Cristini e Amal (2006) informam que Brewer e depois Dunning (1994), identificaram quatro tipos diferentes de grandes estratégias das ETN para realização do IED: busca por recursos (resource seeking), busca por mercados (market seeking), busca por eficiência (efficiency seeking) e busca por ativos estratégicos (strategic asset seeking).
A estratégia de Busca por Recursos é realizada pela ETN para ter acesso a recursos específicos de preços inferiores ou não disponíveis no mercado doméstico, tais como, recursos naturais, matérias-primas, mão-de-obra de baixo custo, capacidade tecnológica e de organização, e experiência comercial ou de marketing. O objetivo do IED está geralmente associado à exportação de bens intensivos na dotação de fatores dos países receptores (Pinto Jr., Silveira e Losekann, 1999 e Gonçalves, João, 2003).
Na estratégia de Busca por Mercados, a empresa transnacional realiza o IED com o objetivo de atender ao mercado interno e adjacências do país receptor. Os principais incentivos para o desenvolvimento dessa estratégia são o tamanho e o potencial de crescimento do mercado, além de outros motivos como a existência de políticas comerciais protecionistas do país hospedeiro, com a imposição de barreiras comerciais sobre os produtos exportados pela ETN; altos custos de transporte e a necessidade de conhecimento do mercado e das preferências dos consumidores. Tem como efeito direto a substituição da importação, mas pode criar comércio quando as filiais implantadas importam insumos do país de origem do investimento (Cristini e Amal, 2006; Pinto Jr., Silveira e Losekann, 1999 e Gonçalves, João, 2003). A terceira estratégia, Busca por Eficiência, refere-se à racionalização da estrutura dos investimentos da ETN, possibilitada pela gestão integrada de atividades produtivas localmente dispersas. Este tipo de investimento pode ser segmentado em dois grupos. No primeiro, a ETN procura distribuir suas filiais em diversos países aproveitando as diferenças de disponibilidade e custo dos fatores de produção dos países locais. No segundo tipo, a produção é distribuída em economias semelhantes para beneficiar-se de vantagens de economia de escala e de escopo visando redução de custos de produção e diversificação dos riscos. Nesta
estratégia, o IED cria comércio intrafirma, refletindo o funcionamento em rede de suas filiais especializadas (Gonçalves, João, 2003 e Hiratuka, 2000).
Por último, a estratégia Busca por Ativos Estratégicos decorre dos investimentos voltados para aumento ou reforço das vantagens competitivas de propriedade da ETN, segundo o Modelo Eclético de Dunning. Conforme Cristini e Amal (2006) e Gonçalves, João (2003) a aplicação de investimento em novas instalações fabris, nas fusões e aquisições de empresas ou em operações de joint
ventures13, permite a ETN atuar estrategicamente em mercados regionais e globais
através de uma sinérgica estrutura comum. Neste caso, o IED representa uma estratégia empresarial de crescimento e expansão de longo prazo no país de origem, ou em outros mercados. Esse tipo de estratégia de investimento adquiriu relevância entre as grandes empresas globais, durante os anos 90 (ver Figura 1).
Figura 1 – Estratégias de Investimento Estrangeiro Direto
Marketing seeking Mercado consumidor local Insumos naturais e mão de obra barata
Asset seeking Mercado consumidor internacional Empresas locais ETN Efficiency seeking Produção em rede internacional Resource seeking
Fonte: Cristini e Amal (2006, p.20)
13
Joint venture ou empreendimento conjunto é uma associação de empresas, não definitiva e com fins lucrativos, para explorar determinado negócio, sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica. Wikipédia <http://pt.wikipedia.org/wiki>. Acesso 07 de dezembro de 2007.
De Negri, J. (1997) e Hiratuka (2000) analisam que os impactos causados nos países hospedeiros pelas atividades das empresas transnacionais dependerão dos seguintes fatores: as características relativas à ETN, o tipo do setor industrial, o estágio de desenvolvimento do país de origem e destino do IED e a estratégia utilizada na realização do investimento. A análise considera dois efeitos derivados dos impactos, o primeiro é um comparativo do comportamento da ETN em relação às empresas locais. O segundo é relativo às alternativas de decisão da ETN em internacionalizar sua produção, tais como: comércio exterior, via exportação e importação; produção no exterior, via investimento direto; e relações contratuais, via contratação de firmas estrangeiras para fabricar produtos de exportação e importação.
Dessa análise entende-se que as estratégias também afetam as variáveis determinantes do investimento direto, explicitadas no modelo de Dunning (1993). Mesmo com a posse de vantagens semelhantes, as atividades das ETN podem ocasionar impactos diferentes sobre os países onde atuam. Frente às imperfeições dos mercados, as ETN tomam decisões variadas de acordo com a sua percepção do grau do risco e incertezas.
As estratégias das empresas transnacionais mudaram no decorrer do processo de incremento da produção internacional nos anos 90. Segundo Dunning (1995 e 1993) existem três características principais neste período. Na primeira, a estratégia dominante da ETN mudou nos países desenvolvidos, da busca de mercado e de recursos, para busca de eficiência e de ativos estratégicos e aumentou a estratégia de busca de mercado e de recursos em países em desenvolvimento. Na segunda ocorreu aumento na diversificação das formas de alianças estratégicas e de cooperação entre a ETN, seus fornecedores e consumidores. Por último, o aumento de investimentos em determinados setores foi seguido de desinvestimentos em outros.
Chesnais (1996) corrobora com a opinião de Dunning sobre o problema de desinvestimentos. Na visão de Chesnais o desinvestimento é motivado pela “elevada mobilidade de investimento” das ETN e o descompromisso destas com os países do terceiro mundo, provocando, então, o problema da “desconexão forçada”, entendida como desinvestimentos decididos pelas ETN, por considerarem obsoletas as especializações e tecnologias desses locais.
Chesnais (1996) resume que o motivo principal da existência das empresas transnacionais está na reação destas ao incremento dos custos de transação, gerador das imperfeições de mercado. Elas elegem o IED como a opção preferencial, criando filiais estreitamente vinculadas ao controle único da matriz, para dominar a internalização dos custos de transações internacionais.
Moran (2000) tem opinião de que, no plano teórico, o IED dispõe de todos os quesitos para vencer as barreiras de entrada e as imperfeições de mercado, considerados como condição necessária para as empresas estenderem seus “ativos intangíveis”, além das fronteiras nacionais. E explica a razão pela quais as ETN deixam de explorar as imperfeições de mercado através de acordos e licenciamentos com empresas locais, por constatarem a existência de dificuldades das ETN em proteger seus interesses, devido a contratos imperfeitos, assimetria de informação e cópia pelas firmas das competências organizacionais e tecnológicas.