Chapter 1 Introduction
1.2. PTM detection
Até o término da coleta destas informações (final de 2015), o Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA contava com 34 docentes, sendo 33 efetivos e um substituto – 19 professores (56%55) e 15 professoras (44%). Desse quadro, quase a metade (16 ou 47%) estão vinculados à Sociologia; 12 (35%) são da área de Antropologia, e apenas 06 (18%) vinculam-se à Ciência Política. O fato desta ter sido a última área das Ciências Sociais a integrar o curso pode ser um fator indicativo para agregar o menor número de docentes.
Com relação à formação desses professores, apenas dois não possuem a titulação de doutor (um efetivo e a professora substituta qualificaram-se até o mestrado), enquanto todos os outros (94%) já concluíram o doutorado, sendo nove (27%) aqueles que possuem pós-doutorado. Se considerarmos apenas os professores efetivos, a quase totalidade (97%) é de doutores. A maioria dos docentes do DESOC (24 ou 71%) graduou-se em Ciências Sociais56; destes, dezenove (79%) possuem apenas o bacharelado na área, quatro (17%) cursaram bacharelado e licenciatura e somente um cursou apenas a licenciatura. Três (9%) professores possuem graduação em História, dois (6%) em Filosofia57, e os demais graduaram-se em Direito, Enfermagem, Medicina, Pedagogia e Serviço Social (um docente em cada uma dessas áreas). Em relação às instituições nas quais os docentes cursaram suas graduações, a UFMA apresenta o maior percentual entre todas elas – 35% (12 professores diplomados); UFC, UFPA e UFRGS formaram, cada uma, 9% dos docentes. Não é desnecessário registrar também o quantitativo daqueles que se formaram nas universidades paulistas (18%) e nas do estado do Rio de Janeiro (12%)58.
O fato das Ciências Sociais terem surgido com a proposta de formar bacharéis pesquisadores (MICELI, 1989; FREITAS, L., 2013) é bastante sintomático para a situação da ampla maioria dos graduados em Ciências Sociais ter escolhido cursar somente o bacharelado. Soma-se a isso, o fato de grande parte (88%) ter iniciado suas graduações nas décadas de 1970, 1980 ou 1990, período em que a Sociologia ou estava totalmente ausente do currículo escolar ou voltava a ele claudicante. Como observou Oliveira e Barbosa (2013), é possível fazer uma
55 Os números foram aproximados para a casa decimal mais próxima, isto é, arredondados. 56 Um desses docentes possui bacharelado em Ciências Sociais e em Engenharia Florestal. 57 Uma professora é graduada em Filosofia e em Educação Física.
58 As informações referentes às (sub) áreas de formação, instituições e ano de conclusão dos cursos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado dos docentes encontram-se no anexo E.
associação entre a formação docente do sociólogo no ensino superior e a presença da Sociologia nos currículos escolares: como praticamente desde a criação dos primeiros cursos de Ciências Sociais até o final do regime militar, a Sociologia esteve ausente no ensino secundário (ou não era obrigatória), esses cursos orientaram-se, majoritariamente, para a pesquisa. Assim, a não criação ou manutenção de cursos de formação de professores na área parecia dotada de sentido, e a opção em não cursar a licenciatura (nas universidades que tinham o curso ou a modalidade) apresentava-se como coerente. Além disso, a profissão de sociólogo somente foi reconhecida na década de 1980, pela Lei nº 6.888/1980. “Todavia, a lei reconhecia apenas o bacharelado em Ciências Sociais e não o licenciado pleno” (FREITAS, L., 2013, p. 133).
Curiosamente, a única professora que concluiu a graduação de licenciatura em Ciências Sociais (em 2006) afirmou que não tinha a pretensão de ministrar aulas, nem mesmo na educação superior. De acordo com a docente, na maior parte de seu curso ela foi aluna de iniciação científica, em uma temática distante da educação, fator indicativo da sua pouca expectativa depositada na docência.
O debate sobre quem forma os professores de Sociologia não se resume apenas em identificar a formação inicial ou habilitação dos formadores, uma vez que, como indicaram Dwyer, Barbosa e Braga (2013), nas Ciências Sociais a identidade profissional se constitui e se firma, sobretudo, a partir da pós-graduação. Essa identidade está muito mais associada ao “sociólogo acadêmico” do que ao “sociólogo profissional” (ou à profissão de sociólogo, proporcionada pela graduação). Sendo assim, é essencial identificarmos as áreas nas quais os docentes escolherem prosseguir seus estudos em nível de mestrado e doutorado.
No mestrado, como poder-se-ia presumir, observamos uma maior aproximação dos docentes em relação às Ciências Sociais, na medida em que 28 deles (82%) são mestres nessa área ou em uma de suas subáreas: oito professores informaram possuir mestrado em Ciências Sociais59, sendo que a formação de um deles concentrou-se em Antropologia; oito possuem título de mestre em Antropologia, sendo sete em Antropologia Social; seis são mestres em Sociologia; quatro em Ciência Política; um possui mestrado em Sociologia e Antropologia; e um em Sociologia Política. Desenvolvimento Rural, Educação Escolar Brasileira, Filosofia, Linguística, Planejamento do Desenvolvimento, e Políticas Públicas são as outras áreas nas quais há, em cada uma, um professor mestre. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi onde 18% dos
docentes obtiveram o título de mestre; em seguida aparecem a Pontífice Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a UFMA com 12%, cada uma; UFPA, UFRGS e UFRJ concederam, individualmente, o grau de mestre a 9% dos professores do DESOC; UFC e UnB titularam dois mestres cada uma. Anota-se que 62% dos professores cursaram o mestrado em alguma universidade da região Sudeste ou Sul do Brasil, onde se encontram, de maneira quase consensual, as principais universidades públicas do país, em termos de ensino, pesquisa e produção científica.
Em relação à formação em nível de doutorado, a ampla maioria – 29 dos 32 doutores (91%) – obtive o título nas Ciências Sociais: dez doutoraram-se na área de Sociologia; cinco possuem o título de doutor em Antropologia; cinco são doutores em Ciência Política; dois em Sociologia e Antropologia; e sete não especificaram a área de concentração. Ademais, em cada uma das áreas de Políticas Públicas, Saúde Pública e Linguística há um professor doutor. Em termos de instituições formadoras, nota-se um predomínio das universidades dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, com dois terços (ou 66%) dos docentes doutores formados nessas instituições: 25% na UFRJ; 22% na PUC-SP; 9% na Unicamp; 6% na USP; e um no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPRJ). As outras instituições formadoras são UFRGS (9% dos doutores), UFC (6%), UnB (6%), além de UFMA, Universidad Autónoma de Barcelona, Institut Catholique de Paris e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que doutoraram, cada uma, um docente.
Observamos um elevado número de docentes pós-graduados nas Ciências Sociais, o que indica uma tendência: na medida em que os professores ascendem academicamente, em termos de formação, eles aproximam-se da área na qual atuam, o que fora sublinhado também por Dwyer, Barbosa e Braga (2013). No que concerne às instituições formadoras desses docentes, observa-se que em nível de pós-graduação, a maioria formou-se em instituições públicas das regiões Sudeste e Sul, sobretudo nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o que sugere um sólido percurso formativo, em termos de paradigmas teórico-epistemológicos, fator que se evidencia a partir das percepções dos discentes acerca da formação teórica desses professores (questão abordada no capítulo seguinte).
A quase totalidade de doutores no Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA é reflexo de uma estratégia adotada por este, já no final dos anos 1970: incentivar os professores a qualificarem-se em nível de mestrado e doutorado. Todavia, o fato de possuírem
graduação e/ou pós-graduação na área de Ciências Sociais parece não ser suficiente para podermos inferir sobre as relações que os professores mantêm com as questões de formação docente.