o apagamento como pessoa. A única informação franqueada é a de que se trata de uma mulher doente e afastada de todos, sobre a qual nada se sabe: “Nadie hubiese podido decir tampoco de qué banda era la Deixada; nadie conocía los elementos de su historia. ¿Casada? ¿Viuda? ¿Madre? ¡Bah! Un despojo.” De um religioso que consegue aproximar-se dela tem-se mais informação negativa: “La Deixada, como casi no tenía voz […]” (PARDO BAZÁN, 2004a). O vocábulo resumidor –– despojo –– corrobora a insignificância daquele ser, já que, segundo o Dicionário da RAE, a palavra remete a “Vientre, asadura, cabeza y manos da las

reses muertas” [ventre, fressura, cabeça e patas das reses mortas] e em sentido figurado a “Lo que se ha perdido por el tiempo, por la muerte u otros accidentes” [o que se perdeu pelo tempo, pela morte ou por outros acidentes]. O conjunto de elementos lingüísticos destinados a identificar a mulher só servem para negar a sua representatividade de ser humano.

No conto Memento, publicado pela primeira vez também em El Imparcial, de 20 abril 1896 e compilado em Cuentos de amor (1898), encontra-se, mais uma vez, a comprovação de que a contista corunhesa escolhia alguns nomes com intenção semântica determinada, como no caso da personagem Candidita. O narrador, no papel de ouvinte, conhece a história contada pelo relator que a viveu. Esse relator, chamado El doctor, recorda as reuniões das quais participava quando era estudante junto a quatro senhoras idosas, Gabriela, tia do doctor, Candidita, Aparición, e Peregrina, amigas da velha tia. A descrição dessas mulheres é bastante detalhada, conhecemos a personalidade de cada uma, a maior ou menor preocupação com a toalete, as condições físicas em que se encontram, as alegrias que as animam diante da presença do jovem amigo e das leituras de versos e romances românticos com que ele as distraía. Embora as quatro mulheres sejam objeto das lembranças do relator, é Candidita a que ocupa sua maior atenção. Por ele somos informados de que ela era a que tinha menos idade e que não nunca tinha sido bonita: “De las solteronas, Candidita era la más joven, pues no había cumplido los sesenta y tres. Según las crónicas de los remotos días en que Candidita lozaneaba, jamás descolló por su belleza.” Detalhes do aspecto físico pouco atraente são adicionados à descrição da senhora, que era favorecida por seu comportamento angelical: “Siempre tuvo el ojo izquierdo algo caído y las espaldas encorvadas en demasía. Lo que en ella pudo agradar fue su seráfica condición” (PARDO BAZÁN, 2004a).

Mas é principalmente pelo nome que Candidita se destaca das outras senhoras; embora todas sejam identificadas por nomes que remetem a sentido religioso ou místico, apenas Candidita tem as características de sua personalidade relacionadas à denominação com que é batizada: “Poseía Candidita en relación con su nombre de pila, alta dosis de credulidad y buena fe. Cuanta paparrucha inverosímil se me antojase inventar, la tragaba Candidita sin esfuerzo”. Mas a credulidade da senhora estava condicionada a inventos ou informações relacionadas a coisas boas ou agradáveis, pois ela se negava a dar crédito a notícias que supusessem a quebra de sua crença num mundo bom e inocente: “[...] en cambio, no había quién la convenciese de la realidad de picardía ninguna. Su alma rechazaba la maledicencia como se rechaza un elemento extraño, de imposible asimilación” (PARDO BAZÁN, 2004a). O significado atribuído pelo relator do conto

Memento, ao nome Candidita é corroborado pelas informações contidas no

Nombres de Pila españoles, de García Gallarín (1998), onde se lê que Candida, Candidita, é nome originado do latim candĭdus, significa branco, luminoso, e se refere a pessoa sem malícia. No Dicionário onomástico de José Pedro Machado (1993) encontram-se as acepções “claro, franco, leal, inocente, ingênuo” relacionadas ao nome em questão.

No conto Antiguamente, cuja primeira aparição se registra na revista La Ilustración Española y Americana, em 1913, e que está retomado no livro Cuentos de la tierra (1922), o narrador, no papel de ouvinte, escuta o relato feito por Ramiro Villar, acerca de um episódio que envolve a falta de caráter de um serviçal de sua família. O fato lhe dá oportunidade de refletir sobre a honra dos homens: “Lo que se suele decir de la honradez de otros tiempos y de la lealtad de otros tiempos, y del buen servicio de otros tiempos [...] tiene sus más y sus menos...” (PARDO BAZÁN,

2004a). O empregado Froilán Mochuelo foi encarregado pelo avô do relator de buscar os barris de ouro em pó que, segundo a lenda do lugar, haviam sido deixados na casa por um antepassado. Quando encontrou o ouro, Froilán foi embora com a preciosa carga, com bastante facilidade, uma vez que gozava da confiança de seu patrão.

Na apresentação do rapaz, Ramiro adverte seus ouvintes/leitores de acontecimentos notáveis, atribuindo ao nome Froilán Mochuelo algum tipo de sortilégio: “¿Les hace gracia el nombre? Los nombres, amigos, son una cosa muy significativa. Yo encuentro algunos que retratan a las personas. ¡Froilán Mochuelo!” E aguça a curiosidade do leitor: ¿No encuentran ustedes algo de especial, de significativo en esta manera de llamarse? Puede que ahora no; pero esperen el fin de la historia” (PARDO BAZÁN, 2004a). A descrição de Froilán mostra um jovem sério, honesto e piedoso:

Como si fuese poco, a veces se iba a rezar solito, y, desde la tribuna, mi abuelo le veía prosternarse y besar el suelo, o pasarse las horas muertas de rodillas y con los brazos en cruz. En la aldea le llamaron el santiño. Jamás se encolerizaba; jamás incurría en falta, ni más leve, ni de respeto, ni de probidad (PARDO BAZÁN, 2004a).

A atitude correta e confiável acabou por conquistar totalmente a confiança do patrão: “Y, poco a poco, mi abuelo fue tomándole un cariño desmedido. No hablaba más que de Froilán. Froilán era sus pies, sus manos, su brazo derecho” (PARDO BAZÁN, 2004a). Quando ficou sabendo da traição do empregado, o patrão foi esmorecendo e, segundo o neto Ramiro, “tardó poco en morir, a los treinta y seis años.” A dissimulação de Mochuelo é a causa da indignação do relator, que declara detestar os hipócritas.

O nome Froilán, de origem germânica Froilanen; deriva de Frauji que significa "Senhor" e de land que significa "terra", portanto, "Aquele senhor das

tierras", segundo Faure, no Diccionario de nombres (2002). Nesse dicionário não se aponta qualquer significação que corrobore a trajetória da personagem em questão. Isso nos leva ao sobrenome Mochuelo, que remete à ave de rapina noturna, que se alimenta normalmente de roedores e répteis. No sentido figurado e familiar significa assunto ou trabalho difícil ou incômodo, usado nas frases cargar con el mochuelo ou tocarle a uno el mochuelo (Diccionario RAE). O patrão de Froilán o encarregou de um trabalho que não encomendaria a nenhuma outra pessoa e, portanto, ao rapaz caberia cargar con el mochuelo, isto é, fazer o trabalho difícil, o que poderia justificar sua identificação. A hipótese mais convincente, no entanto, parece ser a de que o empregado, aparentemente suave e de confiança, era, na verdade, uma ave de rapina e na primeira oportunidade que teve destroçou outro ser vivo, como faz a ave que lhe deu nome/sobrenome.

Ainda que as narrativas longas não sejam o objetivo do trabalho, parece-me adequado tomar como exemplo do significado dos nomes o romance Doña Milagros, escrito em 1894, dada a importância que os antropônimos adquirem nessa obra. O titulo, contendo o nome de uma personagem, segue uma prática em voga na época, como se pode ver em Anna Karenina, de Tolstoi; Pepita Jiménez, Doña Luz, Juanita la larga, de Juan Valera; O crime do Padre Amaro, O primo Basílio, de Eça de Queirós; Helena, Iaiá Garcia, Quincas Borba, Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; Madame Bovary, de Flaubert; Tristana e Fortunata y Jacinta, de Galdós, para citar uns poucos romances. Em outras obras de Pardo Bazán o nome de personagem aparece no titulo, como nos romances Pascual López (Autobiografia de un estudiante de medicina), El tesoro de Gastón, e nos contos

Leliña, Dalinda, Piña, La señorita Aglae, La salvación de Don Carmelo, La cabellera de Laura, Sor Aparición, Afra, La novela de Raimundo, Martina, La

religión de Gonzalo, Miguel y Jorge, La penitencia de Dora, Saletita, Adriana, El voto de Rosiña, e John. A lista de obras encabeçadas por nome próprio de

pessoa é breve diante do mundo de títulos da autora, mas demonstra o acompanhamento de uma certa moda.

No romance Doña Milagros constata-se a preocupação de explorar a relação provável entre a escolha do nome e a trajetória destinada pelo autor à personagem em várias de suas criaturas, começando pelo narrador. De caráter autodiegético, o narrador Benicio se encarrega de contar sua própria história e abre a narrativa com a sua auto-apresentação. Ironicamente, Benicio declara que seu sobrenome remete a um lugar cheio de dignidade e de fama, que se caracteriza pela produção de aves castradas: “En la pila bautismal me pusieron el nombre de Benicio. Por el lado paterno llevé el apellido de los Neiras de Villalba, pueblo digno de eterno renombre, donde se ceban los más suculentos capones de la Península española.” A seguir informa que o brasão e as armas da família paterna, os quais ele chama de ninharias heráldicas, têm figuras mais agressivas e perigosas, o que não garante, no entanto, um casamento aristocrático para seu pai: “En el escudo de mi casa solariega, sin embargo, no campean estas aves inofensivas, sino un águila coronada y un par de castillos de sable sobre campo de gules. Tales zarandajas heráldicas no impidieron a mi padre, el mayorazgo, casarse con la hija de un confitero[…]” (PARDO BAZÁN, 2004b). O nome Benicio, variante de Benito, tem origen no latim

Benedictus, que significa “bem nomeado”, “homem bom”. O calendario dos santos

católicos registra um santo de nome Felipe Benicio.

Cercado, no seu dia a dia, por treze mulheres, esse homem tem sérios problemas para enfrentar a vontade de cada uma delas. A vizinha Doña Milagros, a esposa Ilduara, e as filhas, Tula (Gertrudes), Clara, Rosa, Maria Ramona 

apelidada Argos Divina, Constanza, Fé (Feíta), Rosário, Mercedes, Pura, e as gêmeas Maria Remedios e Maria Teresa evidenciam a fragilidade do caráter de Benicio, empenhado em apaziguar o alvoroço criado pelas senhoras. O único filho homem, Froilán, é fraco e inexpressivo.

Milagros – nome de origem cristã, significa maravilha ou prodígio – é a vizinha vista sempre com muito bons olhos pelo narrador, que lhe desculpa todas as falhas, como se pode ver na descrição que dela nos oferece:

Hasta sus defectillos eran de los que prenden y enganchan la voluntad mejor que las perfecciones clásicas. La sombra oscura sobre el labio superior, carnosito y de un rosa algo pálido; el lunar castaño con cerdas rizadas en el carrillo izquierdo; la abultada cadera, las ojeras cárdenas y la voz gruesa y un tanto bronca, no acierto a decir si la desmejoraban, o si, por el contrario, la hacían seductora en grado sumo (PARDO BAZÁN, 2004b).

A esposa Ilduara – que o narrador se encarrega de definir: “Ilduara mía, en quien hasta el nombre revistió carácter de noble severidad, de dignidad austera” é um nome que, embora soe algo estranho, faz parte do mundo religioso espanhol. Santa Ilduara, mãe de São Rosendo, viveu no século X em Orense, onde fundou um mosteiro para o qual se retiraria quando fosse viúva. Era uma mulher nobre, desprendida, fervorosa e santa. Ilduara é nome que remete a Aldara, nome de origem germânica — Aldvara , “insigne em combate”, segundo Machado (1993), no Dicionário onomástico. Ilduara deixa o marido desnorteado, com sua fecundidade espantosa e seu caráter irascível. A mulher toma todas as decisões e o marido se limita a “agachar las orejas y callar” (PARDO BAZÁN, 2004b), uma vez que seus argumentos são totalmente ignorados por ela. As atitudes fortes da esposa não são, como se poderia crer, motivo da admiração do marido; pelo contrário, a personagem se constrói de forma caricaturesca, e o narrador carrega nas tintas, ao mostrá-la como uma mulher tão ciumenta, amarga e dominadora que acaba por envenenar-se

a si mesma com a própria amargura. Sofre um ataque de nervos provocado pela indignação face às intervenções constantes da vizinha Doña Milagros nos assuntos da família:

Ilduara me miró con extraviados ojos, y viniéndose sobre mí... la

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