lithosph`ere continentale
2.1 La rh´ eologie de la lithosph` ere continentale
2.1.2 Qu’est-ce-que la rh´ eologie ?
Ao discutirem o papel da universidade na sociedade, Etzkowitz e Leydesdorff (1996) questionam se ela seria uma torre de marfim, de reflexão independente, ou uma mola propulsora do desenvolvimento de uma região. Etzkowitz et al. (2000) retornam à discussão questionando sobre o futuro da universidade e universidade do futuro, verificando a passagem
de uma torre de marfim para uma universidade empreendedora, refletindo numa mudança nas relações entre os produtores e usuários do conhecimento.
Nas palavras de Etzkowitz (2005, p. 7), “a universidade atualmente está assumindo um papel mais fundamental para a sociedade que a torna crucial para a inovação futura, criação de empregos, crescimento econômico e sustentabilidade.” Os autores Etzkowitz e Leydesdorff (2000), Etzkowitz e Zhou (2006) afirmam que a universidade é essencial para a inovação descontínua em sociedades baseadas no conhecimento, substituindo a empresa como a principal fonte de desenvolvimento regional. Como o conhecimento torna-se uma parte, cada vez mais importante fonte de inovação, a universidade, como uma instituição e divulgação de produção de conhecimento, desempenha um papel fundamental (ETZKOWITZ et al., 2000).
A adaptação do modelo de TH para a realidade dos países em desenvolvimento e regiões menos favorecidas requer uma ampliação do conceito de universidade (ETZKOWITZ; MELLO; ALMEIDA, 2005). Segundo Etzkowitz et al. (2000), o surgimento da universidade empreendedora pode ser explicado como uma resposta à crescente importância do conhecimento nos sistemas nacionais e regionais de inovação e o reconhecimento de que a universidade é um agente de transferência de conhecimento e tecnologia. Ainda, segundo os autores, os governos, em praticamente todas as partes do mundo, estão se concentrando sobre o potencial da universidade como um recurso para melhorar ambientes de inovação e criar um regime de ciência baseado no desenvolvimento.
Conforme Etzkowitz (2009), a universidade passa por uma dupla transformação: incluir, em sua missão, o papel de desenvolvimento econômico e social e a formação cultural da reprodução da pesquisa com foco organizacional. A tese entre a relação dos atores da TH é proposta como uma estratégia de desenvolvimento regional para preencher as lacunas existentes de capital social e de tecnologia.
A primeira revolução acadêmica ocorreu no final do século XIX, quando a universidade se depara com uma demanda de industrialização, resultante da revolução industrial. Novos padrões institucionais passam a ser adotados por meio de atividades de pesquisa. Além da atividade tradicional de ensino, a universidade passa a incorporar a pesquisa focada na produção de novos conhecimentos. A segunda revolução acadêmica iniciou em meados do século XX, logo após a Segunda Guerra Mundial. Ao se aproximar da sociedade, a universidade assume um novo papel, colaborar diretamente com o desenvolvimento econômico. Além das atividades de ensino, pesquisa, a universidade passa a
incorporar o conceito de empreendedorismo em sua função (ETZKOWITZ et al., 2000; ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000; 2008; ETZKOWITZ, 2003).
O novo papel da universidade representa a passagem de transição no seu formado, na qual, além de gerar e difundir o conhecimento se torna empreendedora. Uma universidade empreendedora mantém o seu papel acadêmico tradicional de reprodução social e difusão do conhecimento, colocando-os num contexto mais amplo, como parte de um novo papel para promoção da inovação (ETZKOWITZ, 2003). Ao mesmo tempo que a universidade assume um grau considerável de independência, ela interage com o governo e a indústria (ETZKOWITZ, 2003, 2013; ETZKOWITZ; KLOFSTEN, 2005).
A capacidade de tomar iniciativas independentes se fundamenta na premissa de que a universidade não é um elemento subordinado de uma estrutura administrativa hierárquica (ETZKOWITZ, 2013). O primeiro requisito é que a universidade tenha controle sobre seu direcionamento estratégico. O segundo é que tenha estreita interação com as outras esferas. Umas das características importantes da universidade empreendedora é que a definição de problemas de pesquisa surge de fontes externas, a partir da interação entre as esferas institucionais (ETZKOWITZ, 2003).
Conforme Etzkowitz (2009), uma universidade empreendedora apoia-se sobre quatro pilares: (1) liderança acadêmica capaz de formular e implementar uma visão estratégica; (2) controle jurídico sobre os recursos acadêmicos, incluindo propriedades físicas, como os prédios da universidade e a propriedade intelectual que resulta da pesquisa; (3) capacidade organizacional para transferir tecnologia por intermédio de patenteamento, licenciamento e incubação; (4) um ethos empreendedor entre gestores, corpo docente e estudantes.
Segundo Etzkowitz (2013), há três fases para o desenvolvimento da universidade como um modelo empreendedor: (1) na fase inicial, a universidade estabelece uma visão estratégica de sua direção, redefinindo suas próprias prioridades, seja para elevar seus próprios recursos mediante doações, mensalidades ou angariar renda por meio de seus provedores de recursos; (2) na segunda fase, a universidade apresenta um papel ativo na comercialização da propriedade intelectual, resultando das atividades do seu corpo docente, discente e técnico-administrativo. Nessa fase, a universidade estabelece suas próprias capacidades de transferência de tecnologia; (3) na terceira fase, a universidade apresenta um papel proativo na melhoria da eficácia de seu ambiente regional de inovação, colaborando, muitas vezes, com a indústria e com o governo. Nesta etapa, a universidade pretende construir relações regionais, aumentar sua visibilidade e desempenhar um papel estratégico no incentivo de inovação na sua região. A nova missão da inovação da universidade expande
uma preocupação com a proteção e comercialização de direitos de propriedade intelectual a um interesse mais amplo em formação e desenvolvimento econômico regional (ETZKOWITZ, 2013).
O estudo de Leydesdorff e Etzkowitz (2003) questiona até que ponto uma universidade pode assumir uma “terceira missão”, além de suas principais tarefas com a educação e pesquisa acadêmica. Salientam que a universidade assume um papel fundamental, em virtude de sua posição estrutural em uma economia baseada no conhecimento. Alertam que a universidade empreendedora não pode ser comparada com uma universidade comercial e que há um quebra-cabeça crucial da gestão institucional em combinar diferentes funções e missões: seu compromisso com os objetivos da sociedade em geral como, por exemplo, programas prioritários; sua contribuição à economia, fornecendo pessoal qualificado e promovendo pesquisa com opções para uso em contextos econômicos; e o seu compromisso com as disciplinas e tradições intelectuais e a necessidade de um repensar contínuo de suas fronteiras (interna e externa) existentes (LEYDESDORFF; ETZKOWITZ, 2003).
Conforme Etzkowitz et al. (2000), a universidade empreendedora inclui os seguintes mecanismos de desenvolvimento, características e corolários esboçados no Quadro 4.
Quadro 4 – Mecanismos de desenvolvimento e características da universidade empreendedora
01
Transformação interna: tarefas acadêmicas tradicionais são redefinidas e ampliadas, de acordo com as exigências das funções emergentes. O ensino passa a ser utilizado para reinterpretação do conhecimento existente, exigindo que os alunos testem seus conhecimentos acadêmicos em situações do mundo real, agindo como intermediários entre a universidade e outras esferas institucionais.
Corolário: revisão das tarefas existentes; funções e papéis tradicionais são reinterpretados à luz de novas metas.
02
Impacto transinstitucional: um novo equilíbrio de sobreposição de esferas institucionais é estabelecido, na qual colaborações e regras de interação são mais facilmente compreendidas e negociadas.
Corolário: formatos para acordos de colaboração são institucionalizadas em formatos legais e tradicionais.
03
Processos de interface: a universidade empreendedora exige maior capacidade de liderança,
monitoramento e negociação com outras esferas institucionais, especialmente a indústria e o governo. Tem a capacidade de identificar confluência entre interesses de entidades externas e seus propósitos acadêmicos, organizar debates, negociar contratos e agir como um papel de intermediário para facilitar a interação com seus pares e outros potenciais parceiros.
Corolário: na descentralização são atribuídas responsabilidades especiais a membros do corpo docente e outros profissionais técnicos para avaliar a importância comercial dos resultados da investigação e incentivar a interação com parceiros externos. Na capacidade de interface centralizada, a transferência de tecnologia desempenha um papel de liderança durante as fases iniciais, mas o seu papel diminui à medida que se torna institucionalizada.
04
Efeitos recursivos: Além de estabelecer vínculos com as organizações existentes, a universidade empreendedora também desenvolve capacidades para auxiliar na criação de novas organizações, por exemplo, formação de empresas com base em pesquisa acadêmica e liderança na formação de organizações regionais com o propósito de promover a inovação.
Corolário: A existência de capacidades para a interface em várias organizações aumenta a probabilidade de colaboração na criação de novas entidades interorganizacionais e interinstitucionais, como é o caso dos parques tecnológicos conhecidos como organizações trilaterais.
A revisão dos conceitos complementares de universidade empreendedora e empreendedorismo acadêmico realizado por Ipiranga, Freitas e Paiva (2010), destaca a existência de uma instituição acadêmica preocupada não somente em formar profissionais qualificados, mas também em desempenhar um papel fundamental no sistema de inovação e no desenvolvimento econômico, social e tecnológico do país por meio de estruturas criadas dentro das universidades para abrigar empresas de base tecnológica, resultado da cooperação entre empresários e pesquisadores.
O modelo acadêmico empreendedor, conforme Etzkowitz (2009), pode ser expresso em cinco normas mencionadas no Quadro 5, a seguir.
Quadro 5 – Normas do modelo acadêmico empreendedor
01 Capitalização: o conhecimento é criado e transmitido para o uso, assim como para o avanço disciplinar; a capitalização do conhecimento se torna base para o desenvolvimento econômico e social.
02 Interdependência: a universidade empreendedora interage intimamente com a indústria e o governo; ela não é uma torre de marfim isolada da sociedade.
03 Independência: a universidade empreendedora é uma instituição relativamente independente; não é uma “criatura” dependente da outra esfera institucional.
04
Hibridização: A resolução das tensões entre os princípios de interdependência e a independência é um impulso para a criação de formatos organizacionais para concretizar ambos os objetivos
simultaneamente. 05
Reflexividade: há uma contínua renovação na estrutura interna da universidade quando sua relação com a indústria e o governo muda e, da indústria e do governo quando suas relações com a universidade são revisadas.
Fonte: Etzkowitz (2009, p. 57-58).
Ensinar é a vantagem da universidade, especialmente quando ligada à investigação e ao desenvolvimento econômico. Os alunos, potenciais inventores, representam um fluxo contínuo dinâmico de capital humano em grupos de pesquisa acadêmica, ao contrário de laboratórios industriais e institutos de pesquisa mais estáticos (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000). Ou seja, a vantagem comparativa da universidade ocorre pelo fluxo de seus alunos em comparação com o instituto de investigação ou laboratório corporativo, onde a equipe é relativamente estável. Ao interagir com professores e ex-alunos, os novos alunos podem trazer novas ideias para o processo de investigação. Alunos e professores são inventores em potencial, representando um fluxo dinâmico de capital humano. Ao integrar ensino com pesquisa, a universidade também pode assumir funções empresariais. A principal competência da universidade tem se expandido a partir da formação e distribuição de capital humano e pela difusão da propriedade intelectual por meio da combinação de inovações internas e externas (ETZKOWITZ, 2003, 2009, 2011).
Uma universidade empreendedora envolve extensão de ideias para a atividade prática, aproveitando o conhecimento, a organização de novas entidades e gestão de riscos. A universidade é uma instituição com a capacidade de se reinventar periodicamente e incorporar múltiplas missões (ETZKOWITZ, 2013). A universidade também é uma incubadora natural, proporcionando estrutura de apoio para novos empreendimentos aos alunos e professores. É um viveiro potencial para novas áreas científicas interdisciplinares e novos setores industriais (ETZKOWITZ; KLOFSTEN, 2005).
Etzkowitz (2009) descreve as principais características empreendedoras naturais de uma universidade: buscar achados de pesquisa com potencial tecnológico e os coloca em prática; é uma incubadora natural, que oferece uma estrutura de suporte a professores e alunos para que eles iniciem seus empreendimentos; é um campo fértil para novos campos científicos e novos setores industriais, cada um fertilizando o outro; tem a capacidade de entender e abordar problemas e necessidades de uma sociedade mais ampla, tornando-os as bases de novos projetos de pesquisa e de paradigmas intelectuais, criando um círculo virtuoso com desenvolvimento intelectual interno; é uma instituição acadêmica que não está sob o controle do governo, nem da indústria; tem um forte grau de autonomia, a fim de estabelecer sua própria direção estratégica, e participa de outras esferas institucionais, de forma igualitária, na formulação de projetos conjuntos visando ao desenvolvimento econômico, social, especialmente no nível regional; o empreendedorismo acadêmico é uma extensão de atividades de ensino e pesquisa, por um lado, e a internacionalização das capacidades de transferência de tecnologia, assumindo um papel tradicionalmente desempenhado pela indústria, por outro lado.
A universidade empreendedora, observada em alguns países desenvolvidos, é um fenômeno contemporâneo crescente com a academia assumindo um papel de liderança num modo emergente de produção, baseado na contínua inovação organizacional e tecnológica (ETZKOWITZ; ZHOU, 2006; ETZKOWITZ, 2009).O conceito tem evoluído ao longo do tempo e ainda está tomando forma como uma “revolução invisível” em muitos países ao redor do mundo como o resultado de uma complexa interação de fatores exógenos e endógenos atuando em diferentes proporções em diferentes sociedades (ETZKOWITZ, 2008).
Os estudos de Etzkowitz et al. (2000) apontam duas grandes tendências que afetam o papel futuro da universidade: a primeira consiste na mudança, cada vez mais presente, da economia sobre a produção do conhecimento; e a segunda, a tentativa de identificar e orientar as tendências futuras na produção do conhecimento e suas implicações para a sociedade.