2. the standing Committee for dispute
2.3. The public distribution system operator
A práxis é sim uma ação transformadora, é a relação entre teoria e prática, mas que não deve ser confundida com uma prática repetitiva e sem reflexão. Trata-se de uma ação objetiva que supera a critica social teórica, apontando caminhos na história da humanidade para as questões que envolvem a sociedade. Pela práxis o ser humano constrói seu mundo de forma autônoma. “Toda práxis é atividade, mas nem toda atividade é práxis84”, mais adiante
aprofundaremos esta idéia sobre a atividade que se expressa como práxis.
Antonio Gramsci, dedica particular atenção para a filosofia da práxis, em seu pensamento fica bastante evidente que os oprimidos precisam tomar consciência, em seguida libertar-se das forças que os oprimem, mas que para isso ocorra é necessário organizar-se para tornar-se senhor das próprias histórias e este processo não vem senão pela reflexão e ação permanente, assim “Gramsci apresenta a filosofia da práxis como expressão consciente das contradições existentes na história e na sociedade85”.
81 Idem, p. 100.
82 FLORISTÁN, Casiano, op.cit., p. 174. 83 Idem, ibid.
84 Idem, p. 185.
Para Gramsci a filosofia da práxis se resume em três tarefas principais, que são:
A de ter uma aproximação permanente com as classes populares, buscando compreender suas reais necessidades e possibilitando a formação de quadros no interior destas classes, por meio da educação;
Revelar as ideologias que se apresentam travestidas de modernidade;
E por último, a tarefa de buscar sempre o fortalecimento e a renovação diante dos novos questionamentos da história86.
Nos cadernos do cárcere, Gramsci enfatiza a necessidade de manter-se em contato com o povo, afirmando que a falta de contato direto com a classe popular acarreta em sérias dificuldades para o conhecimento real dos seres humanos87.
Para Gramsci, de fato, assim como para Marx, o pensamento é parte integrante da realidade e existe uma ligação inseparável entre o agir e o conhecer. A leitura dos fatos e a compreensão das coisas não são abstrações aleatórias e assépticas, mas derivam da trama sociopolítica na qual os indivíduos estão situados88.
Em Gramsci agir e conhecer são ações inseparáveis, e toda análise dos fatos, deve necessariamente ser feita a partir dos dados concretos, para tanto é necessário elaborar uma teoria do conhecimento como instrumento de libertação das estruturas que oprimem os homens.
Neste sentido, Gramsci chama a atenção para a figura dos intelectuais orgânicos89, destacando como categoria mais típica destes intelectuais a dos
86 Idem, p. 12.
87 GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol.1, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999, p.
221-222.
88 SEMERARO, Giovanni, op.cit., p. 17.
89 Gramsci fala sobre a função dos intelectuais na sociedade em diferentes classes sociais.
Entretanto o faz diferentemente da filosofia alemã, ele afirma que todas as classes sociais possuem seus intelectuais, que apontam suas visões de mundo para as classes que representam. Desta forma os intelectuais possuem uma função orgânica no processo da reprodução social, na medida em que ocupam espaços sociais de decisão prática e teóricas, tornando-os objeto de longa análise nos Cadernos do Cárcere. Mas a principal função destes se encontra na formação de uma nova moral e uma nova cultura, que podem ser entendidas também como uma contra- hegemonia, já que o objetivo final das lutas organizativas seria, no seu momento histórico, o
eclesiásticos90. O principal papel destes intelectuais consiste na organização da
classe a que representa, ou seja, seu modo de ser não consiste no discurso, que é motor exterior e passageiro das paixões, mas num engajamento concreto com a sociedade, como construtor e motivador permanente das transformações sociais91.
O nascimento da filosofia da práxis está intimamente ligado à atividade dos intelectuais orgânicos, particularmente quando Karl Marx e Engels, em oposição ao idealismo alemão, passam a participar ativamente nas lutas operárias, este novo intelectual (orgânico) é ao mesmo tempo cientista, crítico e revolucionário92.
É com a filosofia da práxis que os:
Novos intelectuais politicamente compromissados com o próprio grupo social para fazer e escrever a história e, por isso, capazes de refletir sobre o entrelaçamento da produção material com controvertidas práticas da reprodução simbólica93.
A exigência que se faz da participação dos intelectuais vai além dos discursos e teorias, a partir da filosofia da práxis passou-se a ter a necessidade de conhecer o funcionamento da sociedade, revelando os mecanismos de dominação que eram até então encobertos pelas ideologias dominantes, deste modo se dá a participação dos intelectuais orgânicos, pois estes fazem parte de “um organismo vivo e em expansão. Por isso, estão ao mesmo tempo conectados ao mundo do trabalho, com organizações políticas e culturais94”, e próximos ao
seu grupo social. Para Gramsci,
Todo grupo social, ao nascer do terreno originário de uma função essencial no mundo da produção econômica, cria também, organicamente, uma ou mais camadas de intelectuais que conferem homogeneidade e consistência da própria função não apenas do campo econômico, como também no social e político
socialismo. (MARI, Cezar Luiz, O papel educador dos intelectuais. http://www.ccsa.ufrn.br/ccsa/docente/rodson/ftp/Gramsci.rtf)
90GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol.2, Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1999,
p.16-17.
91 Idem, p. 17-18.
92 SEMERARO, Giovanni, op.cit., p. 130. 93 Idem, p. 130.
(...)95.
É importante salientar que para Gramsci todos os homens são intelectuais, mas que nem todos desempenham esta função na sociedade, entretanto não se pode falar na existência de não-intelectuais, não existindo para ele atividade humana “da qual se possa excluir toda intervenção intelectual, não se pode separar o Homo sapiens do Homo faber96”, desta maneira todo ser humano
exerce uma atividade intelectual em algum momento.
Gramsci atribui uma significativa importância à educação neste processo de formação intelectual em seus diversos níveis, respeitando, contudo o saber popular mesmo quando da sua falta de organização e fragmentação, sem, no entanto abandonar a crítica e uma formação que supere o senso comum, as crenças e preconceitos presentes no grupo97. Certamente essa é uma
contribuição na elaboração de uma pastoral litúrgica, que tenha na filosofia da práxis sua fundamentação teórica.