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Pacheco (2000) pela Universidade Estadual de Campinas, em sua pesquisa de doutorado — O professor de alunos com deficiência mental: concepções e prática pedagógica — objetivou compreender o mecanismo de funcionamento dos discursos dos professores em relação às diversificadas formações discursivas, constituídas acerca da deficiência mental e das abordagens psicológicas de caráter objetivista, subjetivista e interacionista, apreendendo seu sentido de inclusão e exclusão.
A autora fundamenta-se nos estudos de Vigotski (1997), Mantoan (2007), Bereohff (2010), Bueno (2011), Masini (2000), Nunes e Ferreira (2007). A metodologia adotada pela autora é a análise de discurso dos professores de alunos com deficiência intelectual. Assim, os discursos dos doze professores foram analisados a partir de textos dos questionários e das entrevistas feitas pela pesquisadora. Ademais, contou- se, também, com informações diagnósticas e históricas dos alunos público-alvo da
educação especial com deficiência intelectual. Com sua argumentação, planejou apresentar caminhos a fim de promover movimentos dos significados nos discursos dos professores, objetivando buscar a construção de uma prática com menos limitações e estigmas.
Essa pesquisa aponta, assim, caminhos para movimentar os significados existentes nos discursos dos professores intencionando a construção de uma prática educacional menos limitante e estigmatizadora. A partir desse trabalho, visualiza-se a necessidade da elaboração de um novo espaço discursivo acerca da DI e, por conseguinte, sobre a da deficiência de um modo geral. A exclusão como paradigma para o tratamento da deficiência deve dar espaço a um novo paradigma, o da inclusão. A autora evidencia que o ponto de partida está no mergulho que o sujeito vem realizando na direção de repensar a sua própria existência. A humanidade parece estar chegando à conclusão de que o desejo ressentido da normalidade por ela alimentado somente causa ainda mais os fortes grilhões da segregação social, com a suposição de que ao mundo bastariam os chamados normais, sobrando aos desviantes o ostracismo e a marginalidade social. Reconhecer o outro como protagonista na vida constitui, assim, um impulsionador da mudança de paradigma. O reconhecimento e o respeito pela diversidade é mais do que um singelo ato de tolerância, é a afirmação de que a vida se alarga e se enriquece na pluralidade. Nessa direção, é que, a nosso ver, se deve ressignificar a educação e, desse modo, o papel da escola e o da formação de professores. Faz-se necessário apreender os “antigos” sentidos e, em especial, a sua movimentação na rotina da sala de aula, para podermos derivar num inovador sentido. Fizemos o desenho, mas ficam ainda as lacunas a serem preenchidas na constituição de uma nova forma de viver em sociedade, uma nova forma de compreender e de fazer o universo, o que pressupõe um deslocamento da formação ideológica da exclusão para a da inclusão.
Pela Universidade Federal do Espírito Santo, Mesquita (2015) defendeu a dissertação intitulada O processo de alfabetização de uma criança com deficiência intelectual no primeiro ano de Ensino Fundamental. A pesquisa analisa como acontece a alfabetização de uma criança com DI matriculada no primeiro ano do Ensino Fundamental. Observa o trabalho pedagógico efetivado regularmente em sala de aula
comum acerca da alfabetização e como acontece o Atendimento Educacional Especializado (AEE) na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM).
Utiliza uma metodologia de natureza qualitativa, com um estudo de caso do tipo etnográfico, para observar o cotidiano escolar da criança. A perspectiva teórica adotada na pesquisa se apoia nos pressupostos de Bakhtin, que defende uma abordagem dialógica, e nos estudos de Vigotski (1997), que aborda as questões da aprendizagem por meio da mediação com o outro.
A coleta de dados ocorreu por meio de observação participante, entrevistas com os sujeitos envolvidos na pesquisa, registros em diário de campo, fotografias, análise de documentos da escola, laudo do sujeito com deficiência intelectual e relatório dessa criança. Com essa análise, verifica-se que a criança faz as atividades de leitura e escrita, acompanhada pelo professor e pela estagiária, identifica e escreve o seu nome, reconhece as letras do alfabeto, sabe contar história dos livros fazendo leitura de imagens, realiza atividades no caderno e livro didático, participa de todos os eventos, lê e escreve algumas palavras.
Constata-se que o AEE é um lugar legítimo de aprendizagem dos conhecimentos culturais pela criança com DI, entre os quais a linguagem escrita. Todo o trabalho educativo dos profissionais envolvidos colabora a fim de que a criança consiga obter os resultados de leitura e escrita relatados, contudo, se houver continuidade no acompanhamento dessa criança, novos avanços surgirão até o momento de sua produção individual com autonomia. Os resultados demonstram que a participação do outro no processo de apropriação da leitura e da escrita contribuiu no desenvolvimento intelectual da criança em relação à sua participação nas atividades, à percepção, ao raciocínio, à fala, à escrita, à interação com o grupo e ao seu relacionamento com as pessoas.
Situar esse estudo nas pesquisas da linguagem e da inclusão nos faz confirmar que a criança com deficiência intelectual é um ser humano que aprende. A mediação com qualidade, planejamento e objetivos propostos são aspectos que podem colaborar para a educação das crianças público-alvo da educação especial e das crianças que não aprendem na escola. As escolhas metodológicas são determinadas pelas nossas concepções de sujeito, de linguagem, de formação, organização escolar e gestão.
Finalmente, a intenção de analisar esse trabalho foi instigar inovadoras reflexões acerca da temática. Ao fazer isso, esperamos ter contribuído para tornar visível que a criança com DI também é capaz de aprender, de se apropriar dos conhecimentos sistematizados, de ser alfabetizada. A inclusão da criança com deficiência intelectual é um desafio que só será vencido a partir do momento em que crermos nas suas habilidades, como um sujeito que aprende.
Valentim e Oliveira (2013) publicaram um artigo intitulado Avaliação da aprendizagem e deficiência intelectual na perspectiva de professores do ensino comum pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). O estudo objetivou identificar e analisar as concepções de um grupo de professores do Ensino Fundamental (Ciclo I) sobre deficiência intelectual e avaliação da aprendizagem escolar.
Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo que utiliza, para investigação, um roteiro de entrevista semiestruturada. Os estudos fundamentam-se na teoria de Vigotski (1997) e Oliveira (1999). Os relatos dos professores demonstram certa fragilidade e despreparo para lidar com a inclusão escolar dos alunos com deficiência intelectual e, em consequência disso, gera-se a dificuldade de avaliar suas condições de aprendizagem. Observa-se que a avaliação utilizada por eles se caracteriza por ser pouco dinâmica e apoia-se, essencialmente, na utilização de ferramentas quantitativas e de mensuração, que pouco orientam o processo.
Desse modo, para amparar todo um novo conceito e inovadora prática de avaliação, é necessário atentar para as concepções e teorias que envolvem as práticas dos professores. Refletir acerca de um novo modelo de escola, que respeite os princípios da inclusão escolar, requer que tenhamos também, se não as temos, novas concepções da DI, uma vez que considerar que a deficiência é algo inerente e imutável ao sujeito ou à sua família, por exemplo, faz-nos culpabilizá-lo pelas suas dificuldades; desse modo, a escola isenta-se das responsabilidades no tocante ao fracasso, dificuldades escolares dos alunos e proposição de um espaço que respeite a diversidade.
A reflexão e adequação dos processos de ensino, estratégias curriculares, metodologia, conteúdos e avaliação da aprendizagem do aluno com DI fazem-se necessárias e urgentes, já que a prevalência de práticas tradicionais de ensino tem
evidenciado que elas pouco colaboram para a inclusão escolar. É necessário que avancemos nos debates, e, principalmente no que concerne às práticas inclusivas. Tal conhecimento, tão discutido na academia, deve estar disponível e acessível àqueles que mais se interessam, os professores da escola regular, que estão no dia a dia, confrontando suas experiências de trabalho e percebendo que, da forma como está constituída a educação, ela não serve para atender às necessidades dos alunos com deficiência. Logo, precisamos inaugurar uma inovadora forma de exercer a prática educacional, seja no interior das salas de aula, das escolas, seja nas proposições formativas dos sistemas de ensino.
Rossato, Constantino e Mello (2013) publicaram um artigo intitulado O ensino da escrita e o desenvolvimento das pessoas com deficiência intelectual, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (campus de Assis e Marília). O estudo propõe uma reflexão teórica sobre o desenvolvimento das crianças com deficiência intelectual, no que tange à importância e à necessidade de aprender a linguagem escrita, em relação à teoria histórico-cultural.
Na perspectiva dessa abordagem, o curso de desenvolvimento de uma criança, considerada deficiente ou não, acontece consoante as condições culturais e sociais em que ela está envolvida. No tocante à criança com deficiência intelectual, a sua condição cultural, em relação dinâmica com os obstáculos colocados por sua condição especial, é a fonte de seu desenvolvimento. Se o desenvolvimento das funções psicológicas superiores se realiza de acordo com o uso de ferramentas e se as pessoas com deficiência intelectual apresentam inaptidão para a utilização desses instrumentos, é preciso construir meios auxiliares para elas poderem aprender a utilizá-las, como meio de formar e desenvolver as suas funções psíquicas. Nesse processo, o ensino e a apropriação da linguagem escrita são caminhos fundamentais de acesso ao mundo cultural, em uma larga significação da comunicação, do mundo e de si mesmo.
As autoras defendem que o professor precisa ter sua prática amparada por ferramentas e técnicas, apoiando-se em uma teoria a fim de orientá-la e pensá-la, de modo que lhe permita compreender como seus alunos convivem com a cultura elaborada e nela intervêm. É tarefa do professor, em seu trabalho, criar necessidades, desejos e vontade de conhecer que possam ir além de um limite circunscrito ao
intelectual. É essencial a escola garantir o prazer de conhecer, ao invés de concentrar- se no treino de rotinas e funções cognitivas básicas. Como já afirma Vigotski (2000, apud ROSSATO; CONSTANTINO; MELLO, 2013)), o grande desafio de ensinar pessoas com deficiência intelectual está em não apenas promover o domínio da leitura e da escrita, mas fazer que esses sujeitos expressem por escrito seus pensamentos. Assim, as autoras explicam que algumas considerações que podem colaborar para a reflexão acerca da educação escolar das pessoas com deficiência intelectual, por acreditarmos que, alicerçados teoricamente, instrumentalizados e apoiados por políticas educacionais que lhes deem condições adequadas para a realização de seu trabalho, os professores podem contribuir para o processo de apropriação da linguagem escrita e da riqueza da cultura constituída historicamente. Outrossim, acreditamos ser necessário desenvolver mais pesquisas acerca desse tema. Mudanças podem ser impetradas; no entanto, se desejamos ser agentes efetivos de transformação social, sujeitos da história, fica o desafio de sermos capazes de nos envolver na vida cotidiana, romper seu sistema de preconceitos e retornar a cotidianidade em outra via. Na direção de elaborar o sucesso na escola.