2.3. Les enjeux propres à l’illustration photographique
2.3.2. Quelle grammaire de l’image photographique ?
Historicamente, grande parte daqueles que formaram a base da população brasileira foi apresentada a um conhecimento estrangeiro rígido, sem qualquer estí- mulo a interpretação e, por séculos, acessível apenas através da oratória. Isso ca- racteriza a forte influência do uso da retórica e do discurso empolado como ferra- mentas que prenunciam conhecimento por parte da elite, subjugando a grande mas- sa de analfabetos funcionais, incapazes de acessar o conhecimento por via escrita, haja vista sua dificuldade e seu desestímulo. O audiovisual passou a ser um dos meios privilegiados de acesso ao conhecimento do brasileiro médio, superando em muito o hábito de análise do código escrito na leitura. Portanto, é em grande parte devido a sua origem colonial catequizada, que a educação no Brasil esteja ainda hoje fortemente vinculada a seu histórico de cultura audiovisual.
tunidade de rever o desenvolvimento educacional do brasileiro, pois a digitalização da informação possibilita o arquivamento de discursos em sua forma audiovisual. Esta expressão audiovisual, já inerente à cultura do brasileiro, é por ele valorizada e preferida a quaisquer outras, fazendo com que, no Brasil, ela tenha de ser fortemen- te considerada em detrimento a outras formas de prover o conhecimento.
Já a partir do Séc. XIX se descortina a crise na qualidade da educação brasi- leira, por se valorizar demasiadamente a certificação como a via de acesso à pro- gressão na escalada social, mais como um selo de pertencimento a uma elite que um atestado de apropriação de algum conhecimento. Essa via de certificação vem sendo incentivada por governos que buscam cumprir metas internacionais de de- senvolvimento humano, na cômoda busca por resultados apenas quantitativos. Um efeito é a supervalorização do número de certificações, desfavorecendo os princípios básicos de estrutura e organização indispensáveis para a qualidade na educação. Multiplicam-se instituições de ensino cada vez mais flexíveis que buscam o lucro por meio da matrícula do maior número possível de alunos e na rápida distribuição de certificados, com parca orientação e fiscalização do aparelho estatal, motivo e opor- tunidade para não se esmerar pela qualidade de ensino. Assim, o crescimento do acesso ao ensino não é acompanhado de qualidade na formação. Isso pode ser ve- rificado pelo preocupante elevado índice de analfabetismo funcional entre pessoas detentoras de altos níveis de certificação pelo sistema formal de educação.
As causas da crise na educação são atribuídas frequentemente à inércia dos sistemas de ensino em uma grande resistência típica para qualquer mudança tecno- lógica ou social radical. Assim, a educação ficaria para trás com o aumento constan- te do abismo entre a crescente demanda educacional e a decrescente eficiência dos sistemas de educação convencional. Desde o final do século XX, estudos mostram que a qualidade da educação da América Latina vem piorando em relação ao resto do mundo. Nessa região, muitas crianças que tinham acesso à educação deixaram a escola devido a baixa qualidade educacional ou por não perceberem na educação a chave para seu sucesso social (UNESCO 2005, p. 81). Se o preparo de um povo pode ser o prenúncio de seu futuro, a excelência e a universalização da educação têm de ser inseparáveis para um real cumprimento de metas em prol do desenvolvi- mento humano. Mais do que a criação e revisão das instituições, no Brasil se deve adequar sua vocação ao seu desenvolvimento, investigando novas formas de se
prover educação geral para seu povo em um novo contexto audiovisual digital que se descortina.
Em muitos países em desenvolvimento, não só o progresso em educação es- tá reduzindo a sua dinâmica, mas a desigualdade de acesso à educação de qualida- de está particularmente aguda. O desenvolvimento dessas nações é diretamente afetado por disparidades de formação que persistem dentro de algumas regiões ou mesmo entre países. A escola, no exercício de suas funções, está cada vez mais desacreditada aos olhos do público e dos próprios governos, já que não é mais con- siderada como um investimento que garanta o futuro de todos. Hoje, a instituição escolar parece menos capaz de promover a igualdade e de completar sua missão de promoção social e redistribuição das potencialidades humanas. Em seu processo de isenção em favor ao mercado educacional, o poder público determina baixos níveis de investimento na educação pública, trazendo mais desigualdades e o ciclo de de- cadência se agrava cada vez mais. Daí advém a constatação da emergência de for- mas alternativas de difusão do conhecimento, que possam contribuir para a melhoria da efetividade do sistema formal de educação.
Tradicionalmente orientados para uma ação de manutenção da dinâmica do status quo, os sistemas de ensino formal normalmente não passam por mudanças radicais, mas somente se adaptam o suficiente para executar suas tarefas tradicio- nais, estabilizando desequilíbrios que são resultado de mudanças demográficas, tecnológicas ou econômicas. Atualmente, o setor de educação pública permanece amplamente dominante, especialmente em educação primária e secundária. Apesar dos maiores recursos arrecadados para o setor, no total e por habitante, e da união da classe dos professores permanecer forte, não se consegue, por exemplo, qual- quer elevação significativa da remuneração dos profissionais de ensino ou uma efe- tiva atenção do estado sobre a situação social desprivilegiada da educação. Isto contribui para uma escassez de professores bem formados, principalmente em paí- ses com a economia em desenvolvimento, e a conseq uente queda do nível de qua- lidade dos profissionais por eles formados. Há hoje também uma clara tendência para o aumento da participação do setor privado em todos os níveis de educação nessas nações, mas especialmente em ensino superior e pós-graduações, amplian- do significativamente a associação de educação como oportunidade de exploração comercial. Isso evidencia uma dissociação da educação como bem público essencial
ao desenvolvimento humano. Uma vez estabelecido filtros no sistema de educação formal para acesso a informação de qualidade, torna-se necessário o investimento em meios alternativos livres de busca de informação válida para uma ego- construção que possibilite a contribuição efetiva de qualquer indivíduo a uma inteli- gência coletiva.
Outro fator que corrobora a busca por novas formas de se prover conheci- mento é a crescente complexidade na relação das pessoas com a construção e utili- zação do conhecimento. Também hoje se faz necessária uma atualização contínua no campo do conhecimento individual e coletivo e um aprofundamento nas relações entre os demais conhecimentos para uma efetiva carreira funcional. Isto eleva a prá- tica de uma aprendizagem vitalícia à condição de indispensável para se garantir a funcionalidade do conhecimento associado às certificações. A educação não deve ser, em nenhuma hipótese, privilégio de uma elite ou de um grupo específico. Uma nova perspectiva de educação para todos, em qualquer lugar e a qualquer tempo (do dia ou da vida!), tende a pleitear realmente as novas necessidades de formação do indivíduo na sociedade contemporânea. Tanto quem possui conhecimento quanto quem busca adquiri-lo necessitam não só de sistemas formais de educação, mas de outras modalidades que venham a ser oferecidas, como através da educação corpo- rativa, das comunidades de prática, ou por meio de sistemas de suportes não- formais, onde a imprensa e a mídia audiovisual se fazem essenciais.
No âmbito tecnológico, as redes digitais vêm crescendo rapidamente e se tor- nando, cada vez mais, o melhor canal de conexão entre os indivíduos. A Internet, por exemplo, está se tornando realmente global, quando novos modos para seu a- cesso estão se desenvolvendo e superando as dificuldades naturais e mesmo eco- nômicas. No entanto, a construção de uma sociedade global da informação apenas por meio da Internet vem resultando, na verdade, numa distribuição desigual de o- portunidades, uma vez que seu acesso ainda está longe de ser universal. Por outro lado, também a TV a cabo, por assinatura ou DTVi estão crescendo e multiplicando suas possibilidades de uso, com potencial de ir muito além do provimento de conte- údos audiovisuais de entretenimento. Pode-se também, por meio de seu suporte, prover relações comerciais, EAD, comunidades virtuais e muitos outros novos servi- ços interativos.
A crescente interligação entre diferentes redes, multiplicadas pelas taxas im- pressionantes de transmissão, tornam praticamente instantânea a conexão mundial de acesso entre os terminais. As possibilidades comerciais advindas daí se tornam cada vez maiores, mas vêm sendo sub-aproveitadas, talvez devido a pouca maturi- dade da prática digital. Embora o mundo virtual esteja, a olhos vistos, imbricado na dinâmica da vida moderna, ele ainda obtém parcela pouco expressiva do comércio do mundo real. Mesmo seu principal produto, a informação, ainda é protelado por práticas reais de instrução e obtenção de informação. No entanto, prenuncia-se uma clara tendência de mudança, mesmo pelo envelhecimento natural da população mais inserida nas práticas digitais, como pelo crescente sentimento de segurança no intercâmbio em um mundo digital. Diante desta inevitabilidade do uso das redes para a busca da ego-construção, a sociedade deve se preparar para abrir novas formas de provimento de informação organizada e melhorar as já existentes, como as redes de TV ou a Internet. Nesse contexto, a discussão sobre universalização de acesso é primordial, haja vista o comprovado distanciamento cultural entre os que têm e os que não têm acesso às redes de profusão de informações específicas com reais possibilidades interativas.
Existem muitas modalidades de acesso à informação útil. O sistema educa- cional tradicional, embora o mais central, é apenas um deles. Para a formação de uma “Sociedade de Aprendizado”, ações devem estar focadas no sentido de prover condições que ampliem a disponibilidade de informação válida como insumo para o conhecimento. Com a digitalização, os conteúdos mediados se tornam acessíveis através de quaisquer terminais que processem e entendam o protocolo de seus có- digos. Áudio e vídeo estão agora uniformizados em códigos digitais compactados e divididos em pacotes prontos para ficarem disponíveis ao acesso. Repositórios de informação, embora pareçam uma novidade, já estão presentes na vida cotidiana há muitos anos, empacotados na mídia CD/DVD. Cadeias produtivas inteiras nasceram e foram quebradas pela possibilidade de se colocar, em um pequeno invólucro, con- teúdos audiovisuais reprodutíveis sem perda de qualidade ou grandes investimentos em aparelhos. No mundo digital, a uniformização de códigos torna possível o arma- zenamento de índices para que os diversos aparelhos possam recuperar e transmitir algum conteúdo ao usuário, seja por texto, áudio, animação, vídeo, ou por uma con- junção desses formatos. Cada vez mais baratos, acessíveis e compactos os conjun-
tos de códigos que são, em essência, todo produto digital, podem ser alocados em centrais de acesso que permitem a qualquer terminal caseiro apresentar um acervo muito maior que qualquer biblioteca ou museu já dispôs em toda a história.
A DTVi não vai ser diferente de outros mídias digitais. No entanto, sua organi- zação, seus mecanismos de armazenamento e distribuição de conteúdo, bem como a disposição seus conteúdos para livre acesso, devem ser vistos como inerentes à concessão do uso desse bem público. Isso levaria ao provimento universal dos be- nefícios das informações disponíveis à produção de conhecimento que uma rede interativa e uma biblioteca multimídia poderiam trazer, já que as possibilidades técni- cas advindas da inclusão da DTVi no sistema de radiodifusão permitem um reposi- cionamento dos serviços públicos providos por esse meio.