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As formações metassedimentares da área em estudo contactam maioritariamente com rochas plutónicas e podem-se distinguir dois grupos principais em relação aos diferentes períodos da orogenia Hercínica como granitóides precoces e/ou Ante- Hercínicos, e corpos sintectónicos a D3 devido à sua proximidade, sendo este corpos alvo

de maior descrição por Severo Gonçalves (1974), Pereira et al. (1980), Aguado (1992).

3.1.3.1 Granitóides precoces e/ou ante-hercínicos

As principais manchas dos granitóides precoces e/ou ante-hercínicos observadas no sector Espinho–Albergaria-a-Velha são formadas por vários complexos de rochas granitóides constituídos fundamentalmente por granitos gnaíssicos, por ortognaisses e por gnaisses-migmatitícos, de orientação variável de N-S a NW-SE, e ocupando o núcleo de uma sinforma cujo eixo se orienta na direção NW-SE (Chaminé, 2000).

A Oeste da área em estudo os granitóides dispõem-se espacialmente ao longo da denominada "Faixa Blastomilonítica de Oliveira de Azeméis" (Ribeiro et al., 1979) e foi-lhes mesmo atribuída a designação de "Complexo granítico da faixa blastomilonítica de Oliveira de Azeméis" (Pereira et al. 1981; 2006).

O maciço granítico de Macinhata de Seixa (Oliveira de Azeméis) - Vila Chã localizado no seio da unidade de S. João-de-Ver consiste em granitos e granodioritos gnaíssicos onde se realça a presença de dobras, relativamente abertas, com eixos mergulhantes 30 a 35º Sul, sendo que noutras áreas do mesmo complexo granítico ocorrem dobras isoclinais, apertadas, concordantes com a foliação dos micaxistos envolventes (Pereira et al., 1980). Descritos por Severo Gonçalves (1974; 1984) e Pereira et al. (1980) como corpos granitóides Hercínico-precoces sendo constituídos por granitos e granodioritos gnaíssicos de grão médio com duas micas, essencialmente moscovíticos, com poucos cristais de feldspato, localizados fundamentalmente na zona da silimanite. É de realçar que esta litologia foi parcialmente integrada como a secção basal da Unidade de S. João-de-Ver na cartografia de Chaminé (2000) e Pereira et al., (2005), descrita como metapórfiros granitoides. A sul, verifica-se um aumento das zonas de blastese feldspática, existindo a ocorrência de inclusões de micaxisto com estruturas oceladas e por fim uma passagem gradual para gnaisses ocelados (Pereira et al., 1980), que alternam inicialmente com filões granitóides e, depois, com micaxistos granatíferos (Severo Gonçalves, 1984).

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45- Na campanha realizada foi encontrado um afloramento granodiorítico gnáissico com aspeto de corneanas, atravessado por uma falha com preenchimento argiloso com orientação N75ºE, provavelmente relacionada com a orogenia Alpina (Figura 3.11).

Figura 3.11 - Afloramento granodiorítico gnáissico com aspeto de corneanas, atravessado por

uma falha com preenchimento argiloso com orientação N75ºE.

Estreitamente relacionados com o maciço de Oliveira de Azeméis, e a norte da área em estudo existem também corpos granitóides Hercínico-Precoses de gnaisses albítico- moscovíticos com diferentes graus de blastese, sendo esse um dos critérios usado para os distinguir bem como a presença de estruturas oceladas ou dobradas (Severo Gonçalves, 1974; Pereira et al.,1980). Estes ortognaisses revelam-se semelhantes a filões albítico-

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moscovíticos que cortam os granitos e granodioritos gnaíssicos do maciço granítico de Oliveira de Azeméis (Severo Gonçalves, 1984).

Entre Oliveira de Azeméis e Vale Maior (Albergaria-a-Velha) existem gnaisses de grão fino e metapórfiros com forte deformação (Figura 3.12), de origem Hercínica-precoce (Severo Gonçalves, 1974; E. Pereira et al., 1980).

Figura 3.12 – Afloramento de gnaisses de grão fino.

Já Chaminé (2000), designou esta litologia como metapórfiros blastomiloníticos, visto que se localizam ao longo de zonas de cisalhamento, encontrando-se em consequência transformados em rochas de natureza gnáissica e mesmo em blastomilonitos. Afloram como corpos isolados, longitudinalmente distendidos, com contactos nítidos com os micaxistos granatíferos encaixantes e são, geralmente, concordantes com estes. Assinalaram-se também nestes blastomilonitos rochas típicas de extrema deformação, ou seja, gnaisses recortados por pseudotaquilitos e corredores estreitos de ultramilonitos (Chaminé et al. 1996b).

No caso de corpos granitóides Ante-Hercínicos, Severo Gonçalves (1974) sugeriu uma idade Cadomiana para estes corpos, verificando-se a existência de quartzo-dioritos e ortognaisses, gnaisses biotíticos de carácter granodiorítico, de grão médio a fino, com blastese de plagioclase, ou com poucos e pequenos blastos de plagioclase, e ainda

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47- gnaisses biotíticos de grão fino com domínios de forte recristalização e carácter corneânico, podendo esta estrutura ser maciça ou orientada, sendo também esta nomenclatura usada na cartografia de Pereira et al. (1980; 2005), nas duas últimas litologias descritas. Estes gnaisses granodioríticos são interpretados como “desenraizados” de níveis estruturais inferiores por movimentação vertical ao longo da falhas N-S (Gonçalves, 1987).

Já a Este da área de estudo, os micaxistos, também denominados por Unidade de S. João-de-Ver, contactam com quartzo-dioritos de origem Hercínica Precoce, de grão fino, com foliação incipiente e inclusões biotitícas deformadas e contactam também com granodioritos gnáissicos de grão médio a fino, com blastese de feldspato sendo apontado para estes uma origem Ante-Hercínica, talvez Cadomiana (Severo Gonçalves, 1974).

As associações minerais mais comuns são o quartzo, a plagioclase, a biotite, a moscovite, e a microclina pertítica; os principais minerais acessórios são o zircão, a apatite, a clorite, a fibrolite, a esfena e óxidos de ferro (Chaminé, 2000).

3.1.3.2 Granitóides sin-tectónicos relativamente a D3

No sector Espinho–Albergaria-a-Velha os granitóides sin-tectónicos estão instalados próximo ao limite da faixa de cisalhamento da ZOM/ZCI e segundo o eixo da antiforma de Oliveira de Azeméis–Santa Maria da Feira. A maioria destes granitóides incluem-se, na classificação de Ferreira et al., (1987), no grupo dos "granitos sin-orogénicos de duas micas" e são sin a tardi-fase D3 varisca.

No geral, formam na região maciços compósitos que ocupam os núcleos de antiformas da fase D3 Varisca intimamente relacionados com o metamorfismo regional na fácies dos Xistos Verdes (Gonçalves, 1987) e com o desenvolvimento de megacisalhamentos dúcteis. São granitos de duas micas, com tendência alcalina e foliados, diferenciados entre si pela sua granulometria (de grão fino a grosseiro) e pelo grau de deformação. Exibem normalmente deformação expressa por uma foliação contemporânea da fase D3 Varisca (Chaminé, 2000).

Os granitos sin-tectónicos da região são constituídos, do ponto de vista petrográfico, pela seguinte associação mineralógica essencial: plagioclase (albite-oligoclase), microclina pertítica, quartzo, biotite e moscovite, e acessoriamente por clorite, fibrolite, zircão, apatite, esfena, rútilo e óxidos de ferro (Chaminé, 2000).

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