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Quelques définitions de la précarité de l’emploi

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CHAPITRE I : LES NOUVELLES FORMES D’EMPLOI ET LA PRÉCARITÉ

2.3 La précarité de l'emploi et la notion de stabilité

2.3.2 Quelques définitions de la précarité de l’emploi

É importante demarcar que Marx não chegou a escrever uma obra específica sobre o método dialético, porém esteve mediado nas elaborações que se evidenciam no conjunto de sua obra. O ponto mais alto desta mediação se deu na sua obra considerada a mais importante: O capital. Porém, é na conhecida “Introdução”, datada de 1857, que Marx melhor sistematiza os elementos centrais do método, os quais foram centrais para o estudo da sociedade burguesa que tão bem foi realizado por este autor (NETTO, 2009a). Contudo, é importante demarcar que diversos elementos deste método já estavam presentes em suas obras de juventude.

Ao explicar o método da economia política (2011), Marx inicia sua exposição demarcando que, aparentemente, a melhor forma de entender a economia política de um determinado país é iniciar a análise a partir do real e do concreto, que é o pressuposto efetivo. Com isso, cita como exemplo o início pela população, para o caso da economia política. Em seguida esclarece que, apesar de ser o método tipicamente utilizado pela maioria dos economistas de sua época, há um erro fundante nesta escolha, pois a população por si só é uma categoria resultante de inúmeras determinações, nas palavras dele “é um todo caótico” (MARX, 2011b, p. 54), pois ignora as classes que constituem e que, ao serem ignoradas, tornam esta categoria um termo vazio que não pode ser ainda passível de conceitualização. Para ter acesso a estas determinações, Marx esclarece seu método de análise, que deve primeiro decompor todos os seus elementos chegando a determinações cada vez mais simples. A partir deste ponto, então, fazer a viagem de retorno, voltando novamente à população, não mais como um conceito intuitivo, mas um conceito rico em determinações e relações.

Por isso, se eu começasse pela população, esta seria uma representação caótica do todo e, por meio de uma determinação mais precisa, chegaria analiticamente a conceitos cada vez mais simples; do concreto representado (chegaria) a conceitos abstratos (Abstrakta) cada vez mais finos, até que tivesse chegado às determinações mais simples. Daí teria de dar início à viagem de retorno até que finalmente chegasse de novo à população, mas desta vez não como a representação caótica de um todo, mas como uma rica totalidade de muitas determinações e relações (MARX, 2011b, p. 54).

O movimento do pensamento dialético parte de um concreto intuitivo para o abstrato na análise de um determinado objeto. Nas próprias palavras de Marx, “é intuitivo e representativo” (MARX, 2011b, p 54). Portanto, é imprescindível a negação da sua imediaticidade. Este movimento de negação se aplica ao próprio objeto de análise, qualquer que seja ele expresso no real, que é abstraído e decomposto em seus elementos constitutivos para que, em um novo movimento de abstração, estes elementos sejam unificados no pensamento num processo de síntese e assim elucidando suas relações e sua essência. Netto presta uma contribuição precisa sobre este momento do processo de conhecimento a partir da abstração:

A abstração é a capacidade intelectiva que permite extrair da sua contextualidade determinada (de uma totalidade) um elemento, isolá-lo, examiná-lo; é um procedimento intelectual sem o qual a análise é inviável – aliás, no domínio do estudo da sociedade, o próprio Marx insistiu com força em que a abstração é um recurso indispensável para o pesquisador (NETTO, 2009a, p. 648).

Justamente após o pensar analítico neste processo de abstração, se faz a volta ao concreto, não mais ao mesmo concreto, caracterizado pelo próprio Marx como um todo caótico, mas a um concreto pensado, desmistificado, pois seus elementos determinantes foram dissecados até chegar a determinações mais simples. Os elementos que vem à tona, a partir deste processo, não são partes fragmentadas sem elos de comunicação; são partes constitutivas de uma totalidade dinâmica em infinito processo de devir12. O resultado é a totalidade concreta rica de

sentido e conceitualizada, que, por ser processual, é capturada sempre como totalização provisória.

12“A dialética considera todas as coisas em seu devir” (GADOTTI, 1983, p. 25). Deste conceito, compreende-se a processualidade da vida, da sociedade, da natureza. Tudo acontece e está por acontecer. A infinitude e o inacabado são características intrínsecas à dialética.

No texto “Introdução à Crítica da Economia Política” Marx dá outros exemplos e indicações de seu método. Ao falar de produção, esclarece que se trata não da produção geral, genérica, pois esta seria somente mais um exemplo de abstração: “Mas todas as épocas da produção têm certas características comuns, certas determinações comuns. A produção geral é uma abstração” (MARX, 2003, p. 227). Marx parte da realidade concreta, ou seja, de uma determinada produção em um determinado período histórico: do modo capitalista de produção. Portanto, ao falar de produção, Marx fala da produção em um determinado estágio de desenvolvimento social, considerando todos os fatores que influenciam e determinam a vida social desta época, como também a síntese de trabalho passado acumulado. Ou seja, Marx analisa os processos durante um período de tempo determinado, não processos atemporais e, portanto, sem história.

Retornando ao texto anterior, O método da economia política, Marx conclui que a análise desta sociedade permite também compreender os modos de produção passados, sobre os quais o capitalismo se solidificou. Marx estabelece uma comparação com a evolução da espécie humana:

A anatomia do ser humano é uma chave para a anatomia do macaco. Por outro lado, os indícios de forma superiores nas espécies animais inferiores só podem ser compreendidos quando a própria forma superior já é conhecida. Do mesmo modo, a economia burguesa fornece a chave da economia antiga, etc. (MARX, 2011b, p. 58).

A análise de categorias mais simples, presentes em sociedades anteriores, pode ser explicada a partir do contexto do último modo de produção – o capitalista – pois no capitalismo estas se encontram em um nível superior de desenvolvimento, apresentando fenômenos e determinações antes não desenvolvidas. É na sociedade burguesa, por seu grau superior de desenvolvimento das forças produtivas, que se permite perceber a estrutura e as relações de produção dos modos de produção que a antecederam.

Desse modo, se parte dos dados concretos no presente para que, com isso, sejam retomados os processos sociais passados. Contudo, este retorno ao passado não se caracteriza por uma simples recuperação cronológica, etapista e desconectada. Este movimento de abstração deve considerar os múltiplos determinantes que compõem cada período. O trabalho, como era desenvolvido nos modos de produção anteriores, se desenvolvia de uma forma rudimentar se

comparado com o modo de produção capitalista. A caracterização de como o trabalho se configurava em tempos passados deve compreender as condições históricas que levaram a determinadas formas de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção. E ressalta-se, ao desenvolver o trabalho o homem desenvolve-se no processo, ou seja, a própria humanização compõe esse processo.

Este caráter processual da história, revelada através dos estudos marxianos, resulta ainda na conclusão de que a transformação também é inerente à sociedade. Através das forças produtivas, os homens estabelecem determinadas relações de produção de suas condições de vida em sociedade. Conforme vão se desenvolvendo as forças produtivas, as relações de produção também se modificam. Porém, ao chegar a certo estágio de desenvolvimento, as forças produtivas entram em contradição com as relações de produção, impulsionando a sociedade a uma época de revolução, como aconteceu com os modos de produção anteriores ao capitalismo.

O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência. Em certo estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham movido até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se no seu entrave. Surge então uma época de revolução social (MARX, 2003, p. 5).

Deste modo, é possível concluir que todo e qualquer período histórico passou ou passará por processos de transformação, dissolvendo relações que até então são consideradas permanentes e imutáveis. As condições que levarão a esta mudança se forjarão no seio da própria sociedade capitalista: “(...) nunca relações de produção novas e superiores se lhe substituem antes que as condições materiais de existência destas relações se produzam no próprio seio da velha sociedade” (MARX, 2003, p. 6). A história como categoria de análise deve ser considerada, neste caso, como historicidade, “(...) como reconhecimento da processualidade, do movimento e transformação do homem, da realidade e dos fenômenos sociais” (PRATES, 2000, p. 2), ou seja, a transformação sempre fez parte da história humana e a história deve ser considerada como algo inacabado.

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