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De acordo com o plano geral apresentado no capítulo anterior, o projeto de intervenção decorreu em 17 aulas, cada uma com duração de 45 minutos cada, durante o período compreendido entre 14 de janeiro e 6 de abril de 2011. O projeto foi aplicado não só durante as aulas de Matemática como também, por vezes, nas aulas da Direção de Turma e de Estudo Acompanhado. Tal facto ocorreu porque os alunos iam ter uma prova intermédia do 8º ano no início do mês de maio, o que não permitia à professora ter tempo suficiente para intervir nas dificuldades detetadas e cumprir a lecionação dos conteúdos programáticos necessários para a referida prova. As aulas onde o projeto de intervenção foi aplicado ocorreram entre 14 de janeiro e 1 de fevereiro porém, como foi proposto um trabalho final aos alunos que exigia alguma pesquisa, o mesmo só foi apresentado no dia 6 de abril.

No quadro seguinte apresentamos as atividades realizadas em cada aula ou conjunto de aulas e a sua relação com os objetivos anteriormente definidos.

Quadro 10 – Atividades realizadas durante o projeto de intervenção

Objetivos Sessões de trabalho Atividades desenvolvidas Compreender o conceito de forma;

Calcular a área;

Distinguir área e perímetro; Identificar figuras equivalentes.

Aulas 1 e 2 Construção do Tangram com regras (em LGP, escritas e lidas para os alunos que oralizam); Construção de figuras equivalentes.

Perceber o conceito de área;

Calcular a área de figuras através de diferentes processos.

Aulas 3 e 4 Construção de figuras equivalentes.

Compreender os conceitos de comprimento, perímetro, área, assim como aptidão para utilizar

conhecimentos sobre estes conceitos na resolução de problemas reais;

Utilizar a visualização e o raciocínio espacial na resolução de problemas do quotidiano;

Aulas 5 e 6 Cálculo da área desocupada da sala de aula.

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Aplicar o conceito de área em situações problemáticas ligadas à vida real.

Aulas 7 e 8 Resolução de problemas com áreas.

Aplicar e exercitar os conteúdos lecionados em situações práticas

Aula 9 Proposta de um trabalho de projeto ”Projeto para uma sala de diversões”. Demonstrar o Teorema de Pitágoras;

Utilizar o Teorema de Pitágoras.

Aulas 10 e 11 Aulas 12 e 13 Decomposição de quadrados para demonstrar o Teorema de Pitágoras; Determinação da hipotenusa ou o cateto de um triângulo retângulo; Resolução de problemas onde se aplique o Teorema de Pitágoras. Exercitar a pratica de medir Aula 14 Trabalho do projeto “ Sala

de Diversões”

Ser capaz de resolver problemas, comunicar por escrito e raciocinar matematicamente em situações que envolvam contextos geométricos

Aula 15 Identificação das figuras geométricas que

completam um puzzle e descrever as suas propriedades. Apresentar o trabalho final, relacionando

os diversos conceitos apreendidos (área, medições, forma,…);

Apresentar ideias e colocar questões, expor dúvidas e dificuldades, pronunciar- se sobre os seus erros, recorrendo tanto à LGP como à escrita ou à linguagem matemática.

Aulas 16 e 17 Apresentação do trabalho de projeto

Como o quadro anterior mostra, procurámos, através das atividades propostas, desenvolver nos alunos o sentido espacial, com ênfase na visualização e na compreensão das propriedades das figuras geométricas, a compreensão das transformações geométricas e da necessidade de demonstração, bem como a utilização destes conhecimentos e capacidades para resolver problemas em contextos diversos. Considerámos que as atividades propostas, para além de poderem desenvolver as competências anteriormente mencionadas, essenciais para qualquer aluno, também nos ajudariam a conhecer algumas das estratégias utilizadas pelos alunos surdos quando se aborda este conteúdo programático. Foi nossa intenção proporcionar aos alunos, na medida do

68 possível, um tempo apropriado para realizar experiências, elaborar estratégias, descrever processos e justificá-los, quando resolviam problemas geométricos. Por outro lado, nas tarefas propostas, contemplámos os aspetos rotineiros, tais como a utilização de fórmulas para calcular áreas ou a aplicação do Teorema de Pitágoras em casos simples e imediatos.

Optámos, ainda, pelo recurso à metodologia de trabalho de projeto com os alunos, uma vez que consideramos que esta permite que os mesmos participem e se envolvam no seu próprio processo de aprendizagem, que compartilhem com os colegas as suas próprias metodologias, estratégias, hipóteses, análises, comprovações e deduções. Foi, deste modo, proposto aos alunos que criassem um projeto intitulado “Projeto sala de diversões” (anexo 9), onde poderiam propor diversos equipamentos que gostassem de incluir numa sala de diversões que fosse criada na escola, mas que teria de obedecer a uma determinada área de ocupação, para que se pudesse ter um espaço agradável para circular.

Em suma, foi nosso propósito, criar uma proposta de atividades em que os alunos tivessem oportunidade para questionar, discutir e refletir sobre as conclusões ou resultados obtidos.

As aulas planeadas decorreram de acordo com o previsto, tendo em conta as dificuldades anteriormente diagnosticadas, mas não puderam restringir-se, exclusivamente, ao horário semanal da disciplina de Matemática, uma vez que o mesmo não permitia respeitar o ritmo necessário para o ensino a surdos. A ausência de gestos para inúmeros conceitos matemáticos, as dificuldades ao nível do português escrito, ou seja, as dificuldades de comunicação no processo de ensino e de aprendizagem, exigiram que a nossa intervenção ocupasse algumas horas das aulas de Estudo Acompanhado e de Direção de Turma. É claro que a nossa intervenção tinha como principal objetivo ajudar a melhorar, mas requeria mais tempo do que é usualmente proposto quando se leciona este tema e os alunos iam ser propostos a um teste intermédio do 8ºano, o que obrigava a que um determinado número de temas fosse lecionado até ao final do segundo período. Esta decisão/oportunidade para aplicar a

69 nossa intervenção em outras disciplinas, que não tivessem um caráter tão rígido ao nível da planificação, resultou de questões essencialmente éticas. Depois de algumas conversas informais com o professor de Matemática do 5º e do 6º anos, a professora tomou conhecimento de que os alunos nunca tinham tido contacto com um Tangram, pelo que decidiu iniciar o capítulo do Teorema de Pitágoras com a construção do respetivo quebra-cabeças. Através do manuseamento das peças que o constituem, da construção de diversas figuras, procurou-se que os alunos chegassem ao conceito de figura equivalente e que adquirissem a noção que “se tiro de um lado e coloco no

outro, não altero a área, só altero a forma”. Num momento seguinte, foram

propostos exercícios de cálculo de áreas onde os alunos tinham de decompor as figuras iniciais noutras que soubessem calcular a área, utilizando quer a técnica da compensação e da contagem quer, caso preferissem, as regras para o cálculo das mesmas. Estes exercícios foram propostos através de pequenos enunciados escritos.

O cálculo da área desocupada da sala de aula foi proposto através de uma dinâmica de grupo, onde se pretendia que os alunos recorressem a diversas formas de comunicação, nomeadamente, a construção de esboços para expressarem os seus raciocínios e discutirem os seus procedimentos.

Foi proposto um problema relacionado com a vida real, cuja problemática era colocação de um chão novo numa garagem, para que os alunos consolidassem o conceito de área e lhe reconhecessem significado e utilidade em questões do quotidiano. O Teorema de Pitágoras foi introduzido, primeiramente, através da sua abordagem histórica: os alunos construíram a corda dos 12 nós, processo que os egípcios utilizavam para garantir a perpendicularidade na construção das pirâmides. Seguidamente, o Teorema de Pitágoras foi demonstrado recorrendo à visualização, nomeadamente, à decomposição de quadrados. Numa fase posterior, foram propostos exercícios rotineiros de cálculo, onde se dava um triângulo retângulo e se pedia o cálculo da hipotenusa ou de um cateto. Foram ainda propostos pequenos problemas, através de enunciados escritos, que apelassem à aplicação do Teorema de Pitágoras.

70 Para praticar os conceitos apreendidos, foram dados dois puzzles, onde as hipóteses de escolha que podiam completar os mesmos deviam ser justificadas tendo em conta as propriedades das figuras geométricas e utilizando a língua portuguesa escrita.

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