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A classificação principia com a observância das semelhanças entre os objetos que se quer classificar. Nisto reside o fundamento da classificação, que são as propriedades que definem o objeto. Porém, a observação é insuficiente e é preciso um passo lógico a mais para avançar até a classificação, qual seja: a comparação. No ato de classificar, a realização de comparações está relacionada aos critérios ou conjunto de critérios considerados para classificar os objetos. São a classificação e a comparação são interdependentes. A respeito dessa relação, Oliveira e Sarduy (1989, p. 13), pontuam:

A determinação dos critérios que declaram a pertença de um objeto a uma classe, implica determinar o comum e o geral (seja ou não essencial) que ele mantém com outros objetos que podem integrar essa mesma classe. Indiscutivelmente, este é um ato de comparação que há pressuposto a análise (a diferenciação de propriedades) e síntese (sua inclusão em um mero referencial comum).

Inquestionavelmente, [...] os objetos que impliquem uma comparação, antes de ser comparado tem que ser colocados em determinadas categoria (classe).

A ação psicológica de classificar pressupõe necessariamente a comparação, que como habilidade lógica exige o conhecimento do objeto pelas suas propriedades necessárias e essenciais, e, para tanto, é necessário identificar. Essa interdependência entre classificação e comparação induz ao condicionamento de outras operações lógicas, como as habilidades de observar, identificar. A comparação é uma habilidade muito importante para a formação de conceitos porque põem em movimento ações mentais de relacionar objetos e fenômenos da realidade.

Por exemplo, em relação à classificação dos organismos vivos, estudada pela sistemática92, encontramos atualmente a classificação dos seres vivos em cinco reinos: plantea ou vegetal, animal, monera, protista e fungos. Os reinos animal e vegetal são objeto de estudo presente no currículo dos anos inicias do ensino fundamental com nível de aprofundamento horizontal e vertical

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A sistemática é a área da biologia que se preocupa em organizar, compreender e classificar os seres vivos. Estuda principalmente a relação da diversidade. A sistemática tem como principais objetivos mostrar a diversidade dentro do gênero, também descrever a biodiversidade, que é a parte da taxonomia, ordenar as espécies e biodiversidade, subjacentes a esta sistemática. Ela está preocupada em construir classes, fazer classificação, sobre as quais poderemos fazer generalizações. Conferir LOPES, Sonia; ROSSO, Sérgio. BIO-Volume Único. 3. Ed. São Paulo:Editora Saraiva, 2013.

apropriado a essa faixa etária escolar. Com base no conceito de seres vivos e nas características das espécies destes dois reinos que destacamos, o que os diferencia? Quais são diferenças e semelhanças que encontramos entre os seres vivos de cada reino? Com base nelas, que grupos se podem formar por aproximação e/ou diferenciação? Que relações existem entre os animais e os vegetais? Quais são as relações tróficas93 que existem entre eles? Qual é o papel dessas relações nas cadeias de alimentação? Como podemos organizar grupos de animais e grupos de vegetais?

Essas e outras questões não só problematiza o(s) conceito(s) relacionado(s) a seres vivos, mas também relacionado ao conceito de classificação a ser formado, a partir da exploração sobre as operações próprias desse procedimento lógico; sem falar que existem outras habilidades ai em jogo, como observação, identificação e comparação.

Carvalho (2016) com base em Jorba (2000) elaborou o quadro que segue:

Quadro7 - Habilidades Cognitivas

Habilidades Cognitivas Conceitos

Classificar É realizar uma operação lógica que consiste em distribuir e organizar objetos, considerando sua pertinência em determinada classe, gênero ou grupo.

Observar Determinar as características do objeto observado os traços dos objetos, fenômenos ou processos com relação aos objetivos. Permite a distinção das qualidades mais evidentes dos objetos Identificar É ter presente as características essências do conceito e

determinar a pertinência ou presença ou não do objeto ou fenômeno que se pretende estudar.

Comparar É uma operação lógica do pensamento a partir da qual se determina as características diferentes ou semelhantes, a com base em critérios previamente determinados, que constituem recursos essenciais entre dois ou mais objetos, processos ou fenômenos.

Fonte: Carvalho, 201694

Libâneo (20016, p.1) com base em Zilberstein, J. T. define habilidades como sendo “um sistema de atividades psíquicas e práticas necessárias para o

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Relações tróficas: Dá-se o nome de cadeia trófica ou cadeia alimentar à sequência linear que se estabelece entre os consumidores, os produtores e os decompositores. Trata-se do conjunto dos tipos de interações entre seres vivos, sejam eles da mesma espécie ou de espécies diferentes. Os seres vivos interagem na busca pela sobrevivência, mesmo que para isso um coloque a sobrevivência do outro em perigo. Conferir Conferir LOPES, Sonia; ROSSO, Sérgio. BIO-Volume Único. 3. Ed. São Paulo:Editora Saraiva, 2013.

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A autora inclui no quadro a habilidade de interpretar, mas a excluímos porque neste quadro a finalidade foi destacar aquela diretamente vinculada à classificação.

domínio consciente da atividade humana, dos conhecimentos e hábitos”. Abrangem formas de pensar e raciocinar, modos de agir, técnicas de aprender. Esta definição está em concordância com a definição de Núñez (2009) explicitada anteriormente. O quadro 6 pode ser ampliado a título de um mapeamento e caracterização das habilidades cognitivas, as gerais e intelectuais, lógicas (Talízina, 2000; Jorba, 2000, Libâneo, 2006),

Quadro 8 - Outras Habilidades Cognitivas HABILIDADES

COGNITIVAS

CARACTERIZAÇÃO

DESCRIÇÃO Deve expressar de forma oral ou escrita, as características do objeto de estudo, dos fenômenos ou processos. Possibilita compreender a relação todo-parte, os traços que os distinguem a partir da identificação das características essenciais e particulares. DEFINIÇÃO Definir é expressar as características essenciais de um objeto, um

acontecimento, fenômeno ou processo. Revela o significado de um objeto. Trata-se de um requisito para se chegar ao pensamento conceitual (isto é, pensar e agir com conceitos), que é o modo de desenvolvimento intelectual mais elevado. O conceito tem maior complexidade do que a definição.

EXPLICAÇÃO Explicar é estabelecer relações entre os objetos, descobrir os nexos, revelar as contradições, as consequências, o porquê (causas), o para quê (importância) ou a origem dos objetos, fenômenos ou processos. Para poder chegar às causas é necessário que se conheçam as características essenciais do objeto de estudo.

ARGUMENTAÇÃO Dar razões para justificar ou refutar uma afirmação, uma ideia. O aluno demonstra com argumentos as razões pelas quais a afirmação é verdadeira ou falsa.

ANÁLISE Analisar é organizar um todo em partes, observar detidamente cada parte e reorganizar as partes num todo. Para isso é preciso saber: fazer diagnósticos, obter dados de várias fontes, analisar dados, relacionar os dados uns com os outros, organizar as informações visando produzir um conhecimento relevante.

VALORAÇÃO Valorar implica identificar as qualidades que conferem um valor a algo. É fazer uma análise crítica confrontando o objeto de estudo com pontos de vista com base em um critério teórico, confrontação do objeto de estudo com pontos de vista a partir de um critério teórico. Para valorar, é necessário estudar os objetos, os nexos, as relaciones. Não se valora cientificamente algo que não se conhece. MODELAÇÃO Modelar permite a abstração das características do objeto de estudo e estabelecer suas relações mediante sua representação por desenhos, esquemas gráficos, maquetes, mostrando as relações essenciais entre os componentes do objeto de estudo. A modelação estimula a projeção de novas ideias em relação ao objeto, favorece a compreensão e a criatividade.

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