Time variable arc fault detection
5.1 Prototype Implementation
No que concerne a homogeneização massificadora, a maior crítica dos dois alemães é feita à indústria cinematográfica. Os filmes são marcados por um conteúdo standard independente de suas companhias produtoras. Têm os mesmos clichês, tanto com relação ao papel dos personagens, como aos rit- mos das músicas, como às seqüências das cenas e até mesmo os enredos: “desde o começo do filme já se sabe como ele termina” (1985, p. 118). Segundo eles, as consciências dos expectadores acabam se subordinando a essa mesmice, dificultando o surgimento de novas estruturas mentais capazes de agirem sobre o mundo transformando-o. Ou seja, o cinema age alienando as grandes massas da população, embotando suas consciências, disseminando falsas consciências. Pela utilização freqüente de clichês, a indústria cultural acabou por eliminar a Idéia, que era uma das características inerentes às obras artísticas. Em função da exposição massificadora o cinema eliminou os efei- tos harmônicos e complexos (dos sons, das cores), as particularidades estéti- cas e o efeito psicológico da “verdadeira” obra de arte. A técnica que tudo padroniza, continuam Adorno e Horkheimer, transforma o filme num pro- longamento estandardizado da vida sob o capitalismo. Pelo fato do cinema reproduzir o cotidiano desse modo de existência de forma quase perfeita, consideram não existir ruptura entre o filme e a vivência. Os espectadores são levados assim, a transformarem suas vidas num apêndice dos filmes que assis- tem. São “adestrados” por eles, identificando-os imediatamente como a rea- lidade. Existe, pois uma dialética diabólica, entre a realidade que é reproduzida no cinema e a realidade que o cinema produz.
Para Adorno e Horkheimer não apenas os filmes, mas todas as manifes- tações da indústria cultural são marcadas pelo lugar comum, pela banalização, pela vulgarização, muito além da simplicidade. São fáceis de serem consumidas porque reproduzem por assim dizer, o senso comum médio das grandes mas- sas. Para parafrasear Marx na A ideologia alemã (2004), poder-se-ia dizer que as idéias dominantes de uma época são as idéias das classes dominantes. A faci- lidade não decorre senão, do lugar comum, de um senso comum dissemina-
do em largas parcelas das populações. Por isso mesmo, com muita eficácia inibem o desenvolvimento do pensamento dos indivíduos – que não são ca- pazes de pensar senão o que suas categorias, suas classes sociais são capazes de pensar - em direção a verdadeira complexidade da vida, as suas contradições. Essa característica da indústria cultural ajuda à reprodução de uma subjetivi- dade humana que promove a coesão da vida social sob o capitalismo, possibi- litando-o continuar sua marcha em direção ao lucro, explorando a sede de consumo dos indivíduos que compõem o mercado.
Uma das formas que a indústria cultural exerce seu controle sobre os consumidores é por meio da diversão. Ela é, em geral, fútil e ilusória. Seu fetiche não enriquece o patrimônio existencial dos indivíduos de uma socie- dade. Enriquece e fortalece, em contrapartida, os proprietários de seus meios de produção. A diversão, “prolongamento do trabalho no capitalismo tardio” (1985, p. 128) é por ele dragado. Todos os sentidos do homem são apropri- ados pelo capital através de suas mercadorias culturais, favorecendo a resigna- ção e prometendo a felicidade. Através de seus fetiches diabólicos as merca- dorias culturais dominam o espaço do lazer das grandes parcelas da popula- ção, transformando o cotidiano infernal das massas numa fuga ilusória em direção a um paraíso ainda mais ilusório. Estas vivem, de fato, uma repetição do vazio existencial destituído de verdadeiras emoções, ou numa palavra, a coisificação. No capitalismo tardio a cultura de massas se caracteriza pela inexistência de reais novidades em contraposição à fase capitalista do libera- lismo avançado.
A indústria do prazer planeja a diversão coletiva, mas em função dos critérios de seus proprietários. É, pois, um lazer que não é livre. O lazer se transforma na continuidade da vida alienada, dissolvendo os limites entre a realidade, a ilusão de realidade e a pura ficção. Enquanto nova produção cul- tural, a indústria cultural surge com um objetivo específico de ocupar o espa- ço de lazer e de diversão do trabalhador assalariado para reproduzir lucrativa- mente seus capitais. Mas adquire uma contrapartida não menos importante: amplia a hegemonia do capital sobre o trabalho. Nestes espaços, contraria- mente, o trabalhador busca recompor suas energias através da evasão, da emo- ção, da reflexão para enfrentar mais uma semana de trabalho. Mas, de fato, a substância que absorvem não lhes devolvem, senão ilusoriamente, suas ener- gias, vez que não podem revelar as fraturas sociais desde suas origens, desde suas causas. De forma progressiva, a indústria cultural difunde a ideologia de que a felicidade já se acha concretizada no presente, impulsionando as massas
a consumirem o “novo” produto – o novo filme, a nova música, sem que este possa lhes revelar sua alienação vez que ele é o seu próprio prolongamento material e ideológico. O consumo torna-se um deus ex machina e deixa-se dragar pelo seu fetiche, é o suposto caminho para a realização pessoal e a própria redenção social. Ao misturar os planos da realidade com os da repre- sentação, a cultura dos meios de comunicação de massa anula, segundo tais frankfurtianos, os mecanismos de reflexão e de posicionamento crítico frente à realidade vivida. Dessa forma, a cultura, que deveria ser o fator de diferen- ciação e de negação totalizante no capitalismo, se torna em mais um mecanis- mo de reprodução do mesmo e não o menos importante.
LIMITES DA CRÍTICA FRANKFURTIANA E VIGÊNCIA