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Quatre leviers du changement de physionomie des quartiers

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2. Les principaux éléments de bilan

2.1. Quatre leviers du changement de physionomie des quartiers

A prática do educar em saúde apresenta-se em todas as dimensões profissionais, sendo mais reiterada dentro da Atenção Primária da Saúde. O processo educativo geralmente está centrado em metodologias transmissoras de conhecimentos, porém Ghiggi (2010) cita que Freire traz a concepção de que educadores e educandos constroem saberes, nomeiam o mundo e à educação há uma tarefa: pôr em diálogo os diversos saberes com a realidade imediata, com as

múltiplas subjetividades e intersubjetividades e com o saber acumulado na memória da humanidade.

Com isso, percebe-se a ênfase que Freire relata ao dizer que os indivíduos são sujeitos para a construção do conhecimento problematizando as questões conforme a sua realidade. Resgata o processo educativo através da participação entre os educadores e os educandos e a mediação dos seus saberes.

Desde os anos 60, Freire inicia sua trajetória como educador e teórico da educação, na busca constante de rever suas ideias, a partir da reflexão crítica sobre a dinâmica da realidade. Bauer (2008) afirma que o trabalho de Freire é marcado pela busca do diálogo na práxis educacional para construir um homem novo e de uma sociedade que possibilite o desenvolvimento pleno do seu ser, valorizando tanto a subjetividade quanto o seu trabalho e sua consciência como produto e produtor de sua história.

Freire (1983) ressalta que reconhecendo o homem como um ser de relações, perceber como um ser que conhece, mesmo que seja em diferentes níveis, sendo assim, não há absolutização do saber, nem absolutização da ignorância. O homem como um ser histórico, em constante movimento de procura, se faz e refaz seu saber.

Zitkoski (2000) assegura que as palavras utilizadas por Freire, tais como dialogicidade, diálogo, cultura dialógica, ação dialógica e educação dialógica, propõem uma nova racionalidade frente aos processos dominantes da cultura moderna na direção de uma construção alternativa da história, sociedade, cultura e sistemas organizativos da vida humana.

Freire alvitra a construção de um novo sentido para a vida humana em sociedade, o qual ressalta que o educador pode efetuar mudanças de atitudes nos educandos desde que conheça a visão do mundo e a confronte na sua totalidade.

Segundo Gadotti (1996), Freire concebe educação fundamentada no diálogo, pois significa que aquele que educa está aprendendo também. A educação torna-se um processo de formação mútua e permanente. Pensa a educação ao mesmo tempo como ato político, como ato de conhecimento e como ato criador.

Assim, a finalidade da educação é libertar-se da realidade opressiva e da injustiça para uma transformação radical da realidade, tornando-a mais humana, reconhecendo-se como sujeitos da história. Para que isso ocorra, enfatiza dois elementos fundamentais, a conscientização e o diálogo.

Num primeiro momento a realidade não se dá aos homens como objeto cognoscível por sua consciência crítica. (...) Esta tomada de consciência não é ainda a conscientização, porque esta consiste no desenvolvimento crítico da tomada de consciência. A conscientização implica, pois, que ultrapassemos a esfera espontânea de apreensão da realidade, para chegarmos a uma esfera crítica na qual a realidade se dá como objeto cognoscível e na qual o homem assume uma posição epistemológica (FREIRE, 1979, p. 26).

Dessa forma, a conscientização significa uma análise crítica da realidade, não somente imergindo nela, mas distanciando-se para compreendê-la. Aliado a isso, o diálogo se torna fundamental para aproximar os indivíduos, consistindo nas interações sujeito-sujeito, em uma relação horizontal, valorizando o saber de todos. E estes engajados no processo do ato de aprender, devem estar envoltos do respeito, do amor, da humildade, da escuta, da tolerância, da esperança e da fé.

Freire (2005) caracteriza duas concepções opostas de educação: a concepção “bancária” e a concepção “problematizadora”. Na concepção bancária, o educador “enche” os educandos com conteúdos desconectados da realidade, sendo uma educação depositária. Dessa forma, “não há criatividade, não há transformação, pois somente existe saber na reinvenção, na busca inquieta, permanente, que os homens fazem do mundo, no mundo e com os outros” (FREIRE, 2005, p.67).

Na concepção bancária pouco se desenvolve uma consciência crítica da realidade, impondo uma passividade diante do mundo, estimulando a ingenuidade, satisfazendo os interesses dos opressores. No entanto, a concepção problematizadora e libertadora funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando; ambos aprendem juntos; ao encontro de uma visão totalizante da realidade e da apreensão das contradições.

Nessa direção, Freire (2005) afirma que sem a problematização, não ocorre a conscientização, assim, minimiza-se ou anula-se a ação das massas, permanecendo a alienação e dominação. Sendo assim, Matielo (2009) cita que a educação popular e/em saúde, relaciona-se necessariamente com educação em saúde, numa perspectiva de potencializar ações que conduzam à autonomia, ao empoderamento, ao despertar da consciência crítica dos indivíduos. Busca, portanto,

estimular a capacidade dos sujeitos perceberem-se de fato, sujeitos na construção de seu processo histórico; a provocá-los à (des)velar o real, a questionar as aparências dos fatos e buscar a essência por detrás do que está dado pelo poder hegemônico (MATIELO, 2009).

Vasconcelos (2007) afirma que a Educação Popular

(...) busca trabalhar pedagogicamente o homem e os grupos envolvidos no processo de participação popular, fomentando formas coletivas de aprendizado e investigação de modo a promover o crescimento da capacidade de análise crítica sobre a realidade e o aperfeiçoamento das estratégias de luta e enfrentamento. É uma estratégia de construção da participação popular no redirecionamento da vida social. (VASCONCELOS, 2007, p.21)

A Educação Popular está engajada na construção política da superação da subordinação, exclusão e opressão que marcam a vida nas sociedades desiguais (idem, 2007). Nessa perspectiva, a realização de uma prática educativa voltada para a crítica e reflexão dentro de um grupo oportuniza a transformação de seus saberes. Com isso, pode tornar o indivíduo como sujeito “construtor de sua própria história, inseridos sócio-culturalmente” (ALVIM, FERREIRA, 2007).

Por fim, destaco que a partir da ação e da reflexão crítica entre o educador e o educando em torno das situações vivenciadas, pode levar a uma transformação da realidade, sendo um caminho viável para a inserção da promoção da saúde na busca da melhoria das condições de vida.

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